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CONFERÊNCIAS 2007 I - CONTUMÁCIA E TRANSFORMAÇÃO DE IMPRESSÕES
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CONTUMÁCIA E TRANSFORMAÇÃO DE IMPRESSÕES

Autor: Karl Bunn *

O tema que abordaremos hoje denominamos de Contumácia e Transformação das Impressões.

O Mestre Samael diz que a contumácia vem a ser a insistência de assinalar um erro e por isso ele dizia "jamais me cansarei de insistir que a causa de todos os erros é o ego, o mim mesmo e não me importa que os animais intelectuais se incomodem com isso, porque falo contra o ego; custe o que custar seguirei com a contumácia".

Todos nós sem exceção participamos da criação desse caos social, desse mundo caótico em que vivemos hoje. Portanto cabe a nós trabalhar para dissolver ou desfazer este caos, construir um mundo melhor aplicando os ensinamentos que a Gnose nos trouxe.

Infelizmente as pessoas só pensam em si mesmas; são movidas unicamente por seu egoísmo. Temos dito aqui sempre, praticando a contumácia repetimos, é o ego que destrói a ordem, o bom andamento das coisas, da vida, do mundo, da convivência que foram ou estão estabelecidas na psicologia gnóstica trazida ao mundo desde 1950 através das obras do Mestre Samael Aun Weor.

Nós aqui que estamos tratando de realizar estas conferências baseados na obra "Revolução da Dialética", se queremos verdadeiramente, com sinceridade, fazer e levar adiante essa revolução interior, necessitamos antes de tudo mudar radicalmente.

Também abordamos num encontro recente aqui, que as pessoas, para fazerem essas mudanças, querem, buscam, clamam e alguns até exigem incentivos.

Não há incentivos na via iniciática; esta é a via daqueles que querem este caminho; ela é extremamente opcional, sem nenhuma classe de incentivos para aqueles que se lançam nessa via. Muitos buscam neste caminho obter poderes, arranjar um bom emprego, melhorar de vida, encontrar uma alma gêmea. Tudo fantasia, projeções, sonhos acordados, projetos mentais.

Bem verdade que os Mestres da Loja Branca acorrem e concorrem junto aos que se decidem seguir este caminho; apóiam aqueles que decidem enfrentar e superar a si mesmos. Esse é o único incentivo: vencer a si mesmo e pôr em prática os ensinamentos, os preceitos da psicologia revolucionária, da conduta reta, do reto viver, pensar, sentir.

Muitas vezes dissemos aqui que ninguém fará nenhum esforço para mudar a si mesmo se está feliz com seu estado atual. Se hoje sofremos por questões psicológicas - as causas desses sofrimentos são psicológicas, sofremos por causa disso, estamos felizes de ser assim de maneira sofrida - é claro que não faremos nenhum esforço para mudar.

Vivemos em um mundo, somos membros ou participantes, indivíduos de uma sociedade que foi construída e modelada pelo ego de cada um de nós. Nas palavras do Mestre Samael esta sociedade é inútil, prejudicial, daninha e somente extirpando radicalmente o eu dentro de nós, é que poderemos mudar a nós mesmos e na extensão mudar o mundo, e para isso, se queremos essa mudança radical e profunda, devemos deixar de lado definitivamente todas essas coisas que nos parecem positivas; todos esses velhos hábitos, costumes equivocados que desenvolvemos a partir da herança de nossos pais, da educação que recebemos em nossa casa, que a televisão nos mostrou, daquilo que os professores disseram e ensinaram na sala de aula, dos colegas de aula e trabalho também, com os amigos e familiares.

Se acharmos que isso é a vida, o normal, que é assim mesmo, é claro que não vamos mudar nada, nenhum hábito, costume, pensamento ou sentimento. A mente é a sede central do ego, portanto necessitamos mudar profundamente as coisas na sede central se buscamos realmente uma revolução interior.

Mudar a forma de pensar é preciso, é necessário, tantas vezes isso foi dito e repetido. O Mestre Samael disse isso ao longo dos livros, especialmente nos últimos, mudar a forma de pensar é preciso, é indispensável.

Quando olhamos o cenário atual da humanidade vemos claramente que já estamos involuindo, não há um só sinal de evolução, de melhora ou aperfeiçoamento nessa humanidade. Isso é devido a vários motivos, mas um desses motivos é que a natureza tem seus ciclos periódicos, seus movimentos cíclicos de evolução e involução.

Os ciclos históricos têm também uma época de ascensão e outra de destruição. Todos os impérios se ergueram, atingiram um ápice e depois desabaram. O planeta igualmente; nós nascemos, temos um ápice na vida, envelhecemos e por fim morremos; isso é cíclico, lei da vida e da natureza.

Esta humanidade atingiu já o seu ápice há algum tempo e agora já estamos no início da involução; digo início, pois essa involução ainda esta ocorrendo aqui na superfície da terra e tudo isso se precipitará na reta final da humanidade da qual falamos em outras aulas.

O renascimento dessa humanidade se dará depois, dentro de quatro, cinco séculos. Primeiro faremos essa transição planetária, essas mudanças. O planeta será totalmente renovado; as terras serão renovadas; continentes mudarão de lugar; novas terras surgirão.

Este homem que habita a face do planeta desaparecerá dentro de alguns anos; a humanidade vai renascer totalmente purificada; e a humanidade que há de renascer construirá a idade de ouro; mas não se pode construir nenhuma civilização de ouro com egos dentro, com trevas, com obscuridade.

Os que renascerem neste planeta dentro de quatro ou cinco séculos o farão sem egos; quem não tem ego, que é vazio de ego, são os Budas. Então são eles que renascerão em massa aqui neste planeta; hoje eles vivem em paraísos elementais que formam a ante-sala do Nirvana.

Muitos Budas vivem no Nirvana agora; então todos eles renascerão aqui mais os seres que moram em outros planetas; seres que vivem nas dimensões superiores de nosso próprio planeta e que não têm ego; seres que vivem nas ilhas jinas. Sãqo esses que formarão a humanidade futura na superfície do planeta depois que toda a terra for revolvida.

É chegado o tempo da eliminação do eu pluralizado; a natureza fará isso coletivamente; ainda temos alguns anos para fazer isso pessoalmente, voluntariamente, com o tempo que nos resta. Pode ser que a muitos soe como difícil eliminar suas próprias imperfeições, mudar sua forma de pensar, de sentir, seus hábitos, porém é o que temos que fazer.

Os mais antigos tiveram mais tempo para fazer isso, os mais novos têm menos tempo; mas em compensação possuem um ego menos robustecido; então as coisas mais ou menos se equilibram.

Quando falamos em criar um novo ser humano, falamos a mesma coisa que o Mestre Samael chamava de psicogênese - que trata de criar o homem verdadeiro dentro de nós; trata de plasmar a hominidade dentro de nós.

Uma vez que nos tornemos criaturas vazias de ego ou de agregados, à medida que nos tornamos criaturas dotadas de consciência desperta, podemos pleitear e buscar estados mais avançados que estão latentes dentro de nós e isso é possível mediante a uma super-aplicação de uma dinâmica mental, psicológica e sexual; isso equivale a trabalharmos intensamente sobre nós mesmos aqui e agora na esfera psicológica, de conduta e comportamento e aqueles que puderem trabalhar com suas energias criadoras melhor ainda.

O Mestre Samael dizia, quando vivia entre nós, que nossas instituições gnósticas, que são as escolas que difundem esse ensinamento, nelas podem entrar todos os que quiserem, desde que tenham anelo e aspiração de superar, de realizar dentro de si mesmo a psicogênese; do contrário, de que serve fazer parte de uma instituição gnóstica? Só fazer número? Estar presente por curiosidade? - Não vale a pena!

Se entramos nessa escola, é porque queremos mudar, construir o Ser dentro de nós, plasmarmos a consciência. Aprendemos na "Revolução da Dialética", que o homem que não realizou, não plasmou a psicogênese dentro de si mesmo, utiliza uma parte muito pequena das suas capacidades e potenciais.

É por isso que sempre renovamos o convite para que estudem, analisem, compreendam e pratiquem os ensinamentos psicológicos que a gnose nos dá; justamente para que possamos extrair de nossa mente, de nosso psiquismo, todas as possibilidades que ele nos oferece.

Dentro de nós existem as possibilidades, como também um conhecimento ilimitado; podemos dar testemunho disso. Possuímos embrionariamente faculdades psicológicas que entrarão em funcionamento natural, simples, normal, quando tivermos reunido em nós as capacidades psicológicas suficientes para isso.

Despertar positivamente a clarividência ocorre quando tenhamos alcançado o grau de psicogênese adequado para isso; do contrário é mais provável que despertemos uma clarividência negativa, baseada no psiquismo inferior, reverso, tenebroso, com todas as conseqüências.

Isso precisa ser muito bem analisado, estudado, compreendido e posto em prática, porque o caminho da esquerda, que leva ao abismo, é muito mais suave, simples e atraente aos nossos cinco sentidos do que o caminho que nos leva ao Nirvana ou Nibbana como se diz no Therawada.

Temos que fazer escolhas e toda vez que temos que fazer escolhas há tensão dentro de nós, há sofrimento, porque uma escolha sempre envolve uma renúncia. Temos que escolher um caminho direito ou esquerdo, para cima ou para baixo; acabou-se o tempo de ser morno, de estar encima do muro.

Fazer essa escolha, reconhecemos e sabemos, gera sofrimento; compreendemos aqueles que sofrem diante da encruzilhada da vida agora, diante do ser ou não ser, de se tornar réptil ou águia; mas cada um é livre para escolher, e ninguém tem nada a ver com a escolha que cada um vai fazer ou precisa fazer neste momento.

Isso sempre nos remete àqueles velhos e antigos questionamentos filosóficos: "Por que estamos aqui? De onde viemos? Qual o trabalho? Que missão viemos cumprir? Para onde vamos?

Isso exige que nos livremos de dogmas, de teorias e ao dizer isso muitos podem pensar até que "a Gnose não é mais uma teoria"?".

A Gnose não apresenta teoria; descreve um fenômeno, apresenta um caminho; descreve uma jornada e te dá o mapa para você caminhar com as suas pernas. Se você apenas intelectualizar isso e não se colocar a caminho ou no caminho, é evidente que será mais uma teoria; nesse caso não cabe a nós criticar a Gnose.

Se a ciência nos dá as mesmas ferramentas e fórmulas, se nos ensina a fazer um experimento num laboratório químico, ela está ensinando-nos química prática, não teoria química; entendamos a diferença para que não criemos aqui um mata-burros que nos quebra as pernas do entendimento.

Temos que nos desfazer dessas crenças que as coisas caem do céu; temos que caminhar. O que podemos dizer é que os Mestres, Budas e instrutores da humanidade aparecem no caminho daqueles que se põem a caminhar; isso podemos afirmar e confirmar. Quando isso vai ocorrer, não sabemos, pois é relativo a cada um, mas ocorre; mesmo que nesses momentos não tenhamos condição de ver, mas sabemos que ocorre; acreditem ou não.

Para comprovar tudo isso terão que fazer o que fizemos e aí saberão por si mesmos e não porque alguém está dizendo ou disse antes ou escreveu, mas porque se pôs a caminhar. Estas pequenas armadilhas da mente é que atravanca nosso progresso ou avanço na senda espiritual.

Fomos condicionados a fazer especulações, projeções, a raciocinar, comparar, deduzir, inferir, concluir logicamente, mas não caminhamos. Isso ocorre só em nossa mente, mas caminhar é preciso. Portanto, nisso tudo, em todo esse cenário, transformar as impressões joga um papel muito importante, porque transformar nossa vida é possível - e o que significa transformar nossa vida?

Uma semente se transforma em planta, depois em árvore; o açúcar pode se transformar em álcool e o álcool em vinagre. O chumbo se transforma em ouro; quimicamente não, mas alquimicamente sim.

Um ser humano bruto, como nós, pode se transformar num ser superior, angélico ou de outra natureza. Porque dentro de nós existem esses valores, potenciais ou a semente divina para tal.

É possível o homem bruto, o animal intelectual transformar-se em Buda, em anjo, em criatura de outra natureza psicológica. Isso quer dizer que em todos esses processos há a morte de um e o nascimento de outro. Morre o homem nasce o Ser; morre a semente nasce a planta ou a árvore.

O que nos transforma ou nos mantém como criaturas brutas são as impressões da vida que chegam à nossa mente por meio dos cinco sentidos. São essas impressões que movem a máquina humana; que geram ações e reações que hoje são inconscientes.

Não sabemos por que rimos, nem como rimos; comemos certos alimentos e não sabemos por que; agente diz: "ah! eu gosto!" Claro, houve um hábito, se formaram hábitos, mas tudo isso se formou e aconteceu por causa das impressões. Impressões essas que entraram em nossa mente sem que na época ou nos anos anteriores tenhamos tido consciência de que isso estava ocorrendo.

Transformar as impressões brutas em consciência é possível e necessário ou nunca deixaremos de ser criaturas brutas, mecânicas ou robotizadas. Isso que estamos dizendo aqui e agora pode até soar como um jogo de palavras, mas de fato, se não fizermos uma tomada de consciência sobre isso que denominamos vida. Isso não passa de uma corrente ou correia de impressões brutas que nos move, nos conduz de cá para lá, de cima para baixo, da direita para a esquerda, movendo-nos incessantemente dentro e fora.

Se não percebermos isso ocorrendo aqui e agora nunca faremos esforço algum para modificar essa realidade. Porque essas palavras que estou dirigindo agora já provocam ações e reações e chegam como impressão agradável ou desagradável. Essas palavras agradam a alguns, mas desagradam a outros, e se ficamos nos extremos do agradável e desagradável, do sim e do não, nunca perceberemos a essência, a realidade, aquilo que é.

Se algo nos agrada reagimos positivamente; se desagrada reagimos negativamente; se nos elogiam sorrimos; se nos criticam fechamos a cara, mudamos o nosso humor; e assim essas impressões da vida nos conduzem, nos mantém divididos nos extremos do sim e do não, na dualidade da mente como diz o Mestre.

A vida não é feita de extremos; a vida é o vazio que está no meio; e podemos viver no meio desde que nos pautemos pelos processos psicológicos compreensivos. Se não reagimos nem para o sim, nem para o não, mas simplesmente mantenhamos o estado de serenidade, contemplação, compreensão e compreendemos o que está ocorrendo, teremos a percepção real, presente do momento do que está acontecendo, assim poderemos viver o presente.

A realidade da vida está no centro e o centro é o estado de compreensão, estado receptivo, aberto à compreensão. A isso denominamos estado contemplativo e não estado reativo. Isso é o que precisa ser captado, compreendido e posto em prática.

Nossa conduta hoje tristemente é pautada pelos extremos; a vida não é feita, não acontece nos extremos; a vida é o vazio e o vazio está no meio, no centro.

Vivemos no centro dos acontecimentos quando nos pautamos pelos processos psicológicos compreensivos, não pelos processos reativos que sempre nos levam aos extremos.

O processo psicológico, intelectual, mental, compreensivo, nos torna receptivo; isto só é possível vivendo de momento a momento um estado de contemplação.

Nossa conduta atual é pautada pelo sim e pelo não; portanto, é reativa; não se caracteriza por um estado receptivo, contemplativo.

É importante darmo-nos conta que viver no centro em estado receptivo, contemplativo, equivale a estabelecer nossa existência sob os influxos do Santo Conciliar - que é a compreensão iluminadora. Não sem motivo se diz que o Espírito Santo é o que nos ilumina, nos dá iluminação; podemos viver em permanente estado desde que coloquemos nossa vida sob os influxos do Santo Conciliar; isso é a compreensão iluminadora.

Viver no vazio ou sob o Santo Conciliar é mais simples do que parece a primeira vista. Tudo que nos é pedido é darmo-nos conta ou despertarmos para isso; sair dos extremos e passar a viver no centro.

A partir do momento que nos damos conta que somos manipulados pelos fios invisíveis da vida ou das impressões brutas que nos chegam à mente, através dos cinco sentidos, aí podemos mudar radicalmente nossa conduta, passando a viver no centro, no meio, no Santo Conciliar.

Para alguns, ou muitos até, essas idéias que estamos colocando aqui e agora, talvez não sejam tão fácil assim de captar, compreender ou entender, porque até hoje viveram nos extremos, reativamente, e agora estamos falando de viver compreensivamente.

Devido a essa nossa experiência de vida, somos fortemente inclinados a crer que a vida em si é como as impressões que nos chegam fazem crer. Estamos sugestionados, hipnotizados, condicionados por esse mundo físico ou pelas impressões deste mundo. Alguns exemplos!

Se vemos uma pessoa sentada diante de nós usando esta ou aquela roupa, dessa ou daquela cor; se vemos alguém que nos cumprimenta, nos sorri, isso para nós é a verdade, é o mundo objetivo; mas se analisamos detidamente esse processo sob o ponto de vista fenomenológico, perceberemos gradativamente que não é real; são as impressões, as imagens desses objetos ou pessoas que chegam à nossa mente.

A mente toma as impressões como realidade, porque a realidade seria colocarmos as pessoas, a cadeira, a árvore, o automóvel dentro da mente e, no entanto não é isso que ocorre. Dentro ou para a mente chegam as impressões dos objetos, das pessoas, dos seres exteriores ao nosso corpo; a visão ou a percepção dos cinco sentidos. O que chega são apenas impressões e as tomamos como sendo a realidade.

Fomos condicionados a reagir segundo essas impressões; reagimos com violência se somos agredidos, insultados, provocados, humilhados, feridos em nosso brio, amor próprio, orgulho - porque nos ensinaram isso. Ensinaram-nos que para ser homens temos que reagir dessa forma; assistimos muitos filmes que nos programaram a ser, a reagir desta forma e então tomamos as palavras duras como sendo uma realidade, mas são meras impressões sonoras, energia, áudio; nada mais do que isso; essa é a realidade.

Somos nós que damos o valor as impressões; somos condicionados a valorizar em milhões de unidades uma provocação qualquer; valorizamos tanto uma provocação qualquer que somos capazes de matar em extrema situação. Vamos analisar, refletir sobre isso até compreendermos que nada disso tem importância, valor; somos nós que damos o valor às impressões que nos chegam; e se não valorizarmos nada, morre, passa ao largo, não penetra em nós, não movimenta reativamente a máquina orgânica, não faz que alguns ou todos os nossos cinco centros psicofisiológicos reajam.

Não sei se consigo ser claro e didático o suficiente para passar o que nos acontece fenomenologicamente a cada instante, a cada segundo, a cada momento de nossa existência. Já dissemos aqui várias vezes e o Mestre Samael ensina e confirma. Se por uma razão qualquer não tivéssemos nenhum dos sentidos, não existiria para nós isso que denominamos mundo, vida, planeta, pessoas, árvores, carros e cidades - nada existiria.

Se focarmos no estudo análise e compreensão da fenomenologia das impressões e de como elas nos movimenta ou fazem com que reagimos constantemente segundo um programa prévio implantado em nosso cinco centros, dia chegará que mataremos essa charada e nos tornaremos monges contemplativos em poucas horas e minutos; esse é o desafio e a proposta.

Nós aqui, pessoalmente, até torcemos para que isso não aconteça abruptamente, porque senão nos internariam em algum hospício; e não podemos ocasionar essa dor e sofrimento aqueles que convivem conosco; mas a possibilidade existe; alguém pode chegar a uma compreensão tão profunda disso que tratamos de dizer aqui e transformar-se num monge contemplativo em poucas semanas ou dias; e as pessoas vão estranhar, "não te reconheço mais, você está diferente, se tornou um estranho".

Para que não sejamos recolhidos a um hospício, melhor que essas transformações ocorram lentamente; mas a chave, o principio, se resume nisso que estamos abordando nesta noite: Perceber como as impressões nos movimentam, nos transformam em seres reativos e não contemplativos.

Devemos estudar e analisar todo tipo de impressão, tanto as desagradáveis como as agradáveis. Devemos estudar, por exemplo, aquela satisfação íntima que nos dá um elogio; temos que estudar e ver o que se esconde atrás desse sorriso de satisfação; é porque alguém movimentou nossos cordões invisíveis e nos fez sentir felizes, contentes; e se outro dia esta ou outra pessoa diz exatamente o oposto, como é que vamos reagir? Talvez fechamos a cara, rosnamos algumas expressões ou palavras. Onde está a realidade disso? Um dia ficamos felizes, faceiros e no outro dia rosnamos - o que aconteceu conosco frente a um evento e frente a outro evento?

Não deveríamos ter simplesmente vivido os dois exemplos contemplativamente, serenamente, compreensivamente? Este é o nosso objetivo: alcançar este estado de serenidade, não reação; e acho que todo mundo compreende o que estamos tratando de dizer sobre isso.

Todos nós, na vida prática, ao longo de nossa vida, formou, temos formado, está dentro de nós arquivado, acumulado, empilhado, sedimentado uma enorme quantidade de reações, de programas, softwares; e são esses softwares que disparam uma imagem, como numa tela de computador.

Vem a impressão que nos faz reagir; coloca em movimento o software, o programa que está sedimentado, implantado em nosso disco, em nossa memória residente, permanente, consciente, inconsciente e aparece uma imagem na tela mental; então sorrimos ou ficamos com raiva, ira, mal humorado. Isso são os ressortes, os intricados, complexos e processos invisíveis que ocorre dentro de nós tal qual um computador.

Porque os computadores modernos foram criados a imagem e semelhança do homem, da mente humana, zero e um, sim e não, extrema direita e extrema esquerda.

Podemos romper com essa programação, deletar esses spywares e outros tantos troianos que certos programas maliciosos carregam para dentro de nós sempre que não estamos atentos a nós mesmos, sempre que permitamos ou desativamos o antivírus; assim as impressões brutas chegam até nós.

Agora se estamos com o antivírus ligado, atualizado e operante, se transformamos as impressões antes que elas cheguem aos nossos cinco centros, veremos que gradativamente nossa vida começa a mudar.

O Mestre Samael sobre tudo isso nos dá uma prática que acho muito importante e vou descrever aqui para que tenham a oportunidade de fazer cada um em sua casa.

Diz o Mestre que para conhecer melhor nossas ações e reações é importante que relaxemos a mente. Para relaxar a mente primeiro devemos deitar ou recostarmos no solo, na cama, numa poltrona; e relaxar os músculos do corpo pacientemente; depois gradativamente vamos esvaziando a mente; vamos observando os pensamentos e desejos, os sentimentos, as imagens; vamos esvaziando isso; deixando passar sem correr atrás, sem reagir; deixa vir e ir; só observar nada mais; ficar atento observando; nem qualificar, nem defender, nem justificar, nem se perguntar da onde vem, porque vem; apenas observe.

Haverá um momento, seja dali a cinco, dez, trinta ou sessenta minutos, a mente estará quieta e quando a mente está em silêncio podemos investigar conhecer e perceber melhor a nós mesmos; é nesses momentos de quietude, de silêncio da mente, quando de fato vamos experimentar de forma direta a dura realidade de todas as ações ou reações de nossa vida prática, daquilo que nos aconteceu durante o dia ou até aquele momento.

Porque quando a mente se encontra em estado de repouso percebemos essa multidão de elementos, de sub-elementos, essas procissões de personagens, cidadãos que vivem dentro de nós em nosso país psicológico; percebemos as ações e reações da máquina humana; podemos perceber os desejos, os apetites, os condicionamentos, as memórias, as sensações.

As sensações são uma coisa terrível; são fontes de quantidades enormes de elementos e sub-elementos dentro de nós. As paixões, os vícios, nascem a partir das sensações, da memória das sensações e de querermos repetir, repetir, repetir e tornar a repetir essas mesmas sensações. Foi ali que nasceu a luxúria, as sensações do corpo de estar junto a outro corpo.

Estudem tudo isso profundamente e descobrirão, com a mente relaxada, como é escuro nosso mundo interior. Esse é um exercício que podemos fazer diariamente; e por acaso esse exercício a gente denomina de meditação introspectiva para se conhecer.

Todo mundo sabe meditar; não se prenda, não seja escravo de uma técnica, escola ou orientação rígida sobre como meditar. Relaxe o corpo, a mente, observe-se; perceba o que aconteceu e acontece, as memórias, os desejos, as lembranças, as imagens. Tudo isso tem uma origem, uma causa nesta ou em outra vida. Gradativamente vamos descobrindo e acessando tudo isso; não acontece em vinte e quatro horas, nem numa única meditação.

É preciso persistir, repetir, continuar, ser contumaz nesta prática, em realizar esse exercício de não esquecimento de si mesmo. Viver de momento a momento com o firewall ativado, além do antivírus; este é o isolamento hermético. O selo hermético que falamos em uma conferencia há quase dois anos atrás aqui mesmo no PALTALK.

A conclusão disso tudo é que a vida são as nossas impressões e essas podem ser transformadas; tudo que precisamos é aprender a transformar as impressões; mas é claro que não poderemos transformá-las se seguirmos apegados ou alimentando os cinco sentidos. Temos que ativar o antivírus e o firewall como se fala em linguagem moderna.

O Mestre Samael no livro "Tratado de Psicologia Revolucionária" tem uma frase que é muito importante trazer aqui e agora para análise e reflexão de todos.

Ele diz: "A experiência ensina que o trabalho esotérico gnóstico se é negativo ou não existe deve-se unicamente ao fracasso de cada um de nós em realizá-lo".

Se não existe trabalho psicológico, nós que somos responsáveis, que não fazemos ou fazemos mal feito ou pela metade. Não adianta alguém que não fez o esforço necessário, chegar aqui, falar mal de nós como instrutores, da Gnose como doutrina, falar mal de alguma escola gnóstica ou de qualquer outra escola; são pessoas que simplesmente não fizeram a lição de casa, não foram bons alunos, operários; não foram e nem são bons obreiros, trabalhadores da grande obra.

Como podem querer receber ou exigir pagamento de salário se não foram bons trabalhadores? Não se paga trabalhador relapso, não se mantém trabalhador irresponsável, relapso, nem neste mundo nem no outro. Isso é o que precisa ficar claro definitivamente, para arrancarmos tantas fantasias inúteis que alimentamos em nossa vida, em parte graças à pseudoliteratura esotérica que circula pelo mundo.

Especialmente está literatura mediúnica, canalizada; isso tudo é fantasia. Abandone essas escolas, essas linhas de pensamento. Pois isso fez um mal enorme; projetou, criou fantasias a cerca da vida iniciática, do caminho iniciático, dos mestres, do Nirvana, do Nibbana, dos mundos superiores.

Temos que cair na real aqui e agora; tudo isso existe para quem trabalha seriamente, responsavelmente, com dedicação, com lealdade.

A lealdade é uma virtude muito valiosa nos mundos superiores. Nenhum Mestre irá conceder ou transmitir segredos a uma pessoa que não é leal, não é fiel. Eles não fazem isso, porque sabem que se tornarão traidores e espalharão os segredos, e ao espalharem essas revelações criarão muitos problemas pelo mundo junto às pessoas, junto aos irmãos de escola.

Se ouvindo essas palavras ainda quiserem seguir acreditando em revelações de supostos mensageiros extragalácticos, nada temos com isso; cada um é livre para eleger suas crenças; não é disso que estamos falando. Cada um pode crer naquilo que quiser; pode continuar crendo nos dogmas da religião em que nasceu; mas faça o trabalho sobre si, transforme as impressões e um dia saberá por si só que é melhor abandonar pesos inúteis e não querer está em todas as partes, em todos os lugares, não querer agradar a gregos e troianos, mas sim escolher uma via que nos leva diretamente à fonte de todas as verdades, sem intermediários.

Nós aqui nunca dissemos que queríamos ser intermediários de algo ou alguém; pelo contrário temos dito e repetido contumazmente que cada qual deve caminhar com suas pernas, aprender a caminhar e caminhar firmemente rumo à própria sabedoria que está dentro de si esperando ser desenterrada.

A mente, como agora se encontra, não serve para nada; precisamos que nossa mente seja organizada; ela precisa ser remodelada, decorada; ser elevada ao nível superior ou ao centro intelectual superior. Viver segundo o centro intelectual ou mental superior, não esse do intelecto do sim e do não, do zero e do um, esse que é um computador, que tem piloto automático.

Quando formos tratar de transformar as impressões, que recebemos durante o dia, precisamos reconstruir a cena tal qual ela sucedeu; e averiguar, confirmar, verificar o que foi que mais nos atingiu; aquilo que mais nos feriu e fez com que reagíssemos mais, aí precisamos concentrar a maior parte do tempo ou atenção. Porque se não houver digestão, transformações dessas impressões que ali estão dentro de nós, que ainda estão reverberando, se transformarão em ego dentro de nós ao longo do tempo.

Por outro lado, se a partir de agora passarmos a cortar esse alimento, impressões brutas, instalarmos o antivírus e o firewall, é claro que aquilo que está dentro de nós não irá receber seu alimento diário e vão enfraquecer e enfraquecendo torna-se mais fácil eliminá-los junto com a Mãe Divina.

Evidentemente temos que fazer nossa tarefa que é estudar, analisar, darmo-nos conta, compreender e depois dizer, “mãezinha já estudei esse defeito; isso não tem nada a ver comigo; e lamentavelmente criei isso em outros tempos; mas, por favor, elimine isso de mim; não quero mais isso; está em mim, mas não sou eu eu criei, mas isso não sou eu; suplico-te, elimine tudo isso de mim”.

Faça suas petições, suas cadeias de morte com palavras simples como lhe fala o coração; não use fórmulas complicadas, porque ninguém precisa de fórmulas para falar com sua mãe, não esqueçam disso.

Cada um tem sua mãe e deve se dirigir a ela com palavras simples como criança. É evidente que durante o dia nos afetam muitas impressões; então devemos ter uma ordem para estudar; darmo-nos conta, tomar consciência disso e rever os estragos que eventualmente ocasionaram.

Porque todos nós aqui sabemos, já que todos têm computador; quando um vírus entra em nosso computador, é porque falhou o antivírus ou o firewall estava desconectado; isso ocasiona um estrago e muitas vezes até destrói o disco rígido.

Assim também quando a impressão bruta penetra em nós pode ser que haja uma implosão interna, um ataque de fúria, um rasgar de vestes como dizia o Mestre Samael. E para que? Nada muda; nada mudou rasgando as vestes, implodindo, jogando prato e xícaras contra a parede, como mostram nos filmes e muitos fazem na vida real.

Precisamos nos tornarmos analíticos, judiciosos, para transformar as impressões que chegam diariamente até nós, até nossa mente, pois fazendo isso, limpando-nos, aparecerão, surgirão dentro de nós faculdades superiores de auto-observação, de percepção, de intuição, de visão instantânea da verdade, da realidade interna; isso surgirá naturalmente.

Enquanto seguirmos vivendo como sempre fomos, sempre seremos ridículos; sempre faremos papel vergonhoso; faremos cena, barraco. Isso ocorre porque não trabalhamos sobre nós. É preciso digerir as impressões no mesmo dia; não permita que o sol se esconda no horizonte tendo ira dentro do coração ou na mente.

É preciso ver as coisas como são, contemplativamente, compreensivamente, e passar a criar agora neste momento uma espécie de estômago mental capaz de digerir todas as impressões brutas que chegam a nós, para que assim deixemos de ser vítimas das circunstâncias da vida, das palavras, das impressões ocasionadas por outras pessoas.


O texto acima é cópia integral, (modificada a pontuação e feitas algumas alterações para dar o formato de texto), de uma conferência ditada por Karl Bunn, presidente da Igreja Gnóstica do Brasil – www.gnose.org.br – realizada ao vivo dia 06.03.2007, por intermédio do programa Paltalk, via Internet. Equipe: Transcrição de texto: Mariana Cunha. Copydesk: Wagner Spolaor



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