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PÁSCOA 2007: CONDUTA RETA

Autor: Karl Bunn *

Seminário Especial de Páscoa 2007:
Karma Yoga e Bhakti Yoga: A Senda Prática da Conduta Reta



Vocês conhecem esse personagem? Imagino que sim! Ou boa parte dos aqui presentes deve conhecer! Este é Hanuman.

Ele representa a alma humana, que somos nós aqui que estamos nesta sala aqui e agora. Só que este [mostrado no slide] já é uma alma altamente purificada.

Justamente por isso [por ter forma de macaco], alegoriza a peregrinação da alma, da consciência aqui nos reinos inferiores da natureza. É esta mesma essência que um dia foi lançada no reino mineral, depois ascende, sobe, ao reino vegetal, depois ao reino animal e por fim se reveste desta forma humana. Mas, internamente, ela continua sendo natureza bruta, porque somos a parte mais inferior da divindade disponível para atuar, interagir nos reinos mineral, vegetal e animal.

Toda essa arte sagrada da perfumaria tem assento, e agora se entende porque que ela é sagrada; porque toda planta é sagrada; toda planta é veiculo de uma essência divina, como também todo minério o é e os animais também o são.

Podemos contar 1,2,3,4 colares [na figura]; isso aqui equivale a grau de Buddha ou seja aquele que já cristalizou os seus quatro corpos inferiores, totalmente auto-realizado.

Internamente ele muda, porque quando outras figuras de Hanuman são apresentadas no começo da jornada espiritual não é branco; é marrom; ele não começou ainda seus processos de purificação. Vamos dispor agora, nessa seqüência, um tema que denominamos aqui, para todos os efeitos, de conduta reta; compreende Karma Yoga e Bhakti Yoga, compreende muito do aspecto devocional.

Vocês entenderam agora porque que os perfumes são muito importantes para todo Bhakta, para todo aquele que quer lançar-se nesse caminho devocional. O perfume era e deve continuar sendo utilizado para excitar as glândulas endócrinas, que por sua vez, ativa, eleva, a chamada vibração dos tattwas; consequentemente eleva não só o estado de receptividade, de harmonia, mas também eleva a vibração do campo áurico e outras coisas mais.

Só para vocês terem uma pequena idéia de como isso era importante e levado a sério por toda uma civilização, basta dizer que entre os maias, que são considerados a civilização mais avançada aqui das Américas e uma das mais avançadas do mundo. Quando o europeu era bárbaro, não sabia nem tomar banho, eles [aqui] já tinham cálculos astronômicos com precisão superior ao que faz a Nasa hoje.

Este povo não era sábio e inteligente sem razão nenhuma; eles não eram selvagens como dizem os europeus que à época eram primitivos e bárbaros. As mães, depois que a criança Maia nascia, já nas primeiras semanas, botavam umas tabuinhas para comprimir os ossos do crânio, para alongar a caixa craniana; isso ficava da segunda semana até a vigésima semana; daí eles tiravam essas tabuinhas e, de alguma maneira, penduravam uma bolinha de, eles chamam de gopal, que é o nosso famoso incenso de igreja.

Gopal é uma expressão espanhola; o nome da árvore de cuja resina se faz o incenso de igreja que usamos aqui. Eles penduravam uma bolinha de gopal aqui, aonde é equivalente ao entrecenho (entre as duas sobrancelhas), para ativar, mediante o perfume, a glândula pineal - centro da polividência e da onisciência - os chakras daqui, de cujas correspondentes glândulas estão no interior da cabeça.

Eles alongavam a cabeça já com essa mesma finalidade, para estimular ou susper-estimular essas glândulas; e depois, como complemento, colocavam essa bolinha de gopal ou de perfume para estimular permanentemente, através do perfume, essa glândula que lhes davam capacidades psíquicas extraordinárias.

Eles não precisavam de espaçonaves para conhecer a Terra ou o sistema solar inteiro; eles simplesmente saíam em corpo astral - como a Márcia mostrou ontem, com seu índio voador. Os Incas, como os Maias, como os Astecas e os egípcios também tiveram um ascendente igual - que eram os Atlantes. Essa sabedoria é muito antiga, só que nós, nesta época bárbara que vivemos hoje, fomos nos distanciando e nos esquecendo dessas coisas.

Temos hoje aqui um grande desafio, que é justamente “como viver toda essa sabedoria antiga no meio da selva de pedras? Como fazer nossas práticas místicas na época moderna”?

E agora, com um agravante: um dos objetivos deste seminário é delimitar nosso horizonte. Vocês não são obrigados a acreditar no que estamos dizendo, porém viemos aqui para delimitar qual é o horizonte humano, aonde termina tudo; temos pouco tempo para trabalhar ou para fazer alguma coisa a nosso favor.

Mencionamos ontem que os Mestres da Loja Branca neste momento estão correndo mundo para buscar os seus - e não são muitos; são alguns milhares só; é atrás desses poucos que eles estão correndo atrás; serão esses que estarão aqui, na idade de ouro. Dos presentes nesta sala, aqui neste momento, aqueles que forem resgatados em suas almas, por recorrência estarão presentes na futura era.

Asseguro-lhes que formaremos uma equipe que virá fazer ou terminar “a grande ponte”, cumprir a grande missão de paz que é trazer a nova religião, formada pelo melhor do Buddhismo com o melhor do Cristianismo.

Este recrutamento está aberto agora, e tem essa finalidade. Estamos com o horizonte delimitado; temos as barreiras da vida moderna, mas ainda temos a sabedoria e o conhecimento antigo, que está sendo ou vem sendo entregue em conta-gotas desde 1950.

Não queremos dizer que a Gnose é a única doutrina salvadora. Nunca dissemos isso; a Gnose é uma das escolas ativas neste momento; existem outras; mencionamos ontem o Buddhismo Therawada e o próprio Buddhismo Mahayana e outras, como a Teosofia. Há pessoas que estão sendo despertadas neste momento, nesses tempos, que estão em diferentes organizações.

A única vantagem que poderíamos ter é que conhecemos em detalhes este caminho; tivemos um Mestre de sabedoria que nos trouxe, de uma forma mastigada, simplificada, didática, os mapas do caminho. Agora, vai depender de cada um de nós sentir esse chamado ou não, porque se alguém não sentir o chamado, sabemos que é inútil insistirmos; e nós não viemos aqui para vender nada; viemos aqui para fazer ou anunciar um recrutamento.

Aqui todos são voluntários; o fato de vocês estarem aqui, vencendo dificuldades, sem dúvida, é representativo - e não estamos sós aqui, fisicamente; lembre-se do que foi dito: há realidades outras que nossos sentidos não captam. Se alguns dos presentes tiverem ou são dotados de alguma bênção ou de alguma capacidade espiritual poderão saber disso diretamente; não estamos aqui sozinhos! Nem viemos aqui porque representamos uma escola; dissemos ontem que viemos cumprir um trabalho e uma tarefa; lutamos, nos esforçamos para cumprir bem - sendo o mais claros, diretos e objetivos em relação a isso. Para nós, na vida moderna, não resta alternativa a não ser fazer da nossa própria vida, onde estivermos, o nosso próprio caminho. Não podemos - e a Gnose não ensina isso - simplesmente vender as coisa e ir buscar uma caverna; isso não vai nos preservar; veremos amanhã que nenhum lugar da Terra é seguro. Isso quer dizer que qualquer lugar da Terra é seguro tanto quanto, mas isso não importa - é um detalhe; o que importa mesmo é nossa alma.

Do que se compõe a senda da conduta reta ou qual é a grande chave para os tempos modernos?

Em resumo é o Karma Yoga e o Bhakti Yoga; são duas disciplinas orientais muito fáceis de incorporar seus princípios e pôr em prática; mais fácil ainda colocar em prática esses princípios contidos no Karma Yoga e no Bhakti Yoga - que é o yoga da ação e da devoção, as duas coisas em harmonia, vivendo a vida normal onde estivermos.

Em resumo essa é a essência dessas duas matérias. É um exercício espiritual diário de 24 horas; não há necessidade de ambientes especiais, embora esses sejam recomendáveis na medida do possível [para as práticas devocionais].

O que é o Bhakti Yoga? Da onde vem essa idéia?

Temos aqui do Sânscrito Bhaj - a raiz da onde vem essa palavra, e significa “participar, compartilhar ou dividir”. Mas no entendimento comum dessa disciplina, “é devoção ou amor”, amor nesse sentido de gostar, de entregar-se, afeiçoar-se a uma atividade ou disciplina. Podemos entender amplamente o Bhakti Yoga como sendo “devoção ou apego, entrega amorosa a tudo que é sagrado, divino, espiritual ou transcendental”.

E o karma Yoga o que é?

Vem dessa raiz sânscrita Kri e literalmente significa “fazer”, de onde se entende que “o karma yoga é o yoga da ação, do agir concretamente”.

O agir, o pensar, o sentir sempre geram reações, conseqüências, realidades, sejam elas materiais, psicológicas, emocionais, sejam de que natureza forem.

Dissemos ontem que “não fazer é fazer”; a não-ação também é uma ação; consequentemente, é melhor que decidamos fazer retamente. Porque a não-ação, no sentido de ausentar-se, de não querer, de fuga mesmo, é uma ação não-reta; meditemos sobre isso que é muito importante.

Tudo que fazemos gera essas conseqüências; portanto é muito mais sábio escolhermos nossas ações conscientemente, e oxalá tenhamos o entendimento necessário de que as melhores fontes inspiradoras de conduta reta são ou estão naquele esquadro e compasso que, de tempos em tempos, um Buddha, um Avatar, um Cristificado vem trazer a este mundo.

Desde 1950, para nós aqui no ocidente, especialmente aqui na América do Sul, este novo esquadro e compasso foram trazidos e entregues pela Gnose do Mestre Samael. Esse é um fato que não há como negar; podem acusar Samael de plagiador, copiador de outras obras e tantas outras bobagens que se diz por aí, fruto do desconhecimento e da ignorância desses que fazem essas acusações.

O trabalho de qualquer Avatar, em qualquer tempo da humanidade, sempre foi o de reviver e ressuscitar doutrinas anteriores; reavivar e tirar as cinzas dessas doutrinas anteriores; amalgamar esses conhecimentos e dar uma nova aplicabilidade ou uso, condizente com a época em que isto está ocorrendo; esse é o trabalho do Avatar.

Nesse caso e contexto, todos os Avatares que antecederam Samael, também teriam sido “imitadores”, “copiadores” e “plagiadores” como se diz por aí, depreciativamente. Em nosso modesto modo de ver as coisas, isso é fruto da ignorância de pessoas que nem sabem o que estão falando.

No começo, quando fomos nos inteirando dessas acusações, eu disse a mim mesmo: Será que eles têm razão? - Vamos buscar e averiguar, e aí fomos investigar, na medida do possível, todas as missões e trabalhos dos Avatares anteriores, e identificamos um ponto comum. E constatamos que todos “copiaram”, ressuscitaram, reavivaram, deram uma nova forma às doutrinas anteriores do seu tempo; porque esse é o trabalho do Avatar: reavivar a sabedoria divina que está latente em cada um de nós e que é parte da cultura humana.

Claro que isso não é bem aceito; gera reações porque está todo mundo aferrado ao poder, à estrutura, aos status vigente, e principalmente se faz um comércio e quando alguém chega e começa denunciar o mau uso do sagrado, é claro que se sentem atingidos e não vão querer perder a “boquinha” como se diz.

[Alguém dos presentes comenta sobre Jesus...] - Sim, [ele não veio] nem revogar a lei mosaica, mas cumpri-la. Ele cumpriu a lei e acrescentou novas contribuições, visões e percepções desta mesma lei; ele reavivou todo conhecimento mosaico predominante na época.

Quando falamos em Karma Yoga temos que entender uma coisa fundamental da vida humana, que é o seguinte, especialmente hoje no mundo moderno, hedonista por excelência: tudo é voltado ao prazer, ao conforto. Mas, o homem não nasceu para o prazer, mas para aprender.

Se viermos aqui só para gozar, desfrutar, para ficar deitado em berço esplêndido como diz o hino nacional brasileiro, algo está errado. Será que é por isso que nosso país sofre de um processo de retardo? Será que é por isso que vivemos eternamente deitados em berço esplêndido, numa rede, tomando água de coco? Temos que acordar disso; o homem não nasceu para ser servido; nasceu para servir, para agir, mas retamente. Viemos aqui para aprender, não para o prazer ou para gozar as coisas da vida.

Esta é uma passagem do Bhagavad Gita: "Aqueles devotos que cheios de fé veneram a outras divindades ou mesmo a mim, Senhor Krishna, mas sem conduta reta, não alcançarão a liberação final".

- O que significa isso? Que não basta só fazer preces, rituais, acender velas, tomar banhos perfumados, usar incenso, uma bolinha de gopal na testa, essas coisas todas e nem fazer as prosternações devidas. Claro que isso é muito importante; mas se só fizermos isso, como muitos fazem, apenas indo ao culto de final de semana ou à missa de sábado e domingo, achando que com isso estarão salvos ou que rezando o terço diariamente estarão salvos, e durante o resto do dia sua conduta não é adequada, não alcançarão a liberação final.

Porque o ideal é cumprirmos com nossas atividades sagradas e termos uma conduta reta para com nosso semelhante e para com tudo aquilo que nos rodeia.

O que vem a ser então em essência, em resumo, o Bhakti Yoga, que é o caminho devocional?

É o que nós na Igreja Gnóstica do Brasil sempre denominamos de “o caminho da mística”.

O que é a mística, uma vida mística? - É uma vida que realmente conforma, compreende, a execução de rituais, práticas, mantras, devoções, mais aquilo que acabamos de mencionar acima.

Temos aqui orações e mantras à disposição daqueles interessados, especialmente para aqueles que não têm nenhuma idéia de como fazer um mantra; criamos vários CD’s de mantras, do Pai Nosso em aramaico - tudo isso fomos desenvolvendo aos poucos, até com imensa dificuldade, justamente para oferecer algum apoio nesta parte mística.

Aquele que tem um traço cristão mais forte, recomendamos o Pai Nosso em aramaico, entoado na voz de Márcia e outra faixa em voz masculina de um outro irmão nosso, lá do Paraguai.

Temos que fazer esses rituais todos diariamente. Observem aqui Arjuna diante do seu instrutor, guru Krishna; observem a atitude de Arjuna: é uma atitude mística, de respeito.

Alguns vão dizer "Ah! sim, mas ele é Deus!" Claro, o princípio de tudo é o mais importante, porque, se neste momento, nós aqui, fôssemos arrebatados numa nave espacial e levados para Avalon, Thule ou qualquer outra ilha sagrada - hoje estamos aqui confraternizando – mas, depois de uma semana ou duas semanas convivendo nesta ilha, começaria a aflorar aquelas coisas escondidas de dentro de nós; e possivelmente a nossa convivência e a tolerância entre nós cairia a quase zero; haveria até casos de agressões; senão físicas, pelo menos verbais, porque tudo isso acontece na convivência humana. Esta é a nossa realidade hoje; falta-nos mística, respeito, veneração.

Os Buddhas dizem, quando encontram um outro Buddha ou outros Buddhas ou outro ser humano: "Namastê!". Porque eles, por serem Buddhas de consciência iluminada, reconhecem o sagrado dentro de cada um. Os Maias tinham o mesmo procedimento, só que numa péssima tradução que encontramos por aí, eles diziam o seguinte: "o eu que está dentro de mim reconhece em você uma outra face desse mesmo eu!".

Somos iguais, não há diferença entre eu e você; entre tu e eu não há nenhuma diferença. Porém, como temos a persona , temos esses agregados todos, que nos tornam, nos dão a ilusão de separatividade - e como isso é tão forte dentro de nós - então não nos reconhecemos no outro como sendo nós mesmos, e nos agredimos, desrespeitamos, não temos respeito; vejam por exemplo o que ocorre em sala de aula muitas vezes; aqui no Brasil a gente confunde liberdade com liberalidade [ou libertinagem].

Já no Nirvana, por mais amigo que sejam os Buddhas entre si, nenhum deles vai chegar e dizer: ““... e daí, mérmão! Tudo legal? O que tem pintado por aí nas paradas?!

Lá não existe isso de se tocarem ou serem muito efusivos nos cumprimentos, de usarem gírias, etc.

Claro que, por exemplo, um Mestre como El-Morya, sendo do raio marcial, entre os seus, até usa de certa liberdade, chegando a dar um tapinha no ombro, enquanto dirige a palavra. Mas, ao se dirigir a outros, aos Buddhas, é solene e formal.

Isso é respeito. Não há essa intimidade nossa, que temos aqui [no Brasil]. Ser solene e formal não significa amedrontamento ou desprezo ou indiferença fria, não é isso.

Nós é que temos idéias atravessadas do que é amor, carinho, fraternidade. Porque não entendemos a base de tudo, que o universo é feito na base de uma hierarquia e à base do respeito, que chamamos de veneração.

Enquanto não aprendermos a venerar, respeitar o outro como ele é, seja alto, baixo, gordo, magro, bonito, atraente ou não atraente - porque todo esse negócio que dizemos de ser atraente, não atraente, feio, bonito - são filtros; a gente vê no outro o que está refletido aqui dentro; conceituamos, colocamos rótulos, como cabeludo, careca - essas coisas todas.

Vivemos apontando imperfeições em tudo, a nosso modo de ver, de acordo com certos padrões de nossa cultura. Hoje, um ideal é você entrar numa academia e buscar um corpo perfeito, mesmo que, ao se olhar dentro dele só se veja ratos, baratas, estrume e outras coisas mais; mas se a casca é bonita, isso é o que importa [aos olhos do mundo].

Parece que entramos nas academias só para isso [cultuar a vaidade de um corpo bonito], não para cuidar da saúde. Nós aqui falamos de uma outra academia: falamos da academia do espírito.

Deveríamos entrar numa escola espiritual para "malhar" o corpo espiritual e transformá-lo em ouro puro, e não somente transformar o corpo físico num monte de músculos que não resiste a uma gripe, a uma mudança de tempo, de tão frágil que é; é só aparência, casca. Tudo isso deve ser profundamente refletido nesta repriorização da nossa vida.

- De onde vieram as idéias do Karma Yoga? Deste homem santo, deste saddhu, chamado Vivekananda que viveu entre nós entre 1863 e 1902; morreu jovem, com quase quarenta anos; suas idéias vêm de Ramakrishna.

Todos nós nascemos com um ideal de vida; viemos aqui para cumprir uma missão e também viemos aqui para aprender; aprendemos cumprindo nossa missão, seja ela qual for, como o que fazemos hoje na vida: pedreiros, médicos, dentistas, engenheiro, faxineiro, cozinheiro - essas coisa nos diferenciam aqui neste mundo e geram preconceitos e muitas vezes desprezo das pessoas, quando desempenhamos essas funções, como também a cor da pele. Tudo isso são aspectos culturais que nos cegam espiritualmente, que nos impedem de ver que a realidade está dentro do outro.

No Karma Yoga aprendemos e reconhecemos essas coisas naturalmente. Já na práxis [do karma yoga], o desafio consiste em transformar os conceitos, as idéias, os princípios da conduta reta ou do Karma Yoga em fatos concretos, aqui e agora, enquanto estamos no trânsito ou no escritório ou em qualquer outro lugar; se só ficamos no discurso nossa fé é morta, não serve para nada, não gera resultados.

O Bhagavad Gita, sobre a práxis, a prática do Karma Yoga, diz: "Devemos executar todo trabalho com habilidade como se fosse uma ciência".

É indispensável que aprendamos a viver em conduta reta; não há como fugir disso; temos que aprender. Quando aprendemos a trabalhar bem, com eficiência, então, efetivamente, obtemos maiores resultados concretos, e esta perfeição vai sendo continuada, em efeito contínuo, gerando maiores e melhores aperfeiçoamentos.

O que é nossa conduta reta? É a exteriorização daquilo que carregamos dentro de nós [o Ser]. Se não conseguimos viver conduta reta nos fatos e atos diários e porque dentro de nós isso não existe; e se não existe é preciso adquirir, buscar, desenvolver, cultivar, compreender e então ir para a práxis com habilidade, exercitando isso [as virtudes do Ser...].

Inerentemente ou naturalmente os princípios disso estão dentro de nós, e nenhum de nós nasce, com raras exceções, com instintos assassinos. Quem nasce com instintos assassinos, por exemplo, é alguém que é só uma “casa vazia”; já é um demônio encarnado, porque só esses, já irrecuperáveis, nascem com estes impulsos. Uma pessoa normal nasce com muitos traços de bondade, de respeito; e o que precisa fazer então é tão só receber uma orientação adequada, numa escola, igreja, numa religião, um sistema filosófico adequado para abrir isso e poder expressar na convivência diária.

Mas na condição como estamos hoje, de fato, no começo, pode ser um desafio; torna-se difícil para deixarmos de agir como agíamos até hoje; porque todos esses impulsos de falar, de sentir, de fazer as coisas já estão mecanizados em nós. Temos que, obviamente, nos darmos conta dessas mecanizações e ir desmecanizando, cortando tudo isso.

Como se faz isso? Só há uma maneira: estando atento a nós mesmos como ensina a Gnose através da “auto-observação” ou através da “atenção plena” como ensina o Buddhismo Therawada.

Só uma pessoa que tem atenção plena ou esteja em auto-observação é que poderá praticar a conduta reta; se ela vive como qualquer autômato, despreocupado com as conseqüências da sua forma de pensar ou de agir, evidentemente nunca poderá expressar conduta reta, porque não está preocupado, não faz parte da sua vida.

Nós que estamos nesta sala obviamente somos movidos por um ideal de nos aperfeiçoarmos; buscamos algo transcendente; já vencemos os primeiros passos mais incipientes de qualquer vida humana, que é viver tão só pelos instintos. Embora ainda sejamos muito instintivos, estamos num local como este justamente para aprender; algo nos move nesse sentido.

Aqui [neste slide] temos um princípio do Karma Yoga: "agir sem apegar-se à ação e seus frutos". O enunciado é bonito: "agir sem nos apegarmos ou nos prendermos à ação em si". O que significa?

É agir sem paixões, sem fanatismos; [é uma ação] isenta de uma enfermidade chamada “loucura profissional” às vezes. Agir sem apegar-se significa renúncia, viver de acordo com o espírito de renúncia.

Buddha ensinava algo - e ontem, por circunstâncias, comentava isso rapidamente com alguns dos irmãos em particular por aí; aprendi isso e acabei incorporando na vida; busco praticar, expressar e até adquirir o estado de excelência. É o seguinte, é uma chave: Toda vez que alguém de nós está com algum problema, ou surge um imprevisto, um acontecimento, um fato qualquer na nossa vida, simplesmente paremos e perguntemos: "Isso é permanente ou é transitório?".

Se isso passa [não é permanente] não é real; é do Sansara. Então, porque vou ficar apegado ou detido, crucificado ou aprisionado, em algo transitório? Porque se me apego aos frutos da minha ação fico paralisado; não ando. Você simplesmente não pode se mover e morre afogado com as tempestades da vida, com as circunstâncias do Sansara, da roda da vida, se se deixar imobilizar por algo.

A chave é simples: "Isso é permanente ou transitório?"; "isso sempre foi, é e será ou isso amanhã desaparece?".

Até nossa vida, que é o dom mais precioso que temos, julgamos que é algo que não termina nunca; pergunte a qualquer jovem se ele não tem a ilusão, eu pelo menos tinha, de juventude eterna?

Quando entrei na Gnose, meu maior objetivo era me tornar imortal; fazia as práticas de rejuvenescimento para não envelhecer e ficar aqui para sempre. Com o passar dos anos, ia entendendo "que fria" é viver aqui eternamente. Recentemente, lendo um relato do verdadeiro Mestre Saint Germain àquele que foi o Papa Paulo VI, isso na década dos 1930 ainda. Giovanni Papini era o nome de Paulo VI; na época reconheceu Saint Germain no mesmo navio em que estava viajando; ele reconheceu [nesse navio] uma figura diferente; não há como esconder as vezes a luz, por mais "capa preta" que se utilize.

[Dirigindo-se a ele] perguntou: "você não é o Conde Saint Germain ou aquele que dizem ser?" - "sim, sou".

No diálogo [a seguir] Giovanni Papini perguntou: "como é ser um imortal?" Saint Germain, o verdadeiro, respondeu: "nos primeiros 200 anos ainda é bem interessante porque há coisas para estudar, aprender; lugares para ir, mas depois de 200 anos não tem mais nada a fazer, a descobrir neste mundo!".

Saint Germain é um dos Mestres que fala todos os idiomas e dialetos do mundo; é imortal desde há quase mil anos [segundo uns] ou, pelo menos, há mais de quatrocentos/quinhentos anos [segundo outros]. Mas há outros seres que são imortais há milhões de anos; eles não moram aqui neste mundo físico, e muitos desses nem nos visitam; pois, para que visitar este mundo? O Mestre Morya – o verdadeiro - segundo revela HPB, imortalizou o corpo que tem hoje, há cerca de 950 anos, aproximadamente. Mas, particularmente, penso que o Mestre Morya é mais antigo, porque, por exemplo, nos tempos do Rei Arthur, como Merlin, já era um imortal de indecifrável idade, e era o governante de Av’lon.

Em realidade, todos esses imortais moram em Shamballa - a capital espiritual do planeta Terra - [localizado] na quinta dimensão, no interior do nosso planeta. Não adianta fazer um túnel atravessando a terra para encontrar Shamballa; não se vai encontrar um Shamballa físico ou tridimensional, como alguns querem acreditar.

Shamballa é a verdadeira capital espiritual do mundo; está numa região espiritual muito avançada. Ali sim estão Melqui-Tzedek, Sannat Kumara, Koot-Humi, Dwjall-Khull, Serapis Bey, etc. O próprio Mestre Samael vive ali também. Mas como tem missão aqui, obviamente está sempre indo e vindo e passa mais tempo hoje por aqui do que por lá. Jeshua Ben Pandirá também mora no Shamballa, enfim, toda aquela cadeia invisível de proteção, de força e luz dessa humanidade vive no Shamballa.

Numa certa conferência do Mestre Samael ele relatou o seguinte, em função de uma pergunta/comentário feita a ele: "Como seria bom se pudéssemos viver todos em Shamballa!", e o Mestre Samael respondeu algo assim: "tenho certeza que na primeira semana você sairia pelas ruas de Shamballa saudando a todos, dizendo “Mestre”, “Venerável” e coisas assim. Mas depois de uma semana ali, não daria nem bom dia nem boa tarde “porque a vida real e concreta de qualquer Buddha ou Mestre [seja no Nirvana ou em Shamballa] não difere em praticamente nada da nossa vida aqui” [exceto pelo grau de consciência].

Eles têm seus trabalhos, suas obrigações, suas rotinas, tarefas, responsabilidades e a vida é corrida lá, especialmente nesses tempos finais; estão fazendo hora extra direto; todos, sem exceção, estão sendo convocados para esse esforço final; porque há um horizonte que já foi marcado e delimitado [2012].

O Karma Yoga é uma ação sem expectativa de retorno ou recompensa. Como discurso, fabuloso, maravilha; todo mundo aplaude: "que legal, que máximo isso". Mas na vida prática, se você quer submeter alguém a uma prova, confia a ele uma tarefa, dá-lhe uma responsabilidade numa escola gnóstica; deixa trabalhar dois ou três anos - que é nada - e aí um dia acontece qualquer coisa e o suposto servidor chega e diz: "você me deve isso, fiz aquilo, fiquei horas e noites inteiras fazendo aquelas coisas e agora você me apronta uma dessas? Que ingratidão!"

Mas não era o ideal de servir sem esperar nada em troca, então do que está reclamando agora, do que você esta cobrando agora? Você sabia desde o começo que servir é servir, simplesmente; ninguém nunca te prometeu nada, nem salvação, nem dinheiro, nem nada. Você não veio por nós, pela escola; você veio porque havia e há uma causa que é comum a Mestres, Buddhas, Deuses e muitos mortais, sejam homens ou mulheres. Esta é a Causa.

Quem quer viver o ideal do Karma Yoga vem para servir. Jesus não cobrou nada, mas os doze apóstolos brigavam entre si: "Mestre, quem é o mais importante entre nós?"

Não havia essas disputas entre eles? Mas isso acontece em qualquer escola gnóstica; cada um que ter o seu cargo, a sua função, seu destaque, seu aplauso, seu minuto de fama. [Se a seu modo de ver isso é contrariado, sai e funda outra escola, na esquina, mesmo sem ter preparo algum, e nessa saída sempre leva alguns incautos].

[Nós aqui] Temos uma tarefa, temos que entender, compreender isso e colocar, porque isso aparece em qualquer momento da nossa vida. Quando somos contratados por uma empresa ela esclarece: "as condições de trabalho são essas, as tarefas são essas, oito ou dez horas por dia, salário tanto, mais plano de saúde, mais seguro, mais-no-sei-o-que".

Aí quando o funcionário, depois que trabalhou dez anos lá, porque devia ser um bom lugar, sai da empresa e a primeira coisa que faz como pagamento ou retribuição é Ministério do Trabalho; e assim vivemos nós, sempre lavando as mãos dizendo: “Ah! porque eles aprontaram prá cima de mim".

Em realidade temos muito que aprender na forma de governar a nós mesmos, sermos donos de nós mesmos, de nossos atos, pensamentos, sentimentos.

[Em verdade todos] Querem se servir. Se esta escola aqui, a nosso modo de ver não serve mais, porque supostamente se desviou, tem outra ali do lado; vai lá e continua a servir [se seu ideal de vida é servir]. Se essa também, aos nossos olhos não é perfeita, busque outra, mais outra, quinhentas outras. Quem sabe na quinhentos e um você vai descobrir que, na realidade, o único imperfeito era você mesmo, e não as escolas que você atacou, criticou e abandonou.

Porque as escolas e instituições, até no Nirvana, todas têm suas leis; só por isso sobrevivem; alguém manda lá; manda porque é preciso que alguém faça isso, senão viraria bagunça.

O que é cosmo? Cosmo quer dizer “ordem”. Caos quer dizer “desordem”; cosmo e caos, podemos escolher...

Em nosso país [Brasil] tudo está se transformando numa baderna; autoridades, governantes, aqueles que são pagos para isso [para servir] são omissos, ausentes, sob nossos olhos compassivos; não precisa ser profeta para saber qual o futuro deste país - e da humanidade também; porque isso [que acontece no Brasil], em maior ou menor grau, se reflete [ocorre] da mesma forma, em todas as partes.

Jesus ensinou essa doutrina do “amai-vos uns aos outros como eu vos amei”. Em cima disso se construiu praticamente toda a cultura ocidental.

Mas tivemos aqui um problema de tradução. Muitos já conhecem isso, outros estão conhecendo talvez hoje. Esse “amor” [aí referido] os gregos entendiam (os evangelhos por nós usados hoje foram escritos em grego), os gregos tinham três palavras especificas para [designar] o amor; eles distinguiam três formas ou naturezas de amor.

[1] Existe o amor erótico que é o amor sexual entre um homem e uma mulher; esse é um tipo de amor, é natural, é uma lei da vida.

[2] Existe o amor filós que é o amor de afeição, de pai e mãe, irmãos, amigos, colegas – os chamados sentimentos que se desenvolvem no relacionamento humano de um modo geral e também aquilo que se cria entre uma pessoa e uma escola, instituição; daí vem essa palavra filósofo que significa amigo ou amante da sabedoria. Então tudo que tem esse prefixo filós significa “amigo” ou “amante” de, ou aquele que “gosta de”.

[3] E uma palavrinha que é pouca ou nada conhecida no Ocidente é o chamado amor Agapê - que significa “servir” ou um amor “comportamento”, um amor “conduta” e que está contido em palavras como “respeito” ou “bem servir”.

Essa palavra agapê , no evangelho, quando grafado desta maneira, foi traduzida como “caridade” - e aí mudou tudo. A idéia que temos de caridade não tem nada a ver com a idéia do amor agapê . Porque o amor agapê é exatamente aquele tipo de amor que você põe naquilo que faz; então, é forma como você faz. Você pode cumprir uma tarefa de boa vontade ou de má vontade; a tarefa é cumprida, mas há uma diferença entre você fazer de boa vontade ou de má vontade, ou bem feita e mal feita.

Aqui entra esse componente agapê , porque você pode fazer realmente com carinho ou de qualquer jeito. Em nosso português a gente diz: vou caprichar; vou fazer o almoço no capricho; vou fazer a faxina da casa no capricho.

Essas palavras “com carinho”, “no capricho”, aqui no Brasil, é o que melhor traduz o amor agapê . Você vai a uma repartição pública [ou a uma empresa] e encontra lá um funcionário com cara emburrada. Certamente esse tipo não é aquele que serve o público; é aquele que se serve do público [ou do cliente]. Mas, como ele nunca ouviu falar do amor agapê , ele te atende, mas te atende mal.

Não estou dizendo que isso é o padrão universal. Sempre há quem seja a exceção. Onde houver esse respeito ao semelhante, onde houver esse carinho, este espírito de bem servir, isso é o amor agapê; é um tipo de amor que desconhecemos e que os tradutores do evangelho esqueceram de dar o devido sentido. Como dissemos, virou caridade no evangelho [e são duas coisas bem diferentes entre si].

São Paulo diz o seguinte a respeito, aproveitando mencionar isso, já que ouvimos muito discurso de amor por aí, do tipo "porque amo tanto fulano, ou beltrano”, “porque era um amor tão grande", etc. A ver se de fato isso tudo é verdade, segundo São Paulo: “O amor é paciente, é bom, não se gaba, não é arrogante, não se comporta inconvenientemente, não quer tudo para si, não condena por causa de um erro cometido, não se regozija com a maldade, mas alegra-se com a verdade, suporta todas as coisas, agüenta tudo, nunca falha”.

Que cada um se examine em seu relacionamento. É claro que nenhum de nós é santo ou perfeito; bem longe estamos da perfeição. Então, é natural que em um casal, ambos têm suas imperfeições no convívio embaixo do mesmo teto. Essas imperfeições surgem. Igualmente, se fôssemos conviver numa ilha como companheiros de ideal, nossas imperfeições saltariam fora [e nosso convívio seria muito afetado].

Mas se todos tivéssemos compreensão do que é este amor-relacionamento social, tolerante, superaríamos tudo e a convivência seria agradável, respeitosa; seria possível; mas do jeito que estamos hoje, não tem como. Sem esse entendimento do amor dito nas palavras de São Paulo, tudo acaba numa guerra, como realmente quase todas as comunidades [e casamentos] acabam...

No Nirvana, que é uma comunidade espiritual, está organizado em forma de comunidade, não há esses conflitos - porque ali não há mais egos. Existem leis e todos sabem o que precisa ser feito. Cada um tem sua tarefa, seu local de trabalho e todos respeitam todos; cada um respeita a tarefa do outro, e todos se dirigem aos demais usando expressões como "venerável”, “Sim, Mestre!" . Todos cumprem suas tarefas e deveres sem resmungar, sem cara feia. Não sem motivos, o Nirvana é um paraíso. Todos têm a devida consciência do seu dever sagrado.

Para nós aqui, tudo isso é só um ideal projetado. Mas no Nirvana [como no Shamballa] a vida ali é assim; porque os santos Buddhas já eliminaram o grosso dos seus defeitos, enquanto nós temos essa tarefa para fazer rapidamente. Do contrário, não seremos escolhidos para viver num lugar como esse; simplesmente não temos a capacidade de viver num lugar como esse - é simples assim.

Esta pintura representa ou alegoriza a rainha Dido... aquela que jurou amor eterno e fidelidade a Siqueu, seu marido, era rainha de Cartago. Um dia, depois da guerra de Tróia, Enéas chegou lá com sua comitiva, e ela, que havia jurado fidelidade e amor eterno a Siqueu, se apaixonou por Enéas, tendo esquecido de juramento à memória de seu marido.

Aconteceu que uma noite qualquer, Enéas foi avisado em sonhos de que a rainha havia se apaixonado por ele, e para evitar encrenca maior, deveria partir de madrugada, sem que ninguém visse. Reuniu a sua comitiva, e furtivamente saiu da cidade, rumando ao que seria Roma, no país das Hespérides [ou das maçãs], como era conhecida a Itália na época. Ao ser informada da fuga, Dido se matou. Dante Alighieri a encontrou no inferno.

Quantos seres humanos se apaixonam por outro. De repente o outro decide partir; porque é um direito dele ou dela seguir seu caminho. O que fica, aquele que era mais apaixonado, talvez achando que era amor, entra em pânico, em desespero. Isso ocorre porque nunca estamos preparados e maduros para nada ou só para muito pouco.

Diz-se que Deus é amor. Mas nós não temos a capacidade de expressar a plenitude desse amor. O que está ao nosso alcance, aqui e agora, é a possibilidade de expressar o amor em conta-gotas, através do servir, da fraternidade, da expressão das virtudes, como paciência, bondade, respeito, generosidade, perdão, honestidade, etc. Todas as virtudes são gotas de [da substância chamada] amor...

Toda vez que somos tolerantes com as imperfeições alheias estamos expressando uma gota disso que se chama amor. O dia em que tivermos todas as virtudes cristalizadas dentro de nós, aí sim, com nosso kárdias totalmente desenvolvido, então poderemos amar como o Cristo ou como o Buddha amaram; eles expressam compaixão para a humanidade, pelos mais imperfeitos e, especialmente, expressam mais compaixão para com aqueles que são mais imperfeitos.

Mas nós, aqui, temos uma trava horrível, que é desprezar aqueles que são complicados; queremos distância dos “problemas”. Não estou dizendo que devemos recolher desconhecidos em nossa casa. Não! O amor agapê não significa sair por aí abraçando e beijando todo mundo, até nossos inimigos. Os Samurais, por exemplo, eram conhecidos como guerreiros muito valentes e também impiedosos [aos nossos olhos]. Mas todos eles praticavam a conduta reta do guerreiro [Bushido], que é matar o inimigo rapidamente, sem humilhação e sem sofrimentos.

Aqui no Brasil, dia desses, alguém, vejam só, uma pessoa altamente conceituada, professor da USP aqui em São Paulo, cometeu o erro de escrever uma bobagem na Folha de São Paulo que repercutiu em todo país; vejam só, um professor, se me lembro bem, de Ética da USP, escreveu alguma coisa assim: "Eu tenho vontade de rasgar todos os meus livros, cadernos e idéias sobre ética para poder dizer o seguinte: gostaria de pegar todos esses criminosos [foi quando arrastaram de carro aquele menino no Rio de Janeiro], e matá-los bem devagar, torturando".

Ele escreveu isso, e repercutiu imensamente no país; não sei se souberam desse caso.

Mas isso não é conduta reta. Se houver necessidade de se proferir uma sentença condenatória, pois que se vá, faça-se o julgamento. Como autoridade, país, estado, você tem o dever de fazer isso; é um de seus deveres; execute-o de acordo com as normas ou leis do país, e que se dê morte rápida e com mínima dor, caso esta seja a decisão final.

Pode ser chocante para vocês ouvirem isso, mas isso é conduta reta no contexto aqui mencionado. Mas, torturar, não é conduta reta sob nenhuma explicação; justificar o delito também não é conduta reta; passar a mão na cabeça de criminosos muito longe se está da conduta reta.

Entre a luz e as trevas há um leque muito grande que temos que aprender, que se resume nesta frase lapidar: Amor é lei, porém amor consciente.

Em conclusão, só podemos expressar amor em conta-gotas; não temos a capacidade de vivê-lo ou expressá-lo intensa ou totalmente.

Falando-se em conduta reta, para resumir a conduta reta: sua prática depende [unicamente] da nossa vontade; podemos expressar sempre uma boa ou uma má conduta.

Conduta reta significa reto pensar, reto sentir e reto agir; e também reta intenção. Muita gente pensa ou diz: "Ah!, mas eu fiz tudo direitinho!" E sua intenção, qual era? Falamos daquela intenção que só você sabe, que estava lá no íntimo. Qual era aquela décima intenção que você tinha naquele momento? Não falo nem da primeira, segunda ou terceira intenções; já estou falando da décima intenção, porque neste mundo de hoje todo mundo já carrega consigo de sete a dez intenções ocultas em tudo que faz e diz.

Conduta reta envolve reta intenção; você tem que fazer a coisa pela coisa em si, sem outro motivo.

O que é o reto viver? O reto viver é a reta maneira de se ganhar a vida. Se alguém é dono de uma rede de bordéis certamente não está vivendo retamente; nem é reta a maneira de ganhar a vida.

[Reto viver é] Fazer dos atos diários um permanente hino de louvor. Quando você está andando na rua pode achar mil motivos para criticar, para infernizar sua vida, para tornar o seu dia triste e infeliz. Mas você também tem mil motivos para bendizer: tem a luz do sol, o calor que dá força, otimismo e ilumina e acalenta teus passos. Por piores que sejam os serviços de transporte público de um país, pior do que isso seria não ter esse serviço, e vai por aí a fora.

Quando você vai ao supermercado veja só a cadeia de trabalhadores que se envolveu para que você tivesse na prateleira um alimento à sua disposição. Claro que tudo na vida em preço, e o que você paga ali, é o preço de todo um esforço anterior, de toda uma cadeia anterior; e fazemos tudo isso automaticamente, não reconhecemos, não temos consciência de quantos trabalharam para que tivéssemos isso à mão.

Temos à nossa volta mil motivos para alegrar e bendizer; louvar e fazer dos atos diários um permanente hino de louvor. É essa capacidade que vamos desenvolvendo, de reconhecer a divindade, o bom, a bondade, a luz, a utilidade, a positividade de tudo e todas as coisas, até dos incidentes, até de um acidente pequeno ou algum tipo de acidente.

Às vezes uma via é fechada ou atravessada por um acidente; a gente chega ao trabalho e diz "perdi meu horário; tinha uma reunião importante", mas pode ser que se tivesse seguido reto, você teria sido a vítima do acidente. Quem é que vai saber, somos adormecidos. Tudo tem uma razão de ser na vida; não amaldiçoemos as coisas assim; não praguejemos coisas que se antepõem ao nosso caminho, porque, para tudo, existe um motivo.

- Já prá finalizar, qual é a chave disso tudo?

Relacionamento, tudo que temos que fazer é aprender a nos relacionarmos. Nós não sabemos nos relacionar com a vida, com as pessoas e, muito menos, com o meio ambiente; a prova é que está tudo destruído; não sabemos nos relacionar com Deus; até porque fazemos muito pouca prática.

A consciência, a alma, dentro de nós, é uma criança subnutrida; está morta; está bem pior do que aqueles famintos da África. Esse é o retrato nu e cru de nossa alma neste momento, no interior da humanidade. Não sabemos nos relacionar com a divindade. Muitos ameaçam a divindade dizendo: "não, vou escolher o caminho do inferno se você não me ajudar"; "oh, Senhor Anúbis, quero emprego que ganhe dez mil reais e trabalhe duas horas por dia, senão eu vou para o outro lado".

Não sabemos nos relacionar com a lei divina, com a divindade, que é a mesma coisa; e também não sabemos relacionar-nos conosco mesmos. Se não sabemos relacionar-nos conosco mesmos, que é a base, o principio de tudo, muito menos vamos saber relacionar-nos com todos os demais.

Primeiro temos que aprender a ter uma boa relação conosco; ter uma boa relação não significa dar todos os prazeres e gratificações que o ego quer. Se quisermos aprender a relacionar-nos bem conosco mesmos devemos despertar a consciência; saber quem somos; somos uma alma em peregrinação por este mundo; estamos aqui para aprender; então, passaremos a ver todos os atos, fatos, eventos, fenômenos e acontecimentos da vida como uma lição prática de vida, e esse suceder de acontecimentos, fatos e eventos, é a mesma coisa que as lições que um professor (a) nos passa numa escola. "Crianças, hoje vamos ver o livro tal na página tal"; é a mesma coisa, a vida é uma escola; só que não temos olhos de ver isso; não temos sentimento para reconhecer isso; porque estamos mal relacionados conosco mesmos, cheios de filtros, tapumes, que nos impede de ver a vida como ela é.

Cada acontecimento tem um significado; nossos sonhos à noite têm significados. Temos que aprender a descobrir o que significa cada acontecimento em nossa vida; tudo é uma lição para que aprendamos. Claro que isso exige que sejamos bons alunos; mas de um modo geral todos nós criticamos os cdf’s; implicitamente queremos dizer que defendemos a posição de acomodados, a de péssimos alunos e estudantes; porque rejeitamos os cdf’s - que são a imagem do estudante perfeito que só tira dez nos exames.

Temos que rever urgentemente nossas atitudes; aprender a nos relacionarmos com a vida e conosco mesmos. Claro que quando se fala em relacionamento, a base de tudo é a confiança; quando se quebra a confiança, adeus! não há mais nada que fazer. Por isso que o Mestre Samael dizia: "a iniciação é tua própria vida". Não adianta fugir para caverna, pro monastério, para qualquer lugar; a iniciação é tua própria vida, aprendendo cada lição que te é dada, aprendendo a reconhecer o ensinamento de cada acontecimento; vivendo em santidade, em conduta reta. Com o tempo pode se viver no estado permanente de budeidade. Esses que alcançam esse estado, quando se olha para eles, os vemos [aparentemente] distantes deste mundo. De fato, estão recolhidos no mundo interior. A gente diz: ele está no mundo da lua. Da lua não, do Nirvana sim. Nesse estado, muitas vezes, mal conseguem cumprir as tarefas deste mundo.

Aqueles que nunca visitaram nosso site http://www.gnose.org.br
Ali têm muito material à disposição de todos.


O texto acima é cópia integral, (modificada a pontuação e feitas algumas alterações para dar formato de texto), da conferência ditada por Karl Bunn, presidente da Igreja Gnóstica do Brasil – www.gnose.org.br – realizada ao vivo dia 07.04.2007, no segundo dia do Seminário Especial de Páscoa, em São Paulo. Transcrição de texto: Mariana Cunha. Revisado pelo próprio autor.



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