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CONFERENCIAS 2007 II - DO EGITO AO TIBET |
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DO EGITO AO TIBET
Autor: KARL BUNN *
O tema desta noite é baseado em dois escritos antigos:
1) o Virecana Sutta (Tikicchaka Sutta) - que fala do remédio perfeito para curar todas as enfermidades da nossa alma.
2) a Confissão Negativa do Livro Egípcio dos Mortos.
Aparentemente estes dois escritos não têm conexão nenhuma entre si, mas creio que logo poderemos perceber onde e como se faz esta conexão. Por isso denominamos a aula de hoje como Do Egito ao Tibet.
O que diz o Virecana Sutta? Disse o abençoado Buddha:
"Ó monges, os médicos possuem remédios para afastar doenças causadas pela bílis, pela fleuma e doenças causadas pela ação interna dos ventos; há uma ação purificadora neste tratamento; eu não afirmo que assim não seja, mas às vezes este tratamento funciona e às vezes não funciona. Então, irei lhes ensinar o nobre remédio purificador que sempre funciona, nunca falha, um purificador pelo qual os seres presos ao nascimento ficam livres do nascimento, os seres presos ao envelhecimento se liberam da velhice, os seres presos à morte se liberam da morte, os seres presos à tristeza, lamentação, dor, angústia, desespero se liberam de todos estes males. Ouçam e prestem profunda atenção".
"Qual é o nobre remédio purificador que sempre funciona e nunca falha? Qual é o purificador pelo qual os seres presos ao nascimento ficam livres do nascimento, os seres presos ao envelhecimento se liberam da velhice, os aprisionados à morte se liberam da morte e os aprisionados nas tristezas, lamentações, dores, angústias e desesperos se liberam de todos estes males? Qual é este remédio?”
“Este remédio está em que quem busca em si a correta visão por si mesmo e elimina a visão errada e as mais negativas e imaturas qualidades mentais que surgem como conseqüência da visão errada igualmente são expurgadas, enquanto que as mais maduras qualidades mentais que surgem como conseqüência da visão correta atinge a culminância do seu desenvolvimento."
"Igualmente este remédio está naquele que busca em si a correta decisão porque assim as decisões erradas são expurgadas naturalmente. Naquele que busca em si o reto falar porque assim as palavras erradas serão naturalmente expurgadas. Naquele que busca em si a correta ação com isso as ações equivocadas são naturalmente expurgadas. Naquele que busca em si o correto meio de viver, de ganhar a vida, porque assim os meios incorretos ou errados de ganhar a vida serão naturalmente expurgados."
"Naquele que busca em si o correto esforço, porque assim os esforços equivocados ou não retos são naturalmente expurgados. Naquele que busca em si a correta atenção porque assim a atenção não reta é naturalmente expurgada. Naquele que busca em si a correta concentração porque assim a concentração equivocada é naturalmente expurgada. Naquele que busca em si o correto conhecimento porque assim os conhecimentos equivocados são expurgados."
"Por fim naquele que busca em si a correta liberação porque assim a liberação não reta ou equivocada é naturalmente expurgada e todas as negativas e imaturas qualidades mentais que surgem presas à liberação errada são eliminadas fazendo com que as maduras qualidades mentais que são conseqüentes de uma liberação reta atingem a culminância do seu desenvolvimento."
"Este, ó monges, é o nobre remédio que sempre funciona e nunca falha; é o purificador pelo qual os seres presos ao nascimento ficam livres do nascimento, os seres presos ao envelhecimento liberam-se da velhice, os seres presos à morte liberam-se da morte e o os seres presos à tristeza, lamentação, dor, angústia, desespero, liberam-se de todos os males."
Portanto, meus amigos, aquele que conseguir encarnar em si - ou desenvolver estas dez paramitas ou qualidades de retidão - podem se apresentar na sala de julgamento, isento de ataduras com a roda da vida.
A outra maneira de se liberar da roda da vida é alcançar o grau de Buddha na quarta iniciação maior. Porém, todo Buddha, antes de ser proclamado Buddha, precisa passar pelo longo corredor que existe no palácio de justiça, lá na constelação de Libra. Este corredor desemboca na sala da verdade e da justiça, conhecida como a sala de Maat.
De cada lado, deste longo corredor, estão vinte e um escritórios dos juízes da Lei, do karma. Portanto, vinte e uma salas de cada lado do corredor somam quarenta e duas salas de trabalho - uma para cada juiz da lei.
No Livro dos Mortos do Egito o escriba Nebseni registrou qual é o tipo de certidão negativa que cada iniciado deve obter em cada uma das salas de trabalho dos quarenta e dois juízes da lei.
No mundo moderno, quando você quer fazer um financiamento, ou algo assim, você precisa pegar a certidões negativas, certidões dos cartórios de protestos, de execuções judiciais dizendo que ali não há débitos, nem pendências; assim é lá em cima também.
Este documento, escrito por Nebseni, é conhecido como a Confissão Negativa, e está no Livro Egípcio dos Mortos.
Porém, hoje, aqui, vamos falar o que cada um dos quarenta e dois juízes da lei terá que dizer favoravelmente. Ou em outras palavras, aquele que chega a este corredor terá que passar em cada uma das quarenta e duas salas para buscar uma certidão negativa.
Cada um dos quarenta e dois juízes da lei vai dar uma declaração atinente ou pertinente à sua esfera de atuação. Por isso, vamos dizer, em sentença breve, o que deve constar em cada uma destas certidões negativas.
Para obter esta certidão de que nada devo, obviamente aquele que se apresenta nestas salas, terá que fazer uma declaração solene, e aí é que entram as quarenta e duas declarações das quais se sacará quarenta e duas certidões negativas que se levará diante do supremo juiz da lei, Anúbis, na sala de Maat, onde ocorre o julgamento.
Interessante, não sei se com vocês ou algum de vocês aqui presente hoje, já tenha se dado conta que esta confissão negativa consta de exatas quarenta e duas declarações, uma para cada dos quarenta e dois juízes da lei. Para mim esta compreensão, esta luz brotou por estes dias, e por isso, nesta noite, quero compartilhar com vocês.
Ao juiz número um deve declarar "não cometi iniqüidades".
Ao juiz número dois deve declarar "não roubei com violência".
Ao juiz número três deve declarar "não maltratei os homens".
Ao juiz número quatro deve declarar "não furtei".
Ao juiz número cinco deve declarar "não matei homem ou mulher".
Ao juiz número seis deve declarar "não alterei o fiel da balança".
Ao juiz número sete deve declarar "não agi dolosamente [com dolo]".
Ao juiz número oito deve declarar "não me apoderei das coisas que pertencem a Deus".
Ao juiz número nove deve declarar "não fui mentiroso".
Ao juiz número dez deve declarar "não arrebatei [desviei] alimento".
Ao juiz número onze deve declarar "não pronunciei palavras perversas".
Ao juiz número doze deve declarar "não atentei contra o homem".
Ao juiz número treze deve declarar "não matei os animais propriedade de Deus".
Ao juiz número quatorze deve declarar "não fui falso".
Ao juiz quinze deve declarar "não devastei os campos lavrados".
Ao juiz dezesseis deve declarar "não intervi em assuntos de forma enganosa".
Ao juiz dezessete deve declarar "não se moveram meus lábios contra os mortais".
Ao juiz dezoito deve declarar "não me irritei jamais sem causa".
Ao juiz dezenove deve declarar "não maculei a mulher do homem".
Ao juiz vinte deve declarar "não pequei contra a pureza".
Ao juiz vinte e um deve declarar "não atemorizei o homem".
Ao juiz vinte e dois deve declarar "não transgredi em épocas sagradas".
Ao juiz vinte e três deve declarar "não fui colérico".
Ao juiz vinte e quatro deve declarar "não desprezei as palavras retas e justas".
Ao juiz vinte e cinco deve declarar "não busquei querelas".
Ao juiz vinte e seis deve declarar "não fiz chorar o homem".
Ao juiz vinte e sete deve declarar "não perpetrei atos impuros, nem dormi com homens".
Ao juiz vinte e oito deve declarar "a ira não devorou meu coração".
Ao juiz vinte e nove deve declarar "não abusei do homem".
Ao juiz trinta deve declarar "não me conduzi com violência".
Ao juiz trinta e um deve declarar "não julguei apressadamente".
Ao juiz trinta e dois deve declarar "não me vinguei de Deus".
Ao juiz trinta e três deve declarar "não falei em vão".
Ao juiz trinta e quatro deve declarar "não agi com astúcia".
Ao juiz trinta e cinco deve declarar "não falei mal do rei [do presidente]".
Ao juiz trinta e seis deve declarar "não sujei [contaminei] a água".
Ao juiz trinta e sete deve declarar "minha voz não foi altaneira ou arrogante".
Ao juiz trinta e oito deve declarar "não blasfemei".
Ao juiz trinta e nove deve declarar "não me comportei com insolência".
Ao juiz quarenta deve declarar "não cobicei distinções".
Ao juiz quarenta e um deve declarar "não aumentei minha riqueza senão com aquilo que me era de justiça".
Ao juiz quarenta e dois deve declarar "não pensei com desprezo no Deus da minha cidade".
Particularmente acredito que esta confissão negativa serve de guia para fazermos um exame de consciência todos os dias ou todas as noites sempre que vamos nos recolher. Podemos utilizar esta confissão negativa como um guia para avaliarmos nosso próprio dia de trabalho porque seguramente, quando desencarnarmos, e nos apresentarmos diante da justiça divina, teremos que passar nestes quarenta e dois escritórios e pedir uma certidão negativa.
Não falo no sentido de que as pessoas comuns e correntes, quando desencarnam, terão que fazer isso; especialmente os iniciados, os Arhats, estes terão que passar nestes escritórios; e os Buddhas não poderão ser declarados Buddhas, sem que tenham obtido estas quarenta e duas negativas, sem exceção, porque ele terá que ter desenvolvido uma mente totalmente pura, isenta de qualquer mácula, no que diga respeito a estas quarenta e duas admissões ou delitos que todos nós cometemos.
Então, a confissão negativa tem muito a ver com o remédio que nunca falha, com o remédio que cura todas as enfermidades da alma. Correlacionar estes dois ensinamentos podem nos trazer a almejada redenção ou emancipação da roda do Sansara. Porque ninguém escapará daqui deste mundo se em sua mente abrigar desejos ou cobiças ou apegos.
Seja como for, para se tornar um Buddha, mais é exigido; mas, para qualquer um de nós, que simplesmente quer deixar de renascer neste mudo, terá que purificar a sua mente de tal forma como é mostrado aqui no Virecana Sutta, que nada mais é do que uma síntese de dez importantes paramitas ou graus de perfeição que todo ser humano deve, precisa, criar e desenvolver em si, justamente para emancipar-se do karma.
A purificação da sua mente deve ser profunda, porque o que nos prende aqui neste mundo, e que nos traz aqui a este mundo, amplamente discorremos em outros encontros como este; porém, hoje aqui, quisemos fazer um resumo, especialmente para aqueles que chegam agora, e para aqueles que nos acompanham, que já têm ouvido isso, já têm escutado estas aulas em suas casas.
De tempos em tempos temos que fazer um resumo para que não percamos o rumo. Até podemos pensar que este trabalho de purificação pode demorar várias vidas, mas uma vida é suficiente - e às vezes nem isso, dependendo, é claro, do grau de trabalho interno de cada um; isso depende do próprio karma. Mas, nestas dez paramitas, aqui hoje mencionadas, nós falamos da correta visão ou da visão reta.
Somente praticando dia a dia a correta visão é que vamos expurgar gradativamente de nossa mente os elementos atrelados, atados, conectados com o mau uso da visão - e nem falo só da visão física, dos olhos físicos, que é um dos nossos cinco sentidos.
Esta visão tem uma dimensão e um sentido maior do que simplesmente aquilo que vemos com os olhos; a visão é como vemos a vida. Se temos uma visão equivocada, não reta, da vida, devido a falsos ensinamentos que recebemos desde que nascemos neste mundo, é óbvio que temos que primeiro nos desconectar, desatarmos-nos destas visões equivocadas, destas percepções equivocadas da vida.
Porque a nós nos é ensinado, desde pequenos, a estudar muito para ganhar muito dinheiro, fazendo uma excelente faculdade, e trabalhando numa grande empresa. Isso é o que nos é ensinado como visão da vida; ninguém, não conheci até hoje nenhum pai de família que ensinasse seus filhos, que nós nascemos para servir, e no entanto, este é o propósito da vida.
Nascemos para servir e sobre este desiderato, o servir, já falamos em outras oportunidades, especialmente naquelas conferências ligadas ao karma yoga, onde mencionamos e citamos a visão cristã, que é o amor agape.
Amor agape é o amor em forma de serviço reto, de servir desinteressadamente a humanidade, como nos ensinou o Mestre Samael.
Aí está um exemplo de correta visão da vida; mas se nós, por N fatores, não conseguimos desenvolver uma reta visão da vida, é evidente que sempre estaremos retornando e renascendo aqui neste vale de lágrimas; estaremos sempre atados ao Sansara. É por isso que este Sutta diz: Este remédio nunca falha, porque ele pode levar o desenvolvimento das qualidades mentais à máxima culminância ou desenvolvimento.
Todos os valores positivos que temos dentro de nós nascerão, crescerão, se desenvolverão a partir do momento que começarmos ou tivermos uma visão reta da vida, sobre o que viemos fazer aqui.
Isso envolve uma reta decisão, porque podemos ter a visão, mas não termos decidido absolutamente nada, e seguirmos servindo os modelos não retos de vida. Se tomarmos uma decisão incorreta, equivocada, é claro que as conseqüências desta decisão equivocada não serão expurgadas, e consequentemente continuaremos sofrendo das enfermidades e doenças da alma.
Observemos, por exemplo, as conseqüências que gera o mau uso do verbo ou a fala incorreta, e isso está numa das confissões negativas do livro egípcio dos mortos: Não falei em vão, não usei o verbo de forma vã, fora outras declarações correlacionadas ao abuso do verbo ou mau uso do verbo.
Quanto karma geramos porque não temos, ou não nos ensinaram até hoje, a importância e a responsabilidade quanto ao uso da palavra. Não existem palavras vãs; tudo que se fala, ecoa; tudo que se pensa, reverbera no mundo da mente.
Nenhum pensamento é perdido; por isso, mudar a forma de pensar, tem sido uma das teclas mais batidas aqui, em nossas reuniões. O próprio Mestre Samael nos ensinou a fazer isso: mudar a forma de pensar porque o correto falar vem de uma correta maneira de pensar e uma correta maneira de pensar passa por uma renúncia de todos os falsos valores que nos foram ensinados neste mundo pela educação acadêmica, pela educação que nos passaram nossos pais, pelo que aprendemos nas escolas...
Nestes ambientes, nós só aprendemos os falsos valores, valores que, literalmente, assassinam nossa alma ou a aprisionam no calabouço - e aí nos transformamos em máquinas de produzir e de consumir, nada mais do que isso.
Este Sutta menciona também a correta ação, o agir correto. A correta ação praticamente envolve todas as quarenta e duas confissões, porque uma ação não reta, qualquer coisa, qualquer ato fora da lei, é uma ação não reta. Então temos que conhecer as leis ou a lei.
Também mencionamos em outras oportunidades sobre o correto meio de ganhar a vida. Não é um reto viver, o explorar ou distribuir drogas, o viver vendendo bebida alcoólica, etc.
Estas não são maneiras corretas de ganhar a vida. Hoje, nossa maneira de ganhar a vida é reta? Isso precisa ser examinado!
Este Sutta fala também do correto esforço. Quantos estudantes de Gnose conhecemos, [sem dúvida também já fizemos parte destes], que se esforçam para praticar a Gnose ou os valores que ela ensina?
Mas, por desconhecimento, por falta de compreensão, orientação adequada ou precisa, mesmo tendo feito muitos e grandes esforços, não eram esforços corretos; consequentemente isso não nos gerou dharma; pelo contrário reforçaram nossos karmas, nossas travas, barreiras psicológicas.
Quando vamos ensinar gnose, não basta sair por aí ensinando uma suposta doutrina do Mestre Samael... Primeiro é preciso compreendê-la. Podemos haver compreendido tão só quatro linhas...
Mas, se tivermos, efetivamente, compreendido estas quatro linhas, e as ensinarmos retamente, e corretamente, outros se beneficiarão deste ensinamento. Mas, por outro lado, se saímos por aí distribuindo livros adulterados, mesmo fazendo o esforço na intenção correta, o resultado poderá ser o fracasso. A quem vamos responsabilizar sobre isso?
Temos que despertar! E fazer ou tomar consciência de nossos atos para que todo o esforço que fizermos seja sempre um esforço correto, na direção do centro, na direção da liberação, de aliviar o sofrimento dos seres sencientes, como alerta o Buddhismo com muita propriedade. Quando aprendemos a aplicar o esforço corretamente, os esforços errados serão expurgados bem como suas conseqüências...
Recentemente mencionamos aqui, neste canal, fruto de uma pergunta de um dos participantes deste fórum, que nos interrogava: "Como podemos consertar as coisas e os erros passados?"
Todo e qualquer erro que se cometeu no passado é corrigido com o acerto de hoje a partir do momento em que se dá conta que estava agindo de maneira não reta.
Portanto, meus amigos, é preciso realmente colocar muita atenção nestes pequenos detalhes, porque nós hoje temos uma péssima concentração, e aí também faz parte deste Sutta, buscar em si a correta concentração.
Temos hoje uma atenção dispersa que é o oposto da concentração; dispersamos nossa atenção para milhares de interesses e pontos de absorção desta energia, deste poder luminoso, que é a atenção.
A atenção é nossa consciência... Se nós em vez de concentrar esta luz numa direção, espalhamos para milhares de direções, dezenas ou centenas, é obvio que estamos falhando neste aspecto, na obtenção da correta concentração, e com isso adquirimos o karma devido a esta falta de concentração.
Falta de concentração é atenção dispersa, é outro aspecto. Por isso, reta maneira de ganhar a vida, reto esforço, reta atenção, reta concentração, e agora, reto conhecimento...
Quando adquirimos o reto conhecimento, que é a Gnose salvadora, o Buddhismo do Buddha, é obvio e natural que, gradativamente, os conhecimentos equivocados serão expurgados de nossa mente.
Agora, se não temos interesse em obter, se não aplicamos o reto esforço na busca do reto conhecimento, é obvio que não teremos e não receberemos o reto conhecimento, a reta doutrina ou o reto ensinamento, e podemos cair vítimas de tantas falsas doutrinas, tantos falsos Mestres, de tantos encantos, seduções, insinuações.
Porém, mesmo assim, sentimos que muitos continuam, mesmo tendo ouvido isso talvez umas dez vezes ou mais, hipnotizados; parece que não se dão conta que isso está ocorrendo exatamente com eles. Porque todos nós partimos de uma falsa premissa; nós achamos que já temos o reto conhecimento ou que já temos a reta concentração ou que já sabemos praticar a atenção concentrada e que todos os nossos esforços são retos.
O Mestre Samael nos ensina que a cada dia devemos começar do zero radical. É isso! Aquele que pensa que tem ou que é, não é: a cada dia precisa renovar esta busca, a cada dia é preciso esvaziar o copo, esvaziar o conteúdo de ontem, recomeçar, rever, aprofundar, depurar, e assim por diante; ou como ensina a alquimia: é preciso cozer [ou cozinhar], cozer, cozer, cozer e tornar a cozer, recozer, voltar a cozer até que, por fim, surge das águas genesianas, do enxofre, do mercúrio e de tantos outros elementos alquímicos a criança da alquimia.
Esta criança da alquimia se cristaliza em nós na forma de corpo astral cristificado, que é o primeiro grande passo visível: a formação deste Eidolon, deste corpo astral solar, da cristificação deste corpo. Quando se consegue este passo, quando alcançamos este nível, nos tornamos Arhats, um pequeno Buddha de terceira iniciação de mistérios maiores.
Por mais que nos esforcemos em buscar alternativas, fugir daquilo que nos é proposto, a verdade é que o único remédio que funciona e nunca falha, que é o grande purificador, libertador de todos os seres aprisionados ao renascimento, ao envelhecimento, à morte, tristeza, lamentação, dor, angústia, desespero, é isso que estamos dizendo aqui hoje.
É preciso enfrentar a si mesmo, limpar a mente e viver a vida reta, encarnando estas dez paramitas aqui mencionadas.
Hoje mencionamos estas dez; em outras ocasiões, em outras conferências, abordamos algumas destas, e outras que não foram aqui mencionadas hoje. Existem dezenas de qualidades que devemos trabalhar. Mas é claro que não podemos trabalhar com todas elas no mesmo dia, ao mesmo tempo; temos que começar com uma delas, e mais tarde poderemos focar em várias.
O que apresentamos hoje, nesta noite, foram apenas duas visões distintas que têm o mesmo objetivo, que é liberar-nos da roda do nascimentos, tornar-nos pessoas livres, realmente autônomas, independentes, e para isso existe o caminho iniciático que foi ensinado por todos os grandes enviados do passado, desde Zoroastro, Hermes, Buddha, João Batista, Jesus, e outros mais recentes, outros Mestres que encarnaram mais recentemente como Francisco de Assis, Cagliostro, Saint Germain até chegar aos nossos dias através da encarnação do quinto dos sete que nos legou esta doutrina que é em realidade a base fundamental da grande ponte entre o Oriente e o Ocidente que permitirá a edificação da grande civilização que se instalará neste mundo na futura idade de ouro, depois da catástrofe, quem sabe daqui a quatro ou cinco ou seis séculos; não sabemos qual é o tempo adequado para isso; só sabemos que esta ponte, cuja pedra fundamental está sendo erguida agora, que foi plantada pelo Mestre Samael, é o começo da construção desta grande ponte que ligará toda a sabedoria do Oriente com toda a sabedoria aqui do Ocidente; na idade de ouro prevalecerá uma civilização sintética, holística, em que se terá uma visão única e integral de todas as formas de conhecimento. Todas as formas de conhecimento se integram e se harmonizam tal qual na antiga Atlântida, nisso que se convencionou a chamar de magia: a ciência se tornará religiosa e a religião se tornará científica.
Até aqui nossas palavras desta noite; ficamos então à disposição para aqueles que quiserem questionar ou aprofundar os aspectos aqui colocados.
Perguntas
P: Explique os termos agir com iniqüidade?
R: O que é uma pessoa iníqua? Você tem que entender do que é composta esta iniqüidade... Qualquer dicionário te dará excelente partidas ou sugestões para você entender ou ampliar a compreensão do que é ser iníquo. Aí há uma variedade imensa, porque começa desde o indivíduo não confiável até um indivíduo que age intencionalmente com maldade e outras coisas mais. É alguém não confiável, maldoso, não íntegro, e por aí a fora. Literalmente significa falta de equidade; equidade é justiça natural, igualdade, retidão.
P: O que é alterar o fiel da balança?
R: Pode ser algo concreto desde o açougueiro ou padeiro que vai pesar a carne ou o pão que vende. Ele pode alterar a marcação da balança... Sabemos que isso hoje é possível fazer, como também você pode botar dois ou três litros de água no botijão de gás para quando for enchido de gás pese mais, porém não tem ali efetivamente os treze quilos de gás porque nos treze quilos, três são de água. Isso é alterar o fiel da balança. Ou quando o litro não tem o litro; só tem novecentos ml e vai por aí a fora.
P: O que é agir dolosamente?
R: O que é dolo senão engano? Agir dolosamente é agir de maneira ardilosa, mentirosa, com farsa, engano, engodo.
P: O que é apossar-se de coisas que pertencem a Deus?
R: Tudo pertence a Deus. Por exemplo, aqui no Brasil... Qual a raiz fundamental da explosão social que está para suceder nos próximos anos? Alguns se apossaram das terras dizendo que são deles, mas não são...
P: O que é ser colérico?
R: Colérico é ser irado, ser raivoso, é aquele que age com cólera.
P: O que é cobiçar distinções?
R: São exatamente estes que querem estátuas nas praças públicas, querem honrarias, diplomas, aplausos. Isso é cobiçar distinções, cargos políticos, enfim, são dezenas de características que têm cada uma destas quarenta e duas confissões negativas. As certidões negativas que temos que obter, cada juiz deste tem um livro lá e ele examina o quanto estamos devendo, relativo à área de atuação do seu próprio escritório. Hoje, quisemos tão só compartilhar uma compreensão que tivemos estes dias... Quem sabe assim, já que os tempos finais estão aí, possamos chegar juntos ao longo corredor para retirar estas certidões negativas.
P: Em um homem cristificado ainda há possibilidade de cair?
R: De cair não, muito remotamente, difícil de cair. Estou usando as tuas palavras, meu amigo, porém, um homem cristificado pode descer a hora que quiser, e ao descer, poderá cair... Portanto, que se entenda claramente a questão!
P: Como posso afirmar aos juízes tais coisas sendo que em vida, até quando estamos no caminho, erramos?! A partir de quando isso é válido?
R: Meu amigo, a partir deste segundo em que você ouviu esta palavra passou a ser válido. Você nunca mais poderá dizer que não sabia. Então, o que você tem que fazer aqui, em termos concretos e práticos, é trabalhar sobre si de tal modo que se você, quando vir a desencarnar, estará tranqüilo e sereno ao chegar ao corredor do juiz número um, e dizer não cometi iniqüidades. Isso é um guia para você trabalhar em si mesmo, para eliminar as características que transformam uma criatura humana numa criatura iníqua, compreende?
P: É o Senhor Anúbis quem monitora estes juízes?
R: Não sei se o verbo correto é monitorar, mas no cosmo existe um princípio hierárquico. É evidente que estes quarenta e dois juizes respondem para o juiz supremo que é o Senhor Anúbis.
P: No caso de não conseguir algumas destas certidões o que acontece?
R: Se ele for um Buddha não será declarado Buddha; se ele for uma pessoa comum terá que voltar a este mundo.
P: A confissão que você ditou é uma espécie de oração?
R: Tudo na vida é uma oração; orar é falar com Deus. Então, você pode tomar esta declaração como uma espécie de oração; lembrem-se: eu falei que ia passar as quarenta e duas declarações em forma de frase sintética ou sentença breve, similar ao que fez São Malaquias com os últimos Papas. Só pegamos a expressão síntese característica de cada um destes juízes. Quem quiser a confissão completa posso mandar ou então vocês podem resgatar isso diretamente de duas obras do Mestre Samael onde ele transcreve: uma é "Tratado de Alquimia Sexual" e outra é uma obra que foi traduzida ao português como "Tempo, espaço e consciência", que é a mensagem de natal do ano 1969/70.
P: Irão passar por estes juízes apenas os que tiverem fabricado o Eidolon?
R: Os antigos egípcios, pelo menos neste livro egípcio dos mortos, dão a entender que todos os falecidos passavam por isso. Mas o nosso propósito aqui não é exatamente as pessoas comuns e correntes que não tem o menor interesse em relação à sua própria salvação.
De um modo geral, só que em outro nível, todas as pessoas, ao serem julgadas, é evidente que serão julgadas segundo os respectivos critérios de cada um dos quarenta e dois juízes da lei, num peso menor. Quanto mais elevada é a estatura [espiritual] de alguém, mais exigente se tornam os critérios. Por exemplo, para uma pessoa comum de repente é aceitável uma nota três ou quatro, mas para uma bodhisattva provavelmente não menos do que sete; para Buddha tem que ser sete ou oito; para um Adepto tem que ser dez e nada menos do que isso - ou não teríamos uma Loja Branca; teríamos um zoológico de todas as cores, sem dúvida nenhuma. Ninguém é obrigado a se tornar Mestre, Buddha, Adepto; mas, se dentro de nós isso vibra, palpita e queremos, nos lançamos no caminho, e dependendo da onde queremos ir, nada é aceito a não ser a perfeição. De um simples Arhat, que é um iniciado de terceira maior, já é exigido muito, muitíssimo em verdade, comparativamente, relativamente, ao que se espera de uma pessoa comum; uma pessoa comum não ousaria encarar uma iniciação; literalmente diz que é coisa de doido, de louco; e nós, conhecendo estes processos de terceira maior, encaramos isso com normalidade, porque são critérios bastante exigentes, mas muito mais é exigido de um Buddha, e mais ainda de um Adepto.
P: Quem são os juízes membros do tribunal do karma?
R: Alguns são conhecidos, outros não. Um dos juízes bastante conhecido na Gnose é o Mestre Rabolu que é um dos quarenta e dois juizes; Litelantes e outro dos quarenta e dois juízes. Há outros por aí que estão encarnados agora, porém, de forma anônima; serão resgatados agora, quando a catástrofe chegar, e retornarão, se auto-realizarão, na futura idade de ouro; conhecemos vários bodhisattvas de juízes da lei que estão por aí e que estão se esforçando e lutando para se levantarem, e serão resgatados; não digo todos, mas pelo menos os que nós conhecemos, sim.
P: Existe a possibilidade de existir um lugar específico do planeta que não irá ser atingido pela catástrofe?
R: Bem, até onde me consta, somente aquelas regiões que estão na quarta dimensão não serão atingidas; tudo que está na terceira dimensão será golpeado de uma maneira jamais vista na história deste planeta.
P: Se um bodhisattva de um destes juízes cai, ele julga a si mesmo?
R: Não! Quem julga é seu Pai! Lembre-se disso: bodhisattva é bodhisattva, o Pai é o Pai. O juiz é o Pai não o bodhisattva; não confundamos as coisas. O pai julga o filho e sempre julga de maneira implacável... Se tiver alguém que é exigente em relação ao filho é o próprio Pai. Então, não criem fantasias ao estilo destes pais que temos neste mundo, que costumam suprir sua ausência comprando brinquedos caros aos seus filhos. Isso não existe na Loja Branca...
P: Mas o Mestre não dizia que algumas pessoas seriam avisadas para irem a tal e qual lugar seguro?
R: Pois eu te digo, meu amigo: estas pessoas já estão sendo avisadas para irem a lugares seguros. Mas nunca o Mestre disse “como” seriam avisadas, e o Mestre jamais disse para que lugar seguro seriam conduzidas estas pessoas; pelo menos a mim não consta isso. Ele mencionou em algumas obras uma ilha no Pacífico; agora ele não disse se ela estaria na terceira ou na quarta dimensão. Para você considerar: o Mestre Samael não disse tudo [e do que foi dito] não soubemos entender muitas coisas, e hoje estamos vendo que realmente nós é que não entendemos. Eu mesmo poderia levantar muitos aspectos da doutrina ou dos livros do Mestre Samael que mais confundiriam que somariam algo. Por isso não levanto mais nenhum ponto polêmico; se alguém levantar e perguntar, teremos alegria em responder; senão, deixa como está.
* O texto acima é cópia integral, (modificada a pontuação e feitas algumas alterações para dar o formato de texto), de uma conferência ditada por Karl Bunn, presidente da Igreja Gnóstica do Brasil – realizada ao vivo dia 12.06.2007, por intermédio do programa Paltalk, via Internet. Equipe: Transcrição de texto: Mariana Cunha. Revisado pelo próprio autor.
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