Sexta-feira - dia regido por Júpiter - Zacariel
MEGA PORTAL NOVA GNOSE IGREJA GNÓSTICA DO BRASIL       ANO 51 DA ERA DE AQUÁRIO
1ª página
Alquimia
Apócrifos
Boletim
Buddhismo Gnóstico
Cadastro
Conferências 2006/2005
Conferências 2007 I
Conferencias 2007 II
Curso de Nova Gnose
Cursos Especiais
Edisaw
Escola Gnóstica
Escolas de Mistérios
Fale Conosco
Gnose & Gnosticismo
Hino do Avatar
Igreja Gnóstica
Livros Gratuitos
Loja virtual
Mantras em MP3
Mapa do site
Mensagem da Grande Mãe 
Mulher Gnóstica
Nostradamus
Podcast
Profecias
Samael Aun Weor
Tarot on line
Teologia
Últimas reflexões
Vídeos SAW

PESQUISAR NO PORTAL Google


o que é isso?



CONFERÊNCIAS 2007 I - ESCRAVIDÃO E DEPENDÊNCIA PSICOLÓGICA
   «VOLTAR

   2007: INÍCIO DA RETA FINAL        NAMORO, SEXO E KUNDALINI        O SEGREDO (THE SECRET)        NOVA ERA, NOVA GNOSE, NOVA DIALÉTICA        METODOLOGIA DO TRABALHO GNÓSTICO        ESCRAVIDÃO E DEPENDÊNCIA PSICOLÓGICA        FENÔMENOS DE FALSA CONSCIÊNCIA        PLENITUDE DO SER E VAZIO EXISTENCIAL        CONTUMÁCIA E TRANSFORMAÇÃO DE IMPRESSÕES        MUDAR IDENTIDADE, IMAGEM E VALORES        DOMÍNIO DA MENTE: PREPARANDO-SE PARA 2012        EGRÉGORAS, TULPAS E FALSOS MESTRES        PÁSCOA 2007: CONDUTA RETA        A SAGRADA ORDEM DO TIBET        O COLAR DE BUDDHA        OS SUTTAS GNÓSTICOS        NUNCA DESISTIR, NUNCA RETROCEDER        PRÁTICAS GNÓSTICAS PARA A RETA FINAL        ONDE COMEÇA O TRABALHO ESPIRITUAL        OS BONS MOTIVOS PARA TRABALHAR SOBRE SI        O RESGATE DA ALMA E A INICIAÇÃO        ASSURAS, LEI DO KARMA E JULGAMENTO FINAL    



ESCRAVIDÃO E DEPENDÊNCIA PSICOLÓGICA

Autor: Karl Bunn *

O tema desta noite denominamos de Dependência e Escravidão Psicológica. Queremos dizer que a dependência e a escravidão psicológica envolvem a constatação de um estado interior real, concreto; revela um estado interno característico desta humanidade; por conseguinte obviamente só poderemos sair desse estado se desenvolvermos a condição de auto crítica, que seja positiva e construtiva.

Muitas vezes buscando exercitar a auto crítica acabamos simplesmente arrasando a nós mesmos sem nenhuma construção e isso é grave. Por isso mesmo a Gnose ensina que toda mudança interior deve ser lenta. Nada deve ser impositivo, tudo deve ser feito à base de compreensão; qualquer passo, decisão, prática, disciplina deve ser realizada ou posta em prática, em andamento, mediante compreensão prévia. Se não temos essa compreensão vamos acabar cometendo erros que se voltarão contra nós mesmos, e aí muitas vezes achamos mais fácil transferir essa responsabilidade para outros, para a Gnose, para o Mestre Samael, para Buda ou qualquer outra igreja e religião.

Em realidade o problema é nosso, não entendemos adequadamente a natureza do trabalho a ser realizado; com isso em vez de ter um avanço positivo, concreto, acabamos complicando mais ainda nossa existência. Dentro desta obra que tomamos como base, "A Revolução da Dialética", a auto crítica é o começo do trabalho gnóstico, mas ela só pode ser colocada em prática após termos iniciado o trabalho de auto observação, porque a auto observação é que nos dará os elementos, os eventos, os fenômenos, os acontecimentos, as constatações, as fotografias, as imagens, as percepções das quais devemos fazer a auto crítica.

Para isso temos que desenvolver ou nos tornamos sinceros conosco mesmos; é preciso fazer a dissecação desses quadros, figuras, fotografia psicológicas. O Mestre Samael compara a auto critica com um bisturi, um instrumento para abrir, penetrar, possibilitando ver por dentro todos esses quadros, fenômenos, acontecimentos ou constatações. Por conseguinte, estamos aqui falando de descobrir nossos próprios erros, equívocos, conduta não reta; tratar de investigar e conhecer os fenômenos psicológicos; conhecer os ressortes secretos ou os mecanismos e engrenagens das reações psicológica, mental, intelectual, frente aos acontecimentos diários que se apresentam em nossa vida.

A auto crítica só pode e deve ser exercitada sobre nossos próprios erros; é um método para estudar e analisar os defeitos descobertos. Essa auto crítica deve ser feita sem ânimo de criar outros estados negativos dentro de nós; pelo contrario, uma auto critica deve ser saudável, para melhorar nossa atitude, conduta ou comportamento, para construir uma nova forma de viver. É fundamental descobrir esses erros, e essa análise, esse estudo é o que nos permite compreender isso.

Como toda mudança psicológica profunda só se faz a base de compreensão que se dá mediante trabalho prévio de estudo e análise que pode ser resumida em auto crítica saudável e construtiva, só depois disso o poder superior à mente pode e deve ser invocado para que pulverize os autores dos acontecimentos interiores negativos.

Muitas vezes dissemos aqui que sem compreensão prévia a Mãe Divina não pode eliminar nenhum defeito, porque o processo de compreensão equivale a abrir a garrafa, o invólucro em cujo interior existe um átomo de consciência aprisionado e esse átomo de consciência serve de alma para esse mesmo defeito; esse átomo age e reage segundo os condicionamentos do seu próprio invólucro. Esse é um trabalho de persistência, paciência, é um trabalho de auto crítica permanente e constante. Nunca se contentar com o pouco, com resultados rápidos e superficiais. É preciso mergulhar fundo dentro de nós, e nisso os sonhos, chamadas experiências astrais, contribuem muito. Platão dizia que o homem se conhece pelos seus sonhos.

Sabemos, mediante testemunho de varias pessoas com quem cruzamos nesses anos todos, que esses que se lançam neste caminho, tem sonhos a noite, recebem informação a noite e esses sonhos também devem ser estudados. Pois eles revelam nossa condição interna ou dos nossos cinco centros. É no âmbito desses cinco centros psicofisiológicos que existe, atua e funciona todo o nosso mundo interno, nossos próprios egos. Todos eles tem ramificações que se estendem alcançando um, dois, três, quatro ou todos os centros.

Nem todos os defeitos tem ramificações nos cinco centros, isso tudo deve ser descoberto mediante a auto percepção, a auto observação; deve ser analisado, estudado, compreendido mediante os processos da auto crítica.

As mudanças psicológicas devem ser lentas ainda que tenhamos falado muitas vezes que os tempos finais estão se cumprindo e estão em cima; nada disso deve gerar um clima de pânico ou estresse. Pois não é o pânico, a ameaça, o estresse ou a idéia de ameaça que irá acelerar alguma coisa ou tornar nosso trabalho mais produtivo. Não é isso que está em jogo, não é disso que se trata.

Temos que aprender a manter a calma, a serenidade em meio ao fogo da batalha. Isso é um aprendizado; essa é um a característica muito apreciada por aqueles que acompanham nossos processos internos; valorizam muito aquele que sabe se manter calmo mediante o fogo cerrado da vida, da batalha, da luta - o que nos revela o quanto eventualmente tenhamos que aprender caso tenhamos um comportamento reacionário violento ou irado. Isso nos remete à constatação que o trabalho psicológico gnóstico não é impositivo.

A Gnose não impõe nada, mostra o caminho, dá o mapa; ninguém é obrigado a seguir o mapa. Cada qual pode explorar o terreno como achar melhor, com ou sem mapa. O bom senso diz que quem tem o mapa na mão, desenhado por quem nos antecipou nessa jornada, faz com que nossa marcha seja mais tranqüila, eficiente. Se desprezarmos o mapa, ninguém vai cobrar nem perguntar nada, apenas saiba que vai demorar muito mais cumprir a jornada.

O próprio Mestre Samael alerta que estes sistemas, que ele denomina "o sistema da revolução da dialética", parecem muito longos para as pessoas que são impacientes. Mas ele avisa e antecipa: "não existe outro caminho". Só para vocês terem uma idéia, o Buda chegou a ser Buda quarenta e cinco anos depois. Atingiu sua plenitude quarenta e cinco anos depois de haver se lançado neste caminho e mesmo assim ao final de sua jornada chamou seus discípulos e ainda perguntou, apanhando com sua mão algumas folhas espargidas pelo chão: "discípulos onde existem mais folhas? Na floresta ou em minha mão?"

A pergunta pode parecer um pouco estúpida hoje em dia, porém antes ele já havia dito que tinha ensinado tudo que sabia, e ao pegar um punhado de folhas em sua mão, quis comparar com a floresta para ver como os discípulos iam perceber o ensinamento. Demonstrou claramente que ainda que ele tenha ensinado tudo que sabia, esse “tudo” era “nada” comparado com que há ou havia ainda a ser estudado ou descoberto.

Obviamente que cada um de nós pode, quem sabe, colher mais folhas que o próprio Buda; pode ir além; ninguém impede isso; nem Deus, nem a lei. Depende de nossa disposição e decisão. Se temos uma atitude negativa é evidente que não sairemos do lugar ou nos contentaremos com algumas quantas folhas colhidas em nossa peregrinação por este caminho, esta vida.

Se Buda levou quarenta e cinco anos para recolher como que umas quantas folhas, muitos de nós hoje, envenenados pela civilização atual, pelos usos e costumes que se implantaram nesse processo de transformação de seres humanos em robôs e máquinas de consumo e produção, buscam, esperam, querem mudanças rápidas e imediatas - e isso não existe.

Socialmente, antropologicamente falando, historicamente examinando percebemos claramente que toda vez que uma determinada cultura, civilização, país, império quis fazer grandes e rápidas mudanças adotou o caminho das ditaduras, das imposições e da tirania; caíram todos neste engodo, achando que impondo à força as coisas, o mundo, o seu país, as pessoas, os cidadãos mudariam, mas não é assim que as coisas funcionam.

Muita gente tem uma percepção errada e equivocada da proposta gnóstica; não entenderam ainda. A Gnose não é um sistema que impõe um modelo de pensamento. A Gnose é um mapa, um sistema que objetiva ensinar, dar as pautas sobre como pensar para que cada qual faça as suas conquistas, recolha as suas folhas da floresta existencial.

O mais importante é ensinar o “como” pensar, em lugar de “em que” pensar. Porém é interessante que à medida que buscamos exatamente passar os fundamentos do “como pensar”, há uma deturpação ou entendimento equivocado, interpretação ou decodificação equivocada de parte das pessoas; mas sobre isso não tem como interferir, nem impedir; isso é parte do processo de aprendizado de cada um; acabam confundindo a metodologia do “como pensar” com o que pensar ou o objeto do pensamento - não sei se me faço entender.

A Gnose não é um sistema de normas rígidas; bem verdade que a Gnose ensina certos princípios de forma enfática, como o caminho da castidade; mas as pessoas nunca entenderam e nem se deram ao trabalho de estudar, analisar e compreender o que é castidade e porque ela é necessária, e então ligeiramente tomam essa idéia como dogma ou à força. E aí, primeiro tentam aplicar em si; logo vêem que são derrotados e dizem que o sistema não funciona. É como construir sua casa iniciando pelo telhado, e ainda amaldiçoam o arquiteto, sendo que o arquiteto entregou uma planta completa, com todos os fundamentos e detalhamentos dessas mesmas bases.

Há que se entender que o processo de se caminhar, o processo de auto realização é um processo que começa de baixo pra cima com os fundamentos. Como dar um passo se não compreendemos a natureza da missão, do trabalho ou da tarefa que queremos fazer? Todos nós que temos inquietude, sentimos esse chamado de que devemos erguer ou reerguer, reconstruir o templo que nós mesmos destruímos no passado, o templo interior. Porém muitos mesmo vendo as estruturas comprometidas querem edificar o templo encima dessas estruturas carcomidas ou contaminadas pelo cupim do tempo, os agregados; é um péssimo negócio; vai desmoronar; não agüenta.

Ainda bem que do outro lado [da vida] temos consultores, assessores que simplesmente fazem com que a obra não progrida, que nada disso é mecânico, que nada disso atende aos nossos desejos ditatoriais ou egoístas. Porque senão ergueríamos ou tentaríamos reerguer o templo interior em bases e estruturas carcomidas, ameaçadas, deterioradas pelo tempo. É por isso que o Mestre Samael nessa obra diz que toda mudança brusca altera o seu próprio objetivo e o homem se torna uma vítima daquilo contra o qual lutou, tentou ou começou a lutar.

Quando falamos aqui em auto crítica, se entenda bem o que significa isso, porque senão em vez de auto crítica vamos cair na auto comiseração, na auto destruição. A auto crítica deve passar por assumir a responsabilidade sobre atos passados e conseqüências desses mesmos atos, porque ninguém vai atravessar o rio sem que primeiro tenha pago sua dívidas. Isso é claro, consta nos mapas, primeiro temos que acertar as contas com os arcontes da lei, acertar nossos débitos, ter moeda para pagar o barqueiro ou o pedágio da ponte.

A Mãe Divina luta por nós eliminando nossos defeitos, faz isso por amor e misericórdia, pois somos seu único filho, porém mesmo ela em determinados aspectos depende da aprovação da lei, especialmente em relação aos chamados “eus causa” dos quais muitas vezes falamos em reuniões anteriores. Auto crítica é muito importante, temos que aprender a fazer auto crítica, porque ela está voltada as constatações prévias daquilo que identificamos, levantamos e percebemos que existe dentro de nós mediante a observação direta de nós.

Tudo isso significa ou implica obrigatoriamente na necessidade de passarmos todos sem exceção por um processo de reeducação, que significa obter uma reta visão de si mesmo. Não podemos ter uma reta visão de nós mesmos se não percebemos os fundamentos desse viés, desse desvio de auto percepção.

Diz o Mestre que todos os seres humanos são no fundo narcisistas, enamorados de si mesmos. O que é isso? Porque somos narcisistas, enamorados de nós mesmos? Aqui em outra ocasiões falamos muito de amor próprio, auto importância e auto consideração. O narcisismo é o produto direto do amor próprio, da auto importância ou da auto consideração.

O ego é apaixonado por si mesmo, quanto mais egoístas, mais apaixonado somos por nós mesmos, aí está a chave. Portanto voltamos novamente a questão do amor próprio. Se nos amamos, nos queremos demasiadamente, nos valorizamos equivocadamente, é claro que esse narcisismo nos impedirá de avançar. Por isso na reta visão e na reta percepção de nós mesmos iremos nos deparar com nossas íntimas contradições.

Quem não se descobre não pode se conhecer e sem isso não pode trabalhar exitosamente na dissolução do seu eu pluralizado. É preciso realmente pela auto crítica fazer a investigação de nossas contradições, termos percepção disso. Lamentavelmente hoje todos aqui no ocidente fomos educados ou super educados numa formação de desenvolvimento intelectual.

Porém na revolução da dialética nos é dito claramente que informação intelectual baseada em idéias alheias não é vivência; erudição não é experimentação e mesmo o ensaio de laboratório, a prova científica, a demonstração empírica, não é unitotal; fica faltando ainda o lado interior, o interior da forma a ser percebido, descoberto, analisado e vivenciado. O que nos remete a constatação de que opiniões, conceitos, teorias, hipóteses, não significam verificação, experimentação, consciência plena sobre tal ou qual fenômeno.

Temos que experimentar, vivenciar, passar pelos processos íntimos de constatação e aí que entra a faculdade superior da mente, uma faculdade que funciona independentemente do intelecto, que seja capaz de nos dar o conhecimento e a experiência direta sobre qualquer evento, acontecimento, fenômeno ou realidade.

Todos nós aqui ou pelo menos os mais antigos em Gnose sabem que essa faculdade superior à mente é a consciência. Emancipar-se da mente equivale a despertar a consciência que noutras palavras equivale a dizer para nos livrarmos da mente, desta mente que nos encarcera, aprisiona, que é contraditória, que amargura nossa vida, serve de guarida ao desejo.

Lembrando os ensinamentos do grande, sábio e iluminado Buda sabemos que o desejo é a raiz da existência, nos remete sempre ao Sansara, sempre faz com que nos aprisionemos nos fenômenos, nas coisas, nos bens deste mundo e para livramo-nos do desejo temos que aplicar a força contrária, encarnar os princípios libertadores que se assentam e se apóiam na renúncia que é sacrifício voluntário; oferecer-se na pira sagrada, no fogo; compreender esses processos íntimos da mente; emancipar-se; livrar-se desses grilhões da mente; despertar a consciência.

Todos nós sabemos que despertar a consciência não é uma tarefa de dias, horas, semanas. É uma disciplina de entrega, dedicação; começa pelo domínio da atenção como enfatizamos aqui em outras ocasiões. Cada um desses elementos pede, exige, trabalho, dedicação - ou alguém recebe o salário no final do mês sem trabalhar? Existem os marajás, os funcionários fantasmas, todos nós sabemos que isso é corrupção, não é uma maneira reta de ganhar a vida, consequentemente se queremos ganhar o salário no final do mês, devemos fazer jus ao salário.

Como poderemos despertar a consciência se não fazemos jus a esse pagamento? Tudo custa efetivamente, depende de nosso esforço, trabalho. Não existe Mestre que faça isso; quer dizer, em tese existe; qualquer Mestre poderia despertar a consciência; porém qual o mérito de ter uma lâmpada que é alimentada pela eletricidade alheia, que não nos pertence? qual o mérito disso? Qual o valor disso?

O homem está convidado a se tornar um sol, um astro de luz própria; é isso que temos que entender; isso é o que temos que cristalizar dentro de nós. Esta questão da liberação, da reeducação, como vamos despertar a consciência se temos uma visão equivocada de nós mesmos ou se estamos felizes com essa visão equivocada, com essa percepção que não corresponde a realidade da consciência? O que é a vida? A existência? O mundo? O que é Deus? O que é a lei? O que é o TAO?

Podemos dizer aqui e agora que é consciência, mas isso não nos dá consciência do que seja consciência. Cada qual terá que descobrir isso, vivenciar diretamente, então saberá que tudo é consciência e que a forma é apenas o veículo da consciência. Nós, seres humanos, somos uma forma que serve de veiculo para a expressão dessa consciência. Todos as consciências individuais, todos as consciências dos seres sencientes, desde um minúsculo átomo até o senhor de todas as galáxias são formas da consciência única. Quando chegar a noite cósmica a grande noite de Brahama, tudo se dissolve e tudo volta a ser matéria negra. O espaço e os átomos são eternos e depois tudo pode voltar a renascer, pode voltar a assumir outras formas; a consciência não se perde. Enfim, isso já é parte de um estudo muito mais profundo e que não é o tema desta noite.

Se esse é o pagamento que queremos, buscamos ou esperamos, temos que trabalhar e ter méritos pra isso; do contrário isso não vem pelo correio, reembolso postal ou sedex. Quando se faz uma comprinha no mercado livre você tem que dar o numero do seu cartão de crédito e se ele não tem ou estourou o limite é claro que você não vai comprar nem receber nada.

Nos negócios cósmicos não existe o comércio como entendemos aqui, mas existem transações. Isso pode chocar e surpreender a muitos: existem as transações não só internamente dentro do microcosmo, como também existem as transações conscientivas, de consciência a consciência que ocupam distintas formas e isso pode ser percebido claramente se olharmos, se tivermos olhos de ver, todos os fenômenos biológicos e ontológicos que acontecem aqui e agora em nosso corpo.

Estudemos nosso corpo; percebamos a vida em movimento, em construção, em atividade dentro de nós - e poderemos compreender esses fenômenos do grande cosmo. A grande vida depende de nós e nós dependemos dela, isso é uma síntese conceitual.

O que mais contribui para essas descobertas, para esses avanços internos, interiores, não são as facilidades da vida. Uma pessoa que tem a vida mansa, que não tem desafios, não tem problemas, também não tem o ginásio adequado para fazer essas auto descobertas; quanto maiores as dificuldades melhores as oportunidades.

O próprio senhor Buda, criado em palácio, percebeu isso e voluntariamente saiu do palácio, impondo a si mesmo dificuldades. Renunciou a comodidades e buscou viver em situações difíceis, para que pudesse explorar-se, medir e avaliar suas reações; pudesse se conhecer sob a pressão da luta da vida.

É nas situações mais difíceis que temos oportunidade de estudar a nós mesmos, nossos impulsos mais internos e também os impulsos externos. Aí podemos ver claramente nossos pensamentos, sentimentos, reações; a convivência com outras pessoas nos mostra, nos revela exatamente como estamos indo em nosso trabalho.

Não é só a convivência com outras pessoas; a convivência com as circunstâncias da vida também nos revelam isso - e aí podemos ver, analisar e até mesmo medir nossa revolta, nossa raiva, ira, frustração; e se há frustração é porque há desejos contrariados. Temos um ginásio perfeito para nos livrarmos desses elementos que amarguram nossa vida e que no fundo sempre nos trazem de volta a essa vida, ao Sansara, aos renascimentos.

Quanto mais desejo ou quanto mais forte é o desejo em nós, mais vidas futuras estamos programando para nós mesmos. Renunciar a muita coisa por compreensão aqui e agora é uma medida saudável e bastante inteligente.

O Mestre diz, explica, resume, que existem dois tipos ou gêneros de conduta. O primeiro tipo é aquele que vem de fora para dentro e o segundo é aquele que vem de dentro para fora. O primeiro desse gênero de conduta é o resultado da escravidão psicológica e sempre acontece por reação; se nos batem batemos; se nos insultam insultamos; se gritam gritamos; se nos fecham no trânsito buzinamos; se nos agridem agredimos. Esse é o resultado ou característica do comportamento nosso que vem de fora para dentro, pelas ações do mundo.

Agora, a conduta reta é o segundo tipo de conduta; é uma conduta que caracteriza aquele que não é mais escravo dos outros, não é mais dependente psicologicamente de outros. É aquele que não tem mais nada a ver com o que pensam, sentem ou fazem os demais. Essa é uma conduta independente, reta, justa.

Nesses casos, se nos batem bendizemos; não precisamos fazer bendições, venerações ou gestos aqui no mundo físico, mas internamente podemos dirigir palavras de bendição e não maldição; se nos insultam, nos provocam, nos desafiam ficamos em silêncio. Se querem nos embebedar no boteco, nem vamos ao boteco. Se querem nos levar para a balada dizemos “não! muito obrigado; tenho que estudar para uma prova esta noite” ou “não gosto muito desses ambientes, divirtam-se!”

Porque se alguém nos convida para fazer um programa desses e diante de nossa recusa se incomoda ou reage e até nos despreza, de que amizade estamos falando? Temos mais é que nos livrar dessa escravidão - ou quanto tempo vamos demorar a perceber que estamos sendo manipulados por terceiros?

Temos que desenvolver em nós uma maneira própria de pensar, e quando falamos de uma maneira própria de pensar, cada qual saca, esgrime o seu claviculário de chaves próprias, mas o pensamento livre e independente só ocorre e se dá na ausência da mente ou aquilo que é muitas vezes dito em Gnose: a melhor maneira de pensar é não pensar; isso precisa sem entendido.

Se dependemos psicologicamente de alguém, de que nos elogiem, de que nos aplaudam, nos incentivem ou se mudamos nossos estados de humores por uma crítica ou porque eventualmente não respondemos a um cumprimento andando pela rua... Se alguém reage desta forma e se incomoda é porque é dependente disso; é duro, triste dizer isso, mas somos dependentes do que os outros dizem, pensam, agem; dependemos do comportamento alheio.

Temos conduta gregária como falamos na aula anterior; temos uma conduta gregária; somos e temos comportamento de manada, coletivo; não somos individuais, autênticos, independentes; não pautamos nossa vida segundo nossas próprias prioridades.

Muitas pessoas querem fazer seu trabalho interno, despertar sua consciência, mas querem primeiro que a mulher deixe de infernizar sua vida, que os filhos não lhes cobrem tanta coisa, que o vizinho não azucrine tanto sua existência, que os colegas de trabalho sejam melhores, que o chefe não encha tanto a paciência, enfim, colocam mil condições para começar seu trabalho, não percebendo que justamente isso é a maior contribuição para seu trabalho, porque revela suas próprias deficiências.

Buscar o caminho do desenvolvimento interno, do despertar da consciência mediante a fuga, o escapismo da vida ou da convivência, realmente é desprezar o que de melhor a vida nos oferece. Temos que nos liberar, nos emancipar da mente, nos tornarmos livres, liberarmo-nos dessas coisas, e pautar nossa vida mediante compreensão daquilo que queremos para nós amanhã.

Vamos agora a algumas colocações, comentários que fizeram aqui na tela.


Perguntas

P: A dependência psicológica manifesta-se também em caso de relacionamentos doentios?

R: Exatamente, a dependência psicológica as vezes se torna exacerbada nos comportamentos ou relacionamentos doentios; até podemos ser induzidos a crer que amamos uma pessoa, quando em realidade somos dependentes dessa pessoa; isso também é uma dependência e existem as dependências reversas.
Um casal briga, alguém dá parte na policia; isso cria um rolo judicial, na justiça dos homens; na prática se traduz como aumentar o número de leis; se a vida antes já era horrível, com isso então se tornou pior. É evidente que esse tipo de comportamento vai reforçar os atos ou os laços recorrentes e voltarão a se encontrar senão nessa será em outra vida.
Se matamos nos matam, se mentimos mentem, se roubamos somos roubados, nesta ou numa próxima vida - ou em alguma futura vida quando a roda completar o seu giro, isso é relativo. Não se sabe quanto tempo demora para a roda completar o giro, mas quando a roda completar o giro pagamos, quer sabendo disso ou não. Pode ser que aqui a mente, personalidade, ego não se lembre, mas a consciência lembra; ela é quem vai ao tribunal para ser julgada e aí a consciência, seqüestrada pelos egos, responde por isso e entra no processo obrigatório de purificação cósmica, que é descer aos mundos inferiores ou tratar de encarar a morte segunda.

O processo de reeducação, auto descoberta, acho que todos nós sabemos que é um trabalho delicado, fino, que exige delicadeza na forma de fazer, de conduzir; voltamos com isso na questão do TAO mencionada numa aula anterior; se saímos por aí em busca do TAO ou da vida em si, ela vai fugir de nós; a melhor maneira de viver a vida como ela é, é vivendo o que está aqui agora; não fugir disso, mas colocando consciência nisso. Percebendo o aspecto vazio, interior desses mesmos fenômenos interior, psicológicos ou conscientivos. Isso é a quarta vertical, o aspecto oculto dos mesmos fenômenos. Se estivermos com fome, andando ou comendo, façamos apenas isso; se estamos de pé fiquemos de pé, tenhamos a percepção que estamos de pé. Na vida prática fazemos tudo, menos isso.

P: Poderíamos ser um dependente gnóstico?

R: Sim, pode, em Gnose; no entanto ensina-se a se tornar independente de mestres, instrutores e escolas. Aqui na Igreja Gnóstica do Brasil não queremos dependentes, escravos; não nos move a idéia de criar uma rede mundial de franquias; não nos interessa o dinheiro que está no bolso de cada um, nem o aplauso, o reconhecimento, nem estátuas públicas, bajulação; nada dessas coisas nos interessa ou nos motiva.

Estamos aqui para ajudar aqueles que precisam de ajuda, para entregar cópias do mapa e uma vez entregue a cópia desses mapas cada qual é livre para fazer o que quiser, seguir ou não, usá-lo para se guiar no caminho ou eventualmente para iniciar um fogo na floresta ou qualquer outro uso que queiram fazer.

Os mestres do interno também ensinam, no começo; nas primeiras iniciações maiores somos dependentes, como crianças - e seria conduta não reta deixar de apoiar aqueles que necessitam de ajuda e de apoio. Uma criança é dependente do pai e da mãe normalmente até os dezoito, vinte, vinte e um anos, depois está livre para seguir o mundo, conquistar sua vida. É só observar o reino animal e vemos isso. A grande tarefa da mãe é ensinar o seu filhote a sair do ninho e buscar seu alimento, a se defender dos predadores e a constituir futuramente sua família perpetuando assim o ciclo da vida ou da grande lei.

Seria doentio de fato, uma escola gnóstica criar um sistema de dependência de seus estudantes, como também internamente os Budas e instrutores que nos assistem nas primeiras iniciações maiores, a partir da quarta iniciação maior nos deixam; você tem que caminhar com suas pernas. Mas aqui nesta vida infelizmente, de uma parte ou outra, seja do instrutor ou aluno, acaba se alimentando um processo de dependência, mas isso é grave. Nós honestamente não temos essa visão e somos bastante criticados por aí por não termos essa visão, porque muitos queriam que tivéssemos essa visão de alimentar dependências e dependentes.

P: Quando nos apaixonamos obsessivamente ou terminamos um relacionamento, poderíamos confundir amor com dependência?

R: Exatamente, é muito freqüente acontecer isso, especialmente entre pessoas apaixonadas. Porque essa paixão cria uma dependência, um relacionamento na base geralmente de troca de prazeres ou de complementos sensoriais. Nos processos anímicos não ocorre isso. A maior prova para distinguir paixão de amor, é a seguinte: quando a outra parte de repente por um motivo qualquer nos deixa e segue com outra pessoa, aí devemos observar nossa reação. Se choramos, amarguramos, criticamos, desesperamos, corremos atrás, não havia amor; só paixão. Porque se amássemos efetivamente o outro ficaríamos felizes pela felicidade dele, mas seria utópico, irreal, imaginarmos que duas criaturas humanas no atual estado da humanidade conhecessem esse tipo de amor, esse amor renúncia, em que aquele que ama efetivamente se sacrifica para que o ser amado encontre e tenha aquilo que ele precisa ou quer. Esta é a prova suprema do amor e a partir daí acredito que é bastante fácil examinar-se.
Numa relação a dois, quando o ciúme se faz presente já não há amor; já existe posse, propriedade; nos sentimos donos do outro; então que liberdade é essa? Que amor é esse? Que relacionamento é esse?

A base de todo e qualquer relacionamento é a confiança; se temos ciúme não temos confiança; temos tudo menos confiança; e aí cada qual pode se examinar intimamente; se surpreenderá com aquilo que vai descobrir nos seus arquivos subconscientes.

P: Mas o processo de independência pode nos levar ao isolamento e se não estamos preparados podemos cair na depressão? Como se comportar nesse caso?

R: Qual é o problema se viver isoladamente? Onde está escrito em alguma lei divina e humana que você não pode viver isoladamente? Na loja branca existem Deuses de altíssima hierarquia que vivem isolados; para nós aqui nessa humanidade parece ser um sintoma de comportamento aberrante; no entanto estar consigo mesmo, que chamamos isolamento, não tem nada de errado. A depressão vem por outro fatores, pode vir, por exemplo, por carência, pelo vazio espiritual, de alma, anímico ou pelo excesso de ego, falta da presença divina dentro de si. Isso nos leva à depressão.
Muitas pessoas sentindo isso, vivem de festa em festa, balada em balada; nunca querem ficar sozinhas, porque se ficarem sozinhas começam a ouvir a voz do íntimo e a voz da consciência; do Íntimo em nós que se expressa através da consciência pode ser que começa a perguntar: que fazes aí? Que vida é essa? É isso que queria para você? Nasceu para isso?

As inquietudes interiores se manifestam e muitas pessoas fazem questão de anestesiar, isolar, amordaçar; aí vem à depressão. Eu vivi esses processos todos de certa maneira; eu sabia que tinha um trabalho a fazer nesta área espiritual que se caracteriza por isso que faço hoje e ao mesmo tempo tinha uma carreira executiva numa multinacional e estava indo bem. Aí um dia o conflito se tornou tão grande entre servir ao Pai e a Mamon que entrei em depressão com todas as conseqüências, úlcera, gastrite, perdi peso, então podem imaginar o quadro. Sair desse inferno, não foi fácil; essas gastrites e problemas de estômago gerados por isso me custaram quatorze anos para sair do inferno, da cova aonde eu mesmo cavei. Já alguém dizia que o paraíso é ter Deus dentro de si. Não é a quantidade de pessoas a sua volta que te fará feliz.

P: Podemos entender que a auto critica é o mesmo que analisar um comportamento nosso mediante uma situação boa ou ruim, como posso criticar a mim mesmo se acho que não prejudiquei ninguém?


R: Nesse caso para fazermos essa auto crítica, precisamos da ajuda do mapa e quem nos dá o mapa? A divindade, o alto, a lei, a vida, a consciência, a vida livre em seu movimento sempre mandou formas de consciência aqui para ensinar isso e aí você pode tomar o Buda, o Cristo, Samael, todos os grandes mestres, avatares, profetas e enviados de todos os tempos. Porque em maior ou menor grau eles ensinaram conduta reta, ética, respeito, veneração, castidade, pureza. Se você quiser ter um espelho que te seja fiel, primeiro estude os valores, por exemplo, contido nas paramitas e sobre tudo isso já existem conferências nos arquivos de nosso site, pois todas essas ferramentas já tomamos a iniciativa de adiantar, colocar disponíveis para vocês, para aqueles que chegam aqui agora. Procure lá as quatro nobres verdades, o sendeiro óctuplo de Buda, conduta reta, Karma Yoga, Bhakti Yoga, aspectos fundamentais da sexualidade humana e muitas outras conferências.
Ali você terá através dessas áudio-aulas alguns elementos deste mapa que mencionamos aqui para que você possa ter uma lente neutra ou que reflita para você mesma os valores que devem inspirar o teu comportamento, a tua conduta, mas não precisa depender deste material que está no site; podemos sugerir que estude diretamente na fonte budista ou gnóstica dos livros do Mestre Samael, afinal ele escreveu mais de sessenta livros só para dizer isso também; enfim fique a vontade quanto a isso.

P: O escravo de uma canção psicológica do tipo “não sou capaz de caminhar sozinho” serve de porta para outros egos quando o instrutor deixa o discípulo?

R: Aí existe um processo de auto anulamento; atrás disso existe auto comiseração; atrás disso existe carência; atrás disso existe desejo de ser agradado, procurado, de sentir importante, aplaudido, reconhecido.

Tem todo um emaranhado de elementos psicológicos; cada qual é capaz de caminhar sozinho se decidir que quer caminhar sozinho; muitos instrutores gostam de bajulação de estudantes e alunos, porque não entenderam adequadamente seus processos; uma coisa é a gratidão; ela permeia ou deveria permear todas as nossas relações com todos os seres humanos e não humanos. Um cachorrinho se você dá comida a ele, abana o rabo e eventualmente lambe tua mão; isso é gratidão, natural e espontânea; e o cachorrinho não ficou seu dependente, seu escravo. Se você recolhe um passarinho que está com a asa quebrada e cuida dele com muito jeito e muito cuidado, ele vai voar depois; vai para longe e você vai se sentir só por causa disso? abandonado, preterido, diminuído,desprezado, humilhado? Deveria sentir-se feliz por ver aquele que você ajudou a voar com suas próprias asas, cumprindo sua missão, atividade ou papel na natureza. Infelizmente nossas percepções são totalmente desfocadas e inversas; por isso temos que fazer uma profunda auto crítica, uma reeducação; buscar formar urgentemente essa reta visão, percepção de nós mesmos para que não invertamos os valores, nem as leis que sustentam a vida ou leis que se resumem na única lei, que é a consciência livre.

P: No sentido contrário a canção psicológica que cantaria a seguinte letra “eu não preciso de ninguém para auto realização”, não geraria um desrespeito e resultados ínfimos?

R: Isso é relativo, porque se você efetivamente alimenta esse sentimento ou este pensamento que “eu não preciso de ninguém”, você está alimentando soberba e arrogância - que são as faces mais elevadas da auto suficiência e do orgulho - e foi exatamente isso que derrubou Lúcifer do mundo em que vivia; foi isso que derrubou a humanidade, e Lúcifer tentou Adão e Eva no paraíso dizendo isso; não precisaria mais depender de Deus, mas que seria livre se comesse da árvore do fruto proibido - e de fato a inocente Eva tragou o fruto e levou para Adão. Soberba sempre nos leva para as esferas mais inferiores do mundo; auto suficiência é negar a lei do trogoautoegocrático cósmico comum que é alimentação recíproca de tudo e todas as coisas; você recebe e dá, dá e recebe; assim há harmonia; se não faz isso não está vivendo em consonância com a harmonia universal, com o cosmo; se torna um parasita e qualquer invasor de qualquer sistema é combatido; entenda isso que ocorre dentro do seu corpo aqui e agora.

Se uma infecção qualquer entra no seu corpo, ele mobiliza os exércitos e vão combater e se vê que a guerra está sendo perdida vai consultar um medico e depois compra bomba atômica na farmácia que são os antibióticos. Se essas coisas acontecem aqui e agora dentro do seu mundo, você acha que no grande mundo externo a nós é diferente, com os invasores? Isso é tão real e concreto que a própria vida, a própria lei criou o inferno como um sistema de isolamento, de purificação para reciclar as formas de consciência que eventualmente desviaram ou adulteraram sua natureza; é assim; lei é lei e não adianta discutir; se alguém quiser discutir vai perder. A liberdade consiste no respeito voluntário às leis, entendam quem puder. Para chegar essa conclusão muitos sofreram quem sabe dezenas de existências até pode sintetizar nessa única frase; hoje neste momento compreenda quem puder; pode economizar muito sofrimento.

P: Se vivemos um evento ruim durante o dia e ficamos tristes é o ego que se entristece? Poderia se dizer que a tristeza é de natureza egóica?


R: Não é toda tristeza que é de natureza egóica; Jesus chorou, Buda também se entristecia, os mestres se entristecem. Bem verdade que eles não são vítimas da tristeza, nunca entram em pânico, em desespero, mas existem as tristezas do ego e existem as tristezas da alma. Existe a melancolia nossa e existe a melancolia daqueles que estão até mesmo em paraísos. Continua valendo aquela frase: quem está no paraíso? Aquele que tem Deus dentro de si morando no inferno ou aquele que mora no Nirvana, porém com Deus ausente? E aí alguem diz, mas como é que alguém pode morar no Nirvana sem ter Deus presente? Os Budas nao têm defeitos, é verdade, mas não quer dizer que eles não tenham defeitos que desconheçam; estabelecer-se no Nirvana é apenas um grau de consciência, muito mais elevado do que o nosso. Nirvana quer dizer vazio; é um estado de mente vazia, porém além da mente, nos niveís da face oculta da lua psicológica, continuam existindo defeitos. Como podemos saber da origem de uma melancolia? Além disso, no enunciado da sua pergunta, vem uma qualificação, evento “ruim” durante o dia; agora o que é “ruim”? Será que aí não tem uma percepção subjetiva ou simplesmente houve um evento? Agora se foi bom ou ruim já é uma qualificação muito pessoal. Porque uma outra pessoa, que tivesse vivido a mesma coisa, poderia achar que foi o melhor evento da sua vida; então esse “ruim” está sobrando, é relativo. Por isso que temos que fazer auto crítica, auto análise e nunca esquecer da auto observação; filmar tudo que acontece a todo momento aqui dentro de nós e fora de nós, é claro. Porque este é o trabalho que temos que fazer, filmar, estudar, analisar, corrigir, não repetir, compreender, transcender.


O texto acima é cópia integral, (modificada a pontuação e feitas algumas alterações para dar o formato de texto), de uma conferência ditada por Karl Bunn, presidente da Igreja Gnóstica do Brasil – www.gnose.org.br – realizada ao vivo dia 13.02.2007, por intermédio do programa Paltalk, via Internet. Transcrição de texto: Mariana Cunha.



IGREJA GNÓSTICA DO BRASIL
© 2012 Todos os direitos reservados