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CONFERÊNCIAS 2007 I - MUDAR IDENTIDADE, IMAGEM E VALORES |
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MUDAR IDENTIDADE, IMAGEM E VALORES
Autor: Karl Bunn*
Necessidade de Mudar identidade, imagem e valores humanos
O tema desta noite é A NECESSIDADE DE MUDAR A IDENTIDADE, A IMAGEM E OS VALORES HUMANOS. Estas conferências estão seguindo uma ordem baseada na obra síntese do Mestre Samael denominada A Revolução da Dialética.
“Todos nós somos movidos segundo as impressões internas e externas” - Com esta frase, sintetizamos a conferência anterior que falava exatamente sobre as impressões e de como devemos transformá-las permanentemente, diariamente. Por que e como somos movidos, isso se deve aos valores, às imagens e à identidade de cada um de nós. Por conseguinte, nossas reações, nossa conduta sempre será não-reta enquanto nos pautarmos pelos falsos valores, pela falsa imagem e identidade.
Isso significa que precisamos mudar urgentemente de imagem, valores e identidade. Isso é o que o Mestre Samael dizia que é uma revolução integral. Precisamos da identidade, dos valores, da imagem do Ser. Até agora, o presente momento, até os dias atuais, desde que nascemos, fomos ou éramos movidos pela falsa identidade - que é o ego - pelos falsos valores dos egos e pela falsa imagem, que é a personalidade.
De um lado, temos os defeitos e de outro temos as virtudes. Ou, de um lado, temos o ego e de outro as partes baixas de nosso próprio Ser que são denominadas de virtudes, donzelas, virgens, esposas, princesas, segundo consta na literatura sagrada. Podemos dizer e colocar frente-a-frente o Ser e a personalidade.
Nossa conduta deve ser aprimorada a ponto de refletir aqui, neste mundo, exatamente os mesmos valores, a mesma imagem e a mesma identidade de nosso próprio Ser. Isso traduzido significa fazer a vontade do Pai tanto no céu quanto na terra. Em termos práticos e concretos, no aqui e agora, significa andar, rir, falar como nosso Ser; sermos exatamente e nos comportarmos, agirmos e atuarmos exatamente como age, como se movimenta, como se expressa nosso Ser e também nosso Pai. Para isso, ensina o Mestre Samael, de uma forma muito clara e precisa, precisamos usar de um meio, de um sistema realista de trabalho sobre nós mesmos, se é que, de verdade, queremos conhecer todo nosso potencial e alcançar os tesouros do espírito.
É necessário melhorar a qualidade dos valores, da identidade e da imagem nossa. Isso porque fomos educados para negar nossa autêntica identidade, nossos valores legítimos e a imagem verdadeira. Hoje nós aceitamos a cultura negativa que foi instalada subjetivamente em nossa mente, em nosso interior e seguimos o caminho da menor resistência. Precisamos transformar essa cultura subjetiva numa cultura objetiva baseada nos valores do Ser; não do ego, da personalidade humana. Seguindo assim a linha do menor esforço, da menor resistência, a cultura subjetiva dessa época caduca, degenerada, decadente, o Mestre Samael afirma, e concordamos, que é, sem duvida alguma, um absurdo!
Portanto, precisamos passar por uma revolução total, por uma mudança definitiva nesses aspectos de imagem, valores e identidade. Aprendemos com o Mestre que a imagem exterior de cada um de nós e tudo isso que acontece à nossa volta ou tem acontecido ao longo de nossa vida, são o resultado preciso e exato de nossos processos psicológicos interiores e de nossa imagem interior; no caso, a falsa imagem da personalidade.
Vale a pena, portanto, fazermos uma reflexão a cada momento de nossa vida: "o que estamos projetando nesse preciso instante - valores do Ser ou da personalidade, da mente, do ego?".
Quando falamos em conduta reta, sempre nos referimos a expressar os valores do Ser, as virtudes, essas jóias preciosas que todos temos, mas que estão adormecidas dentro de nós. Quando falamos em imagem ou auto-imagem devemos ser bastante precisos. Em Gnose, quando se fala em auto-imagem, aquela imagem gerada por si só, o reflexo da divindade em nós, a percepção que temos de nossa própria Divindade, isso é a imagem de nosso Ser.
Quem é que conhece a natureza do Ser? Só por meio de uma vivência, de um Samadhi de último grau poderemos experimentar diretamente esta natureza. Fora isso, podemos acessar, depois de alcançar a iluminação obviamente, e interagir com essa imagem projetada de nós mesmos, que é nosso Ser do qual somos derivados, partes integrantes. O que precisamos fazer é descobrir em nós mesmos esses tesouros de inteligência que estão contidos dentro ou além da mente; precisamos libertar isso; essas reservas de inteligência são as diversas e distintas partes de nosso Ser que nos orientam, ensinam, conduzem no trabalho relacionado com a desintegração do ego e da liberação da mente desse mesmo ego.
São essas reservas de inteligência ou de consciência contidas na mente ou além da mente que nos pautam no trabalho relacionado com a liberação da mente, porque a mente hoje está aprisionada pelo ego; conseqüentemente, a própria mente é vitima dos falsos valores.
Quando falamos em valores do Ser, são esses valores que constituem isso que chamamos de inteligência. No mundo de hoje, confundimos intelecto com inteligência. O intelecto é a parte racional da mente; nada tem a ver com a inteligência, pois ela é o mesmo que consciência.
Aqui em nosso mundo dizemos de uma pessoa muito bem informada que ela é um gênio, quando na verdade não passa de um CD ou DVD que contém gravadas em si milhares de informações; mas de inteligência não tem nada. É capaz de recitar textos inteiros de enciclopédias e biografias, porém tudo isso foi copiado, escaneado de alguma fonte exterior; isso não lhe consta, não foi vivido, experimentado... Portanto, não existe inteligência aí; existe apenas memória intelectual, que se apaga quando a gente morre, quando passamos pelos processos do desencarne.
Isso é como passar um campo magnético perto de um disco rígido de um computador: apaga tudo. A morte é isso: apaga tudo da memória intelectual da atual existencial. Dessa forma, temos de ir além, despertar os valores da consciência e fazermos consciência de tudo que ocorre dentro e fora de nós. Precisamos saber das coisas diretamente, por observação, por experiência, experimentação direta; isso é o que ensina a Gnose. A Gnose não é uma montanha de livros para ser escaneada pelo intelecto e armazenada em nossa memória, que desaparece no momento da morte, pelo choque elétrico dos processos mesmos da morte.
Repetindo e confirmando junto aquilo que nos ensina o Mestre, as reservas de inteligência são as diversas partes do Ser que nos guiam e orientam no trabalho psicológico relacionado com a aniquilação do ego e da liberação da própria mente. Quando um de nós aceita que a mente está engarrafada, aprisionada, multifacetada, esfacelada, fragmentada pelos inúmeros egos que carregamos, isso já é um sinal que começamos a amadurecer espiritualmente falando; já demos um passo rumo à iluminação ou a esse despertar espiritual. Porém, se continuamos pensando como sempre fomos, condicionados a pensar desde que nascemos, é um sinal inequívoco que ainda continuamos como sempre; pensamos segundo as idéias e inteligência alheias, segundo os condicionamentos intelectuais alheios, segundo os valores dessa sociedade caduca e degenerada.
Como podemos aspirar, anelar algum avanço, iluminação, liberação do Samsara, desta vida ou do karma? Não há como, e lamento dizer isso. Oxalá possamos compreender a realidade disso, porque somente os valores da inteligência, do Ser, podem liberar a mente e isso se dá mediante a desintegração dos elementos psíquicos ou psicológicos dos quais tanto fala a Gnose.
A estas alturas os ouvintes, os estudantes quase sempre perguntam: "sim, entendi isso, compreendi, concordo até, mas o que devo fazer para mudar? Como posso realizar isso em mim aqui e agora a partir desse momento?".
Aí entram os aspectos que tantas vezes falamos nestas conferências semanais. Entram aí a auto-análise e auto-crítica; porém não podemos fazer uma análise, nem uma auto-crítica sincera, real, profunda, criteriosa se primeiramente não aprendemos a nos auto-observar. Porque é o exercício de momento a momento do não-esquecimento de si mesmo ou da auto-observação que nos fornecerá o material psicológico para realizarmos a auto-analise e também a auto-crítica criteriosa, honesta.
Devemos ser sinceros conosco mesmos e fazer uma dissecação do ego, do eu ou dos egos que se manifestaram durante o dia, nos sucessivos eventos, usando para isso o bisturi da autocrítica; devemos aprender a analisar criticamente nossa própria conduta; é disso que se trata, simples assim.
Entretanto, temos a marcada tendência de criticar os demais. Muitas pessoas dizem que não sabem fazer uma autocrítica, mas são mestres em criticar os seus semelhantes. Isso não procede; todos nós sabemos criticar sim, só que estamos fazendo crítica para o lado errado; sempre estamos julgando, analisando, dissecando, murmurando acerca do nosso pobre irmão, do nosso semelhante, quando deveríamos fazer isso de uma maneira mais científica acerca de nós mesmos e não do outro. Deixemos o nosso semelhante, o nosso irmãozinho, viver a sua vida; ele tem direito a cometer os erros que quiser e a viver como ele quiser sem que isso nos diga respeito. É por isso que o Mestre Samael diz que é um absurdo criticar os erros alheios.
O fundamental é descobrir nossos erros e logo tratar de desintegrá-los a base de uma rigorosa análise crítica e profunda compreensão. A estas alturas muitos poderão dizer ou pensar consigo mesmos: "os sistemas da Revolução da Dialética são longos, demorados, complicados, difíceis".
A impaciência é um terrível obstáculo para o avanço nesse trabalho; os impacientes fracassam, nas palavras do próprio Mestre Samael, as quais acabamos confirmando ao longo de todos esses anos. Descobrimos e confirmamos que não existe outro caminho, nem atalhos. Muita gente acha que tomando chá por aí em vivências de final de semana estão conseguindo despertar sua consciência. Não têm a menor idéia em que estão embarcando, para onde vai levar esse trem, essa canoa ou esse navio.Podemos afirmar categoricamente que não estão pegando o rumo do astral superior, nem o rumo da iluminação ou do despertar da consciência. Digam o que disserem, mas isso nos consta; é assim, fiquem alertas.
Não queremos criticar os outros irmãozinhos que fazem uso deste expediente; isso não nos interessa; cada qual decide e pauta sua vida. Porém, como instrutores representantes de uma instituição gnóstica bastante antiga aqui no Brasil, devemos dizer a verdade mesmo que nos ataquem, nos critiquem, nos desprezem; estamos aqui para isso.
Aqueles que querem mudanças rápidas e imediatas dentro da sua psicologia pessoal, acabam criando leis ou normas rígidas, ditaduras mentais próprias, psicológicas. Acabam criando sistemas que escravizam não só a si mesmos, mas serve de instrumento de tortura para a companheira e filhos. Eu mesmo testemunhei ao longo desses anos muitos pais de família que impuseram à força os supostos critérios que a Gnose ensina. O resultado disso foi um massacre da esposa e dos filhos ou, o reverso, do esposo também, pois muitas mulheres fazem isso também com seus maridos.
Um dia desses alguém me relatava o caso de um parente que havia se divorciado porque o marido queria a vida dele de volta; e ela era uma líder, como é ainda hoje, de uma das linhas gnósticas por aí pelo Brasil; e tornou-se tão rígida que preferiu o divórcio a viver a Gnose em fatos concretos e ser flexível, respeitando o outro – no caso, o seu próprio marido.
Mudanças rápidas não existem e quando falamos assim da maneira que ensinamos não queremos gerar pressão em ninguém; queremos despertar o sentido da responsabilidade; motivar para este acordar que é necessário; porque sem isso, tudo seguirá como sempre foi. Se até hoje vivemos em trevas, adormecidos, longe da Divindade ou da luz Divina, isso se deve exclusivamente a nós e a ninguém mais. Nenhuma escola é responsável por isso. Bem verdade que sistemas de escolas ensinam certas normas, porém somos livres para fazer análises criteriosas, fazer o discernimento, fazer a dissecação.
O Mestre Samael sempre dizia: "não quero seguidores, quero pessoas livres, que saibam pensar por si mesmas, pautar sua vida". A Gnose veio mostrar um caminho, trazer um sistema, uma maneira que ensina o como pensar, para que cada qual primeiro investigue sua maneira de pensar. É um esquadro e um compasso, como diria algum maçom aqui, para medir, avaliar e traçar rotas, rumos e fazer os cálculos necessários de qualquer operação física ou metafísica.
Quanto a essas mudanças da noite ao dia, violentas, radicais, inflexíveis, ultrapassando objetivos, devemos ser disciplinados. Para muitos, certas palavras nossas soam fatalistas, como alguns manifestaram em privado. Não somos fatalistas; nesse caso o Mestre Samael, a Gnose, o Budismo gnóstico, os Mestres que estão acima de nós, são fatalistas. Porque todos se pautam dessa maneira; são diretos no falar, não existe meia palavra. Uma coisa é ou não é. Onde está a fatalidade disso?
Somos livres para fazer ou não fazer. É assim, simples e direto, não tem complicação. Isso é coisa de brasileiro buscar explicações e fazer perguntas sem sentido. Aqui mesmo nesse fórum deparamo-nos com perguntas absolutamente desnecessárias. É mais ou menos como você chegar numa estação rodoviária e no guichê da empresa de ônibus está lá: “próxima partida Curitiba/São Paulo 15h30min”; então você chega e pergunta para o atendente: "a que horas sai o próximo ônibus?". É a mesma coisa que perguntar: “o ônibus das três e meia vai sair às três e meia?”.
Será que isso existe, não colocou o aviso errado, esqueceu de tirar o aviso do painel? Com estas perguntas desnecessárias o outro lê, interpreta e entende que estamos fazendo tudo isso. E quando alguém responde "como você pode ver, o próximo ônibus sai às três e meia!", ficamos “sem graça” e até costumamos dizer: "puxa, que sujeito mal-educado". Será que ele foi mal-educado ou nós é que somos adormecidos em demasia?
Devemos fazer auto-análises criteriosas e, quase sempre, a conclusão é que o erro é nosso e não do outro. Devemos voltar a criticar a nós mesmos, rever nossos procedimentos frente a qualquer evento. Sobre isso e, especialmente, sobre a auto-imagem, o Mestre Samael faz um alertal trata-se do seguinte: "quando buscamos nos identificarmos, imaginarmos, valorizarmos a nós mesmos corretamente, não devemos confundir isso com a doutrina da não-identificação". Quer dizer que em vez de retermos em nossa mente uma cultura caduca e degenerada, necessitamos reeducar a nós mesmos, precisamos buscar, ter um conceito exato sobre nós mesmos, uma vez que hoje todos nós temos um conceito falso de nós mesmos - essa é a dura realidade.
Sempre imaginamos uma coisa que é fantasiosa, projetamos coisas acerca de nós mesmos que não correspondem à verdade; portanto é inadiável, agora, reencontrarmos a nós mesmos, autoconhecermo-nos, reeducarmo-nos e revalorizarmo-nos corretamente; é disso que se trata. A mente, o intelecto condicionado pelos egos, pela personalidade, desconhece os autênticos valores do Ser; como é que a mente pode reconhecer algo que jamais conheceu, viu ou experimentou na sua vida?
Isso quer dizer que a liberdade mental só é possível liberando-se a mente dos egos, pois são os falsos conceitos dessa identidade pessoal que amarram, engarrafam, aprisionam, fragmentam nossa mente. Se somos confusos externamente isso é tão só um reflexo do que somos dentro de nós: confusos, perdidos, não sabemos o que queremos, somos jogados e levados de lá para cá e daqui para lá, não é isso que acontece conosco?
Reflitamos sobre essas coisas, façamos reflexões serenas sobre isso buscando a verdadeira imagem, o verdadeiro conceito de nós mesmos. Como podemos conhecermo-nos se não nos exploramos e como podemos nos explorar se não temos um esquadro e um compasso exatos e precisos para isso?
A divindade, a cada dois mil anos, manda-nos um Cristo, um esquadro e um compasso para que possamos fazer essa tarefa, como também de tempos em tempos manda um Avatar especial que nos traz novas medidas, valores, padrões para que possamos nos avaliar. E o que fazemos?
Enforcamos, degolamos, crucificamos, perseguimos, caluniamos. Resumindo isso, queremos dizer o seguinte: qualquer um de nós é o resultado dos seus próprios processos mentais ou psicológicos e hoje os pensamentos humanos são negativos e prejudiciais em noventa e nove por cento.
A convivência na sociedade, na família, no trabalho proporciona-nos autodescobrimentos, auto-revelações se estivermos atentos, em auto-observação permanente. Se estivermos atentos, os defeitos sobem à superfície de maneira espontânea, e então podemos nos ver como somos, capturar nossa verdadeira aparência psicológica, nossa identidade que, no caso, vem a ser uma falsa identidade, porque se refere à identidade do próprio ego.
Diz o Mestre que todos os seres humanos, no fundo, são narcisistas ou enamorados de si mesmos. Isso é amor próprio em alto grau e o próprio Mestre dá como exemplo o seguinte: observem um cantor num palco, num teatro, na televisão; ele está profundamente enamorado de si mesmo; adora-se, idolatra-se. Quando vêm os aplausos ele atinge o ápice da sua auto-adoração, pois justamente fez tudo isso para ser aplaudido; isso é o que necessita, o prêmio, o que quer, busca.
E nós, quando fazemos algo, o que queremos? Buscamos algum resultado, algum reconhecimento, algum aplauso, algum tapinha no ombro, alguma palavra de incentivo tipo "parabéns, excelente trabalho", é isso que esperamos? E se alguém não nos fala nada, nem nos dá tapinha no ombro, nem incentiva, de repente nos flagramos pessimistas, derrotados, cabisbaixos ou com estado de humor alterado? Quantas vezes isso ocorreu em nossa vida? Eu sou sincero em dizer que isso ocorreu no passado comigo também, não posso negar.
A vaidade é a viva manifestação do amor próprio; o eu enfeita-se para que outros reconheçam isso, o elogiem e o adorem.
No mundo moderno, muitos de nós, quem sabe, fazemos musculação nas academias, para quê? Observem a maneira dessas pessoas caminharem nas ruas; modelamos nossos corpos para ganhar elogios, afagos e para exibição. Os grandes parques, nas cidades, as praças públicas, são verdadeiros centros de exposição humana; isso todo mundo sabe; não estou dizendo nenhuma novidade. Só estamos aqui constatando por escrito para que cada qual possa fazer a mesma coisa diante do espelho da autocrítica na intimidade de si mesmo todos os dias e noites porque isso se disfarça de mil maneiras. Podemos não ter um corpo lindo para exibir, mas podemos ter outras coisas que queremos mostrar e exibir para receber prêmios, palmadinhas, reconhecimento, aplausos ou elogios.
A conduta reta caracteriza-se por uma conduta lacônica, livre do próprio Ser, sem pensar em reconhecimentos e aplausos. Isso é ser livre, agir soltamente, livremente, porque assim expressamos os valores do Ser. Lá atrás, quando todos nós éramos crianças, até os primeiros anos, éramos lindos e maravilhosos, destituídos de qualquer artificialidade, porém, pelos quatro, cinco, sete anos, quando o ego já tomou controle de boa parte de nossa mente e personalidade ainda infantil, estes traços de beleza, inocência e pureza vão desaparecendo ou já desapareceram em parte, e então vemos uma criança manhosa, birrenta, que fala palavrões, e já tem uma conduta inadequada. Isso ocorre pelos falsos valores dessa sociedade, pelo processo de imitação dos amiguinhos, coleguinhas, da televisão e, muitas vezes, pela conduta dos próprios pais em sua casa.
Muitos escrevem perguntando: "como devo educar meu filho?" Só respondemos: "pelo exemplo; seja o exemplo, menos palavras e mais conduta, assim teu filho te seguirá, imitará os valores do teu Ser, não os falsos valores da personalidade e do ego".
É assim - a educação gnóstica é essa, não tem outra. Um dia desses, estava andando pela rua e ocorreu de uma mãe passar ao lado com seu filho pequeno; calculei que devia ter uns cinco, quatro anos e não pude deixar de ouvir o que o menino estava comentando com sua mãe. Estava falando do Homem-Aranha, e de como era legal o Homem-Aranha, o uniforme do Homem-Aranha; acho que o menino conversava com sua mãe para que ela comprasse uma camisa do Homem-Aranha. Não pude deixar de perceber as coisas naquele momento.
Nossos heróis do mundo de hoje são os super-heróis dos quadrinhos e do cinema. Hoje idolatramos super-homens, homens-aranhas e batmans; já não mais cultivamos os deuses e deusas como se fazia no antigo Egito ou nas antigas civilizações solares, nas quais todos nós, desde pequenos, éramos ensinados a respeitar, amar e servir; os deuses são os autênticos heróis da vida e do Universo, desde que o mundo é mundo; são os deuses e as deusas que são os verdadeiros heróis e heroínas; eles têm se sacrificado por nós e talvez aqui, hoje, neste momento, pouca gente se dá conta do esforço, do trabalho, do sacrifício e do sangue que esses deuses e deusas verteram para que este mundo pudesse seguir girando.
Os deuses encarnam, ganham corpo físico em corpos masculinos e femininos; conseqüentemente, são deuses encarnados e, como deuses encarnados, vertem, derramam seu sangue para fecundar esse planeta e para que ele possa dar vida, consciência, luz, inteligência. Infelizmente, os demônios também encarnaram, encarnam e fazem o trabalho oposto, e isso resulta em guerras. Quantas missões que podemos identificar na história humana que foram tocadas por boddhisatwas, deuses e mestres que aqui encarnaram para levar essas missões e não temos idéia de quanto isso custou àqueles que participaram dessas missões, inclusive chegando alguns desses a praticamente a terem metade de seu corpo enterrado já no inferno e de lá estão sendo, nestes momentos, resgatados. Os deuses não abandonam os seus, aqueles que lhes servem; fazem enormes sacrificios para nos resgatar se temos ou tivermos méritos para tal.
Essa é a realidade; não estou falando de super-heróis; estou falando de heróis verdadeiros, de seres que estão aí, próximo a nós, ao nosso lado, se os invocarmos. Bem verdade que somos cegos e surdos, nada vemos nem ouvimos, nada sabemos. Quando alguém traz alguma mensagem direta desses, ainda é ridicularizado, mas enfim sabemos que essa é a moeda de troca, como diria o Mestre Samael, dessa humanidade apodrecida até os ossos. Nem por isso os deuses e as deusas encarnados aqui deixaram de fazer o seu trabalho, pois eles sabem que a moeda de troca ou pagamento não é a gratidão, pelo contrário, é a traição, a ingratidão.
Precisamos fazer de tudo para que em nós surja essa luz, que venha a se tornar uma espécie de autojuízo de nossa conduta, de nosso procedimento. Porque quando tivermos esses valores do Ser liberados dentro de nós, mais preciso tornar-se-á nosso julgamento para conosco mesmos, sem a intervenção de processos de autopiedade, porque não é disso que falamos. Falamos de juízo interior, da voz da consciência, onde não existe autopiedade, autocomiseração e outros autos que são falsos valores do ego, o qual se utiliza destas artimanhas ou artifícios para continuar vivendo nas zonas obscurecidas dos trezentos e setenta mil clãs ou circunvoluções de nosso cérebro.Toda pessoa que é submetida ao seu autojuízo converte-se de fato, por direito próprio, num bom cidadão, esposo, esposa, missionário, instrutor, pai, filho. Assim, então, conquistamos a conduta reta esperada.
Durante o dia, na auto-observação, temos de buscar identificar, conhecer e reconhecer nossas íntimas contradições; isso é importante. Essas contradições existem devido à pluralidade do ego, os múltiplos eus. São essas contradições que amargam nossa vida e existência. Nascemos para ser pedreiros, mas queremos ser mestres-de-obras; isso já envolve um processo de ambição e talvez não estamos capacitados para sermos mestres-de-obras. Porém a ambição, a cobiça, amarga nossa vida. Se somos sargentos numa força armada, quem sabe ambicionamos ser oficiais, coronéis, majores ou capitães e essa ambição amargura–nos a vida.
Muitos de nós trabalhamos a vida inteira para conseguir construir aquela casa própria idealizada, grande, magnífica, bonita. Há o direito e pode-se trabalhar para isso e não há crime nisso. Porém, muitos, quando conseguem plasmar esse sonho, vão morar finalmente um dia nesta casa, e aí finalmente se dão conta que muito daquilo que os moveu a plasmar esse sonho não era real. Vão perceber que dentro de si o vazio continua e sua vida continua sendo amarga como era antes, quando moravam numa casinha menor e até descobrem que a casa ficou grande demais; dá muito trabalho, consome muito material de limpeza e se arrepende e começa, então, a idealizar uma outra casa.
Necessitamos ver essas íntimas contradições e buscar os valores autênticos que realmente permita-nos desfrutar e viver na felicidade da convivência com nossos irmãos e semelhantes. Essas experiências amargas, desilusões, fazem-nos ver de forma direta e clara que este mundo é ilusório, é Maya. Muito do que acreditamos ser real é apenas uma projeção da mente. Essa projeção desfaz-se quando conseguimos agarrar, ter ou possuí-la e, então, vemos que não era nada daquilo. Mas aí quantos anos da nossa vida já se passaram, quanto capital gastamos nisso, quanto esforço, quanto trabalho?
Os verdadeiros ideais são espirituais; estamos nesse mundo de passagem para aprender e quanto mais aprendermos e experimentarmos, melhor! Estamos aqui para servir aquele que nos enviou para cá. Claro que, hoje em dia, temos karma a pagar também; então além de trabalhar aqui para pagar nossas dividas, servir à Causa, temos que plasmar em nós os valores de nosso Ser, para que, assim, cumpramos com o verdadeiro motivo e razão pelas quais fomos enviados aqui a este mundo ou sairemos daqui vazios, enganados, com frustrações ou simplesmente com a percepção clara e direta, no momento da morte, de que, tristemente, não fizemos aquilo que viemos fazer, mas nesse momento já é tarde.
Não há como alcançar essa felicidade com tantas contradições dentro de nós. Por isso o foco na Gnose é primeiro eliminar a origem, a causa, as contradições, os problemas, as amarguras, as frustrações que são nossos desejos. Viver uma conduta reta para podermos partir desse mundo, quando a hora chegar, em paz, com o coração tranqüilo. Por isso que a Gnose é muito enfática em dizer que é necessário acabar com o eu pluralizado. Porque este é a origem secreta de todas as nossas contradições, sofrimentos, amarguras e também das causas existênciais ou eterno retorno.
Aqueles que conseguiram dissolver grande parte do ego já possuem concretamente um centro permanente de consciência, que foi motivo de uma outra conferência aqui e que comentamos largamente na primeira conferência deste ano de 2007. Na vida prática, observamos que no mundo existem muitas escolas e sistemas e muitas pessoas ficam para lá e para cá mariposando de escola em escola, sempre carregando consigo suas íntimas contradições, sempre insatisfeitos, vazios, buscando, dizem, “o caminho”, mas não o encontram, mesmo que esteja ao lado ou diante dos seus olhos.
Como alguém um dia desses expressou, "eu exijo que a Loja Branca envie aqui a este mundo um Mestre para que nos mostre o caminho", e nós respondemos: "mesmo que enviasse, um adormecido não saberia reconhecer", como de fato não sabe. Quantos Mestres vieram aqui e o mundo não soube reconhecer?
Cada qual deve despertar; então poderá reconhecer onde está o Mestre, a via e o caminho; não antes, nem por outros meios, por outros artifícios, pois o eu não deixa ver o caminho da verdade; descobrir o caminho da verdade significa suicídio para o ego. Então ele faz de tudo para que não vejamos a verdade, a vida como ela é. Por isso que o Mestre Samael sintetiza da seguinte forma: "o pior inimigo da iluminação interior é o ego".
Compreendamos, vamos refletir e fazer uma meditação sobre isso. Para complicar tudo o ego é tão esperto, ladino, astuto, que ele também faz boas obras e chega a ganhar méritos, as pessoas aplaudem. Mas, ainda assim, mesmo fazendo essas boas obras de caridade ele não poderá iluminar-se.
Por isso, em Gnose, dizemos que devemos buscar a iluminação, pois todo o resto nos será dado por acréscimo, e não podemos chegar à iluminação sem primeiro ter um centro permanente de consciência que equivale a não ter egos.
Compreendam isso, pois esse é o ponto central de todo o trabalho que temos de realizar sobre nós mesmos. Quando conseguimos liberar-nos, nem digo cem por cento, mas conseguimos libertar uns trinta, quarenta por cento dos processos da mente, intelectuais, que são os mesmos processos do nosso ego-personalidade, então a mente começa a se tornar um instrumento maleável, plástico, útil, porque começa a tornar-se receptiva, contemplativa, começa a cooperar com os propósitos internos ocultos de nosso próprio Ser, acaba tornando-se um instrumento útil que vem a somar com os propósitos de nosso Ser e não a sabotar o trabalho, como faz hoje.
A lógica superior convida-nos a pensar que se emancipar da mente equivale concretamente a despertar a consciência e terminar ou acabar com os automatismos e mecanicidades que todos carregamos até agora, até hoje ou até há pouco tempo sem que tenhamos nos dado conta disso. É óbvio que quem precisa libertar-se de todo esse processo, dessa maquinaria, dessas mecanicidades é a consciência.
Essa consciência é aquilo que de alma temos em nós; são os valores do Ser que neste momento temos dentro de nós; é tudo que temos de alma e de Ser neste momento e, mesmo assim, está condicionado pela mente; daí a urgência de emanciparmo-nos dos processos de raciocínio, de comparação. Essas idéias, crenças, valores que por aí circulam na pseudoliteratura, seja ela esotérica, cientifica ou religiosa de uma pseudociência ou religião, somente servem para torturar nossa vida ainda mais.
Começamos, de fato, a ser felizes, a termos luz própria, quando vamos libertando-nos, emancipando-nos do intelecto. Para isso, devemos romper com essa luta, com essa dualidade mental, com os processos de sim e não, comparativos, dedutivos de negar e aceitar e passar a viver em estado de permanente contemplação, compreensão, mente passiva, receptiva.
Ficamos agora à disposição de todos para eventuais acréscimos, adendos que quiserem fazer ou venham a colocar aqui.
Perguntas
P: As altas patentes e recompensas sempre vêm em função da perfeita execução do aqui e agora em nosso mundo! A questão, então, são os desejos ocultos, pois tendo eles por ambição ou não, as recompensas sempre vêm?
R: Vivemos num mundo que se caracteriza pelos valores do ter e não do Ser. Na luta pelo ter vale tudo; é uma guerra suja. Enquanto que a luta pelo Ser é desvalorizada, desprezada, ridicularizada, atacada, perseguida - e nisso se resume tudo. Não queremos fazer uma crítica destrutiva ao mencionarmos esse exemplo, mas, por que um jogador de futebol ganha milhões, enquanto que um cientista, pelo menos neste país, ganha um pouco mais que um salário de fome? Algo está errado; é uma sociedade onde imperam os falsos valores; só assim se pode explicar as injustiças sociais e não há outra maneira de explicar as injustiças sociais.
Todos deveriam ser iguais, ser tratados como iguais nas diferenças pessoais ou individuais. Todos somos seres humanos, só que uns têm mais experiência, mais consciência, são mais antigos, outros menos, porém essas diferenças servem de motivo para descriminalização ou para extrema valorização de uns e desprezo por outros. Isso é um mundo justo? Mas isso não vai mudar agora; a natureza já mobilizou suas forças para fazer as correções necessárias e na futura Idade de Ouro de Aquário teremos uma mini Atlântida que durará como que uns dez, doze séculos mais ou menos, talvez um pouco mais, depois virá a época negra de Capricórnio na qual tudo voltará a ser como é hoje ou pior.
P: No caso de uma pessoa que tenta mudar sua identidade perante o mundo, até que ponto é fácil perceber que é uma expressão do Ser ou um engodo do ego?
R: Não, meu amigo, falamos há pouco de autojuízo; se você não desenvolver essa faculdade de autojuízo não saberá reconhecer isso, porque só você poderá saber das intenções ocultas, se aquilo que faz é originalmente genuíno, natural, espontâneo, se vem motivado das partes altas ou elevadas do Ser, ou se é apenas um interesse pessoal. Em relação a como o mundo vai ver, perceber, isso não é problema seu, é problema do mundo. Você tem que fazer sua parte, aprender a viver, aprender inclusive a rebaixar sua luz, a partir do dia que começar a ter luz. Isso é parte do aprendizado de como viver ou sobreviver neste mundo. Os mestres quando descem ao inferno rebaixam sua luz, usam "capa preta", vamos dizer assim, para não aterrorizar aqueles que vivem lá embaixo.Neste mundo se formos cem por cento do tempo frontais, ficaremos sozinhos.
P: Onde pode brilhar livremente a luz?
R: Só no Absoluto!
P: Se nosso Cristo interno está sempre à disposição para nos guiar e orientar, qual a função dos Mestres?
R: Exatamente trazer a luz do Cristo em parcelas menores para que você não desencarne eletrocutado, compreende? Os instrutores da humanidade são os Buddhas, porque o Cristo não está encarnado em nós ainda. Um discípulo começa a tornar-se um instrutor verdadeiro quando ele alcança ou se conecta com seu Buddha íntimo, aí se torna um instrutor da humanidade de fato, até então, ele é um aprendiz de instrutor, está a caminho.
Ele recebe a luz, que joga no mundo, dos Buddhas menores porque quem é que entende a doutrina do Cristo diretamente? Acaso o próprio Mestre Jeshua Ben Pandirá não ensinava as multidões em parábolas? Havia uma razão para isso; ele ensinava ou pelo menos tentava ensinar a seus discípulos a doutrina direta como está em Pistis Sophia, mas nem seus discípulos conseguiam entender o que seu Mestre queria ensinar. Se quisermos receber a luz do Cristo diretamente, primeiramente temos de alcançar um elevado grau de iluminação interior, do contrário não entenderemos nada.
P: Neste plano podemos alcançar a luz por meio do trabalho e viver em paz?
R: Sim, este é o ideal dos pequenos Buddhas, é um grande começo; anelo que você consiga fazer isso nessa vida, porque te conheço e você pode fazer isso e já sabes como fazer; é só fazer agora.
O texto acima é cópia integral, (modificada a pontuação e feitas algumas alterações para dar o formato de texto), de uma conferência ditada por Karl Bunn, presidente da Igreja Gnóstica do Brasil – www.gnose.org.br – realizada ao vivo dia 12.03.2007, por intermédio do programa Paltalk, via Internet. Equipe: Transcrição de texto: Mariana Cunha. Copydesk: Wagner Spolaor
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