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CONFERENCIAS 2007 II - CERTO E ERRADO, BEM E MAL
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CERTO E ERRADO, BEM E MAL

Autor: KARL BUNN *

Queremos levantar a questão do que é certo, do que é errado, se é que existe algo certo e errado, ou se existe o bem e se existe o mal. Estas são questões filosóficas relativas...

O que é o certo? O que é o errado? Fala-se muito no bem e no mal, mas, o que é o bem, o que é o mal?

Muitos dizem que o bem é o céu, outros dizem que o mal é o inferno, ou que certo é o céu e errado é o inferno.

Muitos estudantes, quando saem da Gnose, se retiram do nosso meio comentando: não existe o certo e o errado, não existe escola verdadeira, tudo é certo, todas as escolas são verdadeiras.

No discurso funciona bem; e na vida prática? Aqui na vida concreta, será que é a mesma coisa?

Por isso que colocamos esse tema hoje, com o objetivo de auxiliar os indecisos a fazerem uma escolha; afinal, é mera escolha, trata-se de uma escolha.

O Mestre Samael diz claramente, se não me falha a memória, no livro "As Três Montanhas": cada um é livre para escolher entre subir e descer, seguir pela via esquerda ou direita, pela via reta ou pela via do Nirvana.

É errado alguém escolher o caminho do inferno? É errado alguém escolher se tornar um demônio?

É uma escolha, você escolhe, é você quem responde diante da lei... Então, voltamos à questão: o que é o certo e o que é errado?

E voltamos também à questão dos estudantes que saem do nosso meio dizendo: "não existe o certo ou errado".

Na vida prática, essas pessoas não sabem nem aprenderam a escolher; então, não podemos ficar simplesmente dentro do par de opostos filosóficos; temos que escolher... Não escolher também é uma escolha!

Quando não escolhemos, a vida escolhe por nós, as circunstâncias escolhem por nós e somos levados pela correnteza da vida ou pela força da existência. Portanto, não existe isso de não escolher. Por isso, nós, nos ensinamentos que passamos, buscamos orientar os estudantes a fazerem uma boa escolha.

É claro que somos uma escola que defende e ensina a metodologia do caminho reto, do caminho da iniciação branca. Isso também é uma escolha; essa foi nossa escolha: nós aderimos à doutrina do Mestre Samael Aun Weor. Partimos do princípio de que Samael Aun Weor é o avatar da era de aquário; nós decidimos apoiar essa escolha; e aqueles que se juntam a nós, partilham dessa mesma escolha...

Não adianta chegar ao nosso meio e começar a questionar se estamos certos ou errados. Somos livres para viajar de avião, de trem ou de navio. Mas, uma vez que se entra no trem, no navio ou no avião, nossa vida e destino dependem do plano de vôo ou do plano de viagem e das condições e circunstâncias técnicas daquele aparato, e da capacidade e da formação e da experiência daquele que conduz ou dirige; mais simples que isso é impossível colocar a questão.

Portanto, quem escolhe a Gnose, escolheu um caminho característico que não é o caminho espiralado, embora a estação dos Buddhas seja uma estação de parada e passagem obrigatórias.

Na vida prática temos percebido que as pessoas não aprenderam a fazer escolhas; até hoje, pessoas e estudantes, que estão conosco há três, quatro, cinco anos, ainda estão confusos, perdidos... Não por falta de aviso, de orientação, de instrução, de formação; simplesmente, porque não se decidiram; estão confusos porque não foram capazes de tomar uma decisão ou de fazer uma escolha. O próprio Cristo, através de Jesus, dizia: "sede frios ou quentes, porque os mornos vomitarei da minha boca".

Todos os grandes instrutores da humanidade ensinaram essas verdades simples, primárias, fundamentais, como escolher. Você é livre para escolher... Mas, cada escolha, cada decisão tem suas implicações, e não há como fugir disso; não há como evitar as implicações e as conseqüências de uma escolha...

Por isso, uma escola como a nossa, foca e concentra o ensinamento no sentido de dar condições para cada qual fazer escolhas com conseqüências positivas; entendemos também que nenhum de nós vai escolher algo que lhe faça mal. Se alguém pode escolher entre o remédio e o veneno, quem escolheria o veneno?

Mas tudo é uma questão de escolha. Entre escolher alimentos de qualidade e alimentos estragados, quem escolheria alimentos contaminados, se tem a opção de escolher alimentos saudáveis?

Para alma é a mesma coisa. Mas, o que escapa da maioria das pessoas, é que acreditam que mesclando tudo o que tem diante de seus olhos, ao alcance de suas mãos, está fazendo escolhas excelentes.

Agem dessa maneira porque, no seu imaginário pessoal, acreditam que estas escolhas as levarão à luz, ou à auto-realização, ou ao despertar da consciência, ou à iluminação, ou à independência do mecanismo do Sansara, etc. Aí é que vêm as decepções e dores porque, dependendo da mescla que fazem, da salada de escolas, métodos, instrutores e sistemas, escolhidos ao azar, aleatoriamente, sem base, sem fundamento, sem conhecimento, ainda que no seu imaginário acredite estar fazendo boas escolhas, estão, na verdade, intoxicando sua mente e sua alma.

Aí, abandonam as filas gnósticas, por exemplo, dizendo, de boca cheia: "não existe o certo e o errado; todas as escolas são verdadeiras, são boas; todos os caminhos levam a Deus”.

É verdade! Até mesmo porque o inferno está dentro do corpo divino, e corresponde aos pés do Grande Arquiteto do Universo. Assim é representado, em símbolos, e através de sonhos, que grandes profetas, como Daniel, interpretaram.

É verdade, sim, meus amigos, que todos os caminhos levam a Deus. Muitos deles, porém, fazem um “pequeno-grande” desvio no reino do senhor Hades ou de Plutão, onde ficarão por largos períodos. Mas, um dia, em 1.000, 10.000, 100.000 ou um milhão de anos, ou depois de vários milhões de anos, é claro que sairão dos abismos, e ganharão uma nova oportunidade em corpo humano para chegar a Deus.

Essa também é uma escolha... Não existe certo e errado! Você escolhe chegar a Deus fazendo esse trajeto; não é o mais direto, não é o mais curto, mas, em algum momento, dentro da eternidade, irá chegar a Deus. Entenda quem tiver entendimento...

Quando vamos tomar uma decisão, ou fazer uma escolha, tenhamos bem claro, para conosco mesmos, os critérios de seleção; deveríamos todos dedicar boa parte de nossa vida tão só a aprender a como selecionar critérios de decisão. Mas as escolas não ensinam isso por aí.

Portanto, alguém, com justo motivo, pode perguntar e questionar agora: "onde, como e quais são os critérios para fazer uma boa escolha espiritual?".

Temos dito aqui que a cada dois mil anos a divindade envia um mensageiro, um avatar, e são estes mensageiros que trazem os critérios atualizados para cada qual escolher. Agora, se há ouvidos de ouvir e se não há olhos de ver, é uma outra questão...

No mundo de hoje, a humanidade está contaminada por falsos valores, e, sem dúvida, raríssimos são aqueles que conseguiram reunir critérios sábios para tomar decisões existenciais. Com isso, então, queremos enfatizar essas idéias fundamentais: o que é o bem e o mal, o que é o certo e o errado.

É certo ficarmos e estudarmos unicamente a Gnose?

Não existe certo e errado; nesse aspecto, nesse ponto, concordamos - porque assim é. Partimos do princípio de que cada um de nós aqui é livre para escolher o que lhe convém, lembrando apenas que é preciso eleger critérios sábios para fazer boas escolhas.

Mas, como tudo na natureza tende à degeneração, à entropia, é evidente que doutrinas antigas não são as mais adequadas para hoje, ainda que estas doutrinas antigas, trazidas pelos grandes avatares do passado, como Buddha, Moisés, Hermes Trismegistus, contenham elementos essenciais que norteiam e podem nortear nossas escolhas. Mas, se temos o discernimento desenvolvido o suficiente para reconhecer e apartar o fogo da fumaça, também é uma questão ainda a ser definida...

Se não temos, é preciso buscar ou desenvolver essa capacidade de discernir; borboletear de escola em escola, é diferente. Claro que alguém pode escolher fazer da sua vida um vôo permanente, mas, meditando sobre todas essas coisas, me ocorreu algo, bastante simples. Veio-me como resposta a esses questionamentos a figura da abelha e do mel. Qual é o mel mais valorizado, apreciado: o mel feito de flores mescladas ou aquele que é feito de flor de eucalipto ou de laranjeira, por exemplo?

O chamado mel silvestre, aquele que é feito de flores variadas, geralmente tem um gosto amargo; não tem sabor definido; ao passo que os paladares exigentes escolhem mel de eucalipto ou de laranjeira, de macieira ou de qualquer outra flor.

Se ficarmos por aí, indo de flor em flor, que tipo de critério vamos desenvolver dentro de nós mesmos?

Será algo indefinido, vago, mesclado, um pouco de cada coisa sem que se consiga definir exatamente o que é, e por isso, genericamente, dizemos: “flores silvestres”. Isso é qualquer coisa...

Essa humanidade vazia, rasa, superficial, age dessa forma; acha que tudo leva ao Paraíso. Por isso que vêm as decepções e as amarguras; o problema maior mesmo é quando as pessoas, levadas e induzidas pela sua boa fé e sua ingenuidade, entram nessas canoas furadas, ou ainda, utilizando de auto-suficiência, soberba, definem, baseadas em meras leituras de autores que não têm nenhum discernimento, porque também não fazem outra coisa que meramente copiar de outros escritores.

Esses, são conhecidos como os copistas; só fazem copiar; nunca viveram, nunca experimentaram nada daquilo que escrevem; porém, se apresentam aos olhos do mundo como doutores, especialistas, autoridade na matéria X,Y,ou Z - e a multidão de imbecis os aplaudem... Este é o quadro geral, meus amigos!

Milhões ou bilhões estão descendo, nestes momentos, aos abismos, porque não souberam escolher, ou nunca quiseram escolher - o que é bem pior.

Não sem razão, um amigo nosso, estudante, liberou uma mensagem por esses dias em nossas comunidades, abordando, justamente, essa questão sobre a espiritualidade nos dias de hoje. Ali ele comenta, dizendo que muitas religiões e escolas são como as empresas, que nesse mundo esotérico ou pseudo-esotérico de hoje, é puro comércio, e seus responsáveis, líderes, estão mais interessados em atrair clientes e seduzir o público do que passar formação ou informação que efetivamente venha a transformar o caráter daqueles que os buscam.

Nesses ambientes – prossegue - fala-se apenas aquilo que as pessoas querem ouvir, e assim ficam felizes; com isso é fácil manipulá-las, como também é muito fácil incentivá-las a continuar consumindo seus produtos; criam um plano de metas, mercadejam o sagrado e as doutrinas, como fazem as empresas hoje que lutam por criar e manter mercados e legiões de animais amestrados, ou máquinas de consumo, nada mais do que isso.

Nós aqui, nesta sala, certamente conhecemos casos e sabemos, por simples observação, que há muitos hoje vivendo exclusivamente do exoterismo e da espiritualidade materialista dos tempos atuais; dentro da Gnose há quem fez da Gnose um grande negócio, e estão muito bem financeiramente falando, mas espiritualmente, ou internamente, não podemos sentir outra coisa que compaixão, porque o estado destas criaturas é realmente terrível; afundaram no karma e na violação da lei.

Nessa espiritualidade materialista, falsa, nesse falso esoterismo que se tem hoje, há muitos cursos, palestras e produtos, tudo desenvolvido para ter lucros, para manter fiéis os clientes; as pessoas adoram, inclusive, serem enganadas. Nesses locais, ensinam a espiritualidade da prosperidade ou encontramos ali igrejas que seguem e praticam a chamada teologia da prosperidade.

No começo deste ano falamos aqui sobre O Segredo, onde se utilizam os poderes mentais para atrair para si aquilo que desejam; são linhas de auto-ajuda que estão na direção contrária da liberação da alma ou do crescimento real e verdadeiro da consciência. Nesses ambientes de pseudo-esoterismo e de falsa religião, seus líderes, pregadores e instrutores manipulam o sentimento das pessoas, jogam com a fé das pessoas, valem-se inclusive do recurso de chantagem emocional...

São treinados na arte de manipular pensamentos e sentimentos, e obviamente, são bastante orgulhosos e vaidosos dos grandes públicos que conseguiram atrair e manter aprisionados. Todos nós sabemos que há solto por aí um público grande, onde se brinca de bruxinhos, maguinhos, mestrinhos, xamanzinhos...

Sem dúvida, isso tudo não passa de gaiolas com barras de ouro. Nenhum desses busca morrer em si mesmo, ou busca a santidade, a castidade, viver a conduta reta sem interesses, servir a humanidade, as pessoas, ajudar os seus semelhantes sem interesses expressos, manifestos ou ocultos; a lei divina também vê e considera as intenções ocultas e sobre isso já alertamos aqui em outras oportunidades.

Agora entendemos que o público, de um modo geral, as pessoas, a humanidade, é crua, como inclusive abordamos na última reunião aqui. Tem boa fé, acredita nas idéias que lhes são passadas; são como crianças, espiritualmente falando; é claro que ao receberem essas doses mínimas, acreditam que com essa carga, essas pílulas douradas de informação "esotérica", "espiritual" estão evoluindo e caminhando firmes e decididos na chamada “evolução espiritual”, quando em realidade esses crentes estão perdendo seu tempo e até mesmo mal empregando o dinheiro que tem, enriquecendo os manipuladores da credulidade alheia.

Bem verdade também que a humanidade não tem nenhum interesse em se emendar. Por isso que a Gnose está vazia... Dentro da Gnose há escolas, por exemplo, como a nossa, que não nos vendemos por nada, não nos interessa o dinheiro de ninguém, nem aplausos, reconhecimento ou elogios...

O que nos interessa aqui é passar a doutrina com a pureza que recebemos; não há nenhum outro interesse. Tomamos isso como missão. Nós falamos claramente porque somos livres, não queremos nada, não buscamos nada, nem aplauso, nem reconhecimento, nem palmadinhas nos ombros, nada... Na realidade sentimos horror dos bajuladores; queremos distância dos bajuladores...

E isso nos traz à lembrança a história de Dâmocles, aquele bajulador que vivia próximo ao rei de Siracusa, e que achava que o rei vivia em mordomias permanentes, banquetes, jantares, festas, deslumbramentos... Um dia, o rei, cansado das bajulações de Dâmocles, fez uma proposta: "você acha que vivo dessa maneira que você pensa?

- Sim eu acho que você vive como um deus na terra; ninguém tem vida melhor que a sua! - disse o bajulador.

- Você aceitaria que eu te nomeasse rei por um dia ou uma noite ou uma semana? – perguntou o rei.

- Sim, respondeu Dâmocles... Fizeram o cerimonial, convidaram todos, houve um banquete, e Dâmocles foi coroado rei.

- Vem, senta-te no meu trono – convidou o antigo rei de Siracusa... Vamos brindar à tua coroação...

Na hora do brinde, ao levantar a cabeça para beber da taça, Dâmocles deu um pulo do trono, pálido de medo...

Ele vira uma brilhante e pontiaguda espada direcionada para a sua testa, segura apenas por um fio de crina de cavalo. Ninguém poderia vê-la, somente quem estivesse sentado no trono real. Enquanto ele tremia de medo, o verdadeiro rei gargalhava à sua frente.

- Cada decisão tem implicações, mas principalmente eu pendurei essa espada aqui encima para me lembrar sempre ou para não me esquecer nunca dos bajuladores que me cercam porque são os bajuladores, esses que aplaudem e afagam que enterram qualquer ideal.

A espada de Dâmocles é quase sempre uma alusão usada para representar a insegurança daqueles com grande poder (devido à possibilidade deste poder lhes ser tomado de repente) ou, mais genericamente, a qualquer sentimento de perder tudo devido a uma escolha equivocada.

Por que os governos se corrompem?

Porque todo mundo é facilmente vendido, manipulável. Se não é pelo sexo, é pelo dinheiro, ou pelo poder. Tudo embriaga o sonâmbulo humano que vive na superfície do planeta. Somente uma espada pendurada por fio de crina de cavalo que pode nos manter sempre acordados e despertos para o quão enganoso e falso é o brilho das coisas passageiras e enganosas deste mundo...

Aqui também, o público, a humanidade como um todo, se empenha fervorosamente em fazer cursos com exoteristas e espiritualistas de renome, de fama, que escreveram muitos livros que são best sellers. Atrás disso tudo existe ganância, cobiça, inveja, orgulho, vaidade, ostentação e desejos de se projetar ou de brilhar.

O ensinamento esotérico, sagrado, iniciático, é para todos; mas o aprendizado é uma questão individual. Esta semana, aqui mesmo, várias pessoas nos escreveram ou entraram em contato conosco pedindo “dicas” do tipo “o que eu faço para isso, o que devo fazer para aquilo, eu tive um sonho assim, assado".

Meus amigos, “dicas” não resolvem nada; “dica” não serve para nada. Se alguém está em dificuldade e nos consulta - e através da consulta já percebemos qual é a profundidade daquele que se acerca de nós - ajudamos com alegria, e nos empenhamos em fazê-lo ver onde está o ponto fraco, falho; para isso estamos aqui. Mas agora, estudantes relapsos, preguiçosos, que não querem se dar ao trabalho de estudar, que querem “dicas”, perdem seu tempo escrevendo ou pedindo...

Não damos dicas, pois sabemos que essas dicas enterram o estudante, viciam o estudante, fragilizam o estudante. Ele se vicia em receber tudo de mão beijada; é como que dar papinha na boca do neném...

Meus amigos, estudante estuda - é o que temos batido e debatido aqui... Estudante que não estuda não merece ajuda... Lá em cima, se alguém não se apresentar com fatos concretos diante do tribunal da lei, é perda de tempo... Os Senhores da Lei não dão crédito aos falastrões. É preciso apresentar-se com fatos...

Aqui já mencionamos: vamos deixar de bobear; os tempos estão correndo; o pânico vai bater na nossa casa, mais cedo ou mais tarde, mas aí as portas estarão fechadas. Teremos que responder "não vos conheço, nunca vos conheci!".

Tudo é uma questão de escolhas; temos que aprender a discernir sobre as coisas da vida, sobre as pessoas e também sobre isso que denominamos de bem e mal, certo e errado.

O errado é fazer uma péssima escolha, é fazer uma escolha enganosa, em cima de critérios equivocados.

Não basta ser sincero, é preciso ter consciência, é preciso saber. Por que motivos e razões teria escrito o Mestre Samael no seu livro Educação Fundamental algo como "necessitamos formar uma poderosa cultura intelectual, mas equilibrada com a espiritualidade consciente?

Diz o Mestre ainda, nessa mesma obra: "precisamos de uma ética revolucionária e também de uma psicologia revolucionária se quisermos dissolver o ego".

Tudo isso foi matéria de aulas em 2007, 2006 e também 2005... O Mestre Samael dizia que alunos necessitam estudar ciências, história, geografia, matemática, química, para adquirir conhecimentos vocacionais ou profissionais. Com que finalidade? A de sermos criaturas úteis à sociedade, à humanidade.

Devemos estudar as coisas de profissão e da vida por amor aos nossos semelhantes, para poder ou querer servi-los melhor. Mas a maioria da humanidade estuda por ambição de dinheiro, não por um ideal, não para servir... Estuda porque quer ganhar dinheiro ou porque tem medo do amanhã; então, estão contrariando as bases primeiras do reto viver e da sábia forma de viver.

Acaso nós nascemos para isso, para nos transformarmos em máquinas de produção e de consumo a serviço de mercados e manipuladores de mercados? E de senhores de riquezas produzidas neste planeta?

Ainda hoje, nas listas, alguém fazia uma contribuição que achei bastante valiosa. A colaboração dessa estudante diz mais o menos o seguinte: “Nas estradas [nem falo das estradas da vida; estou falando das nossas aqui], há muitas bifurcações, muitos caminhos laterais e a todo momento temos que fazer escolhas; se vamos virar à direita ou à esquerda, ou se vamos seguir em frente; podemos seguir o fluxo do trânsito, as indicações das placas e assim escolher melhor e não se perder no labirinto das bifurcações.

Mas também podemos ficar parados, enquanto a vida corre, enfim, na vida, meus amigos, temos que fazer escolhas, porém, lembrando: para fazer boas escolhas é necessário termos bons critérios.

Uma escola que ensinasse as pessoas a criar e a ter para si bons critérios de escolha já faria um grande bem, um favor à humanidade, porque a vida é isso: é fazer escolhas.

Podemos correr atrás de uma promessa de prosperidade, acreditando que a felicidade vem através de bens materiais, prazeres, dinheiro, ou podemos renunciar a tudo isso e aprender a viver com pouco.

Aprendemos nos evangelhos, com Jesus o Cristo, que já dizia e alertava: Onde estiver o seu tesouro ali estará também o teu coração.

Qual é o nosso tesouro, meus amigos? Se o nosso tesouro é o dinheiro, é claro que mobilizaremos força, energia, atenção, trabalho, para materializar o dinheiro em nossa conta bancária.

Agora, se nosso tesouro não estiver neste mundo, também mobilizaremos, estudaremos e aceitaremos com alegria a disciplina que nos for apresentada para traduzir em fatos concretos esse tesouro espiritual, dentro de nós, aqui e agora.

Jesus dizia também que se alguém quiser vir depois de mim, negue a si mesmo, tome sua cruz, siga-me!

É assim que se busca e se alcança e se encarna o tesouro espiritual: é por meio de renúncias. A renúncia envolve escolher uma vida prazenteira ou modesta...

Não que o caminho espiritual seja um caminho sofrido, triste, como a gente vê muito dentro da Gnose, infelizmente. Não, o caminho espiritual não é um caminho sofrido. Francisco de Assis me parecia mais sofrido quando vivia na casa paterna do que depois que largou tudo que era do seu pai e foi viver em função do tesouro do espírito; aí, mesmo não tendo nada, era muito mais feliz, não era sofrido...

Buddha ensinou a mesma coisa; ele largou, com alegria, as comodidades e prazeres do palácio, e se lançou na sua busca espiritual, vivendo na floresta.

Tudo isso são escolhas, sacrifícios... Quando você enche o tanque de combustível do seu carro, esse combustível será sacrificado, ou queimado, no motor, para que você possa alcançar uma meta, um objetivo ou uma determinada cidade.

Nós também temos que botar e ter dentro de nós muito combustível para ser queimado, para chegar onde queremos chegar; a viagem não precisa ser sofrida; só que temos que saber que coisas devem morrer, ser incineradas, que peso morto deve ser largado, lastro deve ser cortado e abandonado - ou não sairemos do lugar.

Acumular informação no intelecto não é avanço espiritual; ter uma biblioteca de três mil volumes em casa e com orgulho mostrar aos amigos, de forma alguma é iluminação.

A única iluminação que três mil livros pode proporcionar a uma pessoa é se, numa noite escura, que não tiver eletricidade, pegar esses livros e fizer uma bela fogueira. Essa é a única forma de esses livros iluminarem uma pessoa [por algum tempo].

Fora disso, a iluminação vem com a mente limpa, com a mente sem informação, sem conflitos do que disse o autor A,B,C,D e todo o alfabeto.

Temos que queimar tudo isso; sacrificar fantasias, apegos, crenças; quem é que está disposto a sacrificar suas próprias crenças hoje em dia?

Estamos aqui, neste posto de instrutor, numa escola gnóstica, deste 1974/1975. Lá se vão trinta e três anos... Interessante que toda vez que surge um conflito na vida de um dos alunos, não precisamos ser clarividentes para saber exatamente qual vai ser a escolha dele.

Sabemos, por observação direta, que as pessoas não estão dispostas a queimar e a sacrificar suas crenças, suas idéias; estão aferradas às crenças que lhes foram passadas por seu pai, sua mãe, pela religião da infância; isso não nos surpreende mais hoje. Por isso que não acreditamos mais em promessas, em palavras vãs...

Quando alguém chega para nós e começa a fazer muita promessa, que está muito feliz e contente por causa do caminho, que isso e que aquilo, entre nós, instrutores antigos, apenas nos olhamos e pensamos: "vamos ver quanto tempo esse fica conosco!".

Já sabemos que é fogo de palha! A profundidade necessária para se seguir adiante, fazer um trabalho concreto, é algo a ser duramente conquistado; ninguém conquista em trinta dias, ou simplesmente ouvindo alguns áudios, como estes que estamos fazendo...

É preciso trabalho prático, meus amigos; disciplina, dedicação, trabalho paciente, dia após dia, ao longo dos anos. Quem sai correndo, em desabalada carreira, logo que chega a uma escola como a nossa, não vai a lugar nenhum, e depois de um quilômetro de jornada, já está cansado. Não é assim que se trabalha. É preciso começar a praticar o básico...

Muitos chegam falando de alquimia, algo que se tornou idéia fixa no meio gnóstico. A tal de alquimia, no fundo sabemos, não é o que querem; não estão preocupados em realmente aprender alquimia; querem dar vazão à sua luxúria, através de um novo processo; nada mais do que isso.

Tudo custa, meus amigos; aprender o certo e o errado também custa; formar critérios de decisão custa; fazer boas escolhas custa a aprender...

Bem aí estão algumas considerações acerca do certo e do errado, do bem e do mal. Isso, mais o que temos abordado aqui em encontros anteriores, acreditamos ser material suficiente para boas reflexões, que cada um deve fazer, para tomar suas decisões.

O que sabemos, por observação direta, é que querer estar em tudo, equivale a estar em lugar nenhum; querer agradar a todos é a forma mais rápida de desagradar a todos.

Só o trabalho paciente, dedicado, persistente, sem ambições nos leva ao nosso destino - e tudo isso é feito mediante escolhas diárias, pequenas escolhas.

Ninguém faz grandes escolhas; a vida é feita de pequenas escolhas, de momento a momento. Não adianta focar o grande; temos que voltarmos-nos ao pequeno, ao aqui e agora.

Até aqui nossas considerações iniciais; ficamos agora à disposição para aprofundar essas idéias e também correlacioná-las com temas tratados aqui em encontros anteriores; peço apenas para não perdermos o foco; façamos uma boa escolha...

Perguntas

P: O que fazer quando a dúvida persistir entre o certo e o errado?
R: Bem, meu amigo, já falamos aqui que os critérios para esclarecer o certo e o errado são dados através dos avatares. Então, devemos conhecer a doutrina de um avatar para poder formar critérios adequados para fazermos adequadas escolhas. Mas, se depois disso ainda existem dúvidas, é evidente que o cético, que a mente cética, a mente descrente, que os vícios de pensamento que nos inculcaram em nossa mente, sempre irão nos perseguir; então temos que ter fé, acreditar. Claro, acreditar não cegamente, mas com critérios; praticar até termos nossas próprias respostas.

P: Podemos fazer escolhas erradas guiadas por um falso Mestre?
R: Meu amigo, acaso podemos fazer escolhas certas guiados pelo falso?

P: Quem é o senhor das encruzilhadas que nos mostra o caminho quando temos dúvidas?
R: Tua consciência, meu prezado amigo, que você tem que despertar! Cada um precisa construir sua luz; lembrem-se apenas que quando crianças nos deixávamos levar pela mão por nosso pai e mãe em quem confiávamos cegamente. Na vida temos que encontrar uma escola ou um instrutor - já que Mestres não existem neste mundo – no qual temos que confiar. Nós aqui defendemos a doutrina do Mestre Samael; não falamos em nome próprio; falamos da doutrina do Mestre Samael, da doutrina gnóstica, e sempre dizemos que nessa obra, nessa doutrina, estão os critérios, o esquadro e o compasso que norteiam nossas escolhas. Aprendam essa doutrina, formem essa base cultural necessária mínima; não devorem livros; leiam menos, estudem mais, e pratiquem mais ainda. Nisso se resume tudo.

P: Então o medo é uma realidade dentro de nós que se desenvolveu junto com o instinto, como que se vai superar o medo?
R: Primeiro temos o intelecto para discernir o que é realidade e o que é fantasia e projeção da mente. Este é o primeiro critério, ou a primeira ferramenta para guiar nossas decisões. A segunda, com esta ferramenta em mão, é enfrentar o medo; temos que enfrentar a vida, os fatos, os acontecimentos, dívidas, compromissos. Não existe outra maneira de superar o medo a não ser enfrentando-o. Agora, se qualquer um de nós aqui, conhecendo já o básico, o mínimo da doutrina gnóstica, ainda tem dúvida, não acredita conscientemente, acha que é uma doutrina fantasiosa como outras tantas, então, meu amigo, te pergunto: o que está fazendo aqui entre nós? Vá e viva sua vida; caia na vida; experimento todas as sensações; você não está maduro para este caminho.

P: Como saber disso tudo?
R: Tome uma ou duas técnicas dessas que o Mestre Samael ensina, que a Gnose ensina, e pratique exaustivamente, confiantemente, por um, dois, ou três anos. Depois, venha falar conosco; antes não; antes é só teoria, é uma disputa de mente com mente. Muita gente por aí, na internet, convida ou desafia até mesmo a debater. Quem quiser se debater que se debata; não estamos aqui para debater; o debate não é o método gnóstico; o debate é tão só como dois burros, um querendo fazer prevalecer sua vontade ou sua força sobre o outro, nada mais. Aqui falamos em discernimento, consciência, aprendizado, experimentação. Não falamos de em conceitos, luta de conceitos, não entramos em debates. Houve uma época em nossa vida que adorávamos e amávamos os debates, porque aquilo nos dava um certo prazer intelectual; entrar em debate, brigar, disputar mesmo...; perdemos muita energia e um bom tempo de nossa vida atrás dessas tolices. Por fim, compreendemos que o debate é coisa de animais intelectuais, como diz o Mestre Samael; nada mais do que isso. Quem quiser debater, que debata consigo mesmo. A Gnose não se vale nem utiliza o caminho do debate, mas sim, do estudo, da prática, da vivência, da experimentação direta.

P: Tem como chegar à luz sem se confrontar com as trevas?
R: Não, quem não se confronta [bem entendido] com as trevas é incapaz de reconhecer ou dar valor a luz. Porque todo iniciado, antes de subir, desce? E ele precisa descer, por quê? Por causa disso, porque ele vai buscar a luz nas trevas interiores...

P: O teu conselho para quem é débil, 99% de nós, é desistir?
R: Existem os débeis e existem os preguiçosos e existem os que não querem efetivamente superar as próprias debilidades; é uma escolha. Se alguém não tem a predisposição de superar suas debilidades, efetivamente vai perder seu tempo aqui. A Gnose ensina: conheça as debilidades, compreenda e supere. Todos nós fomos débeis um dia; a força se desenvolve aos poucos. Se alguém entra numa academia de musculação, certamente chega ali magro e débil em força física; mas se ele seguir as orientações de seu instrutor na academia, vai desenvolver musculatura sem romper os tendões e articulações. Agora, se quer fazer por conta, e do jeito que acha que é melhor, vai sofrer de lesões musculares, de problemas de articulações, etc. Por isso que é sempre bom ter alguém que conheça do assunto, e em fazendo isso, de forma natural vai superar sua fraqueza, sua debilidade, sua falta de força. Isso tomando como exemplo um simples malhador de academia. No caso nosso aqui é a mesma coisa; ele tem que pegar uma por uma suas debilidades; se o malhador de academia não for à academia malhar todo dia ou três vezes por semana, é obvio que não vai desenvolver musculatura nem força muscular, e é obvio também que alguém que não pratica aquilo que é ensinado numa doutrina como a Gnose, não vai desenvolver em si a luz. Isso simples, lá e cá, compreende?

P: Como devemos lidar com falsos Mestres que querem nos enganar e nos desviar do caminho certo?
R: Minha amiga, se você afirma que é um falso Mestre, o que você está fazendo com ele? Está presa, aprisionada, hipnotizada? Se estiver, reconhecemos como isso funciona e às vezes é um pouco difícil termos força dentro de nós para largar, porque estamos atrelados. Agora, se você diz que é um falso Mestre é porque você já reconhece a falsidade; então, o que está fazendo aí?


O texto acima é cópia integral, (modificada a pontuação e feitas algumas alterações para dar o formato de texto), de uma conferência ditada por Karl Bunn, presidente da Igreja Gnóstica do Brasil – realizada ao vivo dia 21.08.2007, por intermédio do programa Paltalk, via Internet. Equipe: Transcrição de texto: Mariana Cunha. Revisado pelo autor.



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