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QUEM SOMOS ?
Autor: Karl Bunn
Igreja (Ecclesia) originalmente significava “assembléia”, “reunião” e, por denotação, “comunidade”; tem o mesmo sentido da “sangha” hindu. Porém, hoje, uma Igreja é vista como instituição religiosa. Para o futuro, as antigas ecclesia novamente assumirão o caráter de comunidades espirituais.
"Tu és Pedro e sobre essa pedra edificarei minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela”. Palavras do Cristo Jesus que inspiraram a Igreja de Roma a propagar ao mundo que "a sua" era a verdadeira e única igreja. Porém, de acordo com um dos maiores doutores dela mesma, Santo Agostinho, até o século V da nossa era, essas palavras "Tu és Pedro... "não se referiam à pessoa humana do apóstolo, mas sim, à confissão que Pedro fizera da divindade de Jesus: "Tu és o Cristo, filho do Deus Vivo", declarou Pedro.
“A confissão da divindade do Cristo, diz Agostinho, é a pedra fundamental da Igreja”. O próprio Agostinho diz ainda que a pessoa de Pedro, chamada por Jesus de carne e sangue, não podia ser a pedra fundamental da igreja, até mesmo porque, em outras passagens do evangelho, Jesus chama Pedro de Satanás, por ter pensamentos humanos e não divinos. Nesse caso, essa igreja seria uma igreja de Satanás e não do Cristo.
A pedra fundamental da Igreja é a divindade de Jesus, o Cristo. Esse foi o axioma sempre defendido pelos gnósticos dos primeiros séculos. Sabiam os gnósticos que não existe nem pode haver verdadeira igreja fora do Cristo.
Detalhes como esse sempre foi motivo de terríveis discordâncias nos concílios do passado. Diz Samael Aun Weor: "A Igreja do Cristo não é deste mundo. Ele mesmo disse que meu reino não é deste mundo". "No nome do Deus Vivo (o Cristo) há uma igreja invisível aos olhos da carne, mas visível para os olhos da alma e do espírito. Esta é a Igreja Gnóstica primitiva, à qual pertencem o Cristo e os Profetas. Essa igreja tem seus bispos, apóstolos, diáconos e sacerdotes que oficiam no altar do Deus Vivo". "O Patriarca dessa igreja invisível é Jesus, o Cristo. (...) Na Igreja Gnóstica vemos o Cristo sentado em seu trono, onde podemos conversar com ele pessoalmente" (Do livro A Virgem do Carmo, cap. VIII, pág. 20 e 21). Samael Aun Weor foi o criador da Igreja Gnóstica Cristã Universal na década de 70, no México, hoje com ramos e derivações em diversos países. Porém, há muitos e importantes antecedentes ligados à criação da Igreja Gnóstica por Samael. As raízes da Igreja Gnóstica na América Latina remontam ao início do século XX (ano de 1910 mais exatamente) quando o médico alemão Dr. Arnold Krumm-Heller chegou ao México procedente da Alemanha.
É por demais sabido nos círculos esotéricos e espirituais latino-americanos que Krumm-Heller era o Patriarca da Igreja Gnóstica da Europa para a América Latina. Ocorre que Samael foi discípulo de Krumm-Heller (Mestre Huiracocha) nos anos 1940, e dele recebeu os ensinamentos básicos que levaram o então Hierofante de Mistérios Menores, Aun Weor, a criar, mais tarde, o Movimento Gnóstico e a própria Igreja Gnóstica, utilizando inclusive os mesmos ritos que a Igreja Gnóstica de Krumm-Heller usava.
O distanciamento ou separação de Samael com a organização do seu Mestre não aconteceu de forma conflituosa; deu-se de forma natural pela morte ou desencarne de Krumm-Heller em 1949. Portanto, ainda que não haja uma ligação formal e jurídica entre a Igreja Gnóstica criada por Krumm-Heller (V.M. Huiracocha) e o Movimento Gnóstico de Samael, não há como esconder o fato de que o Movimento Gnóstico de Samael Aun Weor sucedeu o trabalho e a própria Igreja Gnóstica de Huiracocha.
A demonstração mais inequívoca disso são os ritos internos utilizados pelas instituições gnósticas criadas por Samael. Eles foram trazidos da Europa por Krumm-Heller. Além disso, nas primeiras obras de Samael é muito forte a inspiração dos ensinamentos dados pelo Mestre Huiracocha antes de desencarnar. Basta ler os primeiros livros de Samael Aun Weor para se perceber esse traço marcante. Afinal, todo discípulo, antes de se tornar mestre, traz consigo os traços do seu Iniciador.
Qualquer apreciação do Movimento Gnóstico e da Igreja Gnóstica de Samael Aun Weor fora desse contexto levará aos naturais desvios e falsas conclusões. A história e os fatos apontam o surgimento da gnose em terras americanas no início do século XX, tendo inclusive surgido antes na América Latina que na América do Norte, onde um ramo também oriundo da Europa se estabeleceu em 1928, quase 20 anos depois de haver chegado ao nosso continente.
Em 1960 a Gnose de Samael chega ao Brasil, em São Paulo. Em 1972 chega a Curitiba. É nesse ano que começa a nossa história, a história da Igreja Gnóstica do Brasil.
Karl Bunn
Presidente da IGB/EDISAW
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