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CONFERÊNCIAS 2007 I - NOVA ERA, NOVA GNOSE, NOVA DIALÉTICA |
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NOVA ERA, NOVA GNOSE, NOVA DIALÉTICA
Autor: Karl Bunn *
O tema presente tratará da nova dialética. Por que uma nova dialética? Porque, antes de tudo, já estamos na Era de Aquário e, a cada nova Era, ocorrem mudanças de pensamento, culturais, espirituais, religiosas, cientificas e em todas as áreas do conhecimento humano, conseqüentemente, nisso que chamamos de dialética também ocorre transformação.
Para compreendermos a nova dialética da Era de Aquário precisamos refrescar um pouco a memória e, pelo menos, colocarmo-nos de acordo sobre o que cada um de nós entende a respeito de dialética. Existem vários conceitos e idéias acerca de dialética.
Nós, aqui da Fundação Samael Aun Weor, preferimos o entendimento para essa expressão, que vem do Platonismo, no qual a dialética configura-se como um processo de diálogo, um debate positivo entre interlocutores comprometidos profundamente com a busca da verdade, por meio da qual a alma eleva-se gradativamente do mundo das aparências para as realidades inteligíveis, as idéias.
Hoje em dia, toda dialética está baseada na ciência ateísta-materialista, então é evidente que a dialética da Nova Era colide com a praticada e aceita em quase todos os lugares. Apenas para ter-se uma idéia, Aristóteles já tinha um outro conceito, em que a dialética é um raciocínio, configurado até hoje como um raciocínio lógico, mas o raciocínio vem da razão, vem do intelecto e o intelecto não pode elevar a alma, como propunha Platão.
Em Platão, esse diálogo dá-se geralmente entre Mestre e discípulo, com a finalidade de passar um conhecimento, uma doutrina, idéia na qual alguém é Mestre e supõe-se a presença de alguém que está no grau de aprendiz. Isso, em linhas gerais, vem a ser a idéia fundamental da dialética.
Colocado isso, percebemos que, mesmo agora, falando em termos de nova ou revolução da dialética, as idéias dessa nova dialética, em verdade, apóiam-se em idéias muito antigas, soam como novas porque a humanidade de hoje aprecia muito as novidades, acha que o novo está na novidade e, no entanto, o novo está no profundo de nós mesmos, no profundo da natureza, está na alma, no Ser.
Assim, essa nova dialética apóia-se em idéias muito antigas, especialmente para nós aqui do Ocidente, que ignoramos o pensamento oriental. Entretanto, quem tem alguma noção, estudou o pensamento oriental, sabe que lá, muitas dessas idéias que aqui temos como novas, já existiam. O próprio Mestre Samael já dizia ter essa Nova Gnose raízes que remontam a um período Netuniano Amentino, muito antigo. Quando falamos em período Netuniano, estamos falando algo que vai além dos dois milhões de anos atrás na História e a História atual não conhece praticamente nada além do ano quatro mil antes de Cristo.
Por aí já começam as divergências, os conflitos. Portanto, o intelecto não é a ferramenta mais adequada para criar, levar adiante uma nova dialética, ainda que toda dialética, pelo menos uma parte, lança mão do discernimento ou do próprio intelecto. O posicionamento gnóstico, de um modo geral, é absolutamente independente do que outros apresentam. Quando se fala em Gnose, não estamos falando de conhecimentos acadêmicos, estamos falando de doutrinas secretas desconhecidas para a comunidade acadêmica atual, para os historiadores atuais.
É nesse sentido que o posicionamento gnóstico é totalmente independente, porque tem como fonte direta, suas raízes, nas doutrinas secretas que têm atravessado o tempo e a História desde um tempo Netuniano Amentino, ou seja, uma época muito antiga da humanidade, quando a mente humana adquiriu pela primeira vez uma incipiente capacidade racional. Naquela época, havia muito do pensamento intuitivo e o pensamento racional estava começando a desenvolver-se.
Depois de tal exposição, acreditamos ser mais fácil entender certos fundamentos muito antigos dos pensamentos budistas, tibetanos, de certos ramos espirituais e religiosos do Oriente, em cujas doutrinas encontramos elementos que fogem ao racionalismo Aristotélico ou racionalismo ocidental.
Para entender profundamente essas doutrinas, precisamos mais de intuição ou mente iluminada do que propriamente um intelecto recheado de informação e teorias. Falando-se em matéria de religião, há algo que podemos colocar logo de inicio, como o movimento de fluxos e refluxos. Hoje, aqui no Ocidente, temos uma doutrina fundamentada no monoteísmo, o qual sempre conduz a humanidade ao antropomorfismo e isso leva à idolatria, originando, por isso mesmo, um ateísmo materialista, caracterizador dessa época atual.
Por isso, a doutrina secreta, a Gnose, sempre se apresentou ao mundo na sua forma politeísta, Deus são Deuses, porque ninguém nunca viu Deus andando pelas ruas de sua cidade, nem falando na televisão, nem escrevendo livros, nem fazendo propagandas, mas figuras imaginadas por seres humanos utilizam determinadas imagens justamente para fazer toda essa comunicação, isso explica porque o monoteísmo gera o antropomorfismo e, conseqüentemente, resvalando para a idolatria que nos leva, por reação, ao ateísmo materialista.
O desafio nosso, nessa revolução dialética que se apresenta aos nossos olhos, é sair disso para um estado original que é o politeísmo e fazendo nossas as palavras do Mestre Samael podemos dizer o seguinte: não nos assusta falar dos princípios inteligentes dos fenômenos mecânicos da natureza, mesmo que nos qualifiquem como pagãos e admitir publicamente em alto e bom som que somos adeptos de um politeísmo moderno.
Sabemos que Deus são Deuses e expressam-se em toda forma de vida, seguem um padrão de evolução escalonado, dando oportunidade para cada uma das essências, lançadas à existência, um dia alcançarem a condição de Devas ou Deuses. Isso é negado pelo monoteísmo, pelo antropomorfismo ou pelas religiões ateístas materialistas.
Sempre é preferível falar de princípios inteligentes que estão na natureza, em todas as partes e reinos, porque isso jamais nos levará ao materialismo, nem ao antropomorfismo, uma vez que nesses casos estamos falando de consciência pura em distintos graus hierárquicos. Quando, no passado, se abusou do politeísmo, a reação deste abuso foi jogar, levar a humanidade para as religiões monoteístas, pois o monoteísmo não é uma novidade, já no passado oscilaram culturas com religiões monoteístas e politeístas, como no Egito, por exemplo.
Essas alterações periódicas sempre se deram por causa do abuso. Abusou-se tanto do monoteísmo quanto do politeísmo e, quando se abusa de um, cai-se no materialismo e, quando se abusa do outro, cai-se no monoteísmo. Fala-se do Deus único esquecendo, com o tempo, que Ele é plural. Esse monoteísmo cristão vigente hoje, de haver um só Deus criador de todas as coisas, surgiu do abuso do politeísmo há dois mil anos atrás entre a cultura que serviu de berço para nós, o Império Romano, a cultura Grega ou a civilização Greco-Romana, como dizemos aqui. Eles eram politeístas e da degeneração desse politeísmo surgiu, como reação, o monoteísmo que perdurou durante a época Pisciana (a Era de Peixes). Agora, desde 1962, a Gnose gradativamente está semeando pelo mundo a idéia politeísta novamente, mas não somos os únicos neste caso.
Ainda dentro dessa nova dialética, certas palavras que são muito utilizadas não são empregadas por aqui, por exemplo, a religião monoteísta que temos hoje fala muito do bem e do mal, mas o que é bem e o que é o mal? Fala-se muito de Deus e do Diabo, muitas vezes não se entende isso. Há que se entender o que significa o bem. Uma virtude, que é tida como um bem, algo positivo, se estiver fora do lugar, torna-se um mal maior que a presença de um defeito. Por isso, pergunta-se: o que é o bem e o que é o mal?
É preciso compreensão dessas expressões para não utilizá-las mecanicamente ou encerrar-se nos dois extremos do dualismo mental, esse é o grande problema. Quando falamos em bem e mal, evolução e involução, luz e trevas, estamos basicamente usando a dualidade mental, e a dualidade prende-nos num labirinto entre os dois extremos, o positivo e o negativo, o sim e o não, o bem e o mal. Temos o Vazio e é este Vazio, particularmente, que nos interessa.
Tudo isso, em realidade, significa o seguinte: chegou o tempo de mudar nossa forma de pensar, fazer uma revolução da dialética, precisamos introduzir um autodidatismo enquanto não se estabelece uma nova educação adequada para esses tempos novos, pois hoje, a rigor, estamos sendo pioneiros das mudanças que caracterizarão a Nova Era. A Gnose e outras formas de pensamento de vanguarda são como aqueles pingos de chuva que avisam que está vindo uma tempestade. Estamos adiantados no tempo, essa nova dialética, essa nova educação, essa nova religião da qual falamos aqui se tornará uma realidade dentro de alguns séculos. Hoje estamos antecipando, um e outro que intuitivamente capta este novo, este aspecto vazio, essa parte iluminada que se encontra entre os dois extremos da dualidade.
Entendendo isso, pode-se fazer a sua revolução interna, sair do pensamento caduco, ultrapassado, degenerado, da Era anterior e preparar-se para as grandes mudanças que se avizinham, mudanças essas que poderão acompanhá-lo em existências futuras.
O Mestre Samael ensina o seguinte: nessa era da revolução da dialética a arte de pensar deve sair das mãos do ego e passar para as mãos do Ser, porque só assim essa arte de pensar se tornará metódica e justa, conseqüentemente, tornar-se-á objetiva. Hoje temos um pensamento subjetivo e buscamos um pensamento objetivo. Claro que para isso exige-se e envolve mudanças pedagógicas e uma nova ciência. Não uma ciência compartimentada, linear como temos hoje, mas sim uma visão holística, que é a forma do pensamento adequado para a Nova Era.
Porém, o intelecto não concebe o modelo holístico ou integral, porque ele é linear e opera dentro da dualidade mental, a mente sempre está comparando e escolhendo entre duas opções, entre zero e um, como é arquitetado em nossos computadores.
Todas as ações dentro dessa revolução, dessa dialética, devem ser o resultado de uma equação exata e precisa das quais surgem ou que devem surgir não as possibilidades da mente, porque isso já está esgotado. Esta atual humanidade atingiu o ápice do intelecto, da mente racional como a concebemos.
Quando chegar a grande purificação do planeta ou a catástrofe que se avizinha, será marcado o fim desta forma de pensar e, quando a Nova Era e a nova civilização retornar sobre os influxos dessas energias, já ressurgirá com um novo pensamento que está além do intelecto, um pensamento intuitivo, sem necessidade de comparar ou escolher entre opções dentro da dualidade com a qual estamos acostumados hoje.
Para isso, nascerão seres já com essa habilidade e quem renascerá nesse planeta não serão as atuais criaturas humanas, somente algumas sementes selecionadas, ninguém fará a seleção, cada qual está selecionando-se neste momento ou desde que nasceu nessa atual existência.
Este pensamento da Nova Gnose trás a chave em si para criar uma mente emancipada, livre dos condicionamentos, dos pensamentos religiosos, filosóficos, espirituais dessa cultura. Serão pensamentos que nascem além das posições duais da mente, de uma categoria unitotal.
A revolução da dialética não trás um modelo ditatorial para a mente, se alguém pensar dessa forma, está comportando-se como sempre fez. Uma das formas para romper-se com isso é praticar exercícios não racionais, por exemplo, a meditação, pois a função da meditação é emancipar a mente, dar à mente o seu antigo papel, receber o pensamento de esferas superiores.
Hoje em dia, a mente elabora o pensamento, não exatamente ela, mas aqueles que ocupam nosso espaço interior de uma polaridade distinta de nosso próprio Ser. A mente do homem moderno é ativa, agitada, quando deveria ser receptiva, passiva. A mente deveria ser como um aparelho de rádio, receber ondas das esferas superiores e fazer ressoar essas mensagens que chegam codificadas até ela em forma de consciência direta das realidades superiores do Cosmos, deveria reverberar isso em nosso ambiente. No entanto, sabemos que a mente tomou o papel ativo, inverteu sua natureza.
A revolução da dialética não busca atropelar a liberdade de pensamento, pelo contrário, agora é claro que aqueles que seguirem vivendo com sua mente polarizada na atividade não poderão viver de acordo com esses princípios. O novo pensamento exige uma nova mente para receber isso, precisamos esvaziar nossa mente cheia de agregados que não pertencem a ela mesma, mas que nós mesmos, por ignorância, permitimos que se formassem em nosso espaço mental. Agora temos de fazer o inverso, dissolver esses agregados psicológicos que surgiram devido a um mau funcionamento.
Quando a nova dialética propõe-se a ensinar algo, começa ensinando como se deve pensar e a melhor maneira de pensar é não pensar, não são raciocínios comparativos, são pensamentos isentos da dualidade. Não tem como mostrar através de discurso, cada qual tem que experimentar por si só. Assim, saberá do que estamos tratando. Por si só essa concepção não pode enjaular o pensamento.
Quando todos nós formos capazes de praticar o pensamento intuitivo, não precisaremos fazer tantos discursos como fazemos hoje, nem precisaremos perder tempo tentando convencer alguém acerca de uma realidade ou caminho, por si só ele perceberá, pois sua mente estará vazia da dualidade, ela verá objetivamente.
Uma mente dividida dentro da dualidade não vê objetivamente, chega a uma resposta por comparação, usando os chamados métodos lógicos Aristotélicos, o chamado criador da razão no Ocidente. Se por um fator qualquer não tivesse introduzido o pensamento Aristotélico aqui no Ocidente, teríamos uma cultura diferente da que temos hoje, fizemos essa escolha e agora estamos aqui dotados de uma mente racional que nos escraviza e torna nossa vida bastante complicada, sofrida, pois vivemos em conflito conosco mesmos.
Dentro da Gnose, aprendemos que somente a vida intensamente vivida nos dá uma sabedoria perdurável, mas como viver intensamente se a mente está ativa? Não há como, não se pode viver intensamente usando a mente. Somente vivendo em plena consciência podemos alcançar esse estado que muitos buscam, que é o estado de felicidade, iluminação permanente ou o estado de vazio mental.
Quem comete os erros e nos amarga a vida, é a mente, ela faz suas escolhas, sempre baseadas em subjetivismos, impressões mal traduzidas e, baseados nisso fazemos nossas escolhas e modelamos nosso comportamento.
Quando, no Oriente, o Budismo ou outras linhas ensinam o pensamento reto, não estão falando do pensamento racional, mas sim do intuitivo, livre da dualidade, o pensamento contemplativo. Não existe dualidade naquele que vive contemplativamente, ele percebe como a vida manifesta-se e vive de acordo com esses acontecimentos, não vive nem o passado, nem projeta o futuro, vive o presente, a vida profunda, real, intensa, plena. O passado é lembrança, o futuro é projeção, fantasia.
A realidade é o presente e somente sobre isso se apóia toda a fórmula do pensamento reto, viver a vida intensamente no presente. Hoje, como todos nós estamos carregados de agregados psicológicos morando em distintos níveis de nossos sete corpos, cada um de nossos sete corpos tem sete subníveis mentais, totalizando quarenta e nove níveis de subconsciência. Nem a mente consegue conhecer ou localizar os defeitos escondidos nesses níveis profundos, não temos como procurá-los, pois eles estão morando em distintas partes de nossos corpos.
Esse é o detalhe revolucionário da Nova Gnose pois, para fazer este trabalho, devemos apelar a uma força superior à mente, para que essa força desintegre mediante o fogo esses elementos formados de matéria mental. Esse poder superior é conhecido no Oriente como a Divina Mãe Kundalini, somente esse poder serpentino é que conhece todos os quarenta e nove níveis de nosso subconsciente. Os defeitos psicológicos, cujo estudo faz parte dessa nova dialética, não são partes integrais de nosso Ser, são agregados. Sugiram dentro de nós mesmos pelo processo de termos vivido tantas vidas, não são o Ser, foram aparecendo como formas de sobrevivência em nós. É isso que devemos atacar se quisermos iluminar nossa mente, alcançar uma outra forma de pensar, do contrário sempre estaremos vivendo na dualidade mental e, conseqüentemente, não poderemos atingir o estado de Iluminação, que é pensar sem raciocinar, viver a vida plenamente em comunhão com o próprio Ser.
Sobre como se vai trabalhando com essa força Kundalini já foi amplamente abordado em conferências anteriores, não há necessidade de repetirmos. Importante constatar que, por meio do intelecto, não podemos ver algum defeito em nossa mente, se quisermos mudar nossa forma de pensar, limitando ao raciocínio simplesmente, não avançaremos, ficaremos estagnados aí, por causa das batalhas racionais interiores.
Quem é que projeta os sonhos, tem medo, clama por vingança, grita, insulta dentro de nós? Não é o Ser, nem é nossa mente em si mesma, mas são esses elementos que vivem em nossa mente feitos de material mental, invisíveis aos nossos olhos, como os silfos também são invisíveis, pois seus corpos são feitos do mesmo elemento aéreo e não vemos o ar. Não vemos o ar porque o obtivemos nesse ambiente, assim como também as minhocas não vêem a terra e os peixes não vêem a água.
Devemos começar a tomar consciência desses princípios fundamentais. O simples trabalho de auto-observação nos dá a capacidade de reconhecermos essas coisas por nós mesmos. Somente esse poder denominado Kundalini pode limpar, purificar nossa mente interior e assim levarmos adiante essa revolução dialética, será necessária nos próximos séculos, quando a Era de Aquário estabelecer-se de forma definitiva em nosso mundo. Antes disso, teremos a grande purificação.
Sempre que estudamos a Gnose, ou as doutrinas antigas, todas elas sempre nos remetem ao pensamento básico que envolve a mente pura, termos os nossos cinco centros equilibrados, cumprindo suas funções de maneira natural. Cada corpo nosso deve trabalhar de acordo com sua natureza para cumprir os fins específicos pelos quais cada um foi criado pela Mãe Natureza. Cada um tem uma função especifica e deve realizar o trabalho que lhe cabe.
Hoje em dia, estamos tão enfermos que muitas vezes queremos sentir com a mente e pensar com o sentimento, o que é um absurdo, mas assim acontece. A melhor didática para limpar nossa mente, para dissolver o ego está na vida prática intensamente vivida, porque a convivência social é um espelho limpo, transparente, onde podemos observar-nos de corpo inteiro.
É nos relacionamentos com nossos semelhantes que os defeitos mais escondidos dentro de nós vêm à superfície e expressam-se naturalmente. Se reprimirmos, é claro que não vão aflorar, não há porque nos reprimirmos. Temos de aprender a viver de forma relaxada, porém em auto-observação, justamente para ver o que está acontecendo dentro e fora de nós em cada momento. Envolve um novo aprendizado, que é viver de momento a momento sem esquecermos de nós mesmos. Nessa condição, podemos ver como somos, isso é viver intensamente.
O Mestre Samael dizia que uma das maiores alegrias para o gnóstico é celebrar o descobrimento de um novo defeito, porque ele poderá trabalhar sobre ele e ter a oportunidade, então, de eliminá-lo depois que compreende-lo com a ajuda desse poder superior à mente. Em exercício de meditação ou retrospecção profunda, toda vez que descobrimos um defeito, devemos vê-lo em cena como fazemos quando estamos vemos um filme, observar atentamente, sem julgar ou condenar. Quanto mais observamos, conheceremos mais detalhes. Se observarmos rapidamente e já nos esquecermos dele é evidente que desperdiçamos uma boa oportunidade de estudá-lo mais profundamente e compreender a razão dele existir dentro de nós e, conseqüentemente, não poderá ser eliminado esse defeito, temos que fazer nossa parte nesse aspecto.
O Mestre Samael também nesses estudos menciona muito que um defeito deve ser compreendido em todos os níveis da mente e aí ele coloca-nos numa situação desesperadora porque muitas pessoas acreditam que a compreensão de um defeito nos quarenta e nove níveis da mente dar-se-á instantaneamente ou numa única meditação, isso não acontece, por isso mesmo devemos ter a paciência necessária para isso. Um defeito, só podemos compreender na esfera em que ele se expressa e um mesmo defeito aparece de forma distinta em cada um dos sete principais níveis.
Gradativamente é que vamos compreendendo nos quarenta e nove subníveis da mente, não precisamos esperar um compreensão instantânea nos quarenta e nove níveis mentais, porque isso não vai acontecer. Aqui entra a expressão usada pelo Mestre que diz o seguinte: "é dessa maneira que vamos morrendo de instante em instante", porque vamos morrendo de nível em nível à medida em que o tempo vai passando, à medida em que vamos analisando e vendo todas essas cenas em que estamos envolvidos ou um grupo desses elementos envolveu-se em determinado acontecimento.
Morrer de momento a momento é a mesma coisa que viver de momento a momento em plena observação e não ficando simplesmente a repetir um pedido de morte a cada momento sem que tenhamos estudado e compreendido nada. Nessa sutileza, muita gente tem perdido anos de trabalho, avançado pouco ou nada na sua revolução interior.
À medida que esses agregados vão morrendo de instante a instante, vamos liberando material psíquico que é a consciência, a qual acumula-se dentro de nós e vai criando três, quatro, cinco, sete, dez por cento e um dia chegaremos a cem por cento de consciência desperta.
Já falamos que só aquele que cumpre a Segunda Montanha chegará ao nível de cem por cento de consciência desperta ou realizada dentro de si. Os Budas não têm cem por cento de consciência liberada, eles têm os quarenta e nove níveis da mente limpos porque encarnam seu próprio Ser, seu Atman Buddhi, porém, na parte invisível da sua Lua psicológica, existem outros elementos, mas aí já entra o caminho do Cristo, um caminho que vai além.
O que temos de buscar, nesse momento, é desegoitificarmo-nos para individualizarmo-nos, sairmos desta condição de pluralidade psicológica. O trabalho de dissolução do eu é algo muito sério, precisamos estudar a nós mesmos profundamente em todos os níveis ao longo deste trabalho, isso não se dá em duas ou três meditações, porque o ego, nas palavras do Mestre Samael, é livro de muitos volumes para estudarmos. Não é com leituras rápidas feitas de qualquer jeito, entre um momento de folga e outro que iremos descobrir e conhecer-nos. Dessa maneira, é impossível. Se ele, um Mestre, diz que é um trabalho muito sério, devemos dedicar-nos a isso, tomar a sério esse trabalho, afinal de contas esta seria a prioridade de nossa vida e não acumular riquezas e bens materiais.
Precisamos estudar nossa dialética, pensamentos, emoções e as nossas ações de cada instante sem tratar de justificar ou condenar, não devemos lavar as mãos, nem fazer acusações, nem repressões. Precisamos simplesmente observar para poder estudar, analisar e chegar à compreensão ao longo do trabalho que este não é de curta duração.
Assim, gradativamente, limpamos nossa mente, iluminando o subconsciente e haverá um dia em que não teremos mais subconsciente, já não projetaremos sonhos, não teremos fantasias, não teremos memória do passado, mas sim teremos consciência do passado, o que é diferente.
Em Gnose, diz-se que devemos buscar a Iluminação porque todo o resto virá por acréscimo. O pior inimigo da Iluminação é o ego, que é plural em nós e. conseqüentemente. deixa nossa mente opaca e faz com que ela seja ativa e não cumpra com sua finalidade que é a de ser um elemento receptor, captador das idéias provenientes das esferas superiores. É nisso que devemos concentrar-nos, o ego alimenta-se e sustenta-se nessa dualidade mental.
O que vem ser a palavra Nirvana? Nirvana vem ser a ausência de egos, poderíamos dizer que Nirvana não é um lugar, mas sim um estado de consciência. Agora de que estado de consciência podemos falar se vivemos na dualidade mental? O Nirvana estabelece-se dentro de nós quando pudermos ter, sustentar a mente vazia, isenta de dualidades.
Todo raciocínio nosso fundamenta-se nessa luta de opostos e é isso que precisamos compreender, saber, ter a clara noção e essa clara noção equivale a dizer viver no vazio, não no raciocínio, mas na realidade, na luz, no vazio, não na dualidade.
Na revolução da dialética, quando vivemos aprisionados no dualismo menta,l é normal que façamos dos acontecimentos diários problemas porque não somos capazes de separar fatos de problemas. A mente transforma qualquer acontecimento natural do dia-a-dia em problema e, se identificamo-nos com esses problemas, além de perder muito material psíquico ou consciência, geramos também desequilíbrio do centro intelectual e aí faltará energia para o trabalho alquímico.
Devemos fugir, evitar os problemas, não se identificando com as representações, projeções, fantasias da mente, a qual subjetivamente projeta, a partir de fatos corriqueiros do dia, problemas. Fatos são fatos, problemas são criações da mente. Alegria e tristeza, prazer e dor, bem e mal, triunfo e derrota, sempre dentro dessa dualidade, isso se torna um problema, pois a mente vê, cria, percebe dessa maneira. No Universo não existe nem alegria, nem tristeza, não existe o prazer e a dor, existe somente um estado de Ser. Não quero dizer que um Iluminado não possa sentir dor, ele pode ou não sentir dor, se assim quiser.
O que é um triunfo ou derrota, o que é chegar em primeiro lugar ou segundo lugar, o que é sentir-se triunfante ou derrotado? São meros estados subjetivos, psicológicos, quem dizem que um é vencedor e o outro é derrotado. Todos nós somos vencedores ou todos somos derrotados se vivermos de acordo com essa dualidade, porque ora somos triunfantes e ora somos derrotados e, no entanto, não existe nem uma e nem outra, existe uma realidade e cada qual vive essa realidade de acordo com suas particularidades, não egóicas, mas sim do seu raio, das características do próprio Ser, de como ele lida com a realidade da vida. Esses são os fatos, transformá-los em problemas é da nossa mente. Se tivermos a percepção direta disso, nenhum fato vai tornar-se um problema para nós de hoje em diante. Se hoje vivemos miseravelmente, sendo jogados de um oposto ao outro, entre o gosto e o desgosto, o fracasso e o êxito, isso é da mente, não tem nada a ver com a realidade da vida, com a consciência em si mesma, com aquilo que é e sempre foi.
Devemos aprender a viver de momento a momento sem nos distrairmos, sem escaparmos do momento, daquilo que está acontecendo e apresentando-se naquele momento diante de nós, sem fantasias. Isso é viver de momento a momento. Nisso se caracteriza o comer-comer, viver-viver, andar-andar. Se estamos comendo por que pensar em negócios, em contas a pagar, no que vai fazer amanhã, no que fez ontem? Coma, viva aquele evento de comer.
Se colocarmos mais consciência em cada ato do dia, silenciosamente estaremos fazendo uma grande revolução da dialética intima e particular, mas se seguirmos vivendo como sempre, distraídos, escapando, fantasiando, projetando, deixando o piloto automático ligado, então não poderemos fazer nenhuma revolução interna, isso é o que temos de mudar. É claro que exige de nós um esforço para não nos esquecermos de nós mesmos e estarmos presente no que estamos fazendo de momento a momento, isso muitas vezes chega a gerar uma tensão em nossa mente, porém essa disciplina de viver intensamente aquilo que se está fazendo a cada momento vai levar-nos, gradativamente, ao despertar da consciência. Só assim poderemos viver sem projetar, sem fantasiar, sem estarmos ausentes de nós mesmos.
Se estivermos comendo e pensando em outra coisa, é a mesma coisa que dizermos que um cadáver está alimentando-se sozinho, um cadáver saiu do cemitério, foi ao restaurante e está comendo sozinho. Quem é que trouxe esse cadáver até o restaurante? Perguntem-se e encontrarão a resposta dentro de si de forma surpreendente. Até aqui nossas palavras e ficamos a disposição para aprofundar eventuais elementos deste terma.
Perguntas:
P: Para que serve a dualidade, qual é sentido dela? Ela é uma ilusão da mente? Se eliminarmos os egos, elimina-se a dualidade? Então se vê a realidade?
R: Sem dúvida, a dualidade não deveria existir, não tem utilidade nenhuma, foi criada pela mente racional certa época na Grécia, poderíamos dizer que foi aproximadamente há dois mil anos antes de Cristo que começou a estabelecer-se entre os Gregos essa dualidade mental por intermédio de certos jogos ou brincadeiras, assim como no Brasil temos certas brincadeiras de mau gosto que, com o tempo, acabam sendo incorporadas pela coletividade brasileira, na época marinheiros que tinham contato com povos ou raças inferiores ou degeneradas do seu tempo, levaram para a Grécia ou às nações gregas certos jogos, costumes de mau gosto do seu tempo e a partir daí a mente, o pensamento grego se tornou dual e Aristóteles codificou isso e perdurou até agora nos nossos dias.
Não tem sentido isso, o grande desafio para nós hoje seria o seguinte: não temos a capacidade de nos imaginarmos hoje sem o intelecto, essa talvez seja a maior dificuldade, porque estamos apoiados firmemente em nosso intelecto, não conseguimos viver sem nosso amado intelecto, nossa amada mente e nossos queridos egos. Sem duvida é uma ilusão que a mente criou.
A mente permitiu o surgimento dos egos e os egos pulverizaram a mente, hoje não temos outra alternativa que não a de eliminar os egos e uma vez que se elimine os egos acabará a dualidade mental, temos que fazer o caminho inverso. Qual a técnica para isso? Existe a técnica passiva, que é disciplinarmo-nos a fazer pelo menos duas horas diárias em estado passivo para observar, contemplar os “macacos doidos” que são a agitação de nossa mente. Com o tempo, sempre reeducando a mente, chamando-a para tornar-se focada no presente, então vamos eliminando esse vicio, essa tendência de estabelecer dentro de nós, projetar coisas, fantasiar, fugir, escapar daquilo que está ocorrendo neste preciso momento. Por isso, a necessidade deste tipo de meditação, claro que nas outras horas do dia trataremos de não nos esquecermos de nós mesmos. Todo aquele praticante que, na meditação, exercita segurar a mente ali no presente, durante o dia terá mais facilidade de não esquecer de si mesmo e o que não medita estará sempre longe de si, ou seja, um cadáver estará executando várias tarefas.
P: Quanto mais eliminamos egos mais nos iluminamos?
R: Verdade cristalina, quanto mais egos eliminados mais luz teremos dentro de nós, a qual nos dará, então, mais felicidade ou poderemos dar mais risadas como crianças que riem espontaneamente dos fenômenos que elas percebem.
P: Uma pessoa centrada em sua consciência livre das dualidades usará o intelecto para quê, já que a função deste é discernir, separar o bom do ruim?
R: Ele não precisaria do intelecto, devolvo de outra maneira para você esta questão: acaso um Mestre destrói a mente? Nenhum Mestre destrói a mente, não seria bobo para fazer isso, é suficientemente sábio para deixar a mente no seu devido lugar, a pergunta que devemos fazer é, um Mestre, um iluminado usa sua mente? Não usa, ele usa tão só para receber as idéias, traduzir os fenômenos que percebe nas esferas superiores de consciência, em níveis profundos de consciência da qual neste momento não temos a mínima idéia para uma forma mais próxima ao mundo em que vivemos.
É disso que surgiu toda essa dialética antiga, intelectual, todo esse pensamento Aristotélico, a lógica, o pensamento dedutivo, indutivo, comparativo, sintético. Tudo isso é utilizado porque tentamos traduzir aquilo que é simples, Os antigos, até uns quatro, cinco mil anos antes de Cristo, falavam-se pouco, pois o vocabulário era bastante limitado, o alfabeto até aquele tempo não era como o nosso que grafam sons, mas eram alfabetos que transmitiam idéias, ideogramas, símbolos para traduzir idéias e a compreensão dos encadeamentos dessas idéias ficaria por conta do nível de consciência de cada um. Hoje tudo é racional, binário, pobre, já nos distanciamos disso, não há necessidade do intelecto. Incipientemente, essa mente, o corpo mental livre de defeitos, seria usado por um Iluminado, por um Deus vivendo encarnado entre nós para alguma coisa. Mas estou bastante seguro que o ressurecto usa zero de mente e intelecto, simplesmente não precisa, sabe instantaneamente, vê, percebe, capta, sabe tudo instantaneamente nos sete planos, nas sete dimensões básicas da natureza, vê tudo desde o primeiro mundo, exceto o Absoluto, até o nosso nível e os mundos inferiores. Então para que precisa pensar para tomar uma decisão? Ele sabe e pronto, vê e compreende simultaneamente, agora como traduzir isso para alguém que nunca experimentou esse tipo de fenômeno, não tem como, estamos aqui malhando ferro frio. O dia que alguém tiver essa experiência saberá do que estamos falando, até lá nos limitamos a essas palavras, pois não há como ir além.
P: Meditação significa vazio mental? Ou existem níveis de meditação que devemos ir avançando?
R: Sem dúvida nenhuma, algumas pessoas poderão, num processo meditativo, alcançar o vazio mental ou absoluto por alguns segundos, então terá uma experiência do Vazio Iluminador, agora aqueles que não passam por essa experiência vão experimentando progressivamente níveis de consciência progressivos também, vão percebendo mais à medida que vão meditando ou firmando-se na arte de cavalgar o tigre ou dominar a mente. Tudo, nesse caso, acontece progressivamente, senão, no dia seguinte, estaria internado ou vagando nu, perdido sem lembrar seu nome pelas ruas da cidade por aí, isso ocorreria e seria alguém que escapou de um hospício e provavelmente nem seu nome saberia caso ficasse vazio. Porque todas as suas referências, tudo que tem da sua história é arquivo intelectual, se isso se apaga, se alguém deletasse ou formatasse o disco rígido que é seu intelecto, estaria perdido. Tudo neste caminho tem que ser feito progressivamente.
PERGUNTAS:
P: Com a meditação melhora a intuição? Com a intuição melhorada podemos ser mais firmes e retos nesse caminho?
R: Sem dúvida, melhoramos a intuição e ela melhorada proporciona-nos uma maior consonância, sintonia com as esferas superiores de consciência, e quando falamos esferas superiores de consciência não estamos repetindo palavras da Gnose, mas sim falando claramente que essas esferas são as partes elevadas de nosso Ser, estaríamos mais afins, mais sintonizados com o pensamento atímico diretamente de nosso Ser, esse é o sentido dessas palavras.
O texto acima é cópia integral, (modificada a pontuação e feitas algumas alterações para dar o formato de texto), de uma conferência ditada por Karl Bunn, presidente da Igreja Gnóstica do Brasil – www.gnose.org.br – realizada ao vivo dia 23.01.2007, por intermédio do programa Paltalk, via Internet. Equipe: Transcrição de texto: Mariana Cunha. Copydesk: Wagner Spolaor
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