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CONFERENCIAS 2007 II - O PODER DA FÉ NO RESGATE FINAL
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O PODER DA FÉ NO RESGATE FINAL

Autor: KARL BUNN *

Olá meus amigos, boa noite a todos.
Paz Inverencial!

Escolhemos para esta noite um tema de extrema importância para esses nossos últimos dias... É O PODER DA FÉ! –

Como este poder age (pode agir), em nossa vida, a partir do momento em que tudo o que falamos ao longo deste ano começar a ocorrer diante de nossos olhos, ao vivo, ou através da cobertura jornalística, na televisão?

Quando falamos sobre o poder da fé, há que se entender claramente o que quer dizer fé. Como em tantos outros setores, aqui, uma versão ou uma tradução mal feita, gerou um problema imenso. A palavra fé, como é conhecida e utilizada, não tem sentido. Porque a palavra fé é sinônimo de crença! A crença não serve para nada! – no que se refere aos trabalhos do Caminho Iniciático.

Crer ou não crer na Iniciação é indiferente! Crer ou não crer na existência de Mestres, Deuses, Guias, Buddhas, não faz a mínima diferença! A crença não traz a salvação para ninguém! A crença não garante lugar no céu! A crença, enfim, é algo muito pessoal.

O sábio brasileiro, filósofo, Huberto Rohden*, expressa esta questão com algumas palavras bem mais enfáticas. Ele diz que “a funesta associação de crer, com fé, gerou muitos problemas”. No original dos evangelhos, a palavra “fé” foi escrita ou é conhecida sob a expressão Pistis. No latim não existe o equivalente a “Pistis”, ou seja, até existe um substantivo conhecido como Fides, ou Fidei. A questão é que este substantivo não tem um verbo equivalente, e aí, na ausência de um verbo capaz de traduzir corretamente o substantivo grego Pistis, os tradutores da época usaram o verbo “Credere”, ou seja “crer”.

[*http://www.gnose.org.br/conteudo.asp?id=17&texto=1709&tipomenu=h&titulo=Gnose]

Nenhum dos idiomas latinos possui um verbo derivado desse substantivo fides, que em latim significa “fé”, e aí, então, tivemos neste pequeno inconveniente a tradução para o “crer” ou “credere”. Mas, o que significa exatamente o original Pistis? O que é “fé”, em grego?

Pistis transmite a idéia, ou significa, harmonia, sintonia, consonância. O que, colocando no contexto desta noite, significa o seguinte: “ter fé é estabelecer, criar, ou ter sintonia e harmonia entre o espírito humano e o espírito divino”.

Portanto, meus amigos, vejam aí a enorme diferença entre “acreditar” (“crer”), e “estabelecer sintonia”! Eu posso crer e não ter sintonia nenhuma! Quando vamos dizer a consciência, a mente, o espírito humano não está sintonizado com o espírito de Deus, ele não tem fé! Mas pode crer. Em tese, alguém pode aceitar que Deus existe, e apesar disso não ter fé. Ter fé, originalmente, entendida esta palavra, é viver em sintonia com Deus. Seja pela consciência, seja pela vivência.

O homem sem sintonia com Deus, pela consciência ou pela vivência, pela mística e pela ética, pode acreditar vagamente em Deus só porque lhe dizem ou lhe disseram; aceita socialmente a idéia de que exista um Deus. Mas, não necessariamente está em sintonia com ele... É viver de acordo com sua natureza - ou seja, viver de acordo com aquilo que insistimos muitas vezes aqui: fazer a vontade do Pai tanto no Céu quanto na Terra, obedecer à Lei. Estar em sintonia com Deus é exatamente isso: viver de acordo com os preceitos, de acordo com as Leis, de acordo com a vontade do Pai ou de Deus – como queiram colocar. Resumindo, crer ou acreditar é apenas um ato de boa vontade; já, ter fé, na legítima acepção da palavra, é uma atitude de consciência, de vivência, de estar sintonizado, de viver de acordo...

Aquilo que está no evangelho, aquela frase: “quem crer será salvo e quem não crer será condenado”, é uma afirmação absurda; chega até a soar como blasfêmia – no sentido em que geralmente é usada pelos teólogos hoje em dia. Mas se entendermos corretamente o sentido da palavra “Pistis”, a frase procede, porque a salvação não é outra coisa senão a perfeita harmonia com Deus, com a Vontade de nosso Pai, com a Lei Divina.

Então, meus amigos, só neste pequeno exemplo, tomado esta noite, a substituição destas palavras, “ter fé” por “crer”, desviou a teologia e deturpou profundamente a mensagem de nosso Senhor, o Cristo.

Vejam a responsabilidade daqueles que traduzem! Já mencionamos em algumas oportunidades que, aqui mesmo no Brasil, nos livros do Mestre Samael, alguns, foram mal traduzidos, deturpando o sentido original, e outros foram intencionalmente alterados - o que é um grande crime.

Por isso, sempre indicamos uma fonte confiável para consulta; diretamente nas obras originais, ou no texto original. E aí então podem fazer a comparação direta, entre o texto original e a tradução que eventualmente alguém dispõe na sua biblioteca ou em meio digital em seu computador.

Portanto, meus amigos, agora, entendido adequadamente, corretamente, a palavra fé, podemos compreender qual é o poder da fé para o resgate final... Este é, portanto, o tema desta noite...

Aqui, em palestras anteriores, temos dito o seguinte – e que se tornou uma repetição porque havia um motivo para isso, como ainda há um motivo para isso – sempre dissemos: façam a parte que corresponde a cada um e confiem!

Este confiar é o legítimo ter fé! Só confia aquele que conhece, aquele que sabe [conhece ], aquele que cumpre a Lei ou as Leis, a Vontade do Pai.

Nós podemos confiar, ou ter fé, porque conhecemos; não porque cremos! Se meramente cremos... Meus amigos, sou o primeiro a incentivá-los a deixar a gnose; mesmo agora, nos dias finais. A gnose não serve para nada aos que simplesmente acreditam.

Simplesmente acreditar nos livros, ou seja, naquilo que está escrito nos livros do Mestre Samael, ou também em nossas palavras, não significa absolutamente nada. Nós não queremos que acreditem em nós. Nós queremos que cada um faça o seu trabalho! Temos dado orientação, nesse sentido! Cada qual deve fazer a parte que lhe cabe, a parte que lhe corresponde! E confie!

Basta um simples exame da história do mundo para cada um aqui dar-se conta, por meio dos profetas, mensageiros, avatares, por meio dos enviados do Alto, que Deus, a Divindade, os Mestres, a Loja Branca – como queiram tomar – o Governo Oculto do mundo, sempre estiveram presentes, sempre assistiram, sempre estiveram próximos dos justos; ou seja, daqueles que desenvolveram em si o poder da fé, daqueles que confiam! – confiam porque conhecem!

Ninguém tem fé sem ter a confiança para isso, e não se pode ser abençoado, não se pode ter a sintonia, se não há fidelidade. O oposto da fidelidade, no sentido de originalidade, ou integridade, é adultério. Adultério ou adulteração significa alteração das propriedades originais, alteração da autêntica natureza de algo. Quem transgride a Lei, altera a originalidade do sistema, quebra o princípio de fidelidade, reciprocidade.

Quando falamos aqui, ao longo do ano, sobre negociações com a Lei Divina, atrás destas negociações, evidentemente, estava a fé, ou seja, a confiança e também a fidelidade, a reciprocidade. A Lei Divina concede-nos algo porque assume a confiança em nossas palavras!

Nós nos propomos a fazer algo, alguns, para receber algo em troca. Outros aprenderam a confiar de tal maneira que realizam tarefas, trabalhos, missões, sem projetar nenhuma retribuição; simplesmente realizam, cumprem a Lei, não pensam em resultados, nem em retribuições, não pensam em nada.

Estes são os de mais elevado grau, porque simplesmente servem. Jesus dizia a seus apóstolos: se alguém entre vós quiser ser o maior, que o seja em servir. Servir é o mandamento sagrado; servir é a verdadeira finalidade da existência humana. Porque tudo no universo serve e se serve, alimenta e é alimentado.

Isto, é a integridade do sistema, a originalidade dos princípios, da existência e da vida. Agora, isso não depende de crença! Quando nós partimos do princípio de que “fé” é “crença”, então esta “fé” é baseada em informação, mera informação intelectual, informação superficial... E aí entram os conflitos intelectuais, mentais, culturais.... O autor “A” diz uma coisa; o autor “B” diz outra coisa diferente; o autor “C” diz algo que contradiz os dois anteriores; e aí se forma a torre de babel.

E aí, vamos acreditar em quem?

Então, a crença, meus amigos, não serve para o resgate; a crença não serve para a salvação da própria alma. A crença no Mestre Samael, ou na gnose, ou alguma escola gnóstica, não serve para absolutamente nada!

Aceitar com isenção de ânimo e neutralidade algo, para ser examinado e comprovado, isso é uma atitude inteligente! Isso é uma atitude aberta. Mas, ainda que assim façamos, podemos ser traídos pelos preconceitos, ou por aquelas idéias tortas que herdamos da cultura existente no momento em que nascemos e desenvolvemos nossa formação educacional e cultural. Por isso, então, é preciso estar muito atentos...

Falamos aqui, inúmeras vezes, que “a cada dois mil anos, a Divindade, a Loja Branca, os Mestres, enviam a este mundo um profeta, um mensageiro, um avatar.” Cada enviado desses traz a régua, o esquadro, o compasso; traz os novos parâmetros. Traz uma nova mensagem, geralmente, que sintetiza e harmoniza tudo o que se sabia em termos de religião, em termos sagrados, em termos de caminho de salvação até a vinda desse mesmo mensageiro.

Se nós tomarmos, isentamente, uma mensagem, de um profeta e começarmos a praticar, a viver, a experimentar, dentro de algum tempo podemos dar testemunho vivo daquilo que aprendemos. Mas, se por preconceito, comodismo, vício, resistência, desinformação, desinteresse, simplesmente julgamos: bom e mau; serve ou não serve; e deixamos de lado, é evidente que não estamos, no mínimo, sendo inteligentes. Nada como investigar diretamente as coisas, nada como experimentar diretamente as coisas...

O caminho da salvação resume-se a um único princípio: vivê-lo! Trilhá-lo; caminhar...

Não há caminho se não há caminhar; então, se nós apenas lemos livros sagrados, de qualquer religião, linha ou escola, sem viver, praticar ou experimentar, isso não serve para nada. Porque estaremos simplesmente acreditando ou não acreditando naquilo que está escrito, e esta crença não serve para nada! Ela não nos transforma, não nos faz pessoas melhores. E, o objetivo de experimentar e viver de acordo com uma escola ou ensinamento sagrado, ensinamento de um avatar, de um profeta – não importa a época da história da humanidade em que isso tenha ocorrido –, a finalidade, repito, sempre foi uma: fazer do homem, da humanidade, uma criatura melhor. E para isso não bastam as crenças, meus amigos! É preciso viver! É preciso encarnar os seus princípios!

Então, quando nós falamos do poder da fé para o resgate final nós temos que considerar todos esses aspectos. A fé, sim, tem um poder gigantesco, tal qual dizia Jesus aos apóstolos: se tiverdes fé do tamanho de grão de mostarda, direis a esta montanha: mova-te! E ela se moverá. Então, o poder da fé é muito maior que o poder da crença. Se, eu apenas creio, eu posso passar o resto dos meus dias dizendo à montanha se mover e ela não se moverá. Mas, em compensação, aquele que encarnou em si os poderes de Pistis ou os poderes da sintonia divina, que equivale a dizer os poderes divinos por completo, sim, dirá, ordenará que a montanha se mova e ela se moverá.

Nós não conhecemos os poderes de um Mestre.... Mas todos aqueles que estudaram história antiga conhecem; puderam se informar de muitos relatos do poder destes que tinham encarnado em si a fé. Os Templos de Mistérios da época, eram protegidos por raios. Nenhum indigno penetrava no recinto sagrado sem ser fulminado.

Estes tempos de alta magia voltarão... A magia, a alta magia, foi totalmente destruída pelo advento da Idade de Ferro, então, por isso que hoje em dia não se vê fenômenos instantâneos de magia. O que se vê por aí, sim, dou testemunho disso, é que muitos têm sofrido doenças, enfermidades, e até mesmo mortes misteriosas e não sabem por que morreram ou desencarnaram ou foram atingidos. Claro que isso se sucedeu devido ao poder da Magia Negra que se fortaleceu na Idade das Trevas, que é a Idade de Ferro, que é esse Kali Yuga, cujos últimos anos estamos testemunhando agora.

Quando a Era de Ouro surgir imperarão os poderes da Magia Branca e aí todos que estão ouvindo estas palavras poderão se dar conta disso, em consciência, no tempo em que aqui estiverem vivendo...

Então, há que se ter uma compreensão ampla de como as coisas se movem no Universo. Só os ignorantes ficam por aí escarnecendo e rindo daquilo que não sabem, que não têm a mínima idéia. Riem-se os cães do anti-cristo nas esquinas do mundo escarnecendo da doutrina sagrada... É da natureza dessas hienas rirem, mesmo alimentando-se apenas de restos ou de carcaças... São esses que se contentam com o pouco; são esses que desconhecem os mistérios sagrados... Que se pode esperar ou exigir deles? - Nada!

Pois bem, meus amigos, então, aqui sempre dissemos: façamos a parte que nos cabe! E confiem! No momento certo e adequado, a Loja Branca, os Mestres, a Divindade nos dará aquilo que precisamos, aquilo que merecemos, aquilo que nos é necessário.

Isso é tão básico e natural, por exemplo, que todo aquele que tem criação de galinha pelo processo natural, sabe que a galinha, quando choca os ovos, há um momento em que o pinto começa a quebrar a casca de dentro para fora. Só neste momento, por inteligência natural, também chamada de inteligência instintiva, a mãe ajuda o pinto a sair do ovo. Não antes... Se fizesse isso antes, mataria a criatura em gestação dentro do ovo.

A Mãe Divina, faz a mesma coisa com o ovo alquímico... Por isso, meus amigos, temos que fazer nossa parte e confiar! Nós temos que fazer o esforço que nos cabe e confiar. Nós temos que cumprir as tarefas que nos são designadas pelo processo iniciático e confiar. No momento em que, pelo nosso esforço, pelo cumprimento da tarefa ou das tarefas que nos cabem, rompermos a casca do ovo alquímico, onde somos gestados ou chocados alquimicamente, a Mãe Divina nos ajudará a sair do interior do ovo. Não antes - porque se algo ocorresse antes, morreríamos.

Então, meus amigos, as Altas Iniciações, as iniciações de fogo, o despertar do fogo em nossa coluna, é dado somente no momento em que estamos prontos ou maduros para isso; não antes, como crêem os ignorantes ilustrados que acreditam que até mesmo um acidente desperta e ativa este fogo. Sugerimos ouvirem novamente nossa aula que fala de O Despertar de Kundalini. Ali abordamos detalhadamente estes processos de como se dá o despertar e o ascender, ou seja, o subir do fogo sagrado em nossa coluna...

Portanto, aquilo que o Mestre Samael sempre dizia em suas conferências e também em seus livros: temos que fazer a nossa parte! Confiar! [Significa que] Temos que fazer a nossa parte, fazer o trabalho que nos compete e perseverar no trabalho e na oração...

A palavra “perseverança” é muito importante agora, nestes tempos finais, e deve ser conjugada com o poder da fé. Perseverar, trabalhar, confiar, são os três grandes verbos deste tempo final, meus amigos. Não adianta alguém começar a fazer práticas hoje, e amanhã, ou semana que vem, daqui um mês, ter ou querer resultado! Não vai ter! O resultado aparecerá quando a Mãe Divina autorizar... O resultado vai aparecer quando a Lei Divina autorizar os Buddhas e os Mestres abrirem as sinapses, as comportas, as câmaras... Aí sim, algo vai ocorrer, e perceberemos... Portanto, tudo o que nós temos que fazer – e esta é a mensagem que queremos deixar – é: perseverar no trabalho e na oração, e confiar! No tempo devido nos será dado...

A base do trabalho gnóstico – aqui temos dito sempre – é crescer em santidade e em castidade, e meditar diariamente. A meditação, quando aliada à santidade crescente e à castidade crescente, produz resultados formidáveis! Porém, nós não somos perseverantes o suficiente como que para seguir adiante; e ao cabo de poucos dias, ou semanas, paramos; suspendemos ou desistimos de nossos propósitos. E aí é claro que o ovo não choca; o ovo alquímico não gera nada em seu interior e se perde...

Esta é a grande tragédia do mundo, esta é a grande tragédia que açoita todas essas escolas que por aí se dizem, se anunciam, como gnósticas, ou sucessoras da gnose sagrada, elevada, pura, transcendente que o Mestre Samael trouxe.

Em verdade, esses nada compreenderam; não entram, não fazem, e também barram os outros de entrar, porque não ensinam o que devem ensinar; não dizem claramente o que deve ser dito; não reconheceram ainda a essência do ensinamento; conseqüentemente, não podem passar o fogo vivo desse ensinamento; apenas exalam e ampliam, ou aumentam, a contaminação, gerando ainda mais fumaça negra...

É disso que temos que nos cuidar, meus amigos. Não estou aqui querendo dizer que devemos nos rebelar contra as escolas. Não, não é disso que estamos falando. Nós estamos falando, aqui e agora, sim, de cada um despertar, de cada um acordar para a realidade daquilo que tem sido dito a nós através da gnose desde 1950; e que, talvez, por comodismo de nossa parte, de cada um de nós aqui, estudantes, instrutores e diretores, fomos esperando algo acontecer... Só que nunca aconteceu – e nem iria acontecer. O que vai acontecer agora, porque já estamos na reta final, é o fechamento dos tempos... O que é que fizemos em nosso favor, durante esses anos anteriores, ou, desde que chegamos a este conhecimento?

Provavelmente não tenhamos feito nada. Ou muito pouco. Ou tenhamos começado e parado inúmeras vezes. Por isso estamos estagnados, meus amigos. Então, hoje, decidimos realmente abordar esta questão do poder da fé para o resgate final porque a “fé” implica em uma sintonia com a Divindade. Esta sintonia só se dá pelo cumprimento da Lei ou das Leis Divinas. Todas as Leis Divinas se sintetizam em uma única Lei: a Vontade de nosso Pai! Por isso a gnose ensina: fazer a Vontade do nosso Pai, tanto na Terra quanto no Céu! Nisso, se resume tudo!

E se nós não soubermos nem conhecermos a Vontade de nosso Pai – aqui temos dito e hoje repetimos –, conheçamos, estudemos as doutrinas sagradas de todos os avatares de todos os tempos, porque esses não vieram a este mundo senão fazer sempre a mesma tarefa: lembrar o homem, lembrar a humanidade sobre o Dever Sagrado.

O Dever Sagrado é SERVIR desinteressadamente o semelhante, a Vida, a Natureza, o Cosmo, a Deus; é obedecer à única Lei, que é a Vontade de nosso Pai. Por isso que o Mestre Samael insistia, em suas conferências, que o estudante gnóstico deve desenvolver em si as virtudes, especialmente estas da paciências, da persistência e de superar o medo ou os medos.

O ponto de partida é: o ego é forte em nós. Claro, o ego tem muitas existências! Ele tem maior volume; ele tem maior presença. Além disso, o ego domina todos os setores da atividade humana do mundo moderno, especialmente dos tempos do fim, do Kali Yuga, da Idade de Ferro. O estudante que não desenvolve em si a paciência, não trabalha com paciência, fracassa! Quem não tem paciência, também não tem persistência, por default [ou seja, por padrão... ]

Quem tem paciência vai cultivando a persistência; a paciência e a persistência nos levarão do ponto “A” para o ponto “Z”, que é o fim da jornada. Mas é preciso aprender a trabalhar sem querer resultados imediatos...

Então, repetimos isso de: nada acontece antes da hora! É preciso fazer a parte que nos cabe, e confiar!

A Vida, Deus, a Divindade, a Lei, a Loja Branca, os Mestres – como queiram tomar isso – farão chegar, se apresentarão diante de nós, quando a estação chegar, quando o tempo da colheita chegar, quando o grão estiver maduro, quando o ovo estiver realmente chocado, quando a gestação tiver cumprido os nove meses; não antes!

Muitos, agora que estamos falando de tempos finais, são tomados de um pânico, de um pavor:

— Não fiz nada até agora! O fim ‘tá ali adiante, e o que que eu faço agora?

Meus amigos, vamos voltar a repetir aquilo que o Mestre Samael também dizia em suas aulas, conferências, e em seus livros: o tempo é relativo.

Ainda que tenhamos, supostamente, como um exemplo, 3... 6 meses ou um ano pela frente, este tempo - que a gente chama de tempo - seria suficiente, se fizéssemos – e se fizermos – o trabalho corretamente; o trabalho reto, correto, que se espera que façamos! Isso seria o suficiente para nos assegurar o resgate. A questão, meus amigos, é que nós não estamos imbuídos desta energia, deste poder, que sintetizamos na palavra confiar, ou “ter fé”! Pistis, como dissemos aqui, hoje.

Então, meus queridos amigos, em vez de nos deixarmos levar pelo pânico, devemos nos deixar levar pelo poder da fé, pelo poder da confiança na Lei Divina! Temos que fugir de certos resorts ou de certos mecanismos psicológicos, muito enterrados, que o ego lança mão para adiar, justamente, a sua morte, a sua eliminação.

O ego se esconde em sua própria fumaça, em sua própria escuridão, e devemos estar muito atentos a isso, meus amigos, se queremos avançar. O que podemos dizer hoje, aqui, como testemunho pessoal até, é o seguinte: façam a sua parte; confiem! A Lei dará o que precisa ser dado; a Lei dará os meios; a Divindade proverá o que cada um necessita para alcançar a outra margem!

De nossa parte isso é bastante natural, porque durante mais de trinta anos fomos trabalhando sem buscar um resultado específico. Nunca saímos por aí fazendo práticas para sair em astral ou em jinas; por alguma razão sabíamos que não era exatamente assim. Mas por aí, até hoje é dito:

— Ah, devemos fazer práticas para sair em astral, para daí poder descobrir as coisas que devemos descobrir! Ou receber instrução direta...

Meus amigos, não é assim que funcionam as coisas... Não adianta sair no pânico e no desespero; ainda mais agora. Nenhum avanço, nenhum grau de consciência é dado senão segundo o mérito de cada um. Fazer mérito, assim dizia o Mestre Samael: faça boas obras! Faça muita caridade, para que tenhas com o que pagar os Leões da Lei! Nisso sintetizou tudo o Mestre Samael.

Ninguém avança nesse caminho, ninguém tem o fogo desperto, ninguém tem um grau de consciência liberado se não estiver com seu karma zerado ou negociado. Por isso, enfatizamos ao longo de 2007 esta questão das negociações! Esta necessidade de nos compormos com a Lei Divina, e isso, temos alertado: encerra-se agora, em dezembro! E cada um estará por conta o ano que vem!

Porém, criar a fé, desenvolver a confiança... Isso, é uma tarefa individual, pessoal e intransferível. Ninguém pode dar fé a ninguém, não existem pílulas de fé a serem compradas em supermercados ou em farmácias; cada qual precisa trabalhar sobre si para poder criar o poder da fé...

Então, para finalizar esta aula de hoje, queremos dizer, repetindo: fazer a parte que nos cabe, ainda que tenhamos muito pouco tempo pela frente. Se, houver trabalho sério, se houver trabalho contínuo, paciente, persistente, se fizermos as composições com a Lei, o Tribunal da Lei, podemos alcançar o resgate, mas, se alguém, veladamente, acha que pode enganar ou ludibriar os Leões da Lei, está muito mal informado. Se, alguém for negociar com a Lei e fraquejar depois, desistir depois, dos compromissos assumidos, pois não façam negociações nenhuma; deixem a vida arrastá-los. Mesmo que seja para o abismo, será melhor do que ampliar um passivo, que já não é pequeno – para nenhum de nós.

Então, meus amigos, nada de pânico! E sim, mãos à obra! Fazer aquilo que já deveríamos ter feito! Ou, fazer aquilo que em grande parte já deveríamos ter feito até hoje, mas que por comodismo, preguiça, por “n” razões, pelos sortilégios do ego, não fizemos; é simples assim, meus amigos... Mas, independente disso, independente deste quadro – que certamente não é positivo – o poder da fé existe, e depende de nós criá-lo, desenvolvê-lo e manifestá-lo aqui e agora, dentro de nós!

Até aqui nossas palavras iniciais e ficamos então à disposição de todos os amigos que queiram colocar suas inquietudes dentro do tema...



PERGUNTAS & RESPOSTAS

P.: A fé é uma virtude. Se é, qual o ego oposto a esta virtude?
R.: São muitos egos! Ceticismo, descrença total, comodismo, preguiça, enfim, é um conjunto de egos; é o conjunto de egos em verdade que nos impede de ter fé. Cada um faz sua parte. Porque sem fé, [que] colocamos aqui esta noite, como sendo confiança, [então] a desconfiança é um inimigo muito poderoso. Se duvidamos da Divindade, como duvidamos de outra criatura humana, ou outro semelhante nosso, algo está errado – em nós! Nós estamos pessimamente informados ou recebemos péssima formação. Então, temos que voltar ao começo, reconstruir nossa forma de pensar...

P.: O que é preciso fazer para aumentar o poder da fé nas orações e práticas esotéricas?
R.: É uma questão muito pragmática isso de aumentar a fé, ou o poder da fé nas orações. E eu te respondo com uma pergunta: como é que você passou a confiar em amigos, ou pessoas, do seu relacionamento? O que elas fizeram, ou o que você fez para conquistar a confiança delas, e para você confiar nelas também? Medite sobre isso; e aí você terá uma resposta prática para ser aplicada no teu relacionamento com a Divindade. Lembre-se sempre: é preciso aprender a relacionar-se; relacionar-se consigo mesmo, com a vida, com o semelhante, com o ambiente e com a Divindade. A base do relacionamento é a confiança, ou seja, a fé – como colocamos aqui esta noite. Se não temos fé, se não temos confiança... aí, nós mesmos amarramos nossas pernas para não andar! E ainda vamos reclamar da vida (ou da divindade) que não conseguimos andar!?

P.: A devoção é um instrumento para aumentar a fé?
R.: Boa colocação, meu amigo. Sim! E aqui temos falando muito sobre o Bhakti Yoga*! Temos que fazer práticas; especialmente as práticas do bhakti yoga, que são as práticas devocionais; o bahkti é a via devocional do estudante gnóstico. Em nosso site, esse áudio está para baixar porque é tão importante isso, que fizemos [uma] aula sobre tema, e está disponível ali; indicamos procurá-lo.
*http://www.4shared.com/file/11235398/dbce2f94/20060425_bhakti_yoga_podcast_gnose_fundasaw.html

P.: Como ter mais força nas práticas?
R.: É uma questão de vontade, minha amiga! Se você se matricula em uma academia de ginástica – paga caro, tem bons professores – mas, se você não aparece na aula (por preguiça, comodismo, qualquer outros motivos, reais ou apenas circunstanciais, ou seja, meramente explicativos, de auto-justificação) não adiante ter a melhor academia da sua cidade, nem pagar por ela e ter os melhores professores; nada vai mudar! Então, como ter mais forças nas práticas? Desenvolva disciplina, vontade; aquilo que o Mestre Samael fala: persistência! Compareça às aulas, faça suas práticas – diariamente, sem falhar! E assim você vai aumentando a sua força...

P.: Se a fé verdadeira salva, a fé dita “cega”, leva à perdição ou ao abismo?
R.: A fé cega não leva a lugar nenhum. Note: ainda que se tomássemos a palavra “fé”, no seu sentido original, e se procedêssemos ou agíssemos cegamente, seríamos tão só fanáticos ignorantes; não sábios e iluminados! A fé, entenda-se definitivamente, é um poder, é uma energia, é uma substância que precisa ser construída dentro de nós; ela precisa ser forjada, como qualquer outra virtude. Compreende?

P.: Quando você faz práticas e consegue ter visões durantes as práticas, é porque a fé está boa, ou forte?
R.: Ter visões tem muitas explicações... Primeiro, temos que saber se a visão é reta, ou se é uma fantasia confundida com visão... Mas, admitindo-se que tudo esteja bem desde a base, aqueles que têm fé, aqueles que construíram “fé”, têm a capacidade de ter visões verdadeiras – coloquemos assim que fica mais exato.

P.: Devemos a cada dia sermos impulsionados pela vontade de servir e de demonstrar amor ao próximo; devemos ser agentes transformadores da fé, que contribuam para melhorar a vida de milhares de pessoas. Mas, como servir o próximo? De que maneira posso ajudá-lo através da fé!?
R.: Meu querido amigo, vamos repetir o que dissemos hoje, sucintamente, e também sugerimos a você, ouvir uma conferência sobre isso. O que falamos hoje é: servir desinteressadamente a humanidade! É a famosa prática do terceiro fator de revolução de consciência que ensina o Mestre Samael. Em nosso site há uma conferência denominada Amar o Nosso Inimigo [Como Amar os Inimigos*], ou algo assim. Nessa conferência nós falamos da filosofia, do verdadeiro amor ao próximo. Amor ao próximo só se demonstra hoje, na atual condição humana, a conta-gotas. E a forma de demonstrar este amor ao próximo é com fatos concretos, é com serviço deseniteressado.
*http://www.4shared.com/file/11223739/49242938/20051221_como_amar_os_inimigos_podcast_gnose_fundasaw.html

P.: Podemos afirmar que a fé é o que nos impulsiona a continuar no Caminho (Persistir, seguir em frente)?
R.: Sem dúvida! É a fé; é o poder de Pistis Sophia – ou de Pistis, simplesmente –, é o poder da consciência, que nos impulsiona a continuar no Caminho. Lembrando apenas que consciência e vontade são os mesmos princípios.

P.: Posso, nas negociações divinas, pedir, por exemplo, um poder como o de abrir ou ativar o meu chakra cardíaco?
R.: Você pode pedir, minha amiga, mas, lembre-se: se você não fizer as práticas, eles não vão abrir. Sabe por quê? Porque se abrir, você desencarna; você não agüenta a energia que vai circular aí. Então, a Lei Divina é misericordiosa, mas não vai dar uma serpente viva ao filhinho que tem fome e que precisa comer um pedaço de peixe. Não é mesmo?

P.: Você nos diz que todo dia 27 devemos renovar a nossa negociação... Podemos pedir para a Lei força para não desistir do propósito?
R.: Eu diria o seguinte: pedir força para não desistir do propósito, isto, nós devemos fazer toda noite diretamente à nossa Mãe Divina. Compreende? Aqui, muitas vezes, no início da aula, ou antes de iniciarmos a aula, utilizamos o mantra: OM Asatoma Sat Gamaya [Leva-me do Irreal para Real*]. Este mantra é isto, um pedido, em sânscrito, para que não nos permitam sair da luz, ou nos distanciar. Você pode fazer isso em forma de oração, espontânea, natural e simples, à sua Divina Mãe.
OM Asato Ma Sat Gamaya
Deus, conduza-me do Irreal para o Real,
Tamaso Ma Jyotir Gamaya
das Trevas para a Luz,
Mrityor Ma Amritam Gamaya]
da Morte para a Imortalidade!


P.: A fé é o nosso alicerce... Deve ser alimentada diariamente?
R.: Evidente que sim, minha amiga! Porque as virtudes, todas, devem ser alimentadas diariamente, ou elas morrem de inanição. De que forma alimentamos as virtudes diariamente? É é no convívio social... Toda vez que tivermos oportunidade, em vez de manifestarmos um ego, expressemos a virtude adequada para aquele momento e circunstância! Isto é conduta reta; isto é expressar as partes pequenas de nosso próprio ser; e assim elas crescem, porque elas se exercitam, elas se expressam. E assim vamos enfraquecendo o ego...

P.: Fé inabalável só o é a que pode encarar, frente a frente, a razão em todas as épocas da humanidade. Isso é servir?
R.: Sem dúvida nenhuma. Ninguém faz algo em que não acredita. Alguém deixa de fazer algo porque acredita que não deve fazer. Isso significa que aí há o fator dúvida! E a dúvida é, ou abre, uma fenda, ou um buraco, em nossa mente, por onde entram todos os pensamentos negativos e instabilizadores. É como a água que se infiltra na rocha, e quando vem o inverno e congela tudo, arrebenta a rocha. Fé inabalável é aquele que é testada no fogo da convivência diária, frente aos fatos! Não frente às crenças.... Não sei se me faço entender...


O PODER DA FÉ PARA O RESGATE FINAL
Conferência Gnóstica via Paltak 23/10/2007


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