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CONFERÊNCIAS 2007 I - NUNCA DESISTIR, NUNCA RETROCEDER |
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Como fica a situação de quem está chegando agora?
NUNCA DESISTIR, NUNCA RETROCEDER
Autor: Karl Bunn *
Denominamos o tema dessa noite de Desistir nunca, retroceder jamais . O objetivo, hoje, é fazer uma apreciação de diversos aspectos que abordamos ao longo deste ano.O primeiro destes pontos que queremos passar a vocês, e aos que chegam agora, trata exatamente disso: como fica a situação de quem está chegando agora?
É uma situação sensível, sem dúvida nenhuma, porque se a pessoa que está chegando agora a estes estudos ou tem baixado recentemente algumas das conferências ou as aulas disponíveis em nosso site, sem ter base alguma ou muito pouca, pode sentir-se perdido, desnorteado, inseguro e, então, deparar-se com um desafio. O que fazer? Como fazer?
Neste período [de tempo que] resta [para a humanidade] em termos de fazer um trabalho concreto, já havíamos dito anteriormente que só podemos aproveitar cada dia para fazer o melhor trabalho que nos é possível. De qualquer forma, queremos chamar atenção para alguns detalhes, detalhes esses que são fatos concretos porque realmente ocorreram aqui.
Por exemplo, num dos seminários de Páscoa, indicamos um site no qual poderiam encontrar disponível muito material básico, ensinamentos buddhistas básicos. Algumas pessoas visitaram esse site mas em vez de buscar os temas que realmente interessavam, como, por exemplo, os suttas, que são as aulas, os discursos, as cátedras do buddhismo, concentraram-se em aspectos absolutamente acessórios, como por exemplo, acender velas, fazer oferta de flores e incenso.
Não temos como corrigir essa deficiência pessoal, assistir as pessoas que se encontram num nível muito além do primário, no mais básico de tudo. O que podemos dizer nesses momentos a todos que chegam agora é que ouçam de preferência este material que está disponível no site porque ouvindo, pelo menos uma parte deste material que oferecemos no site, terão uma pequena idéia do temário, dos conteúdos, que são necessários levarem em consideração. Especialmente, encontrarão, nesse material disponível, orientações que formam os aspectos mais importantes neste momento.
Partimos do pressuposto que não há mais tempo de transmitir toda uma formação básica, porque se seguirmos o padrão de formação básica, isso demandaria de dois a três anos e não temos esse tempo. Por conseguinte, há que se passar da formação básica diretamente para o prático, concreto. E o prático e o concreto aqui e agora é o comportamento, a conduta reta. Como viver a conduta reta?
Sobre isso, oferecemos vasto material transcrito e em áudio que poderá auxiliar os que chegam agora. Quem chega agora terá realmente que correr; estão chegando agora e precisam correr para poder fazer alguma coisa. Apesar de todas as insistências, todos os apelos que temos feito, seja aqui através desse canal, seja em nossos seminários, nas cidades onde mantemos grupos, o que percebemos na prática?
Embora abordando esses temas há dois, três, quatro anos, na prática, aqueles que têm participado dos seminários desde o começo muito pouco têm transformado em prática concreta, em fatos concretos. Continuamos vendo, nesses grupos, a maioria dos participantes como que “de bobeira" ainda; não acordaram para a realidade dos momentos atuais; não despertaram ainda para a velocidade com que estão acontecendo os tempos finais. Não se deram conta ainda que devemos intensificar nossas práticas, ainda que sejam pequenas práticas, mas elas precisam ser intensificadas.
Vemos, também, de um modo geral, grande parte das pessoas planejando uma ação como se realmente fossem viver aqui até o ano de 2050. Lamentamos muito dizer que esta falta de percepção poderá tornar-se um sofrimento bastante intenso. Por isso que temos insistido, repetido quase que à exaustão, todos os temas deste ano.
Tomamos, elegemos, no início deste ano, como referência básica, o livro do Mestre Samael, denominado A Revolução da Dialética - porque este livro é um resumo de tudo aquilo que o Mestre ensinou em termos práticos e concretos, de vida prática, de comportamento, de conduta reta. Nesta obra estão sintetizados os chamados 120 princípios superdinâmicos da prática gnóstica. É um livro que não tem recebido a devida atenção de grande parte do estudantado gnóstico.
Por isso que, no começo deste ano, tomamos esse livro como elemento básico para nossas aulas, para nossos encontros. Portanto, há bastante material disponível agora, material inclusive comentado, e que já está disponível em nosso site e todo ele já transcrito também. Aqueles que têm dificuldade, seja por acesso discado à internet para baixar um áudio, agora pelo menos contam com o texto disponível; baixar um texto desses do site não demora nada, é muito fácil.
É certo que, quando se transcreve uma aula, uma conferência, uma palestra, se perde muito do espírito, da forma como é transmitido. O texto em si acaba tornando-se algo frio, impessoal, sem emoção. Fazemos essa ressalva porque muitas vezes, quando estudávamos outras transcrições de outros instrutores gnósticos, também percebíamos que a transcrição matava a alma daquele ensinamento que havia sido dado verbalmente; tratava-se de material transcrito, porque são linguagens distintas quando se fala e quando se escreve.
Esses que chegam agora - e também vale para aqueles que estão aqui há algum tempo – fica aí este alerta: é preciso sair do imobilismo; precisamos sair todos do imobilismo e começar efetivamente a pôr em prática aquilo que compreendemos. Não importa se tenhamos compreendido meramente quatro linhas do ensinamento gnóstico; pratiquemos e passemos a viver intensamente essas quatro linhas. E, se compreendemos efetivamente essas quatro linhas, até podemos ensinar essas quatro linhas para outras pessoas como temos dito em reuniões anteriores. Agora, se nem quatro linhas entendemos, é porque realmente a situação é muito mais dramática do que queremos acreditar.
A práxis gnóstica não é difícil ou complicada. É uma das coisas mais simples do mundo, basta fazer. O Mestre Samael dizia em seus livros que, se alguém quisesse ter algum resultado, usasse determinado mantra; se quisesse transmutar suas energias que fizesse determinada prática, e assim sucessivamente. Mas, na vida prática, acabou ocorrendo com todos nós, incluo-me nisso, porque também fui muito retardado e lento em captar essas coisas, quando nos demos conta, corremos atrás. Porque nesses casos realmente só nos resta a alternativa de intensificar o trabalho prático.
Como agora não temos mais muito tempo pela frente, não há alternativa para ninguém mais, seja para os veteranos que pouco ou nada fizeram, seja para quem está chegando agora. Todo mundo está no mesmo barco: antigos que nada fizeram ou pouco fizeram, e novos que estão chegando agora deparam-se com a mesma situação. Olham para trás e não vêem nada concreto e agora começa a bater um desespero: “o que eu vou fazer? Que prática devo fazer?”
Certamente, aqui, vão tomar conhecimento de que devem crescer em castidade. Como vão forjar a castidade em tão pouco tempo? Realmente, um dia desses, alguém perguntava ou escrevia aqui comentando as suas dificuldades em tornar-se casto. Nós simplesmente respondemos a ele com uma outra pergunta: "qual castidade você acha que é mais importante conquistar? A castidade na mente ou aqui no mundo físico?"
Sem dúvida alguma, a castidade aqui no mundo físico tornar-se-á natural se primeiro tivermos conquistado, forjado, a castidade da mente ou na mente. Todos os chamados desastres noturnos, sonhos eróticos, quedas sexuais, tudo isso se deve a um único fator: não somos castos nos mundos internos, em nossa mente. Devemos, desde agora mesmo, cuidar daquilo que pensamos; devemos cuidar muito daquilo que ouvimos; devemos nos precaver daquilo que os cinco sentidos trazem para dentro de nós durante o dia; estarmos alertas e vigilantes de momento a momento; atenção plena sobre nós; transformar as impressões. Se não fizermos isso, é óbvio, simples, natural, que nunca alcançaremos ou teremos castidade aqui no mundo físico porque além de termos a natureza orgânica, biológica, trabalhando contra nós, teremos ainda os terríveis demônios da malícia, da luxúria, que atuam nos níveis profundos de nossa mente e aí, quando dormimos, ficamos totalmente entregues nas mãos de nossos egos; isso é um fato concreto.
Temos que, antes de mais nada, só estou dando um exemplo aqui, buscar primeiro conquistar a castidade da mente ou aquilo que Jesus falava "conquistar o estado infantil da mente", porque se não nos tornamos crianças, como poderemos entrar no Reino dos Céus? Precisamos recuperar a inocência, a pureza da mente; tornarmo-nos pessoas simples, descomplicadas; por isso todo nosso esforço, nosso empenho; deve-se voltar para aquilo que está em nossa mente, nossos pensamentos. Que classes de pensamentos nos assaltam durante o dia? Sobre o que pensamos? Sonhamos? Devaneamos? Sobre o que projetamos durante o dia?
Façamos um rápido exame e então saberemos onde estamos ancorados, onde está nosso nível de ser, para onde tendemos, para onde estamos indo. Evidentemente, se passamos o dia inteiro com fantasias luxuriosas é claro que nosso nível de ser está voltado para as casas de encontro e é óbvio que, durante a noite, vamos encontrarmo-nos nesses lugares. Por isso que temos que ficar atentos ao que pensamos, ao que nos ocorre durante o dia, ao que chega a nós, à mente, durante o dia pelos cincos sentidos. Isso se aplica a todos os demais aspectos psicológicos, não somente ao aspecto sexual.
Aquele que sofre de gula, por exemplo, é assaltado, sofre pressões dos demônios que usam o corpo dessa pessoa para satisfazer seus apetites por alimentos, abusar dos alimentos pelo prazer que os alimentos proporcionam, pela gratificação que o sentido do paladar proporciona. Não importa o tipo de vício ou defeito que temos dificuldades em trabalhar; o princípio é o mesmo; temos que, primeiro, cuidar daquilo que acontece em nossa mente.
Uma pessoa que sofre de ira certamente precisa vigiar os seus pensamentos no que se refere à ira; deve buscar a prática da atenção plena durante o dia para que possa antecipar os movimentos ou aparecimentos, surgimentos ou manifestações dos elementos derivados dessa mesma ira. Portanto, quem está chegando agora não tem alternativa a não ser dedicar-se à autopercepção, aprender a analisar-se rapidamente com vistas ao comportamental, entender rapidamente o que é conduta reta e tratar de encarnar seus princípios; não há necessidade de teorias extensas, densas, pesadas, para o comportamental. Bastaria simplesmente que alguém dissesse o que fazer e o que não fazer, o que procurar e o que evitar. Se alguém de sensibilidade suficiente pudesse captar o que isso significa seria suficiente para começar a praticar conduta reta, poderia ter dificuldades iniciais, mas em poucas semanas ou meses poderia ir modificando o seu comportamento.
Não temos nenhuma outra alternativa, nenhum outro método para aconselhar, indicar, sugerir aos que estão chegando agora a não ser estudar e concentrar-se no comportamental, na conduta reta. Conduta reta é viver de acordo com as virtudes; não há uma só religião no mundo que não tenha falado disso. Portanto, mais uma vez, dizemos: não há necessidade de estudar todos os suttas buddhistas que são milhares; não há necessidade de estudar os sessenta e seis livros escritos pelo Mestre Samael, nem ouvir suas trezentas conferências que foram gravadas e transcritas.
Também não há necessidade de ouvir todas as nossas aulas que foram gravadas e que estão hoje disponíveis em nosso site. Basta escolher algumas dessas conferências e focar-se nelas e compreender o seu conteúdo e começar a praticar e aqui mesmo temos dito muitas vezes que essas conferências fundamentais baseiam-se em alguns temas como, por exemplo, Karma Yoga, Bhakti Yoga, Conduta Reta, Paramitas, Oito Aspectos do Sendeiro de Buddha. Agora, este ano, especificamente aquelas duas conferências proferidas por nós no seminário de Páscoa que tratam exatamente disso, atualizando o tema para os dias atuais. Aí sim poderemos ou já teremos algum material básico comportamental para praticar.
É claro que isso, isoladamente, não vai proporcionar todos os resultados esperados; temos de apelar à Divindade, aos Mestres da Loja Branca, apelar para a compaixão dos Buddhas, rogando a eles que nos assistam para que nos dêem inspiração, rogar a nossa Divina Mãe para que Ela mostre-nos em sonhos nossos defeitos e como devemos proceder.
Falamos aqui, inúmeras vezes, sobre a importância do dia 27 de cada mês, não precisamos repetir isso; sugerimos todos os procedimentos nessas conferências realizadas nestes quatro meses iniciais do ano 2007. Só queremos reafirmar e sintetizar: quem chega agora não tem muito tempo para buscar embasamentos filosóficos, teóricos, como muitos por aí estão propondo não só fora da Gnose, porque fora da Gnose isso é o padrão, só oferecem teorias, mas dentro da Gnose também vemos por aí muita oferta de retórica e pouca coisa concreta no dia-a-dia, do tipo daquela Gnose para você viver enquanto está lavando louça, roupa, limpando a casa, dirigindo no trânsito, participando de uma reunião de negócios numa empresa, etc.
Portanto, meus amigos, especialmente hoje queremos chamar a atenção sobre quão importante é para todos nós deixar de bobear. Vamos falar português claro: deixemos de bobear, não vacilemos, porque, se recebemos alguma indicação direta, clara, objetiva, direta ao ponto, à essência, ao grão, como diria o Mestre Samael e ficamos vacilando, duvidando “será que vou? Será que não vou? Será que faço, não faço?” - os dias estão correndo, a areia da ampulheta do tempo está escorrendo rapidamente, e aí vamos nos dar muito mal quando a hora chegar...
Numa das primeiras aulas deste ano de 2007 falamos que este ano de 2007 marca o início da reta final da humanidade, a qual termina em 2012; no total, teríamos cinco anos, mas muitos não estarão aqui em 2012; muitos poderão ir antes e, se forem antes, talvez melhor ainda porque se não for para descer aos abismos, pelo menos irão para os paraísos. Dificilmente alguém que vai ao abismo vai desencarnar antes de 2012; provavelmente esses serão os últimos a desencarnar ou desencarnarão maciçamente quando os tempos se fecharem, quando a campainha soar.
Alguns poderão desencarnar já em 2010 por terem cumprido seu papel, sua função, sua missão neste mundo; desencarnarão antes porque realmente depois a vida tornar-se-á muito difícil. Podemos assegurar a vocês que há muitos dentro e fora da Gnose que estão sendo desencarnados nestes momentos, por estes dias, estas semanas, neste ano. Ainda que seus corpos físicos continuem vivendo, andando pelas ruas aqui no mundo de Euclides, suas almas já foram desencarnadas, e essas pessoas já estão desmembradas nos distintos círculos do inferno.
É por isso que temos quase que o dever sagrado de insistir nisso: não vamos bobear mais, não vamos vacilar mais; façamos um trabalho concreto. Temos dito várias vezes e sempre repetiremos ao longo desse ano: neste ano 2007, o Senhor Anúbis espera fazer muitas negociações com os estudantes gnósticos do Brasil.
Dificilmente alguém avançará por este caminho se não fizer negociações com a Lei Divina porque tudo depende de nosso karma, todos nós somos devedores, se não fizermos uma composição para quitarmos nossos débitos é claro que não avançaremos. O Mestre Samael, em seus livros, dizia: "faça boas obras por toneladas" e até hoje vemos muitos no meio gnóstico - instrutores e alunos - vacilando, discutindo filosoficamente o que é boa obra, o que são as boas obras. O que é isso?
Temos dito aqui muitas vezes: fazer caridade não é só doar roupas, remédios, alimentos, trabalhar numa instituição de caridade um dia por mês, um dia por semana, como muitos fazem. Tudo isso é meritório, sem dúvida nenhuma, mas muitas pessoas não se sentem à vontade para fazer isso ou não têm habilidade para fazer esse tipo de trabalho ou de alguma maneira são e estão impedidos. Porém, eu lhes pergunto: o que nos impede de, em nossa própria casa, todos os dias, orarmos pelos que sofrem? Não há impedimento algum, exceto nossa preguiça. Se for só isso e não fazemos, é porque a coisa é grave. Significa que realmente não queremos nada neste caminho, com estes ensinamentos, não queremos saber de caridade, não queremos saber de boas obras, somos indiferentes à sorte do mundo, nada queremos fazer e sentimo-nos, ainda, no direito, no privilégio de clamar ao Céu por ajuda especial. Algo está errado nisso tudo, porque se queremos receber ajuda é natural e normal que ofereçamos ajuda, se queremos receber auxilio façamos algo também pelos demais e sobre isso amplamente abordamos e comentamos nestes primeiros meses de 2007 em outras conferências. Convido todos, então, a ouvirem essas preleções anteriores discorrendo especificamente sobre isso, sobre os dias 27, sobre a cadeia da Grande Mãe, sobre o poder da oração.
No seminário especial de Páscoa, voltamos a insistir nesse assunto porque realmente esse é um tema de grande importância. Outra coisa: se nos purificamos, cuidamos de mudar nosso comportamento, por indução, por influência, e até mesmo por osmose ou por simbiose, vamos influenciando aquele círculo social com o qual temos interação, com os quais convivemos. Se nossa conduta melhora, podemos passar a ser referência e exemplo para nossos semelhantes, para nossos irmãos, amigos, familiares, conseqüentemente, eles poderão procurar-nos para pedir alguma luz, ajuda, conselho e podemos, então, aproveitar esse momento para, sem doutrinações de nenhuma espécie, indicar uma vida mais espiritual, dizer a essas pessoas para viverem retamente suas vidas e, quem sabe assim, despertar a chama espiritual adormecida nessas pessoas.
Não existe explicação nenhuma para ficarmos indiferentes à sorte alheia, algo sempre podemos fazer. Na pior das hipóteses, podemos comprar uma cesta básica ou alguns quilos de alimentos e ir em alguma instituição beneficente participar de uma atividade social. Justamente atividade essa que diminui, alivia o sofrimento, seja de velhinhos, pessoas abandonadas, crianças, órfãos e tantos outros que existem em nossa sociedade.
Outro aspecto que aqueles que estão chegando agora devem evitar ou procurar conhecer é a questão dos fenômenos da falsa consciência porque uma das coisas mais desastrosas que temos neste momento pelo mundo são as maneiras de extraviar-nos facilmente. Somos dados a muitas leituras, por mais insistência que temos dito aqui para cortar, reduzir, talvez até mesmo abandonar certas leituras, hábitos, a verdade é que isso tem caído no vazio, isso é como pregar no deserto, falar ao vento, na prática pouco é considerado.
Mas, enfim, nosso papel é esse de alertar sobre extravios, ameaças, perigos, enganos, engodos que surgem das mais diferentes formas. É por isso que, mesmo tropeçando, não podemos desistir nunca, mesmo caindo, não podemos retroceder jamais, por mais ameaçadora ou adversa que seja uma determinada situação, por que recuar? Por que retroceder? Por isso o tema dessa noite, desistir nunca, retroceder jamais.
Apesar de vermos o mundo em estado tão calamitoso, os falsos cristos dominarem praticamente todas as igrejas, evidentemente, a Gnose também está dominada pelos extraviadores de almas, não há mais um lugar realmente que não esteja contaminado. Portanto, só podemos contar com a Luz, com o discernimento próprio, só podemos contar com a Iluminação Íntima, com a Luz que nos dá, ou pode dar-nos, nossa Mãe Divina, nosso Ser, nosso Pai interno. Nós, aqui, temos alertado sobre isso: evitar, fugir, passar longe desses fenômenos modernos que são as canalizações, o encanto desse xamanismo degenerado que promete experiências místicas através do uso de substâncias enteógenas; e alguns não têm inconveniente nenhum de usar substâncias alucinógenas.
Portanto, é muito fácil cairmos no extravio, cairmos no caminho do erro. Afinal, largo e florido são os caminhos que nos levam ao abismo. A mística dos chamados falsos profetas e falsos Cristos desta época é realmente atraente, encantadora, promete caminhos suaves, doces, resultados imediatos e instantâneos, algo bem condizente com a civilização do fast food, do drive-thru, mas na Loja Branca não implantaram ainda um serviço de entrega em domicilio ou de alimentação rápida ou, ainda, que você entre num guichê, faça um pedido e já sai minutos depois de outro guichê com a encomenda pronta.
Isso não existe, meus amigos! Não existe isso de chegar num guichê da Loja Branca e pedir dois Kundalinis, dar a volta no prédio e já sair com dois Kundalinis levantados do outro lado. Quando falamos assim, muitos até se surpreendem e outros até se chocam com isso porque acreditam realmente que é possível saltar os muros do Éden com escadas mágicas ou com naves espaciais que só existem na mente e na fantasia desses que canalizam falsos profetas. Isso não existe! O que existe é o nosso trabalho aqui e agora, o trabalho virtuoso, são as boas obras que cada um de nós deve fazer, é o comportamento, é a conduta reta, são os méritos do coração.
Isso é o concreto, isso é o real. Não sem razão, nas obras antigas do Mestre Samael, quando ele falava sobre o final dos tempos, dizia que esse povo [os gnósticos] seria perseguido, caluniado, desprezado, abandonado, desvalorizado, mas que quando, ou depois, dos acontecimentos que se avizinham, este povo esquecido, abandonado, desprezado, acabaria revelando-se como, realmente, as esperanças daqueles que sobreviveram ou daqueles que suportarem as revoluções, as mudanças, todo o processo de transição que se avizinha.
Nem sempre isso foi adequadamente entendido, porque acreditamos que tudo isso ocorrerá fisicamente aqui; já não há mais tempo para fazer isso fisicamente, não haverá uma salvação física como temos dito em outras oportunidades. O resgate que vai haver é o resgate da alma e este povo desprezado voltará, morará, viverá na face da Terra depois dos acontecimentos, quando a Terra estiver limpa, vazia. Não agora, porque seria jogar boa semente em solo contaminado, perderia-se a colheita do mesmo jeito, jogar-se-ia fora a boa semente. Portanto, devemos focar naquilo que importa agora, o comportamento, a conduta reta é o elemento mais importante e é em torno disso que gravita nossa vida prática e concreta.
Se, durante o dia, por algum motivo, nós falhamos em algum evento, acontecimento em nossa conduta, isso deve ser motivo de reflexão, análise. Devemos estudar, analisar, meditar sobre o ocorrido, buscando com isso fazer compreensão do que aconteceu, porque aconteceu para que façamos consciência, para que tenhamos conhecimento de fato dos elementos envolvidos, das causas de nossa falha e, com isso, então, poder consertar.
Muitas vezes, temos ouvido por aí também sobre defeitos, não só dos instrutores dentro e fora da Gnose, como em qualquer lugar. O próprio Mestre Samael fala que no Oriente há muitos instrutores-boddhisattwas caídos que às vezes infringem verdadeiros padecimentos aos seus alunos, aos seus discípulos, porque são pessoas que ainda não eliminaram totalmente seus defeitos, são pessoas às vezes dotadas de impaciência, ira ou de outros defeitos, são pessoas que nem sempre praticam aos olhos do estudante aquilo que ensinam.
No Oriente, existe uma compreensão natural acerca disso, mas nós aqui, no Ocidente, temos outros costumes e, na vida prática, todos nós pré-julgamos; por exemplo, podemos desprezar as palavras de alguém só porque nos escondemos na desculpa de que "ah! mas ele tem egos também" e com isso fechamos a porta para todo e qualquer aprendizado.
Se estudarmos os livros do Mestre Samael, especialmente os primeiros, vamos notar que ele escreveu aqueles livros quando ainda possuía o ego. Se pegarmos os seus livros lá para o final dos anos cinqüenta, veremos que também havia egos, porém não tão vivos. Nós mesmos, há uns anos atrás, durante quase três anos, convivemos com um personagem duplo: tinha muitos defeitos e muitas virtudes como qualquer outro ser humano. Se tivéssemos tido a atitude equivocada padrão, mecânica, não teríamos aprendido a parte boa que ele tinha para oferecer; teríamos nos fechado para isso e assim não teríamos aprendido sua parte boa. E quem sabe isso demandaria muito mais tempo em nossa vida para aprender o básico.
Por outro lado, também aprendemos, quem sabe até mais, com os defeitos dessa pessoa, porque justamente observando o seu dia-a-dia, ali víamos o retrato vivo daquilo que nunca deveríamos ser; então tanto os defeitos quanto as virtudes de um instrutor ensinam-nos, tantos os defeitos quanto as virtudes de uma escola ensinam-nos se estivermos abertos para aprender. Se não estivermos abertos para aprender, nem as virtudes dos mais santos dos santos nos ensinarão algo. Não porque o santo não tem essa capacidade; nós é que não temos nenhuma capacidade de aprender.
Em todos os tempos, sempre foi esperado do estudante, todos nós que somos estudantes, a atitude, a abertura, a humildade, a receptividade de aprender, tanto com as virtudes do instrutor como também com seus defeitos. Se tivermos a atitude correta, que é parte do comportamento reto, aprenderemos e seremos benditos por isso, seremos abençoados com isso, porque estaremos aprendendo não só a sabedoria na sua forma direta, mas também estaremos recebendo um outro ensinamento que é muito mais custoso: aprender a sabedoria da árvore do bem e do mal, porque a sabedoria da árvore da vida, essa está disponível em todas as partes, mas a sabedoria da árvore do bem e do mal raramente se encontra; aqueles que tiverem entendimento que entendam. É por isso que sempre devemos praticar, expressar a tolerância em relação a essas escolas, instrutores, Buddhas, Mestres. Eles podem não possuir ainda a perfeição imaginada ou projetada em nossas fantasias mentais, mas certamente terão muita coisa para nos ensinar. Até o mais humilde dos seres humanos poderá ensinar-nos muito se estivermos dispostos a aprender, receptivos para aprender, do contrário nem o mais sábio dos homens nos ensinará coisa alguma.
A vida é feita de e está cheia de obstáculos práticos, concretos, mas a maioria deles não são reais, são travas em nossa mente e as travas mentais próprias nossas, geralmente é que nos levam à desistência, a retroceder. Seria ótimo se todos que chegassem na Gnose hoje tivessem em si já desenvolvidas a disciplina, a têmpera do guerreiro, aquele que não teme nada, que não retrocede diante de nada, mas não é isso que acontece; todos nós, de um modo geral, quando chegamos a uma escola, somos vencidos pelas tentações naturais da vida, e quando submetidos à provas, acabamos trocando nossa primogenitura por um prato de feijão. Disciplinar-se é o mínimo que se espera de um estudante e também de quem chega agora, porque alguém que chega agora, não tem a mínima disciplina para fazer práticas diariamente; vai perder-se porque este é um caminho de muita prática.
O caminho iniciático é uma via comportamental e toda via comportamental é uma via prática, concreta. Teremos de desistir de nossas fantasias, das idéias que construímos em nossa mente, dessas travas que permitimos instalarem-se em nossa mente a partir da literatura pseudo-esotérica, muitas vezes tão falsa, ditada por egrégoras, tulpas, demônios e tomamos isso como verdade branca e absoluta e longe estamos disso.
Além de disciplina, devemos ter foco, disciplina, para sustentar um conjunto de práticas ao longo de uma vida ou durante todos os dias que nos restam nesse mundo; disciplina para não ficar mudando de escola em escola, de galho em galho, de autor em autor, de livro em livro. Disciplina para não desistir diante da primeira insinuação, diante do primeiro sinal de ameaça de um desconhecido, de algo ao qual não estamos acostumados.
Bem dito foi, bem esclarecido foi pelo Mestre Samael que a Iniciação é um caminho cheio de perigos por dentro, por fora e de ambos os lados. Então a Iniciação não é para todo mundo, não é para ambiciosos, nem cobiçosos, nem para ostentar graus e títulos neste mundo; é para aqueles que estão disposto a nunca desistir e jamais retroceder.
Essas são as considerações básicas fundamentais que queríamos colocar nessa noite de hoje e ficamos agora à disposição para expandir essas idéias ao nível prático e concreto dos que se fazem presentes.
Perguntas
P: Quais as práticas que aconselhas para fazermos diariamente?
R: Existem as práticas básicas como o Mestre Samael ensinava. Por exemplo: quem é solteiro, prática de transmutação de solteiro. Escolha uma; o Mestre Samael deu tantas: faça o pranayama egípcio, faça o yoga do rejuvenescimento, faça o Vahroli Mudhra. Só estou mencionando aí três exemplos. Onde se encontra isso? Meu amigo, terá de procurar nas obras do Mestre Samael e também há tudo isso disponível em nosso site.
Outra prática diária que o Mestre Samael sempre dizia e repetia e parece que os estudantes de Gnose não entenderam até hoje ainda é que "a meditação é o pão do sábio". Todos nós comemos pelo menos três refeições por dia. Quantas vezes meditamos por dia, meus amigos? Vale dizer, quantas refeições oferecemos ao espírito todos os dias? Se é que oferecemos alguma, estou partindo do pressuposto que pelo menos uma, mas deveríamos ser um pouco mais generosos com nosso espírito, nossa alma, nosso Ser: oferecer pelo menos três refeições substanciais, três horas de meditação todos os dias, pode ser uma hora de manhã, uma meio-dia, uma à noite.
Não dá? Faça duas horas de manhã e duas à noite ou faça uma hora e meia de manhã e uma hora e meia à noite. É possível fazer isso. Claro que não vamos começar direto com três horas porque não iremos conseguir. Começamos com meia hora por dia, meia hora de manhã, meia hora à noite antes de deitar e, com o tempo, vamos aumentando. Logo chegaremos a duas horas, uma hora de manhã e uma à noite, depois passamos a uma hora e meia de manhã e uma hora à noite.
Levantemos mais cedo, vamos deitar um pouco mais tarde. Afinal muitas vezes não chegamos altas madrugas por causa das baladas? Muitas vezes não vamos dormir tarde porque alugamos um, dois ou três filmes e ficamos dedicando seis horas, quatro horas para uma diversão? Temos de rever nossa vida. Qual é nossa prioridade? vamos ficar bobeando, vacilando ou vamos tomar uma decisão definitiva? Tudo é uma questão de escolha, de disciplina, aplicação, dedicação.
P: Na meditação até onde deixo a razão continuar a analisar um defeito para chegar à sua compreensão?
R: A melhor forma de meditar é não pensar. Aqui mesmo falamos muito do pensamento contemplativo: olhar sem julgar, sem criticar, sem rejeitar. Porque comparar, criticar, rejeitar, tudo isso é processo da mente. Quando ela entra em estado contemplativo, vê, sabe, observa, analisa sem raciocínio; absorve e absorve-se naquilo que contempla. É como uma paisagem: você olha e contempla a paisagem; às vezes deixa-se ficar simplesmente olhando, apenas olha; faça a mesma coisa com cada um de seus defeitos, em cada acontecimento da sua vida, em pouco tempo aprenderá a contemplar sem raciocinar.
P: Dicas para uma boa meditação para quem não consegue acalmar-se na hora de meditar.
R: A falta de calma da mente significa que, durante o dia, você super-alimentou sua mente e jamais na sua vida você vai ter uma mente calma enquanto seguir essa maneira errada de viver. Querendo ocupar-se de tudo, estar em tudo, fazer tudo, não está em nada, não faz nada, não conseguirá nada. Não tem como; aqui se trata de um processo puro e simples de dominar a mente; é como dirigir um carro: você tem que fazer um curso, conhecer mecanismo de controle de um automóvel, para você então, depois, receber licença para dirigir. Se você não conhecer os mecanismos mínimos de funcionamento da sua mente é claro que não vai dominar a sua mente e quanto mais alimentada for, mais agitada será.
A mente é como um burrico. Se você não tratá-la segundo sua natureza ela vai te dominar: no começo, a mente rebelde você pode trazer com firmeza. Como? Praticando muito exercício de concentração, muita prática. Quem pratica concentração logo descobrirá a magia da contemplação, porque uma das melhores maneiras de concentrar é contemplar, estar naturalmente concentrado. Os teus sentidos todos estão voltados para um único objeto, este objeto pode ser um pensamento, uma imagem, uma flor, uma planta, um evento. Todos os Buddhas e Mestres insistem na necessidade de concentrar a mente ou o pensamento. Sivananda ensinava, claramente, aos seus discípulos que, para dominar a mente, o pré-requisito básico é dominar a respiração. É preciso fazer muitos exercícios de pranayamas todos os dias, porque com o pranayama domina-se o prana e, com o domínio do prana, chega-se ao domínio da mente. Pode-se usar música também, pode-se usar aquilo que acharem melhor, com qual vocês têm mais afinidade ou uma natural preferência ou inclinação.
Muitas pessoas, às vezes, vão querer fazer uma prática esotérica e esquecem do básico; por exemplo, desligar o celular. Se não mora sozinho, avisar aos familiares que agora vai fazer uma prática e não quer ser interrompido nos próximos sessenta ou noventa minutos e outras providências bem elementares.
Ajuda muito tomar um banho, fazer uma pequena caminhada, trocar de roupa, usar uma roupa confortável e então buscar um local recolhido na sua própria casa; pode ser seu próprio quarto e ali então fazer sua prática, sua oração, seu exercício esotérico. Mas não adianta fazer uma vez na vida e depois achar que está auto-realizado. Isso tem que ser feito todos os dias, de preferência na mesma hora ou na mesma referência horária, entre dez e onze horas da noite, seis e sete horas da manhã, por exemplo.
P: Tem vezes que o cansaço e a dor-de-cabeça e muitos outros fatores não nos deixam fazer prática, é preciso superar isso?
R: Permita-me responder da seguinte maneira: você está no campo de batalha; chovem flechas por cima, pelo lado ou então balas de fuzil, granada. Você pode estar com dor-de-cabeça, até com dor-de-barriga, o que você irá fazer? É a mesma coisa: encarar as práticas com a mesma seriedade com que encara o proteger a sua vida, do contrário você perderá seu tempo e fará outros também perderem seu tempo. Quem quer a Iniciação parte do principio de que está disposto a superar tudo, enfrentar tudo, ir além de tudo, nunca desistir, jamais retroceder, esse é o espírito. Se não encarnar esse espírito, melhor esquecer essa doutrina, esse caminho e essas idéias. Você não está maduro para isso.
P: Fazer meditação pela manhã nos primeiros raios solares, de frente para o Sol, ajuda a dinamizar o processo?
R: Se sua atitude interior e mental não for adequada não ajudará em nada, porque não são os fenômenos externos, nem as condições climáticas que definem a dinâmica do processo. Porque se você quiser fazer qualquer prática sob condições nunca fará nada também. Devemos fazer prática sob qualquer circunstância. Eu sei que isso na prática é difícil. Dias atrás, passei por algumas crises renais com muita dor e bem sei o quanto foi difícil fazer práticas; preferimos fazer da dor a própria prática: oferecer a dor e o sofrimento para aliviar a dor e o sofrimento da humanidade; é uma prática. Conheci pessoas que, em seu processo de Iniciação, sofreram dores horríveis, foram submetidas a provas terríveis e nem assim deixaram de levantar às quatro horas da manhã todos os dias, sábado, domingo, trezentos e sessenta e cinco dias por ano para fazer suas práticas. Essas pessoas, quando conquistam o grau de Buddha, fizeram por merecer e se não conquistamos grau algum é porque não temos mérito nenhum, não fomos capazes de formar mérito algum em nosso coração. Há que se entender assim, bem simples, bem direto, bem frontal.
P: Quando vamos fazer a prática logo de manhã, quando acordamos, é interessante fazer nossos asseios, escovar dente, trocar de roupa como se fosse ir ao trabalho ou é mais interessante que nem se prepare e faça logo quando acordar?
R: Minha experiência prática diz o seguinte: que se você levantar, escovar dente, tomar banho, até trocar de roupa, arrumar sua cama, vai gastar uns quinze, vinte minutos para fazer isso; trabalha-se melhor do que simplesmente sair da cama ou sentar na própria cama. Se você sair da cama e sentar-se na parede ao lado do pé da sua cama ainda se consegue um resultado melhor. Mas se você senta na própria cama com poucos minutos estará dormindo de novo. Sugerimos que tome um banho, especialmente quando o horário das práticas é cinco horas da manhã e logo depois tem compromissos da vida; já sai de banho tomado e roupa pronta, preparada. Agora, se você levanta às três horas da manhã para fazer prática, sugiro ir ao banheiro, escovar os dentes, jogar uma água fria no rosto, na cabeça, para despertar e aí, então, voltar ao seu quarto para fazer as práticas. Isso é o que tenho feito ao longo dos anos; tem dado resultados melhores do que simplesmente sair da cama sem acordar bem.
C: Há momentos em que começamos a caminhar e os dias, as provas, vêm com mais dificuldade, surgem egos desconhecidos e fortes e dá a impressão de que nossa Mãe está muito distante, precisamos ultrapassar o físico e o mental para superar o ego.
R: Sem dúvida nenhuma, essas são tão só as primeiras provas. São tão infantis comparativamente ou colocadas ao lado daquelas verdadeiras provas face-a-face que muitos enfrentam, e estão enfrentando agora nestes dias, nestes momentos, pelo Brasil. Sem dúvida nenhuma, lutar todos os dias contra nossa própria natureza submersa isso é um trabalho de monge, de longo prazo, que exige de nós muita renúncia, sacrifício, uma disciplina férrea, uma determinação acima de tudo; tem que ser assim; não conhecemos alternativa.
P: Quando a gente roga, mas não consegue ter sonhos esclarecedores que nos dá sinais?
R: Não tem alternativa: continue orando, mesmo que tenha de orar trinta anos sem ter resposta nenhuma. Mesmo que você não tenha percebido, tuas orações provavelmente terão te livrado do abismo. Mas se não fizer nada vai descer ou vai, na melhor das hipóteses, adiar por mais um ou dois retornos, se houver vida para fazer esse trabalho. Não nos apeguemos tanto a resultados imediatos, mas, sim, façamos nossa parte simplesmente, sem esperar resultado. Isso é o mais importante.
P: Meditar à noite e mantras na madrugada ou mantras à noite e meditação pela manhã?
R: O que importa é você fazer a meditação e os mantras, não façamos disso um problema!
P: Como saber se nossa alma já foi sacada do corpo e o que está aqui é apenas uma casca?
R: Não tem como saber! Um adormecido nunca pode saber de nada. Aqueles que já foram desligados do seu corpo físico e hoje estão no inferno, aqui em cima, se você falar com eles, vão negar e não vão acreditar. Dirão que estão cada vez melhores, nunca foram tão bem. Nós confirmamos literalmente tudo aquilo que o Mestre Samael disse e escreveu porque conhecemos casos concretos; consta-nos.
P: Pode-se fazer uma ou duas práticas por dia, uma de manhã e uma à noite ou uma à tarde, mantras de manhã e prática de noite?
R: Sim, meu amigo, escolha uma prática para manhã, uma prática para a noite e siga com este sistema, com esta disciplina dedicadamente pelo prazo de um ano. Não fique mudando a cada semana, aí não vai conseguir nada, nada de nada. Foco, concentração, dedicação, entusiasmo, disciplina, confiança, fé, tudo isso faz parte.
P: Quem não está com a ambição de virar um Mestre ou um Buddha para conseguir poderes, mas sim ir para o lado do bem e saber quem é, o que foi e o que tem que fazer aqui, está com o pensamento errado?
R: Não, até muito pelo contrário eu diria: nós não devemos ter ambição, nem cobiça de virar Mestre ou Buddha, muito menos sair por aí buscando poderes. Quem faz isso é alguém, na melhor das hipóteses, mal informado, na pior das hipóteses, é um diabo, um demônio, alguém que está buscando o caminho negro. São os demônios que querem poderes. Na Gnose se diz claramente: o gnóstico não busca poderes, prepara-se para recebê-los porque eles virão, quer se queira ou não e jamais se deve desprezar um presente que a Divindade nos oferece, isso é insultar. Devemos amadurecer espiritualmente, estar prontos para receber e usar sabiamente aquilo que nos for entregue e dado, porque seria rejeitar o nosso próprio Ser. Nosso Ser é cheio de glória, poder, luz e agora vamos, por falsos sentimentos, por uma concepção errada de vida, rejeitar a nossa própria natureza íntima? Não há como, meu amigo, temos de preparar-nos para receber isso.
Como afirmamos antes, devemos fazer as práticas sem esperar, sem objetivar um resultado, devemos trabalhar, comer, viver como temos feito até hoje. Nós podemos trabalhar para viver ou podemos viver para trabalhar no sentido de sermos escravos do trabalho. Podemos viver retamente todos os dias por compreensão que essa é a única maneira reta de se viver ou podemos querer alimentar um processo oculto e secreto de fazer o bem para ter prêmios e recompensas, sermos aplaudidos, reconhecidos, elogiados. Não é disso que falamos. Falamos no sentido de compreender o dever sagrado e praticá-lo aqui como todo Mestre, Buddha, Cristo, Avatar, Profeta, ensinou-nos.
P: A maioria das pessoas que hoje conhece a Gnose é porque nas outras vidas já a conheceram e têm que dar continuidade?
R: Não necessariamente. Falamos aqui de Gnose porque representamos uma escola gnóstica. Mas nunca dissemos aqui que uma escola gnóstica é garantia de algo. Uma pessoa pode ter sido maçom, rosa-cruz, teósofo, buddhista, numa vida anterior e hoje, por circunstâncias, ter chegado à Gnose. Agora, não importa onde esteja, se não praticar não vai chegar a lugar nenhum. Isso é um ponto comum e universal.
O texto acima é cópia integral, (modificada a pontuação e feitas algumas alterações para dar o formato de texto), de uma conferência ditada por Karl Bunn, presidente da Igreja Gnóstica do Brasil – www.gnose.org.br – realizada ao vivo dia 15.05.2007, por intermédio do programa Paltalk, via Internet. Equipe: Transcrição de texto - Mariana Cunha. Copydesk - Wagner Spolaor.
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