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o que é isso?



CONFERÊNCIAS 2007 I - DOMÍNIO DA MENTE: PREPARANDO-SE PARA 2012
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DOMÍNIO DA MENTE: PREPARANDO-SE PARA 2012

Autor: Karl Bunn*

Dando seqüência ao conteúdo e aos assuntos principais do livro A Revolução da Dialética, vamos relacionar algo desses temas também acerca desses novos tempos, os quais passamos a viver desde o início deste ano 2007.Temos feito alguns comentários em nossas comunidades, listas, mas devido à gravidade da situação ou da urgência interna de todos nós, sempre é bom retomar esse tema, aclarar algum ponto ou aspecto não devidamente compreendido. Aqueles que têm acompanhado nossos comentários pelas comunidades sabem da importância do dia 27; ainda dá tempo de enviar uma cartinha ou algo para o trabalho que fazemos aqui dia 27. Aqueles que não sabem do que se trata, vamos esclarecer rapidamente.

Temos sido orientados no sentido de aproveitar o dia 27 de cada mês, que é uma data importante cosmicamente falando, porque nesse dia todos os templos da Loja Branca realizam seus trabalhos ritualísticos de uma maneira especial. Nessa data, a Loja Branca costuma fazer muitas obras de caridade, excepcionalmente mais do que o dia-a-dia, por assim dizer. Nos dias 27, é como antigamente, quando os reis concediam audiências coletivas e cada qual levava suas demandas, problemas, dificuldades e assim o rei procurava resolver a situação daqueles em maior dificuldade.

Claro que estou citando uma época anterior à Idade Negra, pois a mesma, quando chegou a nós, a partir do ano 508 da era pós-cristã, tudo isso se perdeu e acabamos entrando numa situação, num caos social que se traduziu, se converteu nisso que temos hoje em dia no mundo, onde ninguém mais se preocupa com a sorte, o infortúnio de ninguém. É uma lei de selva em que cada qual busca apenas livrar o seu, as suas coisas, sem se importar com a solidariedade humana. Mas, na Loja Branca, todos os dias 27 de cada mês, faz-se isso de uma maneira intensa. É uma data muito importante para aqueles que necessitam solicitar algo especial, seja em termos de saúde, eliminação de algum defeito ou uma graça especial como se diz num linguajar mais comum.

Nos dias 27, nós aqui [na Escola Gnóstica] fazemos sempre negociações especiais com a Lei Divina mediante processos ritualísticos próprios. Muitos escrevem para nós e, por intermédio desses rituais, fazemos chegar a contraparte astral dessas mesmas cartas ao Tribunal da Justiça. Como estamos relacionando tudo isso com 2012, é importante saber que, se quisermos avançar em nosso trabalho interior, temos que compor, negociar ou resolver nossos obstáculos kármicos.

Muitas vezes estamos estagnados no caminho por causa de algum defeito e esse defeito é kármico, relacionado ao nosso próprio karma, conseqüentemente, precisamos negociar isso direto com a Lei. O senhor Anúbis está receptivo, esperando por essas negociações, assim tem sido dito. Igualmente nesses trabalhos do dia 27, de eliminação de defeitos, de negociação de karma, é muito importante a intercessão da nossa Mãe Divina junto aos Senhores da Justiça, os Juizes do Karma. Todo nosso avanço, progresso espiritual, depende da Mãe Divina. O Tribunal da Lei em si mesmo apenas cumpre, administra, gerencia a vontade de nosso Pai-Mãe. Se nossa Mãe pede muitas vezes para deixar que seu filho continue em determinado grau ou situação nada se move, tudo obedece a uma hierarquia.

Os próprios Mestres do Nirvana igualmente não instruem, não trabalham internamente sobre esses estudantes, não lhes abrem portas se a Mãe Divina não autorizar. Essas questões são muito sensíveis, porque em muitas ocasiões a própria Mãe Divina leva seu filho pela mão e entrega a um instrutor no Nirvana, justamente para que seja devidamente preparado para avançar no caminho. Como nós aqui neste mundo, estamos muito adormecidos, geralmente não tomamos consciência desses acontecimentos. Um ou outro que consegue lembrar-se dos seus sonhos às vezes registra isso de uma forma simbólica e então surge a necessidade de entender a simbologia sagrada. Esses pequenos detalhes fazem como que nós, aqui neste mundo, na prática, não acabemos tomando conhecimento daquilo que está acontecendo em outros níveis de consciência nossa.

Além de tudo que temos falado sistematicamente ao longo dessas conferências, estamos acrescentando isso agora como sendo de grande importância. As cadeias, os pedidos de morte, a eliminação de defeitos quando harmonizados com meditações profundas trazem bons resultados, porque através da meditação estudamos e analisamos nossos defeitos em níveis mais profundos e através das orações pedimos pela morte, pela eliminação desses mesmos defeitos compreendidos; a esse trabalho denominamos de “cadeias de morte” porque é um encadeamento de súplicas, de morte, de ajuda, de eliminação de nossos defeitos.

Muitas pessoas quando vão fazer negociações com a Lei Divina não sabem o que oferecer em contrapartida a algum beneficio que estão esperando. A estes dizemos, então, que eliminar defeitos, trabalhar sobre si, melhorar a conduta, crescer em santidade e castidade, fazer orações em favor daqueles que sofrem, fazer emanações de luz azul do seu coração aos que sofrem, tudo isso é parte desse trabalho de caridade. É muito importante termos o que oferecer na hora de uma negociação e muitas vezes não fazemos nada porque ficamos imaginando e nos perguntando: afinal o que vou oferecer? E, conseqüentemente, deixamos de avançar por medo, por insegurança, por desconhecimento.

Todos esses exercícios de orar em favor da humanidade, emanar a luz azul do amor do Pai que está em nosso coração em favor desses que sofrem, fazer aquela cadeia da Grande Mãe que temos em nossas comunidades [e também no site], tudo isso são pequenas obras de caridade que ajudam aos que sofrem e também servem de moeda, de trabalho, de oferta ou oferecimento de fazer algo em troca. Tristemente, nossa ignorância e desconhecimento sobre o que acontece nos mundos internos, nos mundos de consciência, muitas vezes nos levam a subestimar esses tipos de trabalho; então não fazemos e, não fazendo, tudo continua igual; ficamos no mesmo lugar e outros deixam de receber algum tipo de ajuda.

Deveríamos todos nós, a esta altura, entender que a realidade da vida é consciência e no mundo da consciência tudo isso que estamos tentando passar aqui em palavras é uma realidade concreta, mas infelizmente as palavras nos traem, nos limitam, desviam, não conseguem traduzir adequadamente estas mesmas realidades.

Todos nós temos algo a oferecer quando formos negociar, nos apresentar diante do Tribunal da Lei. Temos muita coisa a fazer dentro de nós; temos práticas a realizar e não realizamos; essas práticas geram méritos. O simples fato de passarmos a praticar exercícios espirituais, esotéricos, gera méritos e, em conseqüência, temos algo a oferecer junto à Lei Divina.

O que o Tribunal da Lei espera de todos nós é exatamente que tomemos consciência de nossos erros, equívocos e despertemos para uma realidade espiritual, de consciência e, quando passamos a fazer isso de uma forma sistemática, quando incorporamos isso no dia a dia, como o normal viver nosso, assim como respiramos e comemos, trocamos de roupas e nos banhamos para limpar o corpo, assim também temos que fazer com nossa alma.

Só que não fazemos isso ou fazemos mal feito ou só de vez em quando. Isso, tocado dessa maneira, não dá méritos; falhamos; não somos bons filhos para nossa Mãe, nem para nosso Pai; somos estudantes relapsos, nesse caso, para com os Mestres que nos assistem e diante dos quais muitas vezes assumimos compromissos e depois, aparentemente, nos esquecemos de cumpri-los.

Se falamos em reta final de 2007 a 2012, temos pouco tempo no sentido de tornarmo-nos sérios, profundos, responsáveis, e efetivamente fazer algo em favor de todos e de nós mesmos. Uma das grandes práticas sobre a qual falamos muitas vezes aqui são os exercícios para o desenvolvimento de nosso cárdias, de nosso coração, de nosso centro cardíaco. Esse é o chakra que rege, que regula todo avanço espiritual nosso. O Mestre Samael diz que Kundalini não desperta sem haver méritos do coração, e isso está relacionado diretamente com o desenvolvimento desse chakra cardíaco. Esse chakra corresponde ao nosso centro emocional superior. Temos que desenvolvê-lo; e como é que desenvolvemos esse centro? Com muitos exercícios, que estão em nosso curso de Gnose, nos livros do Mestre Samael e aqui mesmo, em outras oportunidades, recomendamos vários exercícios. Por exemplo, a prática diária daquele exercício que denominamos canção de lótus, a vocalização de mantras como OM, Om Masi Padme Yom, Om Tare Tutare Ture Soha, tantos mantras que, inclusive, usamos no momento de espera antes de iniciarmos nossas reuniões.

Devemos trabalhar em nosso centro emocional superior, em nosso centro cardíaco, todos os dias porque é a partir daí que vamos formar os méritos que moverão, movimentarão todas as conexões espirituais. Todos os demais chakras dependem desse desenvolvimento. Todos nós somos pessoas desenvolvidas intelectualmente, mas somos muito limitados no desenvolvimento de alma, cuja base está no centro do cárdias, do coração.

Esse conjunto de práticas, de levar e manter uma disciplina diária de exercícios esotéricos, meditação, oração, vocalização de mantras, tudo isso é muito importante, sem dúvida alguma, e agora mais do que nunca; do contrário sempre estaremos limitados apenas à parte mental ou intelectual da própria Gnose ou de outro ensinamento sagrado de qualquer outra escola.

A diferença, o que realmente nos diferencia e o que nos move adiante neste caminho não é a quantidade de livros que lemos ou estudamos, mas sim a quantidade de práticas, de preferência práticas realizadas com qualidade, com dedicação, não feitas por obrigação ou compromisso e de má vontade, mas sim realizadas com alegria, entusiasmo, entrega, isso sim nos dá um novo matiz, novas cores durante esse mesmo exercício.

Nos tempos atuais, fala-se muito em resgate de almas, em salvação; corre pelo mundo idéias que milhões de pessoas serão salvas desse dilúvio ou dessa transição que se avizinha. mediante resgate, até mesmo em naves cósmicas, e serão levados para outros planetas ou regiões dimensionais.

Muitas vezes aqui já mencionamos que nada disso vai ocorrer; o resgate será de alma e neste momento há uma intensa atividade no Nirvana nesse sentido; buscar todos aqueles que têm possibilidades de serem resgatados; não em corpo físico; estamos falando de resgatar a alma dessas pessoas. É por isso que devemos fazer o trabalho interior; ainda temos tempo. Todas as religiões são unânimes em dizer que aquele que se arrepende, consegue a salvação; e há que se entender adequadamente essa palavra, porque senão pode soar ou parecer que estamos aqui querendo forçar o arrependimento.

O arrependimento é uma tomada de consciência; é um dar-se conta do tipo de vida que tem levado até hoje, da realidade da vida, do real propósito de haver nascido e estar aqui neste mundo; fazer uma tomada de consciência de que a vida não é trabalhar para comprar coisas, para consumir.

A vida é uma oportunidade para crescer, desenvolver-se como consciência, como alma, como Ser, não como personalidade ou intelecto.

Quando falamos em arrependimento não estamos dando o sentido comum que as igrejas confessionais de um modo geral fazem. Estamos falando de uma tomada de consciência, de um “cair em si”, de perceber a si mesmo e a realidade da vida.

Esse dar-se conta é o que vai impulsionar a uma mudança interior. Sem esse dar-se conta obviamente não haverá impulso. Isso é a força do arrependimento. É esse dar-se conta para mudar internamente falando, sair da esfera da mente, da personalidade, do ego e passar a alimentar o Ser, a alma, a consciência. É transportar a base da existência para um outro pilar diferente desse que temos ou vínhamos sustentando até o momento presente. Neste momento, está havendo uma atividade intensa em todas as partes, buscando essas almas que têm possibilidades.

Mais do que nunca, quando mencionamos aqui orações, invocações aos Mestres, não importa qual seja a linha espiritual ou religiosa de cada um. Se alguém, por razões pessoais, estiver saturado de Gnose, ouvir falar do Mestre Samael, estude o Buddhismo; mas viva de acordo com as normas de Buddha, porque assim alcançará a iluminação. Se alguém se sente atraído por uma outra corrente do passado, busque penetrar na alma dessa doutrina e viver seus princípios aqui em carne e osso; conseqüentemente, também logrará despertar em si a luz da própria alma, do próprio Ser e isso o levará também a mudar seu centro de gravidade da personalidade, ego, mente para a consciência, para a alma.

É importante darmos-nos conta de que essa busca, esse esforço final, essa mobilização já teve inicio e intensificou-se a partir desse ano 2007. Não é porque falamos assim que estamos aqui querendo ameaçar com raios, trovões, com o fogo do inferno; não se trata disso. Não somos pregadores de evangelho, nem pregadores de doutrina que mete medo. A Gnose não é uma doutrina para apavorar ninguém; é uma doutrina de decisões. As doutrinas iniciáticas, de um modo geral, são de decisões. Quem chega a uma escola iniciática, já chega existencialmente maduro e pronto para dar esse passo. Não se pode comparar um estudante comum e corrente que está começando hoje com alguém que bate a uma escola iniciática ou alguém que pede a iniciação em suas próprias orações.

A iniciação é dada aos que pedem, porém para seguir nesse caminho é preciso fazer por merecer, ou a oportunidade é retirada. Os Mestres têm trabalho demais para fazer e cuyidar que para se ocupar com estudantes relapsos ou irresponsáveis. Isso é para o que temos que acordar, é disso que temos que fazer consciência ou despertar. Tudo que a Lei Divina busca, quer e espera de nós é trabalho sobre si, de esvaziar a própria mente, de limpar-se ou, como eles dizem, purificar-se, tornar-se puro. A palavra purificar-se significa torna-se um puro, ou aquele que está isento de mácula. As máculas ou manchas são nossos erros; é isso que o Buddhismo denomina como venenos da mente: esses são as máculas ou manchas que se vê no corpo astral das pessoas. Essas manchas são provenientes dos vícios, de nossa conduta, de nossa forma equivocada de viver.

É por isso então que todos os dias devemos tomar, reservar para nós mesmos, uma, duas ou três horas (oxalá alguém possa fazer isso) do tempo diário para fazer essas reflexões, para estar reunido consigo mesmo, para, após silenciar sua mente, estar com sua consciência, ouvir, perceber, sentir as realidades que estão além da mente.

Aqui, muitas vezes, mencionamos estas palavras, "serenidade" ou "contemplação", "reflexão serena", "estado contemplativo" - isso é um estado de consciência; vai além daquilo que normalmente nós, no comum e corrente, denominamos de calma e tranqüilidade. É um estado de atenção plena, e isso só se obtém quando relaxamos profundamente nosso corpo e depois relaxamos nossa mente.

Relaxar o corpo não é tão difícil, relaxar a mente é um pouquinho mais trabalhoso, mas com paciência e persistência também podemos alcançar ou conseguir. Quando buscamos relaxar a mente muitos pensamentos aparecem e, se não soubermos lidar com essa realidade, acabamos por agitar a mente em vez de serená-la ou de entrar num estado de não-pensamento.

Cada pensamento que surgir em nossa mente não deve ser rechaçado, mas também não deve ser alimentado. Basta estar atento para como que vê-lo surgir e depois se afastar. No começo, talvez, esse exercício não seja possível, e alguns nem vão fazer porque estarão dizendo a si mesmos aqui e agora: "ah, mais é tão simples assim, isso não vai funcionar!".

Essas são sempre nossas reações mecânicas, a realidade é que nunca paramos de verdade, ou poucas vezes paramos numa tentativa real e séria de buscar relaxar nossa própria mente e, quando buscamos fazer esse trabalho, percebemos que surgem muitos pensamentos, que a mente se agita e aí é que entra a atenção plena.

Nossa atenção está sempre voltada para as coisas do mundo exterior, está sempre atraída, distante, longe de nós mesmos, porque ela cai nos fascínios, nos fenômenos deste mundo ou, quando não é desse mundo, essa atenção acaba se envolvendo com as projeções, imagens, identificações das criações mentais e assim perdemos nossa atenção; conseqüentemente, perdemos nossa consciência. Portanto, exercitar a atenção plena, estado contemplativo, o não-pensar, é a base, o fundamento de tudo desse trabalho, para que possamos desenvolvê-lo em nós e fazer disso algo natural em nossa vida efetivamente; precisamos praticar bastante, muito.

Mencionamos em outras ocasiões que sempre estamos divididos entre os extremos: alto e baixo, feio e bonito, gordo e magro, vermelho e amarelo, sim e não, ter ou não ter, ir ou não ir. Dissemos também que o vazio, a compreensão ou a consciência está no meio. Não se trata, portanto, de rechaçar o sim e o não, o alto ou o baixo, ou aceitar o alto e rechaçar o baixo, nesse processo de dualidade. Não se trata nem de rechaçar, nem de aceitar, mas simplesmente compreender o que ocorre num dado momento. Isso é parte do processo de descobrimento, de autoconhecimento.

Um dos fatores que desempenha um papel muito importante em nossa vida é, de um lado, o medo e, de outro, os desejos. O medo é uma trava terrível porque deixamos de fazer as coisas positivamente por causa do medo; é esse medo que gera o desejo de segurança; é o medo que nos gera complexos de inferioridade; o medo da rejeição, o medo de ser humilhado, desprezado. O medo da morte, por exemplo, faz com que as pessoas andem armadas. O medo que um país tem de ser vitima de ataques terroristas faz com que entre em guerra e invada outros países.

Temos medo da vida, da morte, de passar fome, ficar na miséria, tememos o frio. Tudo isso gera enormes problemas dentro de nós que, em muitos momentos, geram o desejo de ter determinadas coisas que, em realidade, não são necessárias.O medo de morrer nos leva a desejar uma arma, de andar armados. O medo de passar fome faz com que eventualmente acumulemos alimentos em nossa casa, desnecessários a ponto de estragarem, pois vence o prazo antes que os tenhamos consumidos.

O desejo é outro mecanismo negativo; podemos ter o desejo de ser salvos, de ser resgatados. Nada disso é consciência, compreensão. Devemos compreender o que é a vida, a consciência, a alma, porque viemos aqui, nascemos. Devemos compreender o funcionamento da Lei de Equilíbrio Universal, compreender as leis que sustentam a vida e, gradativamente, vamos superando todos esses medos e deixaremos de fazer as coisas por nos sentirmos ameaçados. Essa disciplina mental, esse domínio da mente que devemos buscar ou ter, faz com que, de maneira gradativa, tornemo-nos independentes, alcancemos a libertação ou liberemo-nos dessas travas mentais.

A nossa forma de pensar hoje é como uma cadeia, um cárcere, uma prisão e, muitas vezes, querendo fugir da prisão, acabamos encarcerados numa escola, num sistema político, religioso ou filosófico, ou até mesmo num conceito equivocado. Devemos revisar continuamente nossos entendimentos, nossas compreensões e fazer isso por decisão própria. Não é porque estamos aqui falando de reta final que devemos nos mobilizar por medo; isso não nos levará a nada, não mudará um milímetro a nossa realidade interior. Devemos compreender o momento ou realidade presente: isso é uma coisa diferente de fazer as coisas por medo. O fato de alguém nos avisar que uma tragédia, uma transição é eminente, não significa, não carrega em si ameaça.

Cada qual reage segundo os condicionamentos de sua mente que, por sua vez, atrás disso têm todo um histórico pessoal. E se alguém é inconsciente desse histórico pessoal evidentemente encontrará, tentará buscar saídas fáceis, explicações superficiais e não entenderá a gravidade do momento de que o tempo de colheita chegou. Cada qual tem direito às suas crenças e opiniões; isso é verdade, mas nada disso impede que de planos mais elevados cheguem informações muito importante para tomarmos nossa decisão, para sair de um centro de gravidade e passar para outro.

Nesses processos, todos nós sabemos que a mente não sabe nada, não tem capacidade de saber nada. Age ou reage segundo os condicionamentos do medo, dos desejos, conseqüentemente, essa mente foi treinada ou condicionada a querer viver a ilusão de uma vida eterna, para sempre. Isso não é real porque os fatos da vida concreta dizem que todo ser humano nasce, cresce, atinge uma idade madura e depois morre, sem exceção. Todos nós morremos, independente de nosso desejo de querer viver para sempre e independente de nosso medo da morte.

De que adianta reagirmos a esses fatos concretos? De que adianta reagir negativamente diante de um fato concreto do cumprimento dos ciclos cósmicos? Bem verdade que podemos ignorar o cumprimento desses ciclos ou fechamento dos tempos. Mas o fato de ignorarmos que isso seja real não tira a própria realidade desse mesmo fato. Não temos, como animais intelectuais, criadores de uma ciência ateísta materialista, meios de saber empiricamente nada sobre esses tempos, sobre esses ciclos. Somente os Mestres, mensageiros, avatares e profetas podem nos informar corretamente sobre isso. Isso porque o entendimento, a consciência desses seres ultrapassa a dimensão intelectual, conseqüentemente, compreendem períodos anteriores e posteriores ao momento presente.

Não sem motivo que a mente é descrita, comparada, tomada com o símbolo de um burro e aquele que pretende entrar na sua Jerusalém Celestial precisa montar sobre o burro e não o burro sobre ele. Porém, quando nós nos tornamos escravos dos condicionamentos mentais e intelectuais que nós mesmos criamos, equivale a fazer isso: permitir que o burro cavalgue, monte-nos. Quem pretende entrar na Jerusalém Celestial é o burro, a mente e não o Cristo, a essência, a consciência que está dentro de nós.

Em termos práticos e concretos, toda vez que nos deparamos, aqui e agora no dia-a-dia nosso da existência, com representações, conflitos, imagens, insinuações, projeções, fantasias de nossa mente, representações inúteis, como diz o Mestre Samael, devemos nos dirigir imperiosamente a nossa própria mente, dizendo: "mente, retira essas representações, não as aceito, tu és minha servidora, eu sou seu senhor".

Assim, podemos aplicar essa técnica, essa chave, com qualquer representação de ódio, de medo, cólera, ira, irritação, cobiça, luxúria. Dizendo várias vezes, mas de maneira imperiosa, utilizando o poder da vontade consciente: "mente, retira essas coisas, não aceito, sou teu amo, teu senhor, tu deves me servir e obedecer".

Se não somos firmes diante do burrico teimoso é claro que não teremos como entrar na Jerusalém Celeste. É a mente que nos domina; é a mente e suas representações, sonhos, projeções, condicionamentos. Por isso, devemos estar atentos a nós mesmos de momento a momento.

Em Gnose é dito que a técnica da meditação nos permite chegar até as alturas da iluminação, mas para isso temos de meditar disciplinadamente dia após dia. Técnicas para meditar existem muitas; cada qual pode escolher a sua; mas já demos os fundamentos dessa mesma técnica: relaxar a mente.

E como é que se relaxa a mente? Acabamos de descrever; se os pensamentos surgem, observemos; não rechacemos nem nos identifiquemos com eles, simplesmente aprendamos a observar, a contemplar sem identificar.

Esses pensamentos não têm uma existência real, eles surgem do nada e vão para o nada, surgem de qualquer recanto de nossa mente e escondem-se em qualquer outro recanto da mente. Agora, nós, estando atentos a todo esse processo, a essa procissão de pensamentos, podemos estudar essas formas mentais e gradativamente irmos nos dando conta disso tudo, dessa realidade e, conseqüentemente, conhecê-los, investigá-los. Até mesmo em sonhos, à noite, enquanto o corpo dorme, podemos conhecer essas formas mentais, esses pensamentos.

Muitas vezes queremos silenciar a mente de forma violenta e alguém poderá dizer: "sim, mas então me resolva essa aparente contradição, não devemos silenciar a mente, no entanto devemos nos dirigir imperiosamente à mente"?.

Sem duvida aí temos uma contradição que é aparente; temos de buscar a compreensão dessas duas realidades, pois falamos de duas realidades. Uma coisa é você aquietar a mente de forma violenta sem entender, sem haver compreendido, estudado ou analisado nada, sem conhecer o funcionamento da própria mente. Em outras palavras, poderíamos dizer que você não conhece o burro, as manhas do burro que tem em sua casa. Então é hora de estudar um pouco, observar o comportamento deste burro e assim, então, relacionar-se melhor com ele. Aprender a superar, anular a sua reação, não-cooperação, porque é disso que se trata; aí existe um conflito entre a parte atenta ea parte desatenta da mesma mente.

Cada um de nós é uma consciência buscando conhecer-se. Como consciência, podemos observar dentro de nossa mente a parte atenta e a desatenta. Gradativamente, vamos buscando, desenvolvendo, adquirindo o domínio de maneira positiva. Em casos extremos até podemos açoitar a nossa mente e para isso o Mestre ensina numa cátedra, numa conferência chamada "A Segunda Jóia do Dragão Amarelo", que é de conhecimento da maioria de nossos estudantes.

Para viver com a mente em estado de quietude e silêncio precisamos primeiro aprender a viver de momento a momento; significa que devemos estar atentos aos processos que ocorrem dentro de nós mesmos. Desta forma não teremos a violência, mas sim o poder da vontade forte, intensa, mas sem a violência; há de se entender essas sutilezas, aplicar esses princípios.

No começo, normalmente é assim [com violência] que ocorre, não temos a habilidade de fazer isso. É natural... Somos aprendizes, nunca fizemos isso até hoje em nossa vida e agora queremos mudar. Bem verdade que para fazer, levar adiante esse tipo de disciplina, as práticas devocionais, tantas vezes mencionadas aqui, desempenham um papel muito importante, não podemos esquecer isso.

Devemos estar atentos, utilizar essa parte emocional, os mantras, as orações, as visualizações em certos sentidos. Não a fantasia visualizada, mas, por exemplo, numa figura, concentrarmo-nos numa Mandala, num quadro da Mãe Divina. Todo isso serve para encaminhar, para concentrar, harmonizar, orquestrar distintas regiões de nossa mente. São recursos que temos à disposição que já foram abordados, ensinados; os livros de Gnose ensinam isso, os livros esotéricos de exercícios espirituais, até mesmo de outras escolas, também falam dessas mesmas coisas.

Nisso não há novidade; a novidade é que estamos falando da necessidade de praticar isso, não de ficar com isso apenas como entendimento conceitual, mas efetivamente praticar. Porque uma coisa é nós recebermos a teoria da natação e outra coisa é entrarmos numa piscina e começar a nadar de fato. Aqui vamos exercitar a teoria da natação praticando.

Devemos fazer meditação diariamente, buscar estar atentos em auto-observação permanentemente de momento a momento. Só assim estaremos praticando isso e não simplesmente mantendo como uma idéia, um conceito e nada mais do que isso.

Resumindo, esse trabalho de domínio da mente, de compreensão, de observação, pede de nós uma profunda reflexão e profunda serenidade ou contemplação. Quando falamos aqui em reflexão alguém pode dizer: "você está sugerindo, então, raciocínio!"

Não é raciocínio, nem intelectualização, não é comparação, não é uso dos métodos comparativos e indutivos, de indução, inferir, deduzir, não se trata disso. Reflexão é observação serena, é contemplação, é distanciar-se de certa realidade para examiná-la sem envolvimento. É como observar cenas projetadas por um projetor de imagens na tela. Você não entra na tela para viver aquilo, apenas observa o que está acontecendo na tela, é disso que falamos.

Em Gnose, aprendemos que este exercício, esta técnica de meditação ou o exercício do não-pensamento, não-raciocínio ou o estado de contemplação faz com que a parte mais central de nós mesmos entre em atividade.

A parte mais central de nós mesmos é a consciência, isso que os orientais chamam de Buddhata; é a essência; se conseguirmos serenar ou interromper o processo de agitação da mente, se conseguimos, como se diz também, acalmar a mente - não estamos falando de mente em branco, pois isso é muito superficial, falamos aqui de chegar ao centro mesmo de nós - ali então veremos o Buddhata. E se a mente está silenciosa por compreensão é como que abrir as portas, as grades de uma prisão. A essência pode despertar e surge isso que denominamos de consciência.

Colocado e resumindo isso em outras palavras, significa que devemos utilizarmo-nos dos meios e recursos a nossa disposição, das diferentes técnicas que aprendemos até hoje para relaxar a mente. Uma vez que a mente esteja em relaxamento, e essa é a forma real do domínio da mente, então é possível a essa consciência, a essência, o Buddhata desprender-se, liberar-se dessas travas e aí perceberemos, com os olhos da alma, as mesmas realidades que víamos antes por detrás das grades e isso muda tudo. Muda completamente nossa percepção do mundo; é como uma visão que altera profundamente nossa percepção do mundo, dos acontecimentos, dos fenômenos, das pessoas. Para finalizar e sintetizar isso, podemos colocar nas seguintes palavras: o caminho iniciático gnóstico consiste, de um lado, em criar os corpos existenciais superiores e, de outro, esvaziar, relaxar a mente, liberar a alma, a essência, o Buddhata. O que está mais próximo de nós agora, aqui, é essa purificação, este acordar, despertar, relaxar a mente.

Construir as realidades anímicas ou espirituais dentro de nós é um trabalho que se faz paralelo, no devido tempo. Por hora, o que está ao alcance de todos nós, indistintamente, é a purificação, o morrer em si mesmo, conhecer-se, investigar-se, o perceber não só a si, mas o mundo, os fenômenos que nos cercam com novos olhos.

E, para isso, então, precisamos diariamente trabalhar, disciplinarmo-nos para levar adiante uma rotina ou uma disciplina de práticas esotéricas que venham a nos levar a essa percepção. Uma nova vida, uma nova realidade que se descortinará diante de nossos olhos, externos e internos.

Ficamos agora então à disposição para os devidos complementos que forem apresentados aqui.

Perguntas

P: Durante a meditação vêm algumas imagens, podemos examinar se dizem algo ou são apenas ilusões?

R: Quem pode saber disso é você mesmo no teu próprio processo de examinar; é no exame que você saberá ou compreenderá se elas têm existência real ou são ilusões. No começo, é evidente que tomaremos tudo como sendo realidade e muitos tomam isso como revelações até. Embora elas possam ocorrer, efetivamente se não tivermos o discernimento interior desenvolvido, que equivale a uma dose mínima de intuição, tomaremos simples imagens de projeção e fantasia como sendo uma linguagem superior ou uma revelação. Nós é que vamos descobrindo se aquilo que estamos vendo é uma realidade ou uma imagem criada pela própria mente. Cada qual tem o dever de conhecer, estudar o comportamento de seu burrico; só fazendo isso saberá se tudo está normal, é algo novo ou apenas um estratagema da mente. As coisas vão se abrindo aos poucos à medida que trabalharmos sobre nós mesmos. Quanto menos subjetividade, quanto menos egos, como se diz em Gnose, maior será o nosso discernimento ou a percepção direta daquilo que nos apresenta.

P: Sobre a Lei Divina, em alguns lugares foi ensinado que os Mestres seriam bravos!

R: Particularmente nunca encontrei um Mestre da Lei bravo, irado ou violento. Acreditamos que isso é um ponto de partida equivocado; indiretamente nesse caso estaríamos ensinando os alunos a temerem Deuses, os Mestres, os Buddhas. Há que se entender que os mestres da Lei Divina, os chamados Juízes do Karma todos eles são senhores do amor consciente. Se o amor consciente apavora-nos certamente o problema é nosso, somos nós que temos problemas.

Há personagens ou indivíduos em grande numero que estão sobrando dentro de nós e voltamos ao que mencionamos há pouco: o medo. O medo é uma trava muito grande, um obstáculo imenso e o estudante precisa superar isso mediante o conhecimento, a conscientização, o relacionamento, o enfrentamento de si mesmo, mediante a busca consciente dos Tribunais da Lei para negociar, acertar, examinar suas próprias contas. Afinal cada qual gerencia sua vida, é responsável por seus atos - ou não?

Ou acreditam mesmo que Jesus veio ao mundo para morrer e tirar todos os pecados e com isso poderíamos fazer tudo o que quiséssemos sem que a Lei Divina nos demandasse? Isso sim é uma fantasia, é temeroso ou uma temeridade. Volto a dizer, desde o Senhor Anúbis aos demais 42 Juizes da Lei, todos eles são senhores do amor consciente; eles exercitam dia-a-dia, de momento a momento, a misericórdia e a compaixão. Se não exercitassem isso não seriam um tribunal de justiça, mas de injustiça e seria um tribunal a serviço da tirania e não a favor e em nome do Amor divino, da vontade, da ordem, do cosmo, da sustentação do universo, isso é o que precisa ser entendido.

Por outro lado, se alguém não tem coragem de fazer uma prática como essa, pedir algo assim, então está muito mal no caminho; pior ainda são os instrutores desse pobre estudante que demonstram que não entenderam nada; nem deveriam ser instrutores a estas alturas porque estão deformando a doutrina, ensinando erros, o medo, o pavor dos Deuses, sendo que não é nada disso. Urgentemente, temos de rever certas idéias, conceitos, formas de pensar antigas e caducas. Essa é a nossa percepção desse mesmo fenômeno ou dessa mesma realidade.

P: Como não alimentar egrégoras durante a meditação?

R: É a mesma coisa que você me perguntar como é que não vou alimentar minha gula quando estou almoçando.

P: O medo gasta energia psíquica e durante a luta com o burrico afastando as ilusões a gente gasta energia psíquica também?

R: Não exatamente; tenho talvez a ousadia de dizer que gastamos mais energia rindo e falando bobagens durante o dia do que buscando afastar as ilusões. Os grandes desgastes energéticos ocorrem quando nos identificamos com determinada situação, quadro ou acontecimento, quando ficamos falando conversas inúteis, quando ficamos contando piadas e damos risada e quando assistimos filmes, por exemplo, de terror ou algo do gênero.

Gastamos mais energia pela impaciência no trânsito do que estudando nossas íntimas contradições. Se há, se você percebe um desgaste de energia é porque, talvez, ao fazer isso surja, sem que você perceba, uma ansiedade ou uma tensão mental, e como dissemos, esse trabalho é para ser feito com a mente relaxada.

O estado contemplativo não gasta energia psíquica alguma; isso é o que precisa ser entendido e à medida que você se dá conta disso aprende a relaxar; não há a necessidade de tensionar a testa, os olhos, o maxilar quando se está concentrado; relaxe, solte, entregue-se e, assim, dia-a-dia, você vai aprendendo e aperfeiçoando o seu exercício de relaxamento, de contemplação. Durante a meditação é normal sentir muitas coisas, pode-se ter a sensação de inchaço, flutuar, desprender-se, afundar, etc. Aqueles que entram em Samadhi ou êxtase simplesmente não sentem mais o corpo, vão além de qualquer realidade psicofísica; para isso é a meditação e expandir a própria consciência.

P: Conforme algumas escolas por aí, a meditação superior a duas horas pode ser prejudicial à mente, realmente existe esse perigo da pessoa endoidar praticando meditação várias horas?

R: Se isso fosse uma realidade os Monges Buddhistas todos estariam não em monastérios, mas sim em hospícios. Os fatos mostram que quem precisa estar em hospícios são esses que não meditam hora nenhuma e os monges levam uma vida simples e feliz; conseqüentemente, essa premissa carece de fundamento. Os fatos mostram exatamente o contrário; o que pode prejudicar a mente é a meditação equivocada, ou seja, alguém que não medita, mas fica raciocinando duas horas seguidas, aí sim é candidato ao hospício. E não vamos confundir a meditação que é um estado de mente relaxada com mente preocupada. São realidades distintas como a noite e o dia; a propósito disso, o primeiro louco seria o Dalai Lama que diz meditar três horas por dia ao amanhecer de cada dia e nunca vi nenhum sintoma de loucura no Dalai Lama. Vejo sintoma de loucura em outros lugares, pessoas; nesses que passam oito horas lendo livros, por exemplo, são mais dementes.

P: Como o iniciante equivocado sincero pode identificar esses falsos gurus e rechaçá-los?

R: Esse é o grande problema, o estudante iniciante não consegue distinguir nada, não sabe identificar nada e será vítima. No mundo de hoje, encontrar uma escola ou eventualmente ter em suas mãos um livro de um autor confiável já é uma bênção. Neste país onde vivemos há de tudo; hoje o nivelamento é por baixo; hoje me veio uma informação que aqui no Brasil existe uma religião autenticamente brasileira e em determinado veículo de comunicação apresenta-se isso como sendo um grande feito, algo que nos distingue do resto da humanidade, termos aqui uma religião genuinamente brasileira. Ao inteirar-me do conteúdo, que não vou mencionar aqui, realmente me deu lástima porque além de não ser uma religião pois não tem valor, teologia, transcendência, não há nada de conteúdo. É baseado totalmente em fenômenos enteógenos, da falsa consciência, como já abordamos anteriormente.

Hoje em dia, volto a repetir, só o fato de termos em mãos o livro de um autor confiável já é uma bênção e aqueles que saem por aí incorporando tudo, engolindo tudo que vêem pela frente certamente não terão um bom desfecho nessa existência; estarão complicando sua mente, pois misturam o branco com o negro, o positivo com o negativo, achando que tudo é a mesma coisa.

Voltamos ao ponto fundamental de tudo isso: o maior pecado da humanidade é sua ignorância. A Gnose, claramente, é o oposto da ignorância e muitas vezes dissemos aqui que não há gnóstico ignorante, porque um gnóstico que é ignorante não é gnóstico; começa por aí. O Buddhismo tem uma expressão equivalente a essa: que o reto pensar passa pela superação da própria ignorância. Devemos ser criteriosos e exigentes na busca, na pesquisa; não aceitar isso que a mídia, que a moda, que o mercantilismo nos impõe ou subservientemente coloca diante de nossos olhos.

Sobre esse axioma que quando o discípulo está pronto o Mestre aparece, contém muita verdade, porém é usado às vezes de maneira equivocada. O que acontece na prática é que o discípulo não sabe reconhecer o Mestre. Os Mestres não aparecem mais porque, mesmo aparecendo, ninguém os reconhecem; hoje em dia aparecem os impostores e são adorados, aceitos, incensados e os mestres verdadeiros são desprezados, humilhados. É triste a realidade nossa dessa reta final da humanidade; temos que estar muito atentos. Aqueles que têm acompanhado nosso trabalho ao longo destes anos acredito que estão melhor preparados, porém às vezes somos realmente surpreendidos; é que muitos que conhecemos há muito tempo ainda vivem aprisionados a velhas formas de pensar. Não conseguiram romper com o ciclo familiar em que nasceram; quando digo romper não é abandonar a casa; falo da forma de pensar dessas famílias, tradições, a religião, crenças da família; não conseguiram ser independentes disso.

Dentro da Gnose existem muitos estudantes que têm em casa quadro de diferentes Mestres que, inclusive, são de linhas tenebrosas; tem ao lado um quadrinho do Mestre Samael, ou de um Mestre da Loja Branca e um outro que não tem nada a ver com a Loja Branca. Acreditam que são esotéricos e que estão avançando na evolução espiritual quando, na verdade, na melhor das hipóteses, estão marcando o passo.

Certa ocasião, foi-nos dito que as crenças pessoais, mesmo equivocadas das pessoas, não chegam a ser assim um fator determinante desde que, é claro, não sejam praticantes das doutrinas sombrias; isso é outra coisa. Estou falando das crenças normais das pessoas, pois muita gente está seguindo tudo; egrégoras por aí que se apresentam como mestres; mas são puras criações mentais e têm sua vida pautada por esses supostos mestres e são meras egrégoras, figuras inventadas para vender livros. E as características de todos eles são essas mensagens pegajosas de falso amor, falsa consciência que circulam muito pela Internet, hoje em dia.

Disso deveríamos nos acautelar, porém se uma pessoa, mesmo deglutindo tudo isso, todos os dias de sua vida, efetivamente pratica o que falamos hoje, morte em defeitos, conduta reta, apelos a sua Mãe Divina ele tem alguma chance de ser resgatado posteriormente. Agora os que vivem nisso, só mandando mensagem para cima e para baixo e não fazem trabalho concreto nenhum sobre si dificilmente terão nova oportunidade. A situação, volto a repetir, é muito séria, muito grave; não há tempo a perder correndo atrás dessas fantasias esotéricas. Aqui mesmo, muitas vezes falamos, manifestamos acerca desses portais que a cada três meses surgem por aí.

Todas essas mensagens têm origem num único ponto, um local no mundo, nos Estados Unidos, onde se localiza a matriz de toda esta fantasia, de todo esse processo de escravidão mental, intelectual que aprisiona milhões de pessoas no mundo, ingênuas, fazer o quê? Não há como lutar contra isso; o Mestre Samael veio e deu o brado de alerta; outros avatares do passado falaram dessa mesma coisa; aqui mesmo estamos falando disso e temos experiência prática na área depois de ter experimentado em carne e osso o que são essas criaturas, esses falsos mestres, cangurus, enganadores, mistificadores. Hoje realmente falamos com conhecimento de causa e não porque lemos por aí em alguns livros; tivemos que descer ao inferno para sabe quem é, como é e como age o próprio diabo; essas sombras, tulpas, egrégoras que estão por aí. Infelizmente o discernimento interior custa caro para adquirir e seria tão barato se simplesmente pudéssemos ouvir e reconhecer o Mestre verdadeiro.

P: Na meditação podemos receber mensagens dos mestres da Loja Branca?

R: O Mestre Samael diz o seguinte: "a meditação é um sistema científico de receber mensagens do próprio Ser". Estamos falando de um meditador reto; se alguém utiliza artifícios outros, se alguém utiliza enteógenos, substâncias, ele não é um meditador reto, conseqüentemente, as suas mensagens podem ser falsas e mais uma vez voltamos a questão do discernimento. Primeiro temos de acertar e consertar nossa vida, temos que nos tornarmos sérios, profundos, responsáveis; isentarmo-nos de vícios pelo menos os mais grosseiros de nossa vida ou da existência humana. E depois que tivermos um reto pensar, um reto sentir e agir aí as mensagens começam a aparecer e não haveria porque duvidar dessas mensagens.

Bem diferente é o processo de mediunidade ou de canalização, mas esse não é o nosso terreno; menciono aqui apenas para distinguir as coisas. Porque muita gente por aí diz: "ah, eu recebi uma mensagem", mas nem sabe de quem recebeu a mensagem, não se preparou para receber mensagem alguma e se não há preparo, realmente o discípulo não está pronto. As mensagens que recebe são proporcionais ao seu preparo ou despreparo no caso.

Devemos aprender a nos isolar das influências do mundo, o selo hermético sem dúvida; e aprendermos a selarmo-nos hermeticamente todos os dias faz com que economizemos energia psíquica muito importante para o nosso trabalho interior. Uma pessoa estressada não tem energia psíquica para cristalizar os copos internos. Uma pessoa estressada ainda que, vamos admitir, praticasse alquimia não construiria ou plasmaria os corpos solares porque simplesmente não há energia excedente. Não é assim chegar e fazer uma conexão alquímica com o seu parceiro, noivo ou noiva e achar que o resto vai se dar automaticamente; na Iniciação nada é automático e tudo é feito por méritos; nada acontece por acaso; cada passo, cada grau de consciência é dado segundo o mérito.Para cada etapa dessas, há um instrutor interno que executa esse trabalho à pedido da Mãe Divina do próprio estudante.


O texto acima é cópia integral, (modificada a pontuação e feitas algumas alterações para dar o formato de texto), de uma conferência ditada por Karl Bunn, presidente da Igreja Gnóstica do Brasil – www.gnosew.org.br – realizada ao vivo dia 20.03.2007, por intermédio do programa Paltalk, via Internet. Equipe: Transcrição de texto: Mariana Cunha. Copydesk: Wagner Spolaor



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