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CONFERÊNCIAS 2007 I - METODOLOGIA DO TRABALHO GNÓSTICO |
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METODOLOGIA DO TRABALHO GNÓSTICO
Autor: Karl Bunn *
Este tema denominamos ou sintetizamos como “metodologia do trabalho esotérico gnóstico”. Tais textos são inspirados no conteúdo do livro do Mestre Samael chamado A revolução da dialética. Então, eventualmente, aqueles que quiserem acompanhar diretamente o livro, evidentemente que não vamos repetir o livro, poderão acompanhar esta obra, na qual fará reflexão, meditação, estudo, acompanhamento, pelo menos das idéias principais e assim focaremos ao longo deste ano, então daí a metodologia do trabalho esotérico gnóstico.
Partimos do princípio de que todos que lerem este texto neste momento e aqueles que lerem no futuro, são pessoas interessadas de verdade a trabalhar sobre si, essas palavras, essas aulas apenas têm propósito definido junto a estas pessoas. Não acreditamos que pessoas superficiais ou destituídas de um propósito sério, voltado ao trabalho sobre si, venham a se interessar por estes estudos e temas.
Aos novos ou aqueles que chegam agora ao mundo da Gnose, muitos trazem uma idéia de que a Gnose é mais uma destas escolas que existem por aí, as quais dispõem de uma série de livros para ler e acreditam, então, que lendo essas obras estão evoluindo espiritualmente. Honestamente, não temos nada contra nenhuma escola esotérica, até pelo contrário, todas as escolas esotéricas que nos precederam no tempo ou que se expressaram antes da Gnose, surgida no cenário internacional a partir do ano de 1950, continuam sendo úteis, pois servem de base para a expressão da própria Gnose. Não é perda de tempo aqueles que, em sua busca, trilharam antes essas outras escolas.
O que sempre temos dito: cada escola tem seu tempo, sua época, seus ciclos de manifestação, isso tem ocorrido sempre. A Gnose obviamente também tem seu ciclo, e este ciclo da Gnose que hoje aqui estamos para abordar e fazemos parte, representando por meio da Fundação Samael Aun Weor em Curitiba, terminará com a transição planetária ou a grande catástrofe.
O ensinamento dado à humanidade de Aquário depois da catástrofe, lógico que não imediatamente, mas daqui a três, quatro, cinco séculos será diferente deste aqui, diferente, mas com muitos elementos, pois esta Gnose hoje representada por nós já é a base, funciona como introdução, como fundamento da doutrina espiritual universal da Era de Aquário.
Para lembrar e não perder a consciência do papel da nova Gnose nesta Era de Aquário, esta Gnose representa o melhor do Cristianismo e o melhor do Budismo. Isso tem sido dito por aí em muitos lugares, porém não tem sido adequadamente compreendido. Muitos torcem o nariz para outras doutrinas, escolas, e não é assim. A Gnose é a fonte de todas essas doutrinas. Naturalmente, falo da Gnose Universal, não estou falando desse conhecimento especificamente introduzido em nosso mundo e tempo pelo Mestre Samael Aun Weor. Ele codificou, resumiu, deu uma nova forma, uma cara atual à mesma e velha doutrina secreta da humanidade, da qual se originaram todas as formas de conhecimento da História humana, das formas conhecidas e desconhecidas que já se perderam na noite dos tempos.
Seja como for, estejamos onde estejamos, se queremos fazer algo neste tempo que nos resta antes da transição, temos uma metodologia de trabalho. Por incrível que pareça, uma das causas genéricas do pouco avanço dos estudantes no trabalho espiritual repousa exatamente nisso, não valorizam um método de trabalho, nem têm metodologia na maior parte das vezes. Lêem os livros escritos pelo Mestre Samael e, diante de tanta informação, sugestão e práticas apresentadas nestas obras, o estudante perde-se, não sabe por onde começar e acaba comportando-se como uma criança dentro de uma loja de brinquedos, não sabe o que vai levar ou pedir à sua mamãe. Os estudantes, principalmente os novatos, não sabem por onde começar, o que queremos enfatizar neste estudo é justamente a metodologia de trabalho. Não é preciso ler dezenas de livros para começarmos a fazer um trabalho sério dentro de nós.
Se queremos e buscamos esse trabalho, podemos colocar como sugestão ou ponto de partida, para este trabalho pessoal, íntimo e particular, uma frase muitas vezes dita, nem sempre compreendida e poucas vezes considerada: "buscai a iluminação e o resto se dará por acréscimo!" E assim é, se não sabemos por onde começar, indicamos objetivamente buscar a Iluminação antes de qualquer coisa mais. Não perder o foco... E o que significa buscar a Iluminação? Buscar a Iluminação tem sido um tema muito abordado, tratado em outros estudos como esse, porém hoje repetiremos de uma outra maneira.
A Iluminação interior consiste na realização de um trabalho permanente de psicanálise íntima e profunda. A Iluminação advirá para aqueles que trabalharem diariamente, pacientemente, dedicadamente, com entrega e disciplina, ao longo dos dias, fazendo íntima psicanálise. A Iluminação não é um artigo que pode ser comprado, não é algo que pode ser encontrado em nenhuma esquina, espaço esotérico ou em alguma escola gnóstica ou não gnóstica. Ela vem, ocorre em função de um trabalho bem realizado sobre nós mesmos. Ocorre quando nossa mente estiver vazia ou vai se dando aos poucos como um amanhecer de um novo dia na medida em que as brumas, as névoas vão desfazendo-se diante da luz do sol. Assim também ocorrerá se nós trabalharmos mediante uma disciplina esotérica adequada, o que representa os raios de sol em nosso interior.
Ao longo do tempo, essa disciplina irá desfazendo os véus e as névoas de nossa mente e, quando estiver limpa, teremos um maravilhoso céu azul, nos dias de primavera ou outono quando o azul é mais azul, sem nuvens no espaço e nossa mente sem pensamentos.
A questão agora consiste em perguntar-se: “muito bem, o que eu devo fazer para alcançar a iluminação, como devo trabalhar diariamente em minha vida?” Justamente para responder a essa pergunta o Mestre Samael dedicou-se à maioria dos seus livros. A maioria dos capítulos dos livros escritos por ele trata deste tema, como agir, operar para que se dê a Iluminação. Entretanto, mesmo assim, sentimo-nos perdidos e atordoados ou descrentes, é como se não acreditássemos que as coisas realmente pudessem ser assim, porque vivemos um tempo, uma época, um período da humanidade em que tudo é rápido, instantâneo, como se fosse pedir uma pizza por telefone.Essa é a civilização do fast food, da alimentação rápida industrializada.
Entretanto, Iluminação não é feita dessa maneira, não existe serviço de entrega de Iluminação na casa de ninguém, essa continua sendo uma reserva ou uma área onde cada qual deve fazer seu trabalho e, como dizíamos há pouco, não existe um tempo certo para ocorrer, precisamos fazer a parte que nos cabe, trabalhar sobre nós.
Esse trabalho dentro da Gnose consiste em, inicialmente, dar-se conta do estado em que nos encontramos, é parte da psicanálise fazer uma tomada de consciência de como estamos no presente momento. Podemos estar deprimidos, enfermos, presos à cadeira de rodas, num nível cultural muito baixo ou podemos ocupar uma posição social de destaque. Tudo isso é parte da análise, do ponto de partida para situarmo-nos na vida. Quem somos? Onde estamos? O que estamos fazendo?
O que sou e o que eu faço hoje, me atende, me preenche? Se estou muito feliz com tudo que sou hoje ou penso que sou, se sinto-me realizado com isso, evidentemente não farei nenhum esforço para mudar nada, pois estou feliz e contente com isso. Para esses, o trabalho termina aqui, jamais mobilizarão disciplina, energia, trabalho, dedicação e entrega para mudar nada. Quando muito. lerão uma quantidade de livros de auto-ajuda e assim preencherão essa necessidade superficial ou carência que sentem, assim calarão a voz da inquietude interior e por aí ficam e a morte os levará desta forma.
Porém, se mesmo ocupando um lugar de destaque ou não ocupando lugar algum, sentimos um vazio, uma cobrança, uma pressão interior, uma insatisfação com todas as coisas, com a vida, com aquilo que somos, com aquilo que sentimos e pensamos, então aí existe um sintoma claro de inquietude espiritual e o trabalho sobre si de psicanálise poderá revelar a natureza desta inquietude. Sem duvida sairá em busca.
Muitos tentam afogar essas inquietudes no álcool, na cachaça, na bebida, na farra, nas festas e reuniões sociais ou em uma entrega absurda ao trabalho profissional e com isso fugindo, não querendo ouvir a voz do Íntimo, da inquietação interna. A esses também se condenam por isso.
Aqueles poucos que prestam atenção a essas inquietudes e efetivamente saem à busca de respostas, com mais ou menos tempo. encontrarão um local, uma fonte, um canal que venha ou comece a responder e a corresponder a essas inquietudes e, nisso, resume-se a historia de todos aqueles que chegam a um centro ou uma escola gnóstica e acredito que isso resume a história pessoal de cada um que lê este texto neste momento. É a esses, principalmente, que dirigimos essas palavras.
Portanto, a metodologia do trabalho psicológico sobre si consiste em fazer uma permanente psicanálise, analise intima dos processos que ocorrem em seu psiquismo e sua mente. Podemos e iniciamos o conhecimento, a investigação ou pesquisa de nós mesmos por meio do processo que denominamos de auto-observação. Aquele que não sabe observar a si mesmo não poderá descobrir-se e, por conseqüência, conhecer-se. Aprender a fazer auto-observação é o primeiro passo e talvez o mais importante, porque é da auto-observação que se coletará o material para a conscientização daquilo que somos.
É o trabalho, a tarefa permanente de auto observação que nos permitirá estudar, analisar de forma retrospectiva os acontecimentos, os eventos e os fenômenos de nossa vida. Fenômenos esses de natureza psicológica. Como é que alguém observa-se? Todos nós nascemos e temos uma capacidade nata e com todos os equívocos que já livramos até hoje, realizamos ou vivemos, ela ainda existe em cada ser humano. Essa faculdade chama-se atenção, cada um de nós possui a capacidade de direcionar a atenção.
Só que, na atual humanidade, a atenção está dispersa e, geralmente, para as coisas exteriores. Aquele que quer aprender a auto-observar-se, primeiro deve tornar-se dono da capacidade de dirigir a atenção, da mesma forma como alguém aprende a dirigir uma automóvel. Deve aprender a dirigir sua atenção, governar e não reprimir sua atenção. Um motorista não reprime, nem violenta seu carro, simplesmente aprende a dirigir numa auto-escola.
Em nosso caso, os interessados em aprender a dirigir, direcionar, controlar ou coordenar esta faculdade chamada atenção, podem aprender isso através dos livros do Mestre Samael, em escolas que antecederam o surgimento da Gnose, por exemplo, nas escolas de quarto caminho e também aprender isso numa escola gnóstica onde lhe passarão o bê-á-bá dessa técnica de auto-observação ou de direcionar a atenção para dentro de si mesmo com um propósito muito definido, que é observar aquilo que acontece dentro de si, seu comportamento, sua mente, as reações e os fenômenos de sua mente, tudo aquilo que acontece psicologicamente, falando no seu mundo. Isso é auto-observar.
A auto-observação começa, portanto, com o aprendizado, o domínio, o controle, o direcionamento da condução dessa faculdade chamada atenção. O Mestre Samael ensina claramente que essa atenção, quando vamos fazer esse trabalho de coordenar, conduzir, focar a atenção, devemos dividi-la em três partes. Uma direcionada a nós mesmos, outra para aquilo que está ocorrendo fora de nós em determinado momento, o evento em si, e outra para o local, lugar onde isso está ocorrendo. Muitas pessoas acham difícil fazer isso, mas eu lhes digo de maneira muito simples. Em muitas cidades, existe a chamada “corrida do garçom”. O que é isso? Alguém coloca uma garrafa e um copo com água em cima de uma bandeja e sai correndo por cem metros sem derramar nada. Como é que ele faz isso? Dirigindo a atenção para o que está fazendo e o movimento de mover os passos ou de correr na rua.
Se alguém encher um copo de água até a borda e quiser subir correndo uma montanha sem derramar nada, obrigatoriamente, de maneira natural, divide a atenção: uma parte está no copo e a outra está no caminho. Nisso não há dificuldade e, por conseguinte, não precisamos complicar-nos aqui com tecnicalidades desnecessárias, porque tudo isso é natural dentro de nós, dividir a atenção é a coisa mais simples do mundo, é só fazer. Então, dividir a atenção consiste nisso, estar dirigidos para nós, para o evento e o local, com isso conseguimos fazer auto-observação.
A auto-observação permitir-nos-á fazer retrospecções ou estudos e análises retrospectivas de tudo aquilo que aconteceu. Permitirá que vejamos, analisemos, reflitamos essas seções de gravação de fenômenos, eventos, acontecimentos em que estivemos envolvidos, isso também é muito fácil de fazer.
O passo, o acontecimento, o degrau ou o fenômeno seguinte é compreender essas coisas. Já mencionamos que a compreensão dá-se em função de um trabalho prévio, não cai do céu, especialmente num trabalho de psicanálise, ocorre por estudo e análise de tudo aquilo que registrou acerca de si mesmo. Haverá um momento em que compreende o que acontece com ele, vai compreender que se comportou ridiculamente em determinada situação, que poderia ter comportado-se de uma outra maneira, que teria sido mais elegante ter utilizado uma outra palavra ou expressão. Agora, se está desatento ou adormecido, se é inconsciente, mecânico, não tem interesse em deixar de ser um autômato como um robô, computador, morrerá sem nunca dar-se conta dessas coisas, vai desencarnar sem nunca ter feito um trabalho de psicanálise íntima para conhecer a si e conhecer a estrutura dessa maquinaria interior, vai desconhecer os mecanismos mentais de si próprio e, conseqüentemente, não poderá ter uma real oportunidade de compreender, de estudar e analisar-se previamente.
Buscai a Iluminação e o resto se dará por acréscimo, chegaremos à Iluminação depois que tivermos tornado-nos hábeis, destros no trabalho da auto-observação, mas não é só isso. Só auto-analisar, observar e compreender o comportamento, a conduta é um passo muito importante, porém é preciso ir além. Aqueles que estão há mais tempo na Gnose sabem que existe um poder superior à mente dentro de nós, no Oriente denominado Devi Kundalini Shakti, que num entendimento mais simplificado, ao nosso nível, trata-se da Divina Mãe Kundalini, a mãe particular e individual de cada um de nós, isso não é uma fantasia, é uma realidade dentro do universo interior de cada um de nós.
A Mãe Divina é parte de nosso próprio Ser, é uma das partes autônomas e independentes de nosso próprio Ser. Assim como nosso sistema solar, ainda que ele esteja dentro desta galáxia, é autônomo no seu trabalho. O nosso ser é um microcosmo, conseqüentemente, possui parte autônomas dentro do cosmo completo, ainda que seja um microcosmo.
Devemos sempre apelar a esse poder superior, consagrar nossa vida e, oxalá, todos pudessem ter a sensibilidade de perceber o quanto isso é importante para todos os que buscam a Iluminação. Consagrar-se à sua Divina Mãe, dedicar seus dias, viver em sua função, segundo a vontade, os desígnios ou as decisões de sua Divina Mãe Kundalini. Assim nunca entraria “em fria”.
Sabemos, pelos estudos mais avançados da Gnose, que a Mãe Divina desdobra-se em cinco aspectos diferentes, mas isso não é o tema atual, já existem outras conferências que abordam isso. Um dos aspectos desse poder superior à nossa mente é a nossa Mãe Morte, Prosérpina, que se encarrega de eliminar esses agregados, artifícios, elementos, sujeiras que se depositaram no fundo de nossa mente e que, em Gnose, recebem o nome de eu psicológico. No Budismo, isso é conhecido como os venenos da mente. Não importa a denominação, importa saber a natureza desse material, dessa realidade, dessas criaturas, que no antigo Egito eram conhecidas como “demônios vermelhos do Seth” e personificam nossos defeitos.
Se compreendermos um determinado comportamento, uma determinada conduta, vamos descobrir muitas coisas e à medida que vamos compreendendo, podemos e devemos apelar a esse poder autônomo superior à mente para que retire de nossa mente tal realidade artificial, agregado ou veneno. Com o tempo, na persistência, no dia-a-dia, após anos e anos de dedicados trabalhos, notaremos que nossa mente já está transparente, tornou-se translúcida e já não temos essas vozes interiores gritando e cobrando coisas, passamos a viver de maneira relaxada, serena e tranqüila e assim, naturalmente, um dia perceberemos que alcançamos dez, quinze, vinte por cento de liberação de consciência.
Então teremos um primeiro grau de Iluminação que nos permitirá fazer nosso trabalho com menos esforço, acelerar o trabalho de estudo, análise e compreensão de nós mesmos. No começo, nos primeiros anos, eles costumam ser mais difíceis, pois nosso estado psicológico atual realmente é caótico, brutal, bestial, animal e essas palavras não são nenhum exagero de nossa parte.
O que carregamos dentro de nós são bestialidades milenares, nosso comportamento não é reto devido a ação e a presença desses elementos no fundo profundo de nossa mente, o qual podemos denominar simplesmente de subconsciente, que é parte de nossa mente. Aos poucos, no trabalho de psicanálise, vamos aprofundando a investigação, pesquisa, percepção de nosso universo mental e descobrindo novas criaturas nesses níveis mais profundos.
Obviamente, o intelecto não tem capacidade de aprofundar-se, a mente por si mesma também não tem capacidade de conhecer-se por completo. Por isso, somente um poder, uma realidade superior, que transcende nossa mente, onipresente, pode aprofundar nas profundezas obscuras de nossa mente e dali retirar aqueles venenos, elementos ou estas criaturas animalescas que ali têm a sua morada.
É assim que fazemos o trabalho psicológico sobre nós mesmos, é assim que fazemos a auto-análise ou psicanálise. Isso nos dará a compreensão de nós mesmos com o tempo. Permitir-nos-á, um dia, dali a seis, sete anos chegarmos a perceber qual é o nosso traço ou rasgo psicológico, como menciona o Mestre Samael. Esse traço psicológico profundo é o que nos caracteriza, vem a ser como o motor egóico, é a força impulsora da maquinaria egóica que está dentro de nós. Muitos de nós somos movidos pelo orgulho, outros pela ira, pela luxúria, outros pela preguiça. Devemos descobrir qual é exatamente esse traço psicológico. O traço psicológico tem raízes profundas em vidas anteriores e não é fácil, num primeiro momento, descobrir esse traço, nem vale a pena que alguém, um instrutor ou um Mestre revelasse qual é o traço psicológico principal de um estudante. Não ajudaria em nada o seu trabalho, pois isso deve ser descoberto sozinho. Senão, muitas vezes, em vez de ajudar, só atrapalharia.
Precisamos perceber, evidenciar, buscar, encontrar esse traço psicológico. Mas seja ele qual for, o orgulho, a vaidade, a preguiça, a luxúria ou a ira, em realidade, esse traço psicológico nada mais é do que a principal defesa do cerne egoísta que jaz no fundo profundo de nós e que, sempre temos dito, é conformado pelo amor-próprio, pela auto-importância, pela autoconsideração. Só que esse amor-próprio, auto-importância e auto-consideração expressam-se e, ao mesmo tempo, ocultam atrás de uma característica especifica. Há pessoas que são tímidas, são inseguras e como é que elas lidam com essa insegurança, com essa timidez? Elas envolvem o seu orgulho e aí, então, o orgulho passa a ser o rasgo psicológico principal desta pessoa. Nesse caso, o seu trabalho de auto-observação deve ser suficientemente profundo para perceber qual é a causa, a raiz do seu orgulho e este se desmontará rapidamente quando ele perceber que, em realidade, o que o gerou foi a insegurança do cerne psicológico, amor-próprio.
Já mencionamos uma vez que tudo nos leva sempre à raiz do egoísmo humano e é verdade, esse é o cerne do egoísmo humano. Agora, antes de chegar lá, cada um de nós tem uma fachada, esta fachada é o rasgo psicológico. Muitos são glutões, mas porque se tornaram glutões? Há algo atrás disso que precisa ser descoberto. Cada qual tem o seu traço psicológico, cada qual tem de levar esse trabalho de auto-observação e psicanálise o mais profundo que puder e, ainda sim, apelar ao poder superior a sua mente, a sua Divina Mãe particular para que mostre, revele, ilumine o seu entendimento para que possa captar exatamente o inimigo oculto, porque devemos atingir é o inimigo oculto, é aquele que alimenta esta fachada, aquele que se esconde nessa fachada ou aparência. Uma pessoa arrogante, agressiva, muitas vezes não é que seja agressiva, ela tem medo porque é insegura e quem é inseguro é aquele que está lá atrás, o amor-próprio.
Devemos fazer esta cadeia, redesenhar ou desenhar os elos ocultos dessa cadeia psicológica até nos levar ao centro de nosso próprio egoísmo. Porque é sempre o egoísmo nosso que quer sobreviver, mas, se agora sabemos disso, podemos acelerar esse processo todo. É trabalhando sobre esses fenômenos, essa disciplina psicológica, chegaremos à Iluminação e, a partir daí, o resto dar-se-á por acréscimo.
Evidentemente que, na realização desse trabalho, depararemo-nos com o funcionamento da mente, com a dinâmica mental. Precisaremos perceber, observar, ver, analisar como funciona e porque funciona, porque age e reage a nossa mente frente a determinados impactos, a determinadas representações, a determinadas impressões que são jogadas para ela através de nossos cinco sentidos, as janelas para o mundo. Tudo isso é parte natural ou integral desse trabalho psicológico, de auto-análise, de psicanálise, isso que é denominado nesse livro A Revolução da Dialética de dinâmica mental.
Saber como e por que funciona a mente, estudar e analisar os funcionalismos, os mecanismos de ação e reação da mente, e sempre temos mencionado que a mente é de natureza receptiva, hoje ela é pró-ativa e isso significa uma inversão total e radical da sua natureza, conseqüentemente, transformamos nossa vida num verdadeiro inferno, numa maldição. Nossa mente tornou-se tagarela, reacionária, não somos capazes de viver passivamente ou serenamente, pois nossa mente agita-se constantemente pelos impactos recebidos, os quais até ela através de impressões, representações ou através dos cinco sentidos, que sempre são em forma de impressão. Gera-se uma impressão visual, sonora ou auditiva, tátil. Reagimos diante de um perfume, diante de uma palavra amável ou uma palavra dura, reagimos ao escutar uma determinada música, reagimos ao perceber roupas ou bens que nosso semelhante tem e assim reagimos a tudo. Reagimos ante a um copo de bebida, a uma insinuação de uma pessoa do sexo oposto e identificamo-nos com essas coisas e acabamos perdendo o controle de nós mesmos, identificamo-nos totalmente como evento, o acontecimento e acabamos distanciando-nos do centro de nós mesmos e assim nossa vida vai esvaziando, perdendo-se, transcorrendo e seguimos na obscuridade.
É por isso que, na Gnose, é enfatizado sempre a questão da dissolução do ego, da eliminação desses venenos, da luta sem tréguas contra os demônios vermelhos, porque obscureceram nossa visão, nossa percepção, dominaram esse território chamado mundo mental, ocuparam os cinco cilindros da máquina orgânica e é por isso que levamos uma vida desequilibrada, curta, sofrida, repleta de enfermidades, como sabe todo e qualquer estudante mais antigo de Gnose.
Por outro lado, em contraposição a essas reações psicológicas, temos a ação lacônica do Ser, que vem a ser a expressão, manifestação concisa, precisa, exata, perfeita, simples, sem artifícios, que faz nosso Ser em nós mesmos. Só que nosso Ser não está aqui agora dentro de nós, temos um percentual mínimo dele, nossa consciência, que são aqueles três por cento de essência livre que todos nós temos ao nascer.
A ação lacônica do Ser caracteriza-se por uma ação sem propósito de obter vantagem, sem intenções de obter algum proveito ou lucro. É uma ação livre e desinteressada, isso é que sempre temos enfatizado como sendo a conduta reta. A ação lacônica do Ser expressa-se em nós por meio de conduta reta, cumprimento do dever sagrado, a ação pela ação sem objetivar os frutos da ação, isso é o que se diz ser conduta reta. Porque a conduta reta não leva a nenhum interesse, não carrega em si mesmo nenhum propósito velado, expresso ou oculto de obter algo em troca, mas é a ação pela ação.
A conduta reta está ao nosso alcance, talvez se nos prendermos demasiadamente a essa expressão, "a ação lacônica do Ser", vamos cair na filosofia disso sem entender concretamente como se vive aqui e agora em nosso mundo essa ação. Aqueles que efetivamente compreenderam o que é a conduta reta e aqueles que efetivamente começaram a viver a sua vida de acordo com os critérios, as pautas, os princípios da conduta reta como falamos em inúmeras aulas e conferências que estão em nossos arquivos, sabem que é muito mais fácil viver a Gnose nos fatos valendo-se desse instrumento, dessa metodologia, do que quem sabe filosofar ou teorizar demais.
A Gnose precisa ser vivida em fatos concretos, não na filosofia ou nas abstrações da mente ou do intelecto. Por conseguinte, a conduta reta é a grande chave para experimentarmos, vivermos ou expressarmos essa ação lacônica do Ser aqui e agora em nosso mundo. Claro que primeiro necessitamos entender o que vem a ser a conduta reta, o que vem ser uma ação livre de interesses, de recompensas ou expectativas de recompensas. É muito fácil, num discurso, cada um de nós expressar isso, porém no dia-a-dia é diferente.
Afirmo a vocês que darão um grande passo, caminharão a passos largos rumo à Iluminação se passarem a viver de acordo com essa metodologia da conduta reta. Mencionamos aqui em outra oportunidade que o amor total está fora do nosso alcance, porém cada gesto de bondade, cada palavra suave, cada ato de serenidade são manifestações do amor divino, manifestações lacônicas do nosso próprio Ser. É isso que queremos passar e oxalá todos possam captar isso de uma forma concreta ou direta, simples e possam colocar em prática já, agora, aqui.
A conduta reta sempre começa em nossa própria vida e em nossa própria casa. Se não conseguimos ser um bom chefe de família, um bom filho, um bom pai, evidentemente estamos longe da conduta reta. Se não conseguimos cumprir com os deveres mínimos que temos em nossa casa com nosso companheiro(a), filho ou pai, enfim, dependendo da situação particular de cada um, obviamente não entendemos ainda a base fundamental do que a Gnose ensina como filosofia, sistema prático e concreto de vida.
Não é a quantidade de livros de Gnose que vai nos dar a Iluminação, mas sim aquilo que conseguimos expressar aqui e agora de boa vontade. Porque podemos condicionar, programar ou reprimir-nos, sorrir por fora e amaldiçoar por dentro. Aí falta boa vontade, falta uma ação livre, fluir natural, simples, livre da vontade dos valores de nosso Ser. Isso é o que precisa ser estudado, investigado, compreendido e, conseqüentemente, colocado em prática.
No Oriente, na Índia, tomamos conhecimento e aprendemos pela história, que Gandhi conseguiu a libertação da Índia praticando uma filosofia aplicada até nossos dias. A filosofia da não-violência e que podemos também entender como a filosofia da não-reação, mas da ação concreta e reta. Porque Gandhi ensinava a não reagir violentamente contra o dominador inglês de seu país. Mas ele não ensinava que deveriam ser passivos, ausentes, subservientes ou algo do gênero. Era uma ação positiva, reta ou uma conduta reta diante do agressor. O agressor podia bater, como de fato batia e golpeava e até matava, mas isso não dava o direito, na conduta reta, de reagir da mesma forma e desta maneira conseguiu dobrar, vencer o dominador no seu país. Em nosso caso, se nossa mente continua reagindo e muitas vezes reage com violência, estamos falando na filosofia do ahimsa que não se caracteriza pela não-ação, mas sim por uma ação reta. Isso, talvez, é que nunca tenha sido devidamente compreendido sobre essa filosofia.
Aqueles que buscam a Iluminação têm uma outra característica a ser considerada e que se trata da conduta gregária, queremos dizer com isso que se efetivamente quisermos dissolver o ego e também a personalidade, sair da condição de autômatos, de robôs e alcançar a Iluminação não podemos fazer o que todo mundo faz, nem agir como todo mundo age, nem viver mecanicamente, isso que se diz conduta gregária, uma conduta pautada por um comportamento de manada.
Aquele que busca a Iluminação deve apartar-se, permanecer no mundo sem fazer parte do mundo. Ele deve ter critérios de observação, pautar sua conduta, seus hábitos, seus atos, mesmo esses sociais, de forma a não seguir os padrões coletivos ou isso que denominamos de comportamento de manada, de grupo, isso é a conduta gregária, esse é um comportamento que age ou reage sem controle de nenhuma espécie, é fazer o que todo mundo faz, repetir os mesmos chavões, fazer o que todo mundo faz no fim de semana ou consumir como todo mundo consome.
Precisamos segregar, isolar nosso próprio comportamento desse comportamento universal, programado, mecânico, repetitivo, inconsciente. Sempre que se fala no trabalho psicológico também há algo que nos vem à memória e que trata da palavra. Alguém já disse com grande acerto, que o verbo é medida da nossa realidade interior. Se usamos uma linguagem vulgar, palavrões, falamos como todo mundo fala dentro da conduta gregária, tudo isso implica no fenômeno que podemos denominar e, no livro A Revolução da Dialética está expresso, como "a deformação da palavra".
Quando prestamos atenção na palavra ou no verbo de outro e no de nós mesmos, podemos medir como estamos internamente. Muitas vezes acreditamos que o silêncio é ouro, mas a Gnose afirma que é tão mau falar quando se deve calar, quanto calar quando se deve falar. Existem silêncios que são delitos, como também palavras infames. Temos de medir, calcular, considerar a forma de usar nosso verbo. Porque nenhuma palavra é vã no Universo, no Cosmos.
O reto agir, a conduta reta passa pela reta palavra, o reto falar, o reto expressar-se. Porque, certamente, quando caluniamos alguém ou temos a maledicência, a fofoca ou a intriga não estamos semeando boas coisas ao nosso redor e não estamos respeitando as pessoas envolvidas nisso, especialmente quando mencionamos nomes, mais ainda se torna amarga a experiência.
Naqueles que trabalham com alquimia, o abuso do verbo, a deformação da palavra, costuma gerar resultados desastrosos na sua vida, sua vida pode tornar-se um desastre só porque simplesmente não aprendeu, não se deu conta, não observou ou está inconsciente do seu próprio verbo, palavra. Devemos tomar muita atenção com isso, eu vejo pessoas que por aí se expressam como qualquer pessoa comum e corrente do mundo. Continuam usando aqueles palavrões, aquele vocabulário que não é nobre nem para uma pessoa comum quanto menos é nobre em alguém que diz que está buscando o caminho ou está desesperadamente atrás da Iluminação.
É nas pequenas coisas que vamos definindo nossa vida, traduzimos o nosso nível de Ser e, conseqüentemente, por lei de imantação universal atrairemos para nós luz ou trevas e o verbo é uma faculdade de geração, tal qual a função sexual. Os Deuses criam pelo verbo, os homens pelo sexo e os humanos são os que abusam tanto do verbo quanto do sexo, por aí calculem cada um: nossa vida, nossa sorte, nosso ambiente, nossa aura e aquilo que podemos atrair com uma conduta desta forma.
É integrando esses elementos todos, não deixando que esses agregados tenham uma liberdade interna de expressarem-se da forma como querem é que vamos, aos poucos, tomando posse dos processos psíquicos, dominando, economizando nossas energias psíquicas tão necessárias para a Iluminação. Não se pode e não se alcança a Iluminação se não aprendermos a economizar nosso material psíquico, a energia psíquica que não é só sexual, existe essa energia psicológica, mental, como aqui estamos dizendo.
O abuso e o mau uso do verbo é a porta de saída, o canal emissor da energia psíquica, assim também a fornicação é o canal emissor das nossas energias sexuais. Isso deve ser anotado, registrado, analisado criteriosamente e compreendido para que efetivamente todos nós nos demos conta da importância que é governar nosso verbo e nossa função sexual, economizar matéria psíquica e sexual para que tenhamos energia para construir nossa Iluminação, nos códigos interiores.
Se formos descuidados na administração, na condução dessa tarefa, desse trabalho, obviamente estaremos sendo negligentes. A negligência caracteriza-se por uma opção de não escolher aquilo que queremos ser ou fazer, é como que nos abandonarmos nas correntes do rio da vida, deixar que a vida leve, trague, derrote, arraste-nos para as suas turbulências. Caracteriza-se por um estado de não governo de si mesmo, isso é muito grave.Temos, efetivamente, de dar-nos conta disso, assumir o controle, o governo, a posse dessa matéria prima, dessas energias mais valiosas que todos temos dentro de nós. mediante as quais construiremos uma nova realidade existencial.
Até aqui nossas palavras, colocamo-nos à disposição para os normais e naturais aprofundamentos sobre o tema, que julgarem necessários serem feitos mediante as perguntas a serem colocadas aqui.
Perguntas:
P: Economizamos material psíquico não assistindo televisão?
R: Economizamos material psíquico não nos identificando com as coisas da televisão ou do cinema; de qualquer maneira, assistir televisão é uma perda de tempo, melhor dedicar esse tempo a meditações ou práticas esotéricas.
P: Devemos entender simbolicamente a maldição que o Mestre Jesus lança sobre a figueira que não produz ou ele realmente usou o verbo para secá-la?
R: A figueira é um símbolo sexual, conseqüentemente, se a energia sexual não dá os frutos divinos sobre a produção da realidade ontológica ou da criação de corpos solares melhor que seque, a pessoa torna-se estéril espiritualmente falando.
P: A negligência não tem a ver com o ser indiferente?
R: Não deixa de ter essa conexão de ser indiferente. Se você é indiferente significa que não fez escolha, quando você não escolhe, a vida escolhe por você. Porque não escolher na vida é fazer uma escolha.
Essa coisinha muito simples e sutil que nos enterra, porque a gente acha que, quando não escolhe, nada acontece. Não escolher é uma escolha. Negligência vem a ser não eleger, o radical latino fala disso. Nex legere, ou seja, não escolher, não eleger e, se não escolhemos, a vida escolhe por nós e a vida escolhe o que interessa a ela e de forma nenhuma a auto-realização de uma pessoa é do interesse da natureza. Medite sobre isso.
P: A pessoa que age retamente, desapegada dos frutos de sua ação precisa estar totalmente consciente que a ação em questão é a certa, a melhor? Essa certeza, essa consciência é em si mesma a recompensa por essa ação? Ou a própria idéia de recompensa não cabe aqui?
R: Se você tem uma idéia de recompensa é porque já está buscando uma recompensa de certa maneira. Quando agimos livremente, sem dúvida não nos preocupamos se é certo ou errado. Por que o que vem a ser certo e errado? Quem pode nos dizer com certeza e acuidade sobre isso é nossa intuição, não a nossa mente.
Nossa mente é ignorante do certo e errado como você coloca aqui, mas a intuição, que é uma faculdade da consciência, sem dúvida nos dá o discernimento, a luz necessária para agirmos com isenção. Fazer o que deve ser feito.
P: De acordo com que foi explanado, a auto-observação é ponto inicial do trabalho esotérico, a duvida é se auto-observamos e, no final do dia, não fazemos nenhuma prática em relação a essa auto-observação perdemos esse tempo?
R: Sem dúvida. Se você não aprofunda aquilo que você percebe durante o dia, pouca coisa vai mudar, porque continuará boiando na superfície, não fará uma conscientização, não aprofundará a percepção. Esse é o risco e na verdade é isso que ocorre, o trabalho de fazer o exercício retrospectivo nem precisa esperar a noite, pode ser realizado durante o dia mesmo ou em algum momento que você tenha essa oportunidade, volte a rever o acontecimento, conseqüentemente, poderá aprofundar nisso.
Essa conscientização vai dando-se aos poucos. Por isso dissemos que o trabalho é lento, não se deve buscar ou esperar um resultado imediato. Devemos fazer o trabalho sobre nós mesmos pelo trabalho em si, não esperando uma recompensa. Muita gente, milhares de pessoas hoje, vivem frustradas na Gnose, porque trabalharam para buscar um resultado e ele não veio. Não veio da forma que esperavam, não veio e até, talvez, tivesse vindo em partes, mas como estavam adormecidos não perceberam e nem podiam perceber um retorno, mas fundamentalmente o resultado se dá naturalmente. Se você joga uma semente num local qualquer, se a semente germinar, dali a meses, anos, vai nascer uma árvore que poderá dar frutos. Agora você jogou fora, não fez isso com um objetivo definido, agora aconteceu.
Nosso trabalho, se for feito sem nenhum objetivo, é claro que fracassa e se for feito com o objetivo de ter resultado, esse resultado não virá da forma como você projeta, fantasia, espera, acredita, porque tudo isso é projeção e fantasia da mente.
Se trabalharmos sobre nós mesmos, de acordo com os cânones, o esquadro e o compasso dos ensinamentos que são trazidos do alto, o resultado virá. Porque qualquer coisa que se planta nasce, cresce, desenvolve-se, frutifica e morre. Por que correr atrás dos resultados se a lei da vida é dar frutos?
P: Como ou qual postura correta em conviver com as pessoas, principalmente os colegas de trabalho? É melhor se isolar ou essa é uma conduta equivocada?
R: Há dois aspectos importantes a considerar, se você trabalha num local há muito tempo, certamente essas pessoas te conheceram de um jeito e de repente você entra numa seita perigosa e torna-se esquisito aos olhos deles, vai despertar muita preocupação e vai gerar muito mal estar, então nessa hipótese às vezes é melhor mudar de emprego, de empresa, de local.
A alternativa é você, gradativamente, ser franco e honesto com as pessoas, você mesmo pode criar seus limites, sem tornar ou comportar-se de uma maneira inconveniente, agressiva aos olhos dos outros. Assuma o que você é, toda vez que tiver uma oportunidade expresse um ponto de vista filosófico diferente daquilo que as pessoas estão acostumadas a ver dentro da sua conduta gregária e, gradativamente, com isso vai estabelecendo os contornos novos da convivência.
O isolamento em si creio que é prejudicial a você e não geraria uma boa convivência, só iria complicar mais ainda a situação, a atmosfera tornar-se-ia pesada. Em todos os lugares, a honestidade ou a transparência sempre é bem vinda, desde que colocada de uma maneira adequada. Diria desta forma, por outro lado observando e lembrando eventos, acontecimentos da minha própria vida, especialmente na convivência com estrangeiros, notei que, por exemplo, se alguém contava uma piada que eles não gostavam ficavam olhando pra você sem rir e não se incomodavam com isso, na prática o contador da piada é que ficava sem graça, é uma outra atitude. Resumindo, é você quem determina o espaço e a liberdade do outro.
Tenho certeza que, se Buda estivesse trabalhando onde você trabalha, ouviria a todos com serenidade e ao final daria um sorriso e ia cuidar de sua vida, pois foi assim que ele fez quando surgiu um insultador na figueira onde ele estava meditando: sequer abriu os olhos ou, se abriu os olhos, não respondeu às provocações, no final ele só disse: "Meu amigo, se alguém lhe traz ou oferece um presente e esta pessoa não aceita, o que você faria com o presente?" E o insultador disse: "eu ficaria para mim", "pois é, eu não quero seu presente pode ficar para você" e fechou os olhos e continuou meditando. Cada um estabelece seu limite, você pauta sua vida, a menos que queira seguir vivendo gregariamente, comportamento de manada como se diz por aí.
O texto acima é cópia integral, (modificada a pontuação e feitas algumas alterações para dar o formato de texto), de uma conferência ditada por Karl Bunn, presidente da Igreja Gnóstica do Brasil – www.gnose.org.br – realizada ao vivo dia 06.02.2007, por intermédio do programa Paltalk, via Internet. Equipe: Transcrição de texto: Mariana Cunha. Copydesk: Wagner Spolaor
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