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BUDDHISMO GNÓSTICO - NOSSA CONDUTA DIANTE DE BUDDHAS E MESTRES |
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NOSSA CONDUTA DIANTE DE BUDDHAS E MESTRES
Autor: Karl Bunn *
O tema desta noite é Nossa Conduta diante de Buddhas e Mestres .
Caros amigos, falta-nos o sentido da veneração, falta-nos o sentido do respeito, falta-nos também o sentido ou o sentimento da bem-aventurança. Todos nós aqui pecamos por excesso de informalidade, de intimidade, chegando à invasão. O que queremos dizer com tudo isso?
É que fomos chamados à atenção; percebemos, a partir de um acontecimento ocorrido estes dias com um estudante, novo ainda, que, justamente, por falta desse sentido da veneração, do respeito, acabou perdendo uma excelente oportunidade de uma experiência interior, de um contato direto com um dos Mestres da Loja Branca.
Assim, então fizeram chegar até nós um pedido, no sentido de alertar a todos que pudéssemos, sobre a importância dessas virtudes: Veneração e respeito, que se ligam diretamente à conduta, especialmente à nossa conduta diante dos Mestres. Nem vamos falar aqui sobre a conduta ou a forma como nós nos comportamos na escola gnóstica que freqüentamos, como nos comportamos em sala de aula aqui no mundo físico; estamos falando especificamente da nossa conduta no mundo interno.
De um modo geral, a forma como nós nos comportamos aqui, neste mundo, é a forma como nos comportamos no mundo interno também. Só que há uma diferença enorme entre comportar-se neste mundo e a forma esperada de um comportamento de um estudante nos mundos internos.
Aqui, se alguém cobrar uma conduta ou um procedimento mais formal, é mal entendido e mal compreendido; certamente será criticado, atacado, porque há muito perdemos a capacidade de compreender princípios básicos de convivência, relacionamento. Aqui neste mundo, falar a verdade, é como insultar uma pessoa; dizer mentiras é abrir portas; está completamente invertido o sentido, o senso de percepção e conduta nossa.
Então, nós, mal acostumados aqui, quando chegamos no mundo interno à noite, seguimos comportando-nos como aqui, e ao cabo de algum tempo, tomamos excesso de intimidade, informalidade, chegando ao grau de invasão pura e simples, achando que é isso mesmo - porque aqui no Brasil é assim.
Queremos salientar esses aspectos, que são muito importantes no mundo interno, especialmente para aqueles que começam a receber ensinamentos com os Mestres e Buddhas do Nibbana. O relacionamento interno é sempre de respeito, veneração. Por mais amizade ou sentimento que possa haver entre um Mestre e um discípulo jamais é esquecida a hierarquia; cada um tem que se colocar no seu devido e respectivo lugar.
Um Mestre é um Mestre, um discípulo é um discípulo. Buddha é Buddha, aluno é aluno. Há uma diferença entre um Bhikkhu, um Lanu, um Chela, um Arhat, um Buddha e um Mestre. Há graus e graus; há toda uma escala nisso tudo, mas nós achamos, como é natural aqui sermos excessivamente informais, a ponto de invadir a intimidade alheia, que isso é amizade, quando na verdade isso é um desrespeito.
Desde agora queremos salientar, destacar esse aspecto, esse componente, que é muito importante sobre conduta, especialmente a nossa conduta diante daqueles que nos dão o ensinamento: respeito e veneração são esperados e indispensáveis. Em nosso site, no orkut, em outros lugares já escrevemos sobre isso; e o incrível que aconteceu foi que vários estudantes nos criticaram por isso; tomaram essas palavras como que ditas por um fanático.
Por isso, meus amigos, se alguém que nos ouve aqui quer, de fato, avançar neste caminho, ter acesso aos mundos superiores, realmente ter instrução direta com um Mestre ou um Buddha, deve começar por examinar profundamente a maneira como se relaciona com as pessoas aqui. Neste mundo de carne e osso, dizer a verdade é insulto, mas lá, é o mínimo que se espera: verdade, honestidade, transparência, sinceridade, espontaneidade, respeito e veneração.
Não adianta esconder nenhuma segunda, terceira ou décima intenção porque eles vêem tudo, lêem tudo. Agora, aqui não; aqui quando se diz claramente, objetivamente, francamente, diretamente, toda e qualquer frase é tomada como agressão. Há algo errado aí e não é errado dizer a verdade, falar a verdade, expressar a verdade, mesmo que doa.
Este é o primeiro ponto que queremos colocar para todos vocês aqui nesta noite para reflexão; porque isso é algo realmente muito urgente. Sabemos que, neste momento, muitas pessoas – “muitas” relativamente à situação que estamos vivendo no mundo de hoje, considerando-se a gravidade do momento presente e vamos nos ater aqui ao Brasil. Então, há muitas pessoas que estão acordando agora, que estão tendo experiências internas e estão começando a se lembrar dessas experiências também.
Essas pessoas têm nos escrito em particular através dos canais que a Igreja Gnóstica do Brasil mantém na internet relatando suas coisas. Também tomamos conhecimento que um estudante, que nem é estudante de Gnose, pertence a uma outra linha outra escola, esteve em plena consciência frente a um dos Mestres da Loja Branca, cujo nome preferimos ocultar. Sobre isso, já dissemos que a Gnose não é a única embarcação que leva alunos e estudantes para o outro lado; somos uma destas Escolas, mas há outras, embora outras tenham menos pessoas que estão atravessando esse período agora, de ver seus estudantes receberem ensinamentos diretos no mundo interno.
Muitos gostariam realmente de ter essas experiências também e quem sabe, justamente, estejam fracassando, estejam falhando neste ponto particular. Comentamos tudo isso até porque, recentemente, percebemos em algumas comunidades, que este é um tema presente; percebemos que essas pessoas estão muito mal informadas; estão presas a determinados dogmas, frases, coisas que se falaram no passado, que se ensinou no passado - e isso não corresponde de maneira nenhuma com a realidade destes dias atuais.
É por isso, meus caros, que fazemos de começo esse alerta: sejamos sinceros, espontâneos, simples, naturais. Porém não esqueçamos nunca de quem nós somos e de quem são os Buddhas, quem são os instrutores, os Mestres do mundo interno, do Nirvana.
Entendo ainda também que, em determinadas linhas gnósticas, devido a um péssimo entendimento da doutrina que nos deixou o Mestre Samael, muitos destes desvios de conduta foram passados, e o pior, é que isso alcança nossos dias. É muito comum estarmos reunidos e vermos estudantes, não tão novos assim, falando "Ah! o Samael disse isso! O Morya falou aquilo. O Rabolu disse tal coisa! - assim como quem fala do vizinho, do colega de trabalho, ou do pipoqueiro da esquina.
Percebe-se nisso tudo, não só em nossas comunidades, mas em outras também por ai, que não há a mínima consciência deste sentido da veneração - e quando fazemos esse tipo de alerta, as palavras são recebidas como coisas que não têm muita importância, ditas por um fanático, falado por uma pessoa muito intransigente, uma pessoa excessivamente rigorosa, isso quando não dizem outros adjetivos piores em linguagem menos educada.
- E por que acontece isso? Porque esses pobres estudantes receberam péssima informação e formação. Não digo que seja culpa deles unicamente. Eles foram moldados por instrutores igualmente mal preparados e que nunca se deram conta de quão importante é a mística, a veneração, o respeito, a verdade, e não a bajulação, a mentira, a adulação, que são “virtudes” aparentemente muito apreciadas aqui no Brasil.
Isso nos convida à reflexão, nos convida a renunciar velhos modelos mentais, velhas formas de pensar, de sentir, de agir, de comportar-se. Isso nos remete, por exemplo, estudando, analisando todas essas questões, ao Sutra da Serpente , um sutra buddhista. Afinal, essas coisas vêm de muitos séculos ou até mesmo de milênios...
O Sutra da Serpente , especificamente, fala da necessidade de que, quando terminamos de atravessar o rio, devemos largar o barco [e não seguir carregando-o, porque ele já perdeu a utilidade que era tão só o de atravessar o rio]. No entanto, em muitos lugares por aí, continuamos agindo como crentes; porque continuamos apegados aos velhos modelos, velhas escolas, velhas formas de ensinar e também de viver.
Precisamos refletir profundamente sobre tudo isso! Cada frase que dizemos deve ser analisada. Será que não estamos aqui repetindo frases soltas que lemos por aí, nos disseram por aí, ouvimos sem que tenhamos parado para analisar, refletir, compreender, absorver os conteúdos? Uma vez entendido colocamos isso em prática?
Nós entendemos que isso é muito grave. É grave, mas não é percebido, nem captado com a gravidade ou pelo menos com a gravidade devida. Porque por mais importante que tenha sido em nossa vida uma pessoa, uma escola, um instrutor, um método de trabalho, um instrumento, não devemos nos apegar a ele. É disso que trata o Sutra da Serpente.
Também não devemos ser ingratos. Dentro da Gnose somos testemunhas - e conhecemos essas pessoas - que buscando renunciar, desapegar-se, caíram no outro extremo, que é a ingratidão; tornaram-se pessoa ingratas, se complicaram por nada no Caminho e acabaram perdendo graus após havê-los conquistados a duras penas.
Vou tomar a liberdade de mencionar alguns parágrafos do Sutra da Serpente. Dizia o Senhor Buddha: "Bhikkus [estudante novato], já lhes falei muitas vezes sobre a importância de saber quando é tempo de largar o barco e não apegar-se a ele desnecessariamente. Quando o riacho de uma montanha transborda e se transforma em enchente, um homem ou uma mulher que queira atravessá-lo, poderia pensar: qual a maneira mais segura de atravessar esse riacho em plena enchente? Avaliando a situação, a pessoa pode decidir recolher alguns galhos, ramos, capim e improvisar uma canoa ou uma jangada e usar isso para atravessar para o outro lado do rio. Mas, e depois de haver chegado lá, ela poderia ainda continuar pensando: Puxa, gastei um bocado de tempo e energia construindo esse meio de transporte; é um bem para mim precioso; acho que vou carregá-lo comigo enquanto sigo em frente. Uma vez em terra firme do outro lado do rio, se a pessoa coloca a canoa sobre os ombros ou na cabeça, e prossegue carregando-a, vocês, Bhikkus, acham que isso seria uma atitude inteligente?
Os Bhikkus obviamente responderam: Não, honrado senhor.
Então disse Buddha: “E como poderia ter agido sabiamente essa pessoa? Ela poderia ter pensado: essa canoa me ajudou a cruzar as águas a salvo agora a deixarei na margem para que alguém possa usá-la. Não seria isso algo mais inteligente a ser feito?”
E os Bhikkus responderam: Sim, honrado senhor.
E Buddha continuou: “Tenho dado este ensinamento do barco muitas vezes para lembrar como é necessário soltar [desapegar-se] todos os ensinamentos verdadeiros sem falar daqueles que não são verdadeiros".
Nós nos prendemos tanto nos ensinamentos verdadeiros quanto nos que não são verdadeiros; e aí não importa muito. Se estamos apegados, certamente carregaremos peso, carga inútil. Como dizíamos há pouco, conhecemos muita gente que se perdeu pelo Caminho da Gnose por haver entendido mal este ensinamento ou por terem se tornado ingratos.
Tudo isso, a nosso modesto modo de ver, todas estas grandes doutrinas, esses grandes sábios da humanidade, como Buddha, Cristo, e agora Samael Aun Weor, o objetivo dessas doutrinas e destes Seres sempre foi o de proporcionar a todos, indistintamente, um modo de alcançarem o estado de bem-aventurança. O que vem a ser o estado de bem aventurança? Quem são os bem aventurados?
Buddha, por exemplo, era chamado por todos de “O Bem-Aventurado”, “Senhor das Perfeições”, “Tathagata”, “O Iluminado”.
Jesus pronunciou o Sermão da Montanha com as “bem-aventuranças”.
Mestre Samael nos deixou uma cátedra, uma conferência, exatamente falando sobre as duas coisas.
Entendemos, portanto, que é muito importante compreendermos, estudarmos, analisarmos, em mais detalhes, o estado de bem-aventurança, o grau de bem-aventurado. As doutrinas objetivam liberar as pessoas. Só as pessoas liberadas se tornam bem-aventurados - e já entenderemos porquê, na seqüência.
O Mestre Samael ensina que esse estado de bem aventurança se relaciona com os níveis de Ser. Diz o Mestre que os distintos níveis de Ser são descontínuos; que a cada nível de Ser pertence um determinado número de atividades. Quando alguém passa a um nível de Ser mais elevado, precisa dar um salto e deixar para trás as atividades que tinha no nível de Ser inferior ou anterior.
No contexto do Sutra da Serpente isso equivale a dizer que quando se atravessa o rio, quando se chega do outro lado, o barco já não nos serve para nada e não devemos ficar presos a ele só porque nos serviu.
O próprio Mestre Samael dá um testemunho do que ele viveu. Diz o Mestre numa conferência de III Câmara: "Vem-me à memória aqueles tempos da minha vida de uns trinta, quarenta, cinqüenta anos atrás. Esses tempos foram transcendidos porque passei para outros níveis mais elevados de Ser. Então, aquilo que constituía para mim coisas da máxima importância, o que eram minhas atividades daquela época, tudo isso foi cortado, suspenso; porque nos escalões superiores, nos novos níveis de Ser existem outras atividades completamente diferentes".
Se vocês passam a um nível superior, mais elevado de Ser, se atravessam o rio, é claro que precisam deixar muitas coisas para trás que hoje são muito importantes, que fazem parte, que estão correlacionados ao atual nível de Ser de cada um de nós.
Colocando essas palavras do Mestre Samael no contexto atual do estudantado gnóstico nacional, percebemos um fenômeno raro, até bem estranho, e surpreendente. Muitos por aí acham que nós deveríamos repetir os textos dos livros do Mestre Samael exatamente como se faz hoje com os evangelhos nas igrejas.
Particularmente, concluí que grande parte do estudantado gnóstico brasileiro não compreendeu, não compreende, que quando alguém leva a sério uma doutrina, quando se pratica, quando se vive intensamente, passa-se para outros níveis de Ser mais elevados; deixamos de ser o que éramos, ainda que possamos parecer iguais; mudamos internamente, e aquilo que nos atraía, já não nos atrai mais, e aquelas coisas que eram do interesse às vezes comum, já não são mais - e nem sempre percebemos isso.
Há, nisso tudo, certa tendência, certa pressão pública, no sentido de que continuemos sendo exatamente aquelas pessoas, aqueles indivíduos que sempre fomos ou éramos quando nos conheceram. Muitos querem que freqüentemos botecos, que os acompanhemos a tomar umas cervejas depois das atividades da escola gnóstica, etc. Mas esse já não é mais nosso nível de Ser; e se recusamos o convite, sentem-se molestados, desprezados, com a recusa. Mas se, em troca, convidamos os interessados em tomar cerveja no boteco da esquina para que fiquem conosco meditando duas, três, quatro horas na sala de aula certamente arranjarão desculpas para não permanecerem conosco. Então, a “via crucis” de um instrutor, de alguém que realmente leva a sério os ensinamentos de uma doutrina, é essa. Somos criticados, atacados, justamente, por isso: porque ninguém compreende a seriedade do Caminho; chamam-nos de fanáticos, porque ninguém compreende que, para alguém que passou do outro lado do rio, para alguém que subiu na escala do Ser, essas coisas já não interessam mais, não fascinam, não nos prendem, não nos seduzem. Até pelo contrário: sabemos que é por aí que nos detemos e caímos...
Muitos estão de corpo presente na Gnose, mas continuam freqüentando o jogo de futebol, assistindo o futebol nas tardes de domingo pela televisão. Outros assistem novelas, outros saem rigorosamente todas as semanas a se divertirem em discotecas, barzinhos, festas, etc..
Não estamos aqui para criticar quem faz isso. Sabemos que cada qual faz o que achar melhor para si. Estamos falando aqui de níveis de Ser, e nós sabemos que os Deuses fazem muitas festas nos mundo internos, no Nirvana. Mas nada da “diversão” divina se parece com o que fazemos aqui... Portanto, essa não é exatamente a questão; estamos falando aqui da atitude psicológica em relação a tudo isso.
Aqueles que querem ou esperam que devemos continuar sendo sempre do jeito que eles são, aqueles que não conseguem admitir que qualquer um de nós que tomar a sério esses ensinamentos se transforma em pouco tempo, certamente pensam que a Gnose é só mais uma crença... Querem transformar, como de fato transformaram em muitos lugares, a Gnose num sistema de crentes. E nós aqui, na Igreja Gnóstica do Brasil, sempre dissemos em todos os seminários, dizemos e repetimos em determinados contextos: Gnose não é para ignorantes; a crença sim é para os ignorantes. Gnose é para aqueles que querem dar o salto, é para os inconformados com a vida sem sentido desta humanidade.
O Mestre Samael usa palavras mais fortes ainda. Ele diz que a "Gnose é para os rebeldes". Nós entendemos de forma muito clara e objetiva que não pode haver gnóstico ignorante. Todo aquele que estuda Gnose, põe em prática, absorve e encarna seus princípios no dia a dia. Ele dá um salto e quando dá o salto [na escala dos níveis de Ser], deixa de ser compreendido pelos seus antigos companheiros, e se vê às voltas com um quadro de isolamento, de solidão.
Esse é o preço que se paga para dar o salto, para galgar níveis mais elevados de Ser. Saibam todos disso, caso até agora ainda não tenham percebido que é assim mesmo. O Mestre Samael diz que esse salto é revolucionário, é rebelde; não é um salto de tipo evolutivo; sempre será um salto revolucionário e rebelde. Ele diz ainda que também não é um santo involutivo; é revolucionário - enfatiza o Mestre - e se nós, subindo, escalando, os distintos níveis de Ser, ao chegarmos a níveis mais elevados, haverá um momento em que chegaremos a um nível mais elevado dessa escala, e esse nível mais elevado é o nosso próprio Ser: trata-se pois de encarnarmos nosso próprio Ser.
Até mesmo para se experimentar a verdade é preciso passar a níveis superiores de Ser, porque ninguém, pensando, sentindo ou agindo na forma incipiente de vida humana como temos hoje, como a sociedade tem hoje, este sistema jamais permitirá ou fará que alguém experimente a verdade, diretamente. A verdade só pode ser experimentada quando passamos a oitava superiores, a níveis superiores de Ser.
Podemos correlacionar isso com o processo iniciático. Alguém começa realmente a se tornar um Iluminado depois que termina a III Iniciação de Mistérios Maiores. É claro que alguém que termina a III Iniciação de Mistérios Maiores se torna um Arhat ou um Arahant. Ele não é um Buddha; mas já é um Pequeno Buddha; é alguém que eliminou grande parte da sua escuridão, das suas trevas. Ele está a um passo de encarnar o Buddha Íntimo; é uma pessoa, um Ser, um aluno, um estudante que é bem recebido, recebido com alegria nos mundos internos. É alguém que trabalhou sobre si, alguém que fez por merecer este salto na escada dos níveis de Ser.
Essas coisas não caem do céu gratuitamente. Tudo é preciso conquistar com méritos próprios do coração, sacrifícios, renúncias, padecimentos voluntários - como bem claro disse o Mestre Samael. Até mesmo para experimentar os graus mais incipientes da verdade é preciso subir, conquistar os níveis intermediários, e algum dia alcançar os níveis superiores desta escada. Diz o Mestre, nessa mesma conferência: "Quando alguém estuda os evangelhos do Cristo se dá conta que seu objetivo é o de nos liberar".
As bem aventuranças são solares cem por cento; não são lunares. As bem aventuranças começam nos ensinando a não identificação: "Bem aventurados os pobres de espírito porque deles é o reino dos céus". Esta é a primeira bem aventurança. Mas quem são os pobres de espírito? Já pensaram nisso? Poderia um homem, uma mulher, uma pessoa identificada com sua fortuna, com seu dinheiro, com seus patrimônios, com seus negócios, ser pobre de espírito?
Poderia um homem, uma mulher, uma pessoa identificada consigo mesmo, cheia de imagens de si, onde se sente, se vê, como grande, poderoso, sublime, inefável, dependendo do papel social que desempenha, poderia alguém assim ser pobre de espírito?
Para o Mestre Samael - e para nós aqui - é obvio que não. Aqueles que estão cheios de si mesmos, geralmente não deixam nenhum lugarzinho para Deus. Portanto, não é um pobre de espírito - e conseqüentemente - como poderia ser um bem aventurado?
Todos que estamos exacerbados de orgulho, de vaidade, ganância, soberba, luxúria, ira, como podemos, então, ser pobres de espírito? Há por aí, nas palavras do Mestre Samael, algumas escolas pseudo-esotéricas e pseudo-ocultistas que dizem que, mediante a lei de evolução, algum dia alcançaremos o estado Divino, o estado angélico, porque todo homem está chamado a se transformar em Deus.
Isso é o que dizem por aí em muitos lugares, e nós sabemos disso. Como também sabemos que muitos por aí afirmam que todos os caminhos levam a Deus; que todas as religiões, seitas e crenças são partes da Divindade.
Há que se entender as coisas, meus amigos; há que se entender as coisas... Se todas as escolas, sistemas, igrejas, metodologias, fossem divinos, por que há uma guerra sagrada no mundo interno? Por que lutam entre si Deuses e demônios? Por que existem Deuses e demônios?
É nessas sutilezas que às vezes somos traídos pelos discursos vazios; porque lemos por aí e não meditamos; não compreendemos aquilo que nos é dito ou aquilo que lemos e passamos a repetir só porque achamos bonito.
Esses que acreditam que a evolução algum dia nos transformará em Anjos ou Deuses, certamente não pararam para meditar, analisar e compreender o truque, a fantasia, a mentira, o embuste, que aí se encontra. Nisso o Mestre Samael é bastante claro, frontal e direto, quando diz que, um homem, ainda que seja muito perfeito, mesmo que seja um boddhisattva, não é mais do que isso: um homem.
Deus é o Pai que está dentro de nós. Só ele é Deus. O Pai pode tomar a forma de homem ou pode chegar a possuir o homem. Vale dizer, chegar a encarnar em seu boddhisattva se estiver preparado, se for muito perfeito. Nesse caso, o Pai, que está dentro de nós, nosso Ser sagrado, pode expressar-se por meio de seu boddhisattva; pode pensar por ele, sentir por ele, possuir seu coração; pode colocá-lo a trabalhar cem por cento a serviço da CAUSA, a tal ponto de a forma humana, aqui neste mundo, agir, pensar, sentir, proceder, exatamente como ELE o faz no mundo em que vive, mas ainda assim, continua sendo humano.
Nós, que vivemos neste mundo, mesmo que tivéssemos essas condições de perfeição de boddhisattva levantado, não temos o direito de pensar que somos Deuses ou que temos tais prerrogativas porque continuamos sendo humanos. Se alguém, equivocadamente passa a se sentir como Deus, Mestre, Buddha, Cristo, caiu na mitomania, passou a crer em algo que não corresponde à realidade. Porque todos nós aqui neste mundo, somos humanos, homens, mulheres, nada mais do que isso.
Deus é Deus, homem é homem, ser humano é ser humano. Não é porque eventualmente enchemos nossa cabeça e nossa memória de literatura esotérica gnóstica e até pseudo-esotérica, a mente, então, nessas condições, passa a pensar por si só que já é um grande iniciado, que já é, de repente, um grande Mestre ou o gerador de um sistema solar inteiro. É disso que precisamos tomar cuidado – porque aí pela internet está cheio de pseudo-mestres, especialmente dentro das filas gnósticas.
Por maior e mais elevado que seja eventualmente o grau hierárquico de nosso Ser, continuamos sendo humanos. Ensina o Mestre também que quando um de nós reconhece sua miséria interior, quando se percebe um nada, quando não se sente tão sublime, nem tão divino assim, nem tão sábio, quando compreende que é alguém que foi ou é ainda um pecador como qualquer outro, esses são bons sintomas, bons sinais de que não está cheio de si mesmo. Então, este reúne em si condições de se tornar um bem aventurado, um iluminado, um Arhat, um Buddha. O que vem a ser o bem aventurado?
Muitos acreditam que um bem aventurado é aquele que desencarnou, morreu, que vai para o céu, onde ficará eternamente, desfrutando da felicidade celeste junto aos anjos. Isso não é ser bem aventurado. A bem aventurança significa um estado de felicidade, de ser feliz.
Agora chamamos a atenção para algo importante. Aqui neste mundo confundimos muitas vezes felicidade com prazer. Nesse caso, todos aqueles que têm dinheiro seriam felizes porque poderiam comprar e importar até, se fosse o caso, felicidade do estrangeiro - e não é isso que acontece. Geralmente, os mais amargurados são aqueles que possuem meios materiais.
A felicidade que tanto o buddhismo quanto a Gnose falam, é a felicidade advinda do coração puro, limpo, leve, justo. Que a bem aventurança está relacionada com o reino celeste. Porém a grande pergunta que temos que colocar é: onde está o reino dos céus? Em que lugar do universo ele se encontra? Em que continente se localiza? Ou precisamos primeiro desenvolver tecnologia de viagens espaciais para podermos ir no planeta da felicidade?
Muitos pensam assim, muitos acreditam que podem mandar buscar pelo correio ou importar do estrangeiro pacotes de felicidade. Como muitos pensam também que de repente os avanços na corrida espacial possa nos levar a planetas de felicidade, porém nada disso é real.
O reino dos céus está formado pelo círculo consciente da humanidade solar; é onde vivem os Mestres, os Buddhas. Esses são os bem aventurados. Este é o verdadeiro reino dos céus. Temos que ser práticos e compreender tudo isso, do contrário nunca alcançaremos esse estado.
O Sermão da Montanha, que fala das bem aventuranças e dos bem aventurados, diz que a primeira delas se refere à não identificação. Alguém que se identifica consigo mesmo, aquele que fica sonhando que vai ter muito dinheiro, casa, carro, projetando nisso a sua felicidade, poderá sofrer decepções e amarguras.
O começo da bem aventurança está em não se identificar consigo mesmo; depois não se identificar com nada exterior a ele mesmo. Aqui entra, se aplica, muito do que falamos em ocasiões anteriores: Quando um de nós se identifica, por exemplo, com um insultador acaba insultando. Quando não se identifica com nenhuma provocação, pode perdoar, amar - e este provocador ou insultador não poderá feri-lo - porque se alguém é ferido ou se sente ferido, em realidade é o egoísmo que foi atingido, é o amor próprio, é a auto-importância, a auto-consideração que foi atingida. E se não nos identificamos conosco mesmos, temos a possibilidade de praticar em verdade isso que as grandes doutrinas falam muito: o perdão. Se alguém se identifica, ou vive identificado consigo mesmo, nunca irá perdoar ninguém, nunca irá perdoar nada.
No Pai Nosso dizemos: "Perdoai as nossas dívidas assim como perdoamos os nossos devedores". Algum tempo atrás mudaram o "perdoar nossas dívidas” por “perdoar as nossas ofensas”. Na verdade, não perdoamos nem os que nos devem, nem os que nos ofendem. No entanto, queremos que Deus perdoe nossas dívidas cármicas e nossas ofensas ou transgressões a lei Divina. Nesse aspecto o Mestre Samael vai além e diz: "Não basta simplesmente perdoar; é preciso também pagar as dívidas".
Poderíamos perdoar alguém que nos insultasse ou nos provocasse, mas não pagaríamos a dívida só mediante o perdão. Precisamos, ao fazer a análise, o estudo criterioso desses acontecimentos em nossa vida, ser profundamente sinceros, honestos, verdadeiros, transparentes; precisamos “pagar” a dívida – e não só pedir para “perdoar”. “Pagar a dívida” no esoterismo do Pai Nosso, quer dizer quitar, apagar, da nossa memória tais dívidas. Esse é o sentido profundo desta frase que diz "como nós perdoamos nossos devedores ou aqueles que nos tem ofendido".
Se estivermos identificados conosco mesmos, bem longe estamos da bem aventurança; conseqüentemente, estamos bem longe da capacidade de perdoar alguém que tenha feito algum dano. Quanto antes aprendermos a não nos identificarmos conosco mesmos, com as coisas ao nosso redor, nada mais importará ou nos atingirá. Se insultarem, se criticarem, se atacarem, se humilharem, não haverá reação porque estamos falando de alguém que alcançou o estado da bem aventurança., alguém que eliminou de si os elementos que se identificam com essas provocações ou circunstâncias externas da vida.
Perdoar as ofensas e as dívidas nada tem a ver com sair por aí abraçando e beijando os caluniadores ou os insultadores. Isso é uma atitude interna que nasce da compreensão, do perdão psicológico, do não alimentar ressentimentos, nem mesmo as lembranças do ocorrido.
No Sermão da Montanha Jesus fala também: "Bem aventurados os mansos, pois eles receberão a terra por herança". O que é ser um manso?
Mansos são aqueles que não cultivam ressentimentos. Quem alimenta mágoas, quem cultiva o ressentimento, é alguém que planeja, secretamente, vinganças; significa então que não conseguiu superar essas mágoas; é alguém que se considera demasiadamente a si mesmo; é alguém que fica fazendo contas, que fica trazendo a valores presentes eventuais favores feitos no passado. Significa que não conseguiu transcender esse mecanismo de cobranças.
Aí está a engrenagem secreta, a engrenagem secreta do ressentido, daquele que guarda rancor, que guarda mágoas, que armazena ressentimentos. Como pode ser um bem aventurado alguém que procede assim?
Bem aventurados são os mansos, são aqueles que não têm ressentimentos, que não guardam mágoas, que não alimentam esse tipo de pensamentos. Esses são os mansos, esses são os bem aventurados, esses são os pacíficos. Só esses podem conhecer, experimentar essa substância que se chama felicidade.
É por isso que dizíamos há pouco que a felicidade não pode ser comprada; ela é conquistada quando nosso coração se tornar leve. Cada um pode fazer aqui e agora um pequeno exercício consigo mesmo: perguntem a si mesmos se são felizes.
Muita gente diz que é feliz, que está feliz com sua vida, que está contente, que está bem. Mas deles mesmos ouvimos falar também que tal coisa o incomodou, que o incomoda, que não aceita isso nem aquilo. Dependendo da forma como se expressa, dá para perceber que ali existe mágoa, ressentimentos, tristezas.
Não há, nem pode haver, felicidade nesses casos - porque não se transcendeu ainda os mecanismos básicos do amor próprio, da auto-importância e da auto-consideração. Portanto, essa palavra “bem aventurança” é muito exigente; significa “felicidade íntima” não daqui a um milhão de anos, mas agora.
Vivemos intimamente felizes? Nossa mente é pacifica, serena? Conseguimos manter o estado de serenidade mesmo nas circunstâncias adversas? Conseguimos manter a tranqüilidade quando nos insultam? Quando alguém nos demanda na justiça? Quando nos acomete algum desatino conseguimos mantermo-nos serenos ou nos identificamos com isso tudo?
Por aí podemos medir, então, o nosso verdadeiro estado de bem aventurança. Para que comecemos esse treinamento, não vamos esperar a morte chegar, nem o próximo retorno. Podemos, aqui mesmo, começar a cultivar as virtudes básicas que nos levarão e nos proporcionarão a bem aventurança.
Essas virtudes fundamentais relacionadas ao amor e à santidade, as virtudes que nos proporcionam ou virão a nos proporcionar a bem aventurança, dentre muitas outras podemos citar aqui, rapidamente:
1. tolerância: para alguém ser tolerante, precisa ter feito muita meditação sobre tudo que nos molesta, que nos atinge, nos toca; só assim poderemos ter tolerância e não reagirmos frente às manifestações dos acontecimentos que despertam a nossa intolerância.
2. Compreensão: dos fenômenos, dos acontecimentos, dos fatos, da vida. Essa é uma virtude muito importante. Também a virtude da compreensão exige de nós muitas horas de meditação, para termos a compreensão da compreensão. Até fizemos uma aula aqui, chamada compreendendo a compreensão - porque realmente isso é um tema muito importante.
3. Perdão: Para poder perdoar e não guardar mágoas, ressentimentos, quanto tempo de meditação temos que fazer? Quanto devemos ter avançado na renúncia , na anulação de nossa auto-importância e no egoísmo para poder realmente permanecer com o coração tranqüilo, a mente serena e tranqüila?
Acrescentamos ainda virtudes como paciência, compaixão, urbanidade, gentileza no trânsito, pegando ônibus, andando no shopping, quando atendemos ou somos atendido num balcão de loja comercial, enfim, aquela consideração mínima que temos que ter no trato social, no relacionamento social. Temos ainda respeito e veneração que falamos no início deste encontro de hoje. Será que temos veneração e respeito para com as pessoas?
Pessoalmente, sei que no Oriente se pratica [ao menos se praticava], desde pequenos, o culto, a veneração aos mais velhos; se respeita os mais velhos. Aqui em nossa vida, em nosso mundo, o que temos desenvolvido de veneração dentro de nós para com nosso semelhante? Sem dúvida, muito trabalho sobre si é necessário até podermos expressar veneração nas doses mínimas.
Prosseguindo com o rol de virtudes temos: caridade, humildade, simplicidade, espontaneidade e muitas outras virtudes que cada um puder enumerar... Todas elas exigem compreensão, aprofundamento, para que no dia a dia seja possível expressarmos tais virtudes de forma simples e natural.
Isso é o que se chama de encarnar as virtudes de nossa alma ou encarnar as donzelas, “as partes baixas de nosso próprio Ser”. Se nós, efetivamente, nos tornamos mansos, mediante a não identificação, nem de nós mesmos, então, sim, chegaremos a ser felizes, a viver feliz. Porém, é necessário não nos identificarmos com nossos pensamentos, sejam eles de luxúria, ódio, vingança, rancor, ressentimento, etc. É preciso ir além, é preciso eliminar de nós os Demônios Vermelhos de Seth, como nos ensina a Gnose. São esses agregados psicológicos, que nós mesmos criamos em momentos de ignorância de nossa vida atual ou de vidas anteriores, que personificam nossos defeitos, nossos demônios internos.
Temos que compreender o que é o ressentimento. Muitas pessoas passam toda sua vida cultivando ressentimentos, presas ao passado devido a gestos ou atitudes mínimos que alguém eventualmente tenha feito.
Para eliminar nossos defeitos, não é necessário nos repetirmos novamente. Basta identificar, analisar, compreender e invocar o poder superior à mente, invocar a nossa Divina Mãe Kundalini. Só Ela pode desintegrar os defeitos que tenhamos previamente identificado, analisado, estudado, compreendido.
Como somos pessoas extremamente lunares, levamos essas influências negativas até a medula de nossos ossos. Para alcançar o estado de bem aventurança, o estado de Buddha, de Arhat ou de Iluminação, temos que nos independizar, romper com todos os processos mecânicos lunares e negativos de nossa mente. Temos que eliminar esses elementos do ressentimento, do amor próprio, da auto-importância, da auto-consideração, do orgulho ferido. Porque bem aventurados são os mansos, aqueles de coração tranqüilo; e assim, então, chegaremos, em algum momento, a alcançar a liberação final.
A Consciência, muitas vezes dizemos ou dissemos aqui, não pode despertar enquanto continuar aprisionada, enfrascada, nos agregados psicológicos. Portanto, precisamos passar por essa aniquilação buddhista , morrer aqui a cada momento; somente a morte mística nos dará o novo. “Se a semente não morre, não nasce a planta”, dizia o Mestre Samael.
Essas são as considerações e as palavras desta noite que quisemos compartilhar com vocês para que cada um faça suas reflexões íntimas, pessoais; oxalá consigamos todos trabalharmos intensamente sobre nós para também conseguirmos o estado de bem aventurança.
Ficamos à disposição para os esclarecimentos adicionais, comentários, apreciações que quiserem fazer sobre o tema desta noite. Pedimos apenas que não nos desviemos do tema.
Perguntas
P: Lidar com sentimentos de solidão, abandono e descaso de pessoas é fácil. Mas objetivamente, como lidar e não se identificar com o sentimento de estar totalmente sozinho e abandonado pelos Pais, Mestres e Deuses? Como orar, pedir ajuda se o sentimento é que ninguém te ouve?
R: Bem, meu amigo, aqui não tem muita escolha não! Se eu te disser, como todos os Mestres disseram, que você não está sozinho aqui, isso é suficiente? Eu creio que não! Se outros Mestres disseram que você nunca está sozinho, isso foi suficiente para você? Eu entendi que não, também! No fundo, penso que você está esperando é que, eventualmente, o Grande Arquiteto do Universo desça numa nave espacial no quintal da sua casa e diga a você: "Meu filho, eu sou o Arquiteto do Universo! Você não está sozinho! Estou aqui para te ajudar!".
Será que é isso que estamos esperando? De todas as formas, o que podemos dizer, é o seguinte, em resumo: “Ainda que tenhamos esta sensação de estar só, não estamos abandonados; nós é que abandonamos, nós é que nos distanciamos de nosso Pai e de nossa Mãe, e ainda, assim mesmo, tendo nos afastado para longe deles, sempre que pensamos ou os invocamos, eles se fazem presentes ao nosso lado. Você pode não vê-los e talvez nem os sinta mais, porque longo é o tempo de exílio que muitos de nós experimentamos. Mas só posso repetir o que tantos já disseram: Você não está só.
É preciso pedir, pedir e pedir; bater, bater e bater insistentemente. Um dia a porta vai se abrir. O que posso dizer para você, como testemunho pessoal, é que eu bati e chutei a porta por 30 anos até que fosse aberta. Pergunto: Há quantos anos você esta batendo à porta, meu amigo? Mesmo que o mundo venha a acabar amanhã ou depois, trate de bater com mais força e fazer sua parte, porque se você não faz a tua parte aí realmente não tem como.
Como é aqui em baixo é lá em cima ou como é lá, é aqui.
P: Sabemos que toda ação gera karma, desde que seja uma ação não reta. Uma ofensa dirigida a um ser superior gera um karma mais pesado? A Lei aliviaria de alguma forma a ação de um iniciante?
R: Sim, claro! Há pesos e medidas justos e relativos ao grau ou nível de Ser de cada um. Se v. é um boddhisattva, tem a lei divina acentuadamente multiplicada sobre si em seus costados; posso te dizer isso tranquilamente. Se fores um principiante que está chegando agora, é claro que algo vai gerar, porém, não tanto quanto pesa para um boddhisattva, alguém de esclarecida inteligência. Quanto mais se sabe mais se é cobrado, mais se é esperado. Quem mais tem ou recebe, sobre mais terá que prestar contas. Isso resume tudo.
P: Como saber quem é meu Mestre? Os mantras se usam verbalmente ou podem ser em silêncio?
R: Os mantras podem ser entoados verbalmente ou você pode fazê-los silenciosamente com a mente. Sabemos que Deus não é surdo; então, não precisa fazer nada em voz alta; nós fazemos parte da mente universal. O que pensamos é vivo. As fantasias que projetamos à noite sem o lastro do corpo físico vira realidade diante de nossos olhos. Então, por isso que sempre devemos cuidar de nossos pensamentos.
Como saber quem é teu Mestre? Sempre foi dito que quando o discípulo está preparado ele aparece. Muitos estudantes até recebem instrução no interno, porém não se lembram de nada; estão com os fios de conexão cortados, enferrujados, oxidados. Então, como saber aqui em nosso mundo, quem é ou pode ser nosso Mestre?
Se as conexões estão cortadas ou nossa consciência está adormecida, não tem como saber. À medida que vamos despertando nossa consciência vamos descobrindo. No início, através de sonhos vamos recebendo essas informações; depois os sonhos vão se tornando mais e mais realistas; haverá um dia em que não mais sonharemos.
P: Basta eu apenas pensar em fazer uma oração ou prática que parece que o universo inteiro está contra mim, desde um telefone tocando até acontecimentos mais absurdos; participar de uma conferência como esta é uma verdadeira operação de guerra e até energia elétrica acaba aqui!
R: Eu entendo tudo isso, meu amigo! Tanto entendo que, aqui na Igreja Gnóstica do Brasil, é padrão para os instrutores, quando preparam aqueles que vão entrar em segunda câmara, dizer, afirmar e reafirmar que “no momento em que você der esse passo as forças da natureza se mobilizarão contra você para afastá-lo do caminho. Você terá que ter força interior suficiente para superar tudo isso e não se deixar afastar ou ser afastado do caminho que ora está escolhendo ou elegendo”.
Então, o que você diz, é correto, porque assim é! Mas cabe a você mobilizar mais força ainda e tomar todas as providencias necessárias para que nada interfira no processo, como tirar o telefone do gancho, por exemplo - e outras mais quando for orar ou fazer algo. Nada deve interromper ou te demover do objetivo. Encare isso, ou seja, este momento, como sendo a operação mais importante da tua vida. Mesmo que desabe o mundo, caia a casa, aconteça o que acontecer, nada o impedirá de seguir em frente. Se para você a prática é importante, você seguirá praticando em meio ao cair das bombas, raios e trovões. Oxalá consiga me entender.
P: Se em astral nós entramos nos níveis superiores ou somente nos inferiores?
R: Existe o astral superior, onde vivem os Mestres, e existe o astral inferior, onde vivem os contramestres, os demônios. Você escolhe para onde vai. Mas, às vezes, só escolher não basta; é preciso ter fogo por dentro para poder subir ao astral superior. Portanto, não é só desdobrar o ego e achar que vai freqüentar templos da Loja Branca e participar de rituais sagrados. Esse é um mito que se estabeleceu por aí na Gnose e contra o qual temos arremetido intensamente para tristeza de muitos que ensinam essas inverdades, sinal que não têm o devido conhecimento.
O texto acima é cópia integral, (modificada a pontuação e feitas algumas alterações para dar o formato de texto), de uma conferência ditada por Karl Bunn, presidente da Igreja Gnóstica do Brasil – www.gnose.org.br – realizada ao vivo dia 29.05.2007, por intermédio do programa Paltalk, via Internet. Equipe: Transcrição de texto: Mariana Cunha. Copydesk: Wagner Spolaor. Revisada pelo próprio autor.
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