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BUDDHISMO GNÓSTICO - GNOSE BUDDHISTA |
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GNOSE BUDDHISTA
Autor: Karl Bunn
A partir de agora vamos mudar a seqüência de temas que havíamos tomado desde o início, ou reinício, do trabalho deste ano de 2007.
Vamos explorar e aprofundar vários temas relacionados ao buddhismo, especialmente ao buddhismo gnóstico ou à Gnose Buddhista.
Com isso, queremos passar uma nova metodologia de trabalho para aqueles que já estão conosco há algum tempo e também para aqueles que chegam agora, no apagar das luzes desta humanidade.
Muitos vão querer saber por que estamos começando a tratar da Gnose buddhista ou do buddhismo gnóstico. Já discorremos sobre isso em outras ocasiões, porém, não há inconveniente em repetir aqui e agora, sinteticamente.
O Mestre Samael, como Avatar desta Era, introduziu a Gnose - e esta Gnose é conformada por muitos elementos cristãos e orientais, com base, com raízes, no buddhismo.
O mesmo Mestre Samael anunciava que a religião do futuro, vale dizer, a religião da Era de Ouro da humanidade, que se implantará aqui neste mundo daqui a uns quatrocentos ou quinhentos anos, será conformada pelo melhor do Buddhismo e do Cristianismo.
O motivo, então, desde agora mesmo, para não perder tempo, é fincar bases, é plantar as primeiras sementes disso que será a religião do futuro. Portanto, com estas aulas aqui iniciamos o lançamento das primeiras sementes dessa ponte entre o oriente e o ocidente, entre o Buddhismo e Cristianismo.
Nisso, não há pretensão nenhuma; até pelo contrário: nada mais estamos fazendo do que dar continuidade ao trabalho do Mestre Samael. Assim, muitos dos que nos acompanham aqui, dos que estiveram no Seminário Especial de Páscoa de 2007 e daqueles que nos ouvem ou escutam as gravações destas aulas, vão tomando conhecimento daquilo que será ensinado no futuro; ou seja, passamos aqui as primeiras letras daquilo que será a religião do futuro.
Bem verdade que nossa mentalidade ocidental atual não é adequada para compreender os elementos contidos no buddhismo gnóstico ou na Gnose Buddhista, uma vez que somos pessoas demasiadamente racionais, enquanto que o buddhismo se distancia, transcende o racionalismo ocidental.
Também mencionamos, em outras oportunidades, que neste ano de 2007 iniciou-se a operação de resgate das almas que estarão aqui de volta na Era de Ouro da humanidade. Falamos daqueles que retornarão a este mundo dentro de vários séculos, após a ocorrência da Grande Catástrofe que se precipitará sobre o planeta a partir de 2012, quando a Terra novamente tornar-se habitável e efetivamente então for introduzida e implantada neste planeta uma nova ciência, arte e religião.
Na Idade de Ouro tudo será diferente; haverá uma humanidade sem fronteiras, sem bandeiras, sem partidos políticos e sem este execrável sistema econômico-financeiro que atualmente é o sustentáculo de toda a cultura atual. Isso implica, obrigatoriamente, que teremos aqui uma mini Atlântida; teremos aquilo que de melhor havia na época áurea da velha e antiga Atlântida: a perfeição da vida, da arte, do pensamento e do sentimento humano – época essa em que a humanidade era conduzida e se guiava pelos valores divinos e transcendentes, ditados diretamente pelos deuses encarnados que conviviam com os humanos. Esta Idade de Ouro de Aquário certamente não terá uma longa duração; durará algo como mil anos, talvez um pouco mais, e depois teremos a chegada, o advento da Era de Capricórnio, uma idade tenebrosa que corresponderá ao mesmo período negro e tenebroso que sucedeu à época áurea da antiga Atlântida.
Essa é uma breve visão do futuro da humanidade nesses quatro mil anos que nos esperam.
Fixando-nos agora no tema aqui proposto – A Gnose Buddhista - o Mestre Samael, no capítulo 27 do livro O Mistério do Áureo Florescer, fala das duas escolas. Nesse capítulo, revela, então, que no Tibet secreto existem duas escolas buddhistas que se complementam mutuamente.
Essas duas escolas são a Mahayana e a Hinayana. Distingue claramente o Mestre Samael que o caminho Hinayana no fundo é profundamente búddhico e crístico. É neste misterioso caminho que, com grande surpresa mística, vamos encontrar os fiéis guardiões do Santo Graal ou da pedra iniciática. E o que vem a ser isso?
Vem a ser a suprema religião da síntese que foi a religião primitiva da humanidade e que se resume na doutrina secreta da magia sexual. E quem é o patrono, por assim dizer, dessa secreta doutrina? É aquele Deus antigo conhecido como Jano ou IAO ou o Ser Divino de Dois Rostos, numa simbologia de androginia do mesmo Hermes, deus egípcio, e de muitos outros deuses de antigas religiões.
Essa é a religião do Jainismo. A mitologia fala do desterro ou exílio de Jano na Itália. Diz a mitologia que esse Deus foi arrojado desde o céu por Cronos ou Saturno, o que alegoriza tão somente a descida desse deus Jano ao planeta Terra como instrutor e guia da humanidade, para ensinar a ela a primitiva ou antiga religião natural Jinas ou de Janos.
Esta mesma doutrina é conhecida no Tibet como Dhamma ou Chann Dzan e possui todas as características das escolas esotéricas do mundo ariano antigo que se formaram com raízes na antiga e submersa Atlântida.
Esta doutrina secreta, Jaina primitiva, fundamenta-se na pedra filosofal, no sexo, na magia sexual. Diz o Mestre Samael que esta doutrina gnóstica, infinitamente superior, é bem mais antiga que o brahmanismo, conhecido por nós hoje. É, justamente, essa doutrina antiga na qual a escola Hinayana, também conhecida aqui no ocidente como o Buddhismo Theravada, tem suas raízes.
Bem verdade que o Buddhismo Gnóstico, ou Buddhismo Theravada, não ensine magia sexual publicamente, porém, secretamente, sim. Sobre essa doutrina antiga existem muitos elementos até hoje na Ásia Central, na China e até mesmo na Maçonaria, por exemplo, na qual encontramos o símbolo da cruz suástica ou da cruz Swan, o Hamsa, o Cisne, o da Ave Fênix que para nós é alegorizada na pomba do Espírito Santo, o Paráclito dos cristãos. Isso vem a ser a Alma do Templo do Graal, o próprio Dhyani ou espírito do homem.
O Mestre Samael relata uma história neste capitulo 27 do livro Mistério do Áureo Florescer, onde estava numa certa ocasião com outros deuses e entre eles comentavam-se essas coisas. Em dado momento, o próprio Mestre Samael comentou algo assim: "estou precisando descansar por um tempo entre a felicidade do universo; há vários Mahavantaras que estou trabalhando pela humanidade e já me encontro um pouco cansado".
Um colega dele, um outro arcanjo, respondeu ou comentou: "a maior felicidade é ter Deus dentro de si" - e o Mestre Samael relata que aquelas palavras surpreenderam-no, deixaram-no confuso e, de repente, lembrou-se do Nirvana, do Mahaparanirvana, regiões onde vivem criaturas divinas ou celestiais de grande felicidade. Será que seria possível um ser que vive no Nirvana ou no Mahaparanirvana ser infeliz? Como? Por não ter, não possuir ou não haver encarnado sua mônada?
Cheio de dúvidas ele decidiu fazer uma consulta ao velho deus Jano, esse Deus da ciência Jinas. Dirigindo-se ao seu templo, fez uma saudação ao guardião externo, uma saudação secreta, depois, já dentro do templo, encontrou dois outros vigilantes e os cumprimentou com outra saudação e por último acabou chegando ou se encontrando diretamente com o próprio deus Jano. Então, Jano falou: "falta ainda uma saudação!" O Mestre Samael respondeu: "não existe melhor saudação do que a do coração tranqüilo", enquanto colocava sua mão em direção ao cárdias; então o deus Jano disse: "está bem".
Quando o Mestre Samael quis fazer algumas perguntas que dissipassem ou viessem a dissipar essas dúvidas, este deus, simplesmente sem dizer uma única palavra, depositou a resposta no fundo da consciência de Samael. Ele transcreve, então, em resumo, que essa mensagem diz mais ou menos o seguinte: “ainda que um homem vivesse no Nirvana ou em qualquer outra região de felicidade infinita, se não tiver Deus dentro de si não será feliz, mas ainda que vivesse nos mundos infernos, na prisão mais imunda da terra, tendo Deus dentro de si, seria feliz”.
Finaliza esse capitulo o Mestre Samael dizendo que a escola Hinayana, com seu profundo esoterismo, conduz-nos pela via sexual até a encarnação do verbo ou da liberação final.
Pois bem, meus amigos, quando mencionamos a Gnose buddhista que será a linha central da conferência atual e também das conferências futuras, é exatamente disso que estamos falando; estamos falando do mesmo buddhismo do Buddha, da mesma doutrina dos anciãos que é a escola Theravada da qual fazem parte Buddhas como Sakyamuni, Nagarjuna, Lanto e outros que não são mencionados na literatura esotérica oriental ou ocidental.
E muitos podem estar se perguntando a esta altura: "e como é que fica o Buddhismo Zen, outras escolas Buddhistas, como o próprio Mahayana?" Pois bem, o próprio Mestre Samael se pergunta "por que a última verdade Prajna que o Buddhismo Zen quer ensinar ou indicar é tão indefinível, abstrata, inacessível?". Isso quer dizer que esta verdade Prajna, que é a mais profunda que existe, não pode ser encontrada ou achada ou alcançada por nenhuma via estreita, limitada ou exclusivista. Esta última verdade Prajna é algo incomensurável, universal, infinito, algo que abrange tudo, inclui e alcança tudo e todas as coisas.
Portanto, está muito longe de qualquer definição, de qualquer designação ou conceito que possamos criar a respeito dessa mesma verdade. Definir alguma coisa significa colocar limites intelectivos ou rotular, aplicar um sentido, uma versão, uma idéia concebida acerca de uma determinada realidade e, se assim for, é tão só algo que captamos e retemos em nossa memória. Esta idéia ou ato de definir alguma coisa consiste em encerrar dentro de certo limite. Em outras palavras, muito diretas e simples, seria o mesmo que alguns indivíduos exigem de nós, que transformemos ou reduzamos o infinito ao finito, para então poder compreender, estudar, analisar, aceitar.
Se reduzirmos o infinito a uma coisa limitada, obviamente já não é mais infinito e sua realidade intrínseca já não pode mais ser alcançada. Isso é um ponto muito delicado para nós aqui do ocidente que temos uma mente acostumada, treinada e educada nos raciocínios, nas idéias, nos conceitos. A verdade Prajna não é finita, por conseguinte não pode ser captada pelo intelecto ou pela mente; a verdade Prajna somente pode ser compreendida através da vivência ou experimentação direta e esse é um processo de consciência, de vivência conscientiva; está muito além da mente, dos afetos, das lembranças, da memória, da cultura, de qualquer palavra ou rótulo que conhecemos ou que criemos.
Por isso, meus amigos, a palavra Iluminação é uma palavra grandiosa tanto em essência quanto em potência. Quando falamos de Iluminação estamos referindo-nos enfaticamente à experiência mística transcendental que consiste na experimentação direta em consciência do TAO, da verdade Zen, do Real ou simplesmente disso que não tem nome, que é consciência pura.
Não é suficiente compreender alguma coisa, é preciso ir além da compreensão ou da idéia primeira que façamos dessa mesma coisa ou de algo; precisamos captar, apreender, capturar o íntimo ou profundo significado disso e quando se fala de íntima significação ou sentido, não estamos falando mais de intelecto, nem de capacidades mentais, mas de consciência pura. Consciência é luz, intelecto é sombra na melhor das hipóteses, para não dizer trevas. Alguém perguntou certa vez a Boddhidharma: "como é possível alcançar o TAO?" Boddhidharma respondeu: "externamente toda atividade cessa, internamente a mente deixa de agitar-se, quando a mente converte-se num muro, ou numa parede, então surge o TAO".
Este Buddhismo Zen é o mesmo Dhyana hindu, Jhana do Buddhismo Theravada e as práticas de meditação, concentração, aprofundamento que nos ensina o Buddhismo permitem captar exatamente o íntimo significado dos ensinamentos buddhistas. Somente mediante a meditação, o silêncio mental, é que se rompe aquilo que chamamos de Vazio Iluminador. O vazio é o nada e o nada é o tudo; é a forma sem forma ou a não-forma que forma o todo. Não é possível explicar o Vazio Iluminador com palavras; não tem como descrever ou definir. Qualquer coisa que se diga a respeito não é verdade; é uma idéia da verdade e, por conseguinte, os ensinamentos buddhistas sobre o vazio requerem muito estudo antes de serem compreendidos.
Quando aqui mencionamos a palavra “estudo”, não se trata do estudo ocidental como geralmente entendemos, ou seja, ler, estudar livros, fazer diagramas, coisas assim. Estudo sem dúvida nenhuma, não importa como recebamos uma doutrina ou ensinamento, dá-se através dos processos de meditação profunda, porque somente na ausência do ego podemos experimentar de forma direta o Vazio Iluminador. Enquanto aqui no ocidente endeusamos a mente e o intelecto, em realidade aquilo que aqui é endeusado é uma verdadeira trava, cadeia, uma prisão que é mortal para a expressão da consciência.
Devemos despertar a consciência e não despertar a mente. A educação ocidental é concebida no sentido de ativar, despertar, desenvolver, fortalecer a mente não a consciência; matamos a consciência, condenamo-la à vida mirrada, abandonando-a desde os três, quatro anos de idade e ali permanece nessa condição até a nossa morte. Afirmar que a mente humana é o Buddha ou que é o TAO, de fato é um não-senso, porque a mente é uma prisão para a consciência, a mente é uma verdadeira muralha que enjaula, prende a consciência. O que precisamos fazer é liberar, ativar, despertar a consciência e isso somente ocorre fora do intelecto.
Nunca ninguém vai conseguir a Iluminação desenvolvendo poderes ou a força mental, nem educando a razão; pelo contrário temos que abandonar ou renunciar a toda educação intelectual para isso. É por isso que se diz em alquimia: "queima teus livros, limpa teus metais". Isso é uma fórmula que quer dizer simplesmente: sacrifique o intelecto e purifica tua mente.
Essas duas escolas que estamos mencionando aqui, basicamente, apóiam-se em cima de duas palavras que traduzem ou sintetizam sua filosofia. Essas duas palavras são Visão e Ação. Para que possamos ter uma visão ampla de qualquer região ou local necessitamos subir ao lugar mais alto, mais elevado deste ambiente; pode ser o alto de uma montanha e dali contemplar o horizonte mais amplo. Depois de haver obtido a visão de trezentos e sessenta graus de todo panorama que temos diante dos olhos, temos de descer da montanha para somente daí empreender a viagem rumo ao destino ou na direção que elegemos seguir. O Buddhismo chamado Mahayana coloca muita ênfase nessa primeira palavra, visão; é por isso que a metodologia de trabalho do Mahayana é alcançar a Iluminação. Todas as práticas são empregadas para se obter a visão.
O Buddhismo gnóstico é o da ação. Na primeira escola (Mahayana), aqueles que se propõem a ter visão, coloca-se muita ênfase no êxtase, no samadhi, no satori, no vazio; todos os esforços são concentrados e direcionados para que os discípulos alcancem esses estados de consciência e iluminação, obtenham a visão da realidade. Já no Buddhismo gnóstico, Hinayana ou Theravada é diferente; coloca-se muita ênfase na ação e por isso, como metodologia de trabalho, propõe, apresenta o trabalho concreto da alquimia, na nona esfera, de renúncia aos prazeres sensoriais.
Todos eles, no fundo, buscam a liberação, isso é verdade; a ênfase é dada apenas nesses dois aspectos, ou seja, primeiro obter a visão para depois partir para ação ou desde um começo partir para ação, pois ela naturalmente nos dará a visão. O Mestre Samael diz o seguinte: "de forma nenhuma é um exagero afirmarmos até com certa ênfase que os discípulos da escola Hinayana, que é o buddhismo gnóstico, trabalham tenazmente na forja de ciclopes, que é o sexo, com o inteligente propósito de alcançar a auto-realização íntima do vazio iluminador".
Aqui salta uma diferença muito sutil que, às vezes, passa despercebida para muitos. Podemos resumir da seguinte maneira: uma coisa é você ter a visão da realidade, outra é você criar a realidade dentro de si.
O buddhismo da ação, o buddhismo gnóstico, realiza o Vazio Iluminador, constrói a iluminação permanente, não se dedica a tão só obter momentos de percepção e iluminação e aí que está a diferença. Portanto, a visão e a ação são complementares entre si e a ação consciente que estamos mencionando surge, resulta, plasma mediante o trabalho progressivo sobre si mesmo e mediante o trabalho progressivo na alquimia. É este embrião áureo, que surge a partir da prática da alquimia, que estabelece o equilíbrio harmônico e perfeito entre a visão e a ação. Diz o Mestre Samael que o embrião áureo ou esta flor sublime é a base do Buddha íntimo. Falando-se disso, todos nós ou pelo menos aqueles que estão há mais tempo na Gnose, não terão dificuldade de reconhecer e perceber que a Gnose fala da existência de Buddhas transitórios e de Buddhas permanentes.
Os chamados Buddhas transitórios estão sempre transitando de esfera em esfera buscando realizar em si mesmo o Vazio Iluminador. E os Buddhas permanentes são os Buddhas de contemplação, aqueles que já realizaram dentro de si mesmo o Vazio Iluminador. Portanto, quando se fala de Buddhismo gnóstico, fala-se da alquimia, da transmutação sexual, fala-se de um tema que não é muito conhecido ou até mesmo totalmente desconhecido nas versões do buddhismo Mahayana existentes hoje aqui no Brasil.
Sempre que falamos nesses delicados temas da sexualidade esotérica ou espiritual, surgem aqueles velhos questionamentos acerca de como realizar esse trabalho. Em conferências anteriores mencionamos e apresentamos sucintamente uma metodologia de trabalho. Portanto, creio ser desnecessário repetir aqui e agora exatamente os pormenores dessa ação do Buddhismo gnóstico. O que queremos enfatizar hoje aqui, destacar aqui, agora, é uma situação mais particularmente voltada para aqueles que não têm uma companheira ou companheiro para praticar alquimia, referimo-nos aos solteiros, divorciados, viúvos ou aqueles que estão sozinhos por algum motivo.
É parte integrante do Buddhismo gnóstico ou da Gnose buddhista o tema da criação dos corpos existenciais superiores do Ser. É claro que, para criar os corpos existenciais superiores do Ser, necessitam-se das três forças. A força positiva que possui o homem, a força negativa que tem a mulher e presente em ambos existe a força conciliadora ou neutra que dá o impulso para a união dessas duas primeiras forças. Esta é a força do Espírito Divino ou força erótica. É mediante este impulso erótico que há a união entre um homem e uma mulher com um propósito definido, no caso aqui de alquimia sexual, criar os corpos existenciais superiores. E quando não se tem este parceiro ou parceira, dependendo do sexo de cada um, ou seja, o corpo que cada um ocupa neste momento, esses, obviamente, sozinhos não poderão, detentores de apenas um pólo, criar corpos superiores. Porém uma pessoa, mesmo que sozinha, pode e deve utilizar sua energia sagrada ou a energia criadora para despertar a consciência. Não ficar esperando o surgimento de uma parceira ou parceiro para realizar o trabalho.
A Gnose buddhista é de ação como enfatizamos aqui até agora, por conseguinte o trabalho ativo, prático, dessas pessoas é transmutar suas energia criadora como solteiro ou solteira e para isso a Gnose ensina o Vahroli Mudra, um exercício de transmutação sexual para solteiros do qual inclusive, em nosso site, há literatura disponível. Essa energia sexual transmutada, mediante a ação da transmutação, é utilizada para despertar a consciência. Durante ou depois deste trabalho de transmutação, os solteiros podem pedir, invocar sua Divina Mãe Kundalini, que é a mãe particular individual de cada um de nós, que transmute essa energia, que a utilize para despertar sua consciência ou para eliminar um determinado defeito psicológico que tenha estudado, analisado, compreendido. Tenham certeza que serão assistidos nesse momento e esses erros, esses defeitos, gradativamente, vão sendo reduzidos à poeira. É desta maneira que, diz o Mestre Samael, vamos morrendo de momento a momento, de segundo a segundo.
Muitas vezes as pessoas confundem essa expressão de morrer de instante a instante com ficar pedindo morte de momento a momento como se fosse uma máquina repetidora ou até mesmo um papagaio. Não se trata disso; já enfatizamos o tema em conferências anteriores. Esse morrer de momento a momento é negar a si mesmo, é estar em permanente ação de observação pessoal e, com a força dessa energia transmutada com a intervenção direta da Divina Mãe Kundalini, esses defeitos vão perdendo sua força, vão morrendo, e distintos percentuais de consciência ou de essência vão sendo liberados. Com o tempo, surgirá dentro de nós, de forma natural e espontânea, simples e direta, isso que podemos denominar de experiência psíquica. Depois de certo tempo, toda a essência, toda a consciência nossa estará liberada e seremos, então, pessoas despertas.
Muitos escrevem para nós contando sua situação, de que estão buscando ou esperando um sacerdote esposo ou uma esposa sacerdotisa. Sobre isso, enfatiza o Mestre Samael, que vem a seu tempo e a sua hora. O Pai que está dentro de nós, nossa mônada particular e individual, no devido momento, dar-nos-á uma companheira ou um companheiro para realizar esse trabalho. Então diz ou pergunta o Mestre: "por que nos preocupar com isso, se vem ou virá no momento exato que precisarmos?". Portanto, isso exige paciência, um trabalho, uma ação permanente, concreta e direta sobre si mesmo de forma intensa. O que vemos na vida prática é que as pessoas querem sair por aí colocando anúncios em jornal ou comunidades gnósticas, caçando ou procurando um companheiro ou companheira. Não é assim que funciona, sempre temos dito e enfatizado.
Todos aqueles que não cumprem a vontade sagrada do Pai sempre se dão ou se darão mal. Porque sempre farão a vontade do ego, nunca a vontade do Pai. Também temos dito que esses que estão na espera ou na busca, trabalhando para que lhe seja designado um companheiro ou companheira para o seu trabalho íntimo, devem fazer obras de caridade, trabalhar em favor da humanidade, mas esse trabalho parece que provoca reações nas pessoas.
Aparentemente, são pessoas de teorias, abstrações ou de projeções intelectuais ou de fantasia mental porque projetam uma companheira ou um companheiro que nada tem a ver com a realidade; ficam sonhando com isso quando tudo que deveriam fazer é desenvolver uma ação concreta aqui e agora, intensa sobre si mesmo, eliminando seus defeitos, destilando os venenos da sua mente, praticando a conduta reta, fazendo orações em favor da humanidade e até mesmo negociando seu karma, como falamos, a cada dia 27, repactuando sua decisão de obedecer e servir à Lei. Mas, aparentemente, o caminho da ação concreta apavora ou não agrada a todo mundo que prefere ficar, então, apenas na visão e na projeção, nas idéias ou fantasias, conseqüentemente, acabam fazendo a vontade de seu ego. O primeiro ou a primeira que cruza seu caminho acredita já ser a prometida ou o prometido. Satisfeita a paixão, vem a dura realidade. Se nós somos pessoas de ação, se efetivamente buscamos este Buddhismo gnóstico ou essa Gnose buddhista, devemos trabalhar concretamente aqui e agora. Pôr de lado as fantasias, as projeções, os planos que são oriundos de uma mente projetora.
Ao fazer caridade como mencionamos aqui, até mesmo em forma de simples oração em favor daqueles que sofrem, estaremos reunindo um capital cósmico com o qual podemos pagar velhas dívidas e fazer novas negociações com a Lei divina. Muitos, e são muitos mesmo, que escrevem e até mesmo nesse seminário especial de Páscoa (6,7 e 8 de abril de 2007), muitos se apresentaram confessando seus segredos mais íntimos, de sofrimento, seus dramas pessoais e familiares. Nós sabemos que todos sofrem com esses acontecimentos, sem dúvida, disso não há dúvida alguma porque há sofrimento neste processo. Como diz o Mestre: "como deixar de sofrer? Para se deixar de sofrer é preciso mudar as causas do sofrimento!".
Se nós sofremos e continuamos vivendo como sempre vivemos até hoje, é evidente que a forma de viver com que vivemos até o presente momento foi a geradora de nossos sofrimentos. Não existe nenhum outro responsável por nossos próprios sofrimentos a não ser nós mesmos. Que saída temos, então, para diminuir esses sofrimentos? Justamente alterando as causas, mudando a forma de viver. Se até hoje tivemos uma conduta não-reta, pois adotemos a partir de agora uma conduta reta e, no devido tempo, as conseqüências negativas e daninhas de uma conduta equivocada anterior cessarão, até mesmo senão nesta vida, na próxima.
A chave para cortar, zerar, terminar o sofrimento é mudar a conduta, nada mais do que isso. É evidente que para mudar nossa conduta, nossa ação, devemos compreender nossos erros. Porque ninguém muda algo que não percebe estar errado, e uma das coisas mais difíceis que encontramos na vida prática é justamente fazer ou contribuir para que uma pessoa perceba onde está o seu próprio erro. Cada um tem suas histórias, cada um lava suas mãos, cada um isenta-se de suas responsabilidades, de suas más ações interiores, cada um justifica sua forma de viver. Nesse caso, não se pode fazer nada, temos de deixar seguir, um dia, na eternidade, estas pessoas vão acordar, darem-se conta.
Quantas pessoas confundem amor com paixão e sofrem por isso, estão cem por cento convencidas que amam determinada pessoa mas, no fundo, analisando, prestando atenção em suas próprias palavras, frases, que são o seu código de expressão, percebe-se visivelmente, tangivelmente, o quanto estão apaixonadas, cegas de paixão e acreditam que estão amando e por aí segue nossa cegueira existencial.
Acordar para esta realidade, deixar de fazer a vontade do ego e passar a fazer a vontade do Pai sagrado realmente é um tanto quanto difícil. Neste momento, temos um desafio muito grande, porque a verdade é que os dias estão terminando; temos pouquíssimos dias, pouco tempo pela frente e quem não se decidiu a trabalhar seriamente sobre si, vai para julgamento final e, se houver crédito, terá uma nova oportunidade, se não tiver saldo positivo na sua balança de pagamentos, sem dúvida alguma, vai descer aos mundos inferiores para se purificar.
O grande negócio é agora, a grande ação concreta agora nesses últimos anos, que são bem poucos, é agirmos retamente, agirmos baseados nos valores do Ser, da consciência, renunciar, queimar, sacrificar toda e qualquer paixão, desejo. Porque desejos e paixões têm muito a ver e a raiz do sofrimento, já ensinava o Buddha, está no desejo. Desejamos tudo o que nossos cinco sentidos tocam. Se vimos uma mulher bonita, desejamos, se somos mulher e vemos um homem atraente, desejamos, mesmo que ele seja casado. Vê-se um automóvel, desejamos, se vemos alguém morando numa bela casa, desejamos uma casa igual ou melhor. Sente-se um perfume, desejaríamos ter o mesmo perfume ou projetamos quão bom seria se tivéssemos algo parecido. Se um amigo ou vizinho viaja ao exterior, também desejamos fazer a mesma coisa e assim vamos de desejo em desejo, rodopiando pelos ventos da vida, pelos ventos existenciais, açoitados pelo chicote do karma.
Os únicos que podem deter esse processo somos nós mesmos, a partir do momento que nos damos conta do que estamos fazendo, da realidade, ou seja, de termos a visão da realidade, da vida. Sempre mencionamos aqui sobre o Samsara; nós vamos e voltamos ao Samsara tocados pelas leis da vida, da recorrência, do retorno, do karma. Podemos pôr um fim a essa recorrência mecânica desde que passemos a viver retamente. O que é, em resumo último, viver retamente? É tão só cumprir com a vontade do Pai celeste. A vontade do Pai celeste é a única Lei. Anúbis personifica essa única Lei, personifica a vontade consciente de cada um dos Pais celestes, de cada um dos Pais divinos que cada um de nós tem.
Portanto, quando mencionamos aqui que devemos negociar nossas dívidas, nossos egos, nossos defeitos junto ao Senhor Anúbis, nada mais estamos dizendo que negociar com aquele que personifica a vontade de todos os Pais do universo, porque essa vontade harmônica, consciente, faz com que o próprio universo exista, sobreviva e seja harmonioso. Nós estragamos tudo isso toda vez que violamos, transgredimos a Lei, toda vez que decidimos fazer nossa própria vontade egoísta e pessoal. Toda vez que não fazemos a vontade do Pai, estamos criando para nós mais karmas, mais complicações e isso sempre nos trará de volta a esse vale de amarguras e de sofrimentos.
Para concluir essa parte final, gostaríamos de salientar, como faz o Mestre Samael em uma de suas conferências, que os jovens que chegam agora dentro da Gnose e não têm uma companheira ou companheiro, no devido tempo desde que cumpram, que façam sua parte, desde que se tornem devotos da sua sagrada e bendita Mãe Divina, ela mesma fará chegar à sua hora e dia, alguém para este trabalho. Se quisermos agir por nossa conta tudo bem; somos livres para isso, para transgredir todas as leis do universo, só que não podemos esquecer que de todos os nossos atos temos que prestar conta. Nosso Pai e Mãe internos sabem do que necessitamos. Devemos pedir, é claro, que nos seja dado alguém, mas obviamente devemos fazer nossa parte, porque se nada fazemos, que direito temos de pedir, esperar ou exigir alguma coisa? Sejamos homens e mulheres de ação concreta e consciente a partir desse dia; vivamos, obtenhamos uma conduta reta, conduta esta em que nos oferecemos voluntariamente para sacrificar nossos desejos egoístas, nossas paixões animais, sensuais e passamos a viver, custe o que custar, de acordo com a única lei.
Ficamos agora à disposição de todos para complementar este assunto. Peço a todos que não se desviem do assunto para não perdermos o foco nem a profundidade ou a concentração deste caminho que estamos iniciando hoje.
Perguntas
P: Como é possível estar no Nirvana sem ter Deus no coração e se não tiver Deus no coração quem o conduziu ao Nirvana ou Paranirvana?
R: O que falamos hoje aqui é tão só as primeiras letras desta ciência. Durante esta apresentação, mencionamos que uma coisa é ter a visão e outra é realizar a visão dentro de si; podemos estar conectados com nosso Deus íntimo, porém não tê-lo encarnado, o que é diferente. Isso por si só deve responder seu questionamento, porque há graus e graus de conexão e também de realização dessas realidades transcendentais, ontológicas, aqui e agora dentro de nós.
P: Ao focar a mente em um mantra existe a possibilidade de se chegar ao Vazio Iluminador?
R: Sim, para isso são os mantras. Podemos focar, embebedar a mente numa palavra, num mantra, num som sagrado, numa imagem e aí então alcançar a Iluminação ou o Vazio Iluminador. Veja-se, por exemplo, a vida de Francisco de Assis. Ele focava sua mente ou sua vida, seus sentidos de tal maneira na palavra "meu Deus, meu Senhor" que, com isso, entrava em êxtase. A mente é feita de uma substância permeável, quando entoamos uma oração, um mantra, ou permitimos, abrimos as comportas do centro emocional superior, isso rompe com todas as travas, cadeados, correntes que nos mantêm aprisionados aqui.
Não se trata de vencer a mente por exaustão, porque nesse caso você está sugerindo diretamente uma luta e não se trata de luta, mas simplesmente como faz a chuva fina penetrar o solo lentamente sem provocar uma enxurrada que destrói tudo que tem pela frente. Não falamos aqui de luta contra a mente, já mencionamos isso em outras oportunidades, mas sim de encharcar a mente de uma substância superior a ela mesma, de uma outra natureza, saturar a mente de luz e não de sombras, como é de seu feitio. Não sei se me faço entender com essas poucas palavras.
A respeito dos Koans, não é uma forma de desviar a mente dos seus saltos; isso aparentemente não está sendo devidamente entendido. Não se trata de desviar, nem de amordaçar, nem de acorrentar a mente. Trata-se de dominar no mesmo sentido que um motorista domina o seu automóvel; vale dizer, o automóvel faz, sem oposição, rejeição e reação a vontade e os comandos, a ordem do seu condutor. Aqui, meu amigo, você está sugerindo uma ação contrária a tudo isso que estamos falando.
P: É correto dizer que mesmo quando conhecemos o companheiro ou a companheira certa, só saberemos depois que passar a fase da paixão?
R: Isso é um equivoco, meu amigo, é uma idéia absolutamente fantasiosa e improcedente. Aquele que conhece alguém e se entrega à paixão, afundará por causa dessa mesma paixão; alguém que se preparou adequadamente passará bem longe da chamada paixão, porque se for tragado ou atraído pela paixão, é sinal que não fez trabalho algum preparatório à nova realidade que se propôs viver; então será vítima de suas próprias fantasias, das suas próprias mentiras.
P: A nova doutrina da Era de Ouro seguirá os moldes da doutrina essênia?
R: Eu acredito que não, meu amigo, por uma simples razão: cada Era sempre tem algo novo, adequado à consciência da humanidade ou do povo, da população existente na respectiva Era. Veja só o que acontece hoje em dia; a doutrina gnóstica é uma doutrina que seria facilmente, de maneira muito simples, sem nenhuma resistência, assimilada pela humanidade da nova Era de Ouro, porém na atual humanidade, é motivo de rejeição, desprezo, ataques, perseguição. Há uma incongruência entre a proposta, a nova doutrina e a atual humanidade. Se nós, por exemplo, levássemos uma doutrina antiga para uma Era futura, esta incongruência se repetiria, porém não como hoje, de uma forma um pouco mais suave, pois é uma doutrina que foi concebida para a época de 2000 e tantos anos atrás.
P: Se não houver merecimento não poderemos praticar o arcano ou alquimia e por isso as pessoas não encontrarão o companheiro para a prática?
R: Obviamente que nada nos é dado sem méritos; o que acontece na vida prática é que as pessoas projetam fantasias, um filme sobre sua própria felicidade em cima de uma pessoa; idealizam uma pessoa; fantasiam um determinado perfil e acham, projetam, fantasiam que vivendo ao lado, junto dessa pessoa seria feliz. Mas como pode ser feliz junto a essa pessoa se a causa de sua infelicidade está dentro dele mesmo? É natural, óbvio e simples que, se não retiramos as causas da infelicidade, dos desejos, das paixões, de dentro de nós mesmos não vamos alcançar a projetada felicidade.
Uma vez aqui, numa conferência, mencionamos o seguinte exemplo: tomem, peguem, lacem uma vaca no campo; ou um boi, um touro; levem para dentro de um palácio. Acaso isso fará com que a vaca deixe de ser vaca e ter comportamento de vaca? Não! Como queremos nós viver em palácio real ou palácio divino se somos e nos comportamos como vaca ou outro animal?
Devemos dar-nos conta dessas incongruências internas, eliminar tudo isso primeiro, fazer a purificação de nossa mente de maneira muito simples e natural, viver sem projeção; hoje só projetamos idéias. Também mencionamos aqui numa outra ocasião o sonho da casa própria. As pessoas projetam uma idéia de felicidade ou de auto-realização material, ou até mesmo espiritual, se construírem a casa dos seus sonhos. O dia em que conseguem, a duras penas, caso consigam, plasmar essa casa, logo se darão conta que aquilo que era um sonho tornou-se um pesadelo, pois dá gastos, custos que possivelmente não estavam preparados para ter.
Por que viver o futuro, viver as fantasias, segundo as paixões, projeções e desejos se tudo que temos que fazer é nos limpar, nos purificar de todo e qualquer artificialismo que chamamos de egos em Gnose? Há que se distinguir que quando se fala em relação humana entre um homem e uma mulher, existe a fase do namoro, do encantamento; as almas são encantadas umas com as outras e nisso não há paixão; então se distinga paixão de encantamento ou de enamoramento. Efetivamente, quando se observa alguém aqui, todos nós hoje somos pessoas com muitas carências, desejos insatisfeitos, com muitos vazios, travas mentais, idéias equivocadas, falsas concepções conceituais da vida. Tudo isso, em realidade, precisa ser queimado, purificado, levado à fogueira da compreensão, analisado detidamente, detalhadamente. Porque quando nos livramos de todo esse lastro, dessa carga de pedras inúteis que fazemos questão de carregar na mochila da vida em nossas costas, obviamente seremos pessoas livres, descomplicadas e não projetaremos no outro nossas próprias frustrações. Frustração é simplesmente desejo não atendido, não correspondido, e das frustrações vêm as cobranças; das cobranças abrem-se as portas dos infernos da convivência com outra pessoa debaixo do mesmo teto, porque sempre responsabilizamos o outro por nossas próprias desgraças, infortúnios e frustrações.
P: Como conciliar os desejos, paixões, fornicações do companheiro que ainda não aceitou ou compreendeu a natureza do trabalho e que vive ao nosso lado?
R: Isso cada qual vai ter que achar a sua maneira, porém a linha, a regra geral, é que no caminho, cada qual responde por seus atos; não há como, diante da Lei divina, responsabilizar o próprio fracasso por causa do outro. Se o outro tem paixões ou desejo é problema dele; consiga dele pelo menos a colaboração naquilo que você precisa; isso é o que importa, que você possa fazer aquilo que você precisa fazer. Agora se o outro fizer outras coisas é problema dele; uma decisão, uma escolha pessoal dele que não nos diz respeito. Sabemos que na vida prática é muito difícil conciliar isso e conhecemos pessoas que viveram e ainda vivem esse drama, mas com muita paciência, renúncia, sacrifício, viveram resignadamente, abnegadamente e, talvez, até estoicamente e conseguiram avançar no caminho espiritual. Sabemos por exemplo, por observação direta, que não podemos responsabilizar o companheiro ou a companheira pelo nosso fracasso. Temos de achar o nosso jeito de superar; isso já é da forma de cada um viver, da história particular e pessoal deste relacionamento.
P. Ainda sobre a mente. Devemos cansá-la?
R. Isto que foi perguntado e comentado agora há pouco sobre cansar a mente me faz lembrar o seguinte: se a mente é parte de nós mesmos, levar ao cansaço é falta de caridade para conosco mesmo; é falta de, na verdade, uma conduta reta, porque a conduta reta é o reto pensar e não a reta maneira de matar a própria mente. Porque, quando em Gnose e também no Buddhismo gnóstico, se fala de dominar a mente sempre se diz com a intenção de que a palavra dominar tem o mesmo sentido de um motorista que domina o seu carro. O motorista não reprime o automóvel, bem verdade que muitas vezes o motorista irritado desconta sobre o pobre automóvel sua inabilidade ou alguém que corta a sua frente ou perlos buracos na rua; mas o pobre carro nada tem a ver com os buracos da via em que trafega, se sua cidade foi abandonada...
Devemos dominar a mente por meio deste processo que é conduzir, guiar, saber conduzir, saber guiar, tirar o proveito do que a mente oferece. Ela tem sua utilidade e muitas vezes enfatizamos aqui qual é natureza original de nossa mente: é o estado passivo, receptivo. Agora o que fizemos com o pobre “burro interior”? Levamos a trabalhar até à exaustão física; então se acostumou a trabalhar dessa maneira e hoje adquiriu autonomia; faz isso o tempo todo; acredita estar imbuído da substância que é a vida, a existência - é isso que ela faz e realiza. Temos de fazer um processo completo de reeducação da mente; percebam todos como as coisas são sutis, exigem certa sensibilidade, abertura nossa, para captar a forma de realizar o trabalho.
P; O que seria guiar a mente? Dirigir o pensamento para que termine rapidamente?
R: Hoje é a mente quem dirige o pensamento; agora nós, no reto pensar, conduzimos o processo da mente focado no objeto que nós elegemos e não no que a mente elege. Trata-se de um processo que denominamos “atenção plena”; se alguém está em permanente observação de si percebe toda vez que a mente desgarra ou toda vez que o carro derrapa na curva. Como bom condutor, saberá colocar, recolocar ou reconduzir o carro na faixa de rolamento. Toda vez que nós, estando atentos a nós mesmos, percebemos que a mente se distrai ou começa a projetar, que é sua antiga mania, o seu antigo costume, suavemente, porém com firmeza, conduzimos a mente para a ação reta.
O texto acima é cópia integral, (modificada a pontuação e feitas algumas alterações para dar o formato de texto), de uma conferência ditada por Karl Bunn, presidente da Igreja Gnóstica do Brasil – www.gnose.org.br – realizada ao vivo dia 10.04.2007, por intermédio do programa Paltalk, via Internet. Equipe: Transcrição de texto: Mariana Cunha. Copydesk: Wagner Spolaor
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