|
CONFERÊNCIAS 2007 I - PLENITUDE DO SER E VAZIO EXISTENCIAL |
|
«VOLTAR
|
PLENITUDE DO SER E VAZIO EXISTENCIAL
Autor: Karl Bunn *
O tema do presente texto denominamos de “Plenitude do Ser e vazio existencial”.
Aprendemos com o Mestre Samael que por falta de trabalho psicológico, as pessoas desta época não são profundas; pelo contrário, preferem ser superficiais. Muitas pessoas desta época aceitam a idéia de fazer mudanças interiores, mas, infelizmente, para fazer essas mudanças pedem ou exigem determinados incentivos, prêmios ou estímulos.
Infelizmente, as pessoas gostam que digamos como elas estão bem, apreciam que lhes apliquemos algumas palmadinhas no ombro, falemos algumas palavras de estímulo, incentivo. Quando essas pessoas aproximam-se da Gnose, vêm esperando encontrar aqui condições de melhorar de vida, encontrar um bom emprego, um casamento ou uma suposta alma gêmea. Buscam sempre uma maneira de obter algum tipo de incentivo.
Poucas vezes, encontramos pessoas que chegam às nossas escolas sentindo a necessidade de mudar, e querendo mudar, porque simplesmente sentem que precisam mudar sem que para isso lhes façamos promessas. A realidade é que as pessoas adoram elogios, estímulos, incentivos, propostas, promessas. As pessoas do mundo de hoje não entendem que esses incentivos todos são vazios, superficiais.
Se cometermos o atrevimento de dizer a elas que na Gnose não existem incentivos, decepcionam-se e, não raras vezes, afastam-se de nosso meio; e muitos, inclusive, afastam-se falando mal de nós, da Gnose, do Mestre Samael, dos instrutores, acusando-os de serem frios, duros, críticos, de não “darem bola” para suas "necessidades", inquietudes, o que na verdade não é inquietude nenhuma, simplesmente são desejos, cobiças.
Aqueles que acompanham há mais tempo nossas reuniões, reconhecem perfeitamente bem o que estamos tratando de dizer. Justamente dentro da Gnose aprendemos que os estímulos, os incentivos, as promessas, nunca na vida, jamais na história dos séculos, fizeram qualquer mudança profunda ou radical em qualquer pessoa. Isso não ocorreu e não vai ocorrer. Essas coisas acontecem porque existe dentro de cada de nós um chamado centro energético que não pode ser destruído, que não morre quando nós desencarnamos. Esse dito centro energético atravessa o período de uma existência, perpetua-se no tempo para infortúnio nosso aqui no mundo e para infelicidade inclusive de nossos descendentes.
Esse centro mencionado aqui e agora é o ego, o eu, o si mesmo, o mim mesmo; portanto o que precisamos fazer com uma urgência inadiável é gerar, levar adiante uma mudança radical dentro de nós mesmos. Colocado isso, bem, podemos intuir ou perceber o quanto são furados esses planos de motivação pessoal que as empresas utilizam ou lançam mão para levar seus funcionários a produzir mais. Esses chamados planos motivacionais são voltados para o ego, e o ego, nós sabemos, é movido por interesses; quanto mais tem e recebe, mais quer ter e receber e continua dando em troca o que sempre deu ou até menos, e aí entram os processos psicológicos secretos de cada um de nós, os quais envolvem ambições, desejos, cobiça e, muitas vezes, até mesmo um jogo sujo como todos nós sabemos que ocorre no ambiente corporativo, nas repartições públicas e em todos os ramos da atividade humana.
A motivação para fazer mudanças psicológicas radicais e profundas em nossa vida jamais será alcançada com palmadinhas no ombro, com elogios, promessas ou com palavras bonitas. Isso não funciona na Iniciação, já dissemos aqui muitas vezes e estamos repetindo novamente porque isso é muito importante; compreender isso é fundamental. Cada um de nós que chega a uma escola gnóstica ou lança-se no caminho da Iniciação precisa aprender a andar com suas próprias pernas.
A motivação é o próprio caminho, é o trabalho sobre si; nenhum outro fator pode ser motivo para andar, porque estaremos apenas nos enganando; temos que reconhecer nosso estado real, atual, contraditório, nossa infelicidade, infortúnio existencial; perceber que existe um vazio dentro de nós e que incentivo algum, promessa alguma, beneficio algum deste mundo irá preencher.
Sabemos que os detentores das maiores fortunas do mundo são pessoas que sentem um oco, um vazio por dentro, porque estão distantes do Ser, estão longe do mundo do Ser e estão profundamente envolvidos no mundo do ter, superficial, neste mundo vazio. Em termos esotéricos gnósticos, isso quer dizer que é esperado de nós uma abnegação, um completo esquecimento de nossos interesses, um abandono total do ego, do si mesmo e dedicar-se à reta conduta, aplicar a ética superior que dissertamos em outras conferências sob a denominação "Paramitas", "O Óctuplo Sendeiro de Buda" e "As Quatro Nobres Verdades", ali encontrarão material sobre isso.
Tristemente, sabemos, os que estão há mais tempo na Gnose sabem disso, o ego busca crescer, quer melhorar, quer evoluir, tornar-se grande como os grandes da terra; luta para obter influência, poder, posição, fortuna ou dinheiro. Essas mudanças ocorrem apenas na superfície; ter mais ou menos dinheiro, ter mais ou menos propriedades, ter mais ou menos relacionamentos sociais, isso não preenche a nenhum de nós; não nos transforma psicologicamente; não nos torna pessoas ou indivíduos bons; não nos faz plenos.
Entendemos que, mais do que nunca, é necessário lançarmo-nos em uma mudança profunda, e esta mudança só pode ser realizada eliminando-se ou alterando-se, abrindo espaço, abrindo o vazio dentro de nós com a eliminação do ego ou dos egos. Precisamos quebrar o ego, como fazemos com uma peça de cerâmica que já não nos serve mais, um vaso que não serve mais que a gente joga fora ou mói, quebra; assim devemos fazer com este ego; quebrá-lo, tratar de eliminar seus cadáveres, por meio da intervenção do poder superior à mente conhecido como Devi Kundalini Shakti. É claro que para ela eliminar estes cadáveres, transformá-los em poeira, temos primeiro de fazer nossa parte, que é auto-observar, conhecer, compreender nossas ações ou reações mentais internas, profundas.
Sabemos que o eu, o ego, o mim mesmo quer receber honras, afagos, lisonjas, prestígios; este ego quer e vive para isso: prazeres, fama, tapete vermelho, recepções; é justamente isso que modelou a sociedade humana, o mundo atual. É por isso que o mundo atual é conformado por uma sociedade egoísta, na qual só há disputas, primazia, luta pelo poder, crueldades, uma cobiça que não tem limites, ambições que não conhecem fronteiras.
Chegamos a nos lançar em guerra, invadir países, tudo porque o ego não conhece fronteiras, estamos bem longe do Ser, da alma, dos valores divinos. Esta sociedade criada por nós mesmos, modelada à imagem e semelhança do ego humano, tornou-se uma sociedade inútil, daninha, prejudicial e somente eliminando de nós mesmos o eu é que poderemos mudar. Primeiro a nós e, por extensão, poder mudar o mundo. Para isso, orienta-nos o Mestre Samael, se queremos de verdade a eliminação radical do ego é urgente manter quieta nossa memória que é o ego. Mantendo esta parte em silêncio a mente torna-se serena e, então, podemos observar-nos com calma; podemos estudar, investigar, conhecer a nós mesmos.
Muitas vezes mencionamos que devemos aprender a contemplar a nós mesmos; para isso necessitamos do silêncio, do isolamento hermético que não tem nada a ver com refugiar-se numa caverna e distanciar-se do mundo. Só precisamos do isolamento hermético, que é estar no mundo sem ser afetado pelo mundo; cada um pode construir essa habilidade por si só, praticando de momento a momento aquilo que a Gnose nos ensina.
Não podemos dissolver o ego substituindo um eu por outro, buscando substituir um ego antigo por um novo, isso não funciona. Não podemos deixar de beber e, de repente, passar a fumar e vice-versa; não é assim que funciona. Também não funciona trocando uma mulher mais velha por duas mais jovens como se diz no popular ou, como se diz hoje, uma mulher de mais idade troca o seu velho marido e companheiro por dois jovens modelados em academia; isso tudo é fruto da sociedade moderna, esta atual sociedade.
Não podemos substituir um defeito por outro, como também de nada serve sair da Gnose e entrar em outra escola. Muita gente sai da escola gnóstica porque simplesmente não consegue trabalhar sobre si mesmo, por contra-transferência ele culpa o instrutor, a escola, o Mestre Samael, a Gnose; culpa todos exceto a ele mesmo, exceto a sua incapacidade de lidar consigo mesmo, de superar a si mesmo; prefere transferir a responsabilidade para terceiros, pois é mais fácil não enfrentar a si mesmo, que é seu campo de batalha, de luta.
Sempre é mais fácil fugir do que vencer, especialmente quando se trata de vencer a si mesmo. É por isso que, se queremos verdadeiramente uma mudança radical e profunda dentro de nós, devemos deixar de lado todas essas coisas que nos parecem positivas hoje em dia, esses velhos hábitos, essas coisas de personalidade que nos inculcaram desde criança. Nossa família, a escola, fizeram esse trabalho, e nós, por imitação dos mais velhos, também contribuímos para o desenvolvimento dessa personalidade-ego que temos hoje.
De um modo geral, todos esses costumes, hábitos, essa conduta social que praticamos hoje em dia é equivocada; não é real no sentido de ser verdadeira, de pertencer à alma ou ao próprio Ser, mas ela é artificial, faz parte do mundo, o mundo exterior e não o mundo do Ser, o mundo ontológico.
Todos nós sabemos que a mente é a sede central, o quartel general do eu; o que precisamos fazer é mudar tudo no quartel, na sede central; assim estaremos fazendo uma verdadeira revolução e, para isso, é claro que se exige abnegação, renúncia, compreensão do que somos hoje e daquilo que queremos ser amanhã e tudo isso precisa ser levado adiante, sustentado sem estímulos, sem palmadinhas no ombro, sem promessas de uma vida melhor, de salvação. Precisamos fazer uma mudança interior pela compreensão do que significa esta mesma mudança, sabendo que ela envolve a eliminação total do ego com o tempo.
Estamos agora em 2007; este é um ano definitivo para nosso futuro como pessoas e como almas neste planeta. Foi-nos dito que entramos na reta final da humanidade esse ano; mais do que nunca precisamos debilitar o ego, fortalecer o coração, renunciar ao ego e trabalhar com o centro emocional superior. Inclusive, mencionou-se em conferência anterior sobre a existência dos poderes do coração, daquelas qualidades que estão além da mente, do intelecto e que serão desenvolvidas se trabalharmos esse centro cardíaco, esse chakra do coração. Podemos despertar, então, esses poderes todos. Nos textos védicos há uma passagem que descreve o seguinte: "aquele que meditar no centro do coração, obterá controle sobre o Tattwa Vayu que é o principio etérico do ar e obterá os siddhis relativos a este elemento, os poderes psíquicos dos santos; entre esses poderes está a levitação, a telepatia, clariaudiência ou clarividência".
Dependendo de cada um, o desenvolvimento desse chakra, desse centro energético pode propiciar um, dois, três ou todos os poderes relativos do Tattwa Vayú ou do princípio etérico do ar e até mencionamos na conferência anterior alguns exemplos de pessoas que levitavam, como José de Cupertino, muito conhecido no México; trabalhava com tanto afã, com tanta entrega o seu centro emocional superior que conseguia anular a lei da gravidade. São Francisco de Assis quando entrava em oração levitava. Santa Tereza de Ávila e outros que aqui no Ocidente são conhecidostambém. No Oriente, entre os tibetanos, existem dezenas de relatos de homens sagrados, pessoas que se dedicaram à prática do desenvolvimento do kárdias, que obtiveram esses poderes.
Aqui, no mundo ocidental nós, infelizmente, desenvolvemos a idéia de que os chamados poderes ocultos devem ser perseguidos, buscados, conseguidos como quem conquista, alcança um diploma universitário; só que no caminho do espírito, nas universidades do espírito, isso não funciona; não adianta correr atrás de um objetivo como esse, por exemplo, de ter poderes.
O que devemos fazer é a parte que nos cabe e mencionamos que precisamos eliminar de nossa mente o ego. Devemos sair da condição de animais intelectuais; desenvolver o centro emocional superior; o que equivale a trabalhar com a mente esotérica ou espiritual ou o centro cardíaco, onde estão depositados todos os poderes desses santos aqui mencionados.
A verdade é que todos nós, pelo modo de vida implantado no mundo, acabamos perdendo todas essas faculdades que eram inerentes a todo ser humano há quatro, cinco, seis mil anos atrás; simplesmente os perdemos. À medida que o intelecto foi desenvolvendo-se, fomos perdendo as capacidades desse centro energético do coração. Só que, agora, podemos recuperar a função natural desse centro e faz-se isso cultivando a emoção superior mediante a música seleta, sacra, dos grandes mestres e também pela vocalização de mantras, pela meditação.
Nós aqui adotamos como tradição, antes da conferência, enquanto a sala permanece aberta aguardando que todos cheguem aqui, sempre colocamos uma faixa musical com um mantra e deixamos tocar; repete-se isso dez, quinze, vinte ou até trinta vezes antes de iniciar-se a conferência. São momentos que podemos aproveitar para relaxar, para ativar esse centro emocional superior e cada qual em sua casa, em sua vida pode fazer suas seleções musicais e gradativamente deixar, então, a música mecânica e mecanicista, a música do ego, do intelecto, da personalidade de lado e buscar cultivar a música do coração, agora que estamos na reta final da humanidade; assim nos fizeram saber; temos de tornarmo-nos mais místicos, fazer muitas práticas devocionais, transformarmo-nos em devotos e é dessa maneira que desenvolvemos o coração.
Sobre as práticas místicas, existe uma conferência nossa denominada Bhakti Yoga a qual aborda isso exatamente, os aspectos devocionais, as práticas, os mantras, uma rotina de práticas para desenvolver o centro do coração e existe uma outra conferência denominada Karma Yoga que complementa essa de Bhakti Yoga, na qual abordamos a conduta reta, porque mais do que nunca temos de trabalhar concretamente aqui e agora; não mais apenas imaginar, sonhar, projetar, visualizar coisas. Precisamos ver, praticar concretamente aquilo que a Gnose ensina.
Também fizemos uma introdução aos temas mais básicos e ao mesmo tempo mais importantes para enveredar-nos definitivamente por esse caminho do desenvolvimento espiritual, quando abordamos, também em conferências anteriores, o tema das Paramitas, das Quatro Nobres Verdades e dos Oito Aspectos do Caminho de Buda. Todo esse conjunto de material fornece-nos uma idéia bastante ampla da natureza do trabalho espiritual que devemos levar adiante no dia-a-dia.
O trabalho esotérico gnóstico não é para ser feito apenas por quinze ou vinte minutos um pouquinho antes de deitar e dormir; ele deve ser levado, realizado de momento a momento em nossa vida, enquanto estamos dirigindo o automóvel, indo ao trabalho ou a qualquer lugar, no metrô, dentro de um ônibus, enquanto esperamos num ponto de ônibus, numa estação de metrô, aproveitemos esses momentos em vez de deixar a mente solta vagando, projetando fantasias.
Devemos viver o presente, praticar isso que denominamos atenção plena, focar nossa atenção em nossa respiração ou nos próprios processos mentais, trazendo a mente com firmeza sempre para o aqui e agora, não deixá-la solta, vagueando por aí com suas fantasias. O trabalho prático gnóstico é esse, atenção plena, não deixar a mente solta, aproveite esses tempos de espera, de pausa entre um trabalho e outro, entre a chegada do ônibus, enquanto está caminhando para sua casa, o sinal que está fechado ou numa esquina no trânsito.
Aproveite e ouça uma música, coloque sua atenção na respiração, sinta seu corpo, ponha consciência naquilo que você está fazendo, não deixe a mente vagando solta que nem um vagabundo, um ébrio; e ela embriaga-se com suas próprias fantasias e projeções; é disso que se trata e que estamos falando.
Precisamos curar a ressaca ou o porre da mente trazendo-a junto a nós, praticando a atenção plena de momento a momento. Por tudo isso que soltamos um comunicado geral em nossas listas e comunidades, falando da importância dos dias 27 de cada mês. Em cada dia 27, em todos os templos da Loja Branca, são realizados trabalhos especiais em favor da humanidade e nós, por meio de meditações, orações, podemos unir nossas mentes e corações com esta grande cadeia universal em favor daqueles que sofrem e também podemos pedir aos Mestres da Fraternidade Branca algum favor especial, por exemplo, a eliminação de um defeito, a compreensão, um grau de consciência ou Iluminação.
Não é pecado, nem proibido pedir. O Mestre Samael dizia claramente: "Quem nada pede é porque nada precisa", não sejamos auto-suficientes ou altaneiros a ponto de não pedirmos nada, julgando que já temos tudo. Temos de trabalhar sobre esses aspectos. Também avisamos que o Senhor Anúbis espera este ano fazer muitas negociações de karmas com os estudantes de Gnose, uma vez que muitos estudantes estão estancados no caminho porque devem karma; não estão administrando suas contas, seu capital cósmico; não estão gerenciando aquilo que é mais importante em suas vidas.
Devemos comparecer junto ao Tribunal da Justiça, renegociar, fazer composições, assumir compromissos de trabalhar forte em nós mesmos prá gerar méritos. Há estudantes que até criticam dizendo: "o que adianta ficar aí fazendo orações em favor dos outros?". Essas pessoas estão a milhões de anos-luz de entender o mais básico da prática gnóstica.
O Mestre Mória diz que qualquer pensamento de amor, de bondade, de compaixão em favor de qualquer pessoa ou ser humano gera um centavo cósmico, por exemplo, de méritos; e não fazemos essas pequenas coisas, pois achamos que somos titãs construtores do universo capazes de fazer grandes obras, quando tudo que é esperado de nós são pequenos pensamentos, gestos, atos de bondade, pequenas iniciativas de compaixão ou de consideração para com nosso irmão, nosso semelhante. Queremos construir um novo cosmo, mas, às vezes, não somos capazes de nos colocar no lugar do outro, sentir o que ele sente, compreender o que ele compreende, ver do ponto de vista dele, captar a necessidade dele. A Gnose é muito simples; é para ser vivida em fatos concretos; o resto é teoria, especulação.
Infelizmente nós, aqui no Ocidente, necessitamos, somos viciados em literatura, temos um estômago intelectual enorme; então temos de comer muito, pois nos tornamos verdadeiros paquidermes intelectuais; precisamos devorar toneladas de livros para não saber nada, para empanturrarmo-nos de fantasias livrescas, quando tudo que é esperado de nós é quinze, vinte minutos de prática, por exemplo. Isso dá mais resultado do que ler dezenas de livros, especialmente a pseudoliteratura espiritual e exotérica.
Muitas vezes, falando com estudantes de Gnose, ainda me surpreendo; são pessoas que estão profundamente arraigadas em suas crenças preliminares desta vida, crenças essas desenvolvidas ou adquiridas no catolicismo, na religião em que nasceram, nas crenças que seus pais passaram, nesses canais que abundam no mundo de hoje, essas canalizações, essas falsas mensagens de Mestres fictícios, porque tomam o nome desses mestres, mas escrevem mensagens que não tem nada em comum com eles; existem correntes, dezenas de escolas que gravitam em torno disso e ali mantêm dezenas ou centenas de almas aprisionadas num sistema que absolutamente serve para nada, não leva a lugar nenhum.
Estamos estancados por causa dessas crenças, dessas heranças todas de personalidade, de ego e é isso que precisamos negociar, renunciar, deixar para trás e fazer então ações, atos concretos, verdadeiros. Em nosso próprio site existem aquelas mensagens da Grande Mãe, nas quais é solicitado que oremos em favor daqueles que sofrem. Isso é um trabalho meritório, de bondade, de compaixão. O que nos impede de fazer isso todos os dias? A verdade é que menosprezamos, desdenhamos o poder da oração, o poder da bondade, o poder da compaixão ou um gesto como esse. Depois nos achamos com autoridade para criticar a lei divina, criticar os mestres da Loja Branca ou até mesmo o Grande Arquiteto Do Universo.
É hora de perdermos o medo da justiça cósmica, do Tribunal da Lei, de aproximarmo-nos dos Arcontes da Lei e começar a trabalhar para pagar nossas dívidas, nossos débitos, mesmo que não saibamos quais são. Certamente, o gesto, o comparecimento nosso diante do Tribunal levar-nos-á a fazer uma boa composição que nos favoreça no avanço espiritual, na abertura da consciência, em prosseguir esse trabalho ou concluir, senão nessa, pelo menos na próxima ou nas próximas duas vidas seguintes.
Se nada fizermos, e seguirmos omissos, sem dúvida seremos julgados à nossa revelia. É como um devedor que não tem endereço certo e residência não conhecida: é julgado à revelia e o cartório protesta e um dia qualquer, quando queremos fazer um negócio, vamos ver que estamos protestados e a dívida aumentou por simples omissão de nossa parte.
Com isso queremos dizer que nos aproximarmos, cooperarmos com o karma, como ensinava e ensina o Mestre Samael, é o melhor negócio. O karma é o grande remédio para nossas aflições, pois ensina-nos, mostra como erramos, onde erramos; é uma didática para trabalharmos sobre nós mesmos; temos de aproveitar isso. Não há porque temer os Senhores da Lei; são senhores do amor consciente do cosmo; não são carrascos, nem tiranos. São os maiores interessados que todas as pessoas saiam bem em suas negociações. Não é como aqui, na justiça dos homens, onde um quer “ferrar” o outro, levar vantagem por cima do outro; é diferente. Mais do que nunca, as práticas do coração, da meditação, dos mantras, das orações, da música seleta são importantes para diminuir a força e a intensidade da mente e fortalecer o centro do cárdias.
Ficamos à disposição daqueles que quiserem fazer suas considerações e os adendos necessários; pedimos que não fujam do tema central.
Perguntas:
P: Cite um exemplo de karma que podemos negociar quando não sabemos o que negociar?
R: Se você não sabe o que negociar, negocie tudo, faça uma proposição: Senhor Anúbis, imagino que tenho dívidas aí junto a esse tribunal; eu não sei quanto devo, nem sei como pagar, porém estou interessado nisso, nisso e naquilo e me comprometo a fazer isso, mais aquilo, mais aquele outro.
Não ofereça o que não pode cumprir. Então peça, por exemplo, para ter uma oportunidade de avançar no caminho, ter um avanço, que seja dada compreensão, entendimento para prosseguir esse trabalho, mas comece desde agora algo concreto, práticas diárias, conduta reta, obras de caridade. É isso que eles querem. Na vida prática o que percebemos é que as pessoas não fazem nada; se não fazem nada não há ingressos na contabilidade individual e se não há entrada, só custos e gastos, não tem jeito.
P: Se hoje é um dia especial para negociar o karma, o casal pode fazer juntos?
R: Sim pode fazer, inclusive durante a prática do arcano, em conjunto. Se não quiser, pode fazer diante do altar; alguém diz, o outro repete. O homem diz a mulher repete; depois a mulher diz e o homem acompanha os pedidos dela e assim fazem em conjunto.
P: Quando negociamos o karma temos de, necessariamente, apresentar uma forma de pagamento?
R: É evidente que sim, porque quem não tem como pagar, paga com dor e nem será ouvido. Pois nenhum gerente de banco quer fazer composição se você nem está pensando em pagar algo, nem adianta ir lá. Deixa andar, uma hora qualquer você pagará nem que seja com os piores sofrimentos que você não consegue imaginar hoje, mas todo mundo paga.
P: As pessoas santas podemos dizer que são pessoas de conduta reta, mas elas continuam tendo seus egos, apenas desenvolvem o cárdias?
R: Um santo, como aqui é utilizada essa palavra, é equivalente a um Arhat no Oriente; são pequenos Budas de 1ª, 2ª 3ª iniciação maior, que desenvolveram em si muitas virtudes, mas é claro que ainda possuem defeitos.
Os Budas que estão no Nirvana, para nós, são perfeitos, iluminados, pois esses Budas são seres de mente iluminada, vazia, isso é certo. Porém no fundo, profundo, do subconsciente deles há defeitos, mas esses defeitos não afetam, nem interferem no nível de consciência do Nirvana, mas já não servem, por exemplo, se alguém quiser ir até a sétima iniciação de mistérios maiores e muito menos servem se alguém quiser seguir o caminho reto, aí são as diferenças.
Quem aqui de nosso mundo expressam, vivem cem por cento do tempo com cem por cento de conduta reta são pessoas que possuem um elevado nível de ser, aos olhos do mundo são consideradas santas, mas no fundo profundo de sua mente, como o próprio Mestre Samael diz e ensina, elas possuem seus defeitos psicológicos. Um dia terão que trabalhar sobre isso, mas no momento possuem grandes méritos que permitem que elas voltem a esse mundo em condições melhores de família, psicológicas, de concluir o seu trabalho.
Eliminar defeito sempre é um grande negócio para nós, isso eu aprendi praticamente de forma inesquecível. Quanto mais defeitos puderem eliminar nessa vida, muito mais suave será a próxima, além de nos credenciarmos para melhores condições de iniciar ou reiniciar o nosso trabalho no próximo retorno.
P: Uma pessoa que realiza na sua casa, com sua esposa, família, uma cadeia de cura só para ajudar os doentes das clínicas, dos hospitais, das casas de saúde, aqueles que estão necessitados isso não envolve negociação ou envolve?
R: Não envolve negociação; isso é uma caridade que se faz em favor da humanidade; dá méritos. Mesmos que não façamos nenhuma negociação com a Lei Divina, fazer caridade, fazer obras em favor da humanidade aumenta nossos saldos, créditos e, algum dia, em algum momento em uma vida futura, isso vai ser necessário e importante. Sempre é um bom negócio fazer obras de caridade, fazer obras em favor da humanidade sem intenção de lucro, ajudar, participar, agir desinteressadamente.
A conduta reta não carrega em si nenhuma intenção expressa ou velada de recebimentos ou trocas. Se alguém faz algo objetivando uma troca ali já está o pagamento daquela forma, tudo continua igual praticamente. A conduta reta envolve uma ação isenta de intenção e de objetivos de retorno, recompensa.
P: Para se ter a plenitude do Ser temos de observar-nos a cada momento, queria saber como seria essa prática diária?
R: A prática diária disso seria atenção plena em você mesmo, contemplação de si mesmo a cada momento; este é o resumo de tudo. Toda vez que se distrai, volta; a hora que se der conta retorna e continua a prática; haverá um dia que isso se tornará natural, assim como é natural hoje viver de fantasia em fantasia, de projeção em projeção e de sonho em sonho acordado. Agora temos que fazer o processo reverso, exercitando a atenção plena, a contemplação de si mesmo a cada momento.
P: Se eu pedir uma maior agilidade no processo de Iluminação posso conseguir isso sem ter muito dharma?
R: Eles podem adiantar isso desde que não seja equivalente a dar uma pistola ou um revólver municiado nas mãos de uma criança. Os mestres da Loja Branca não são irresponsáveis a ponto de atender a pedidos como esse, por exemplo, se não está maduro para usar isso com responsabilidade; este é um motivo. O outro motivo, eles até podem dar se você está preparado, maduro, pronto, centrado, equilibrado mesmo que não tenha muito dharma por conta de trabalhos que você se compromete a realizar; fora destas duas condições não conheço possibilidade. Pode ser que exista, mas particularmente desconheço.
P: Somos adormecidos, então a negociação é só uma conversa nossa em meditação com a Lei, não é consciente, por exemplo, no astral, cara a cara com o Senhor da Lei?
R: O Mestre Samael, sabendo do estado de adormecimento de todos nós, dizia o seguinte, dando uma sugestão de como fazer negócios com a lei: "Concentre-se no Senhor Anúbis, vocalize, diga mentalmente dezenas, centenas de vezes o seu nome, que é mântrico; repita esse nome centenas de vezes concentrado em meditação e aí quando sentir que houve uma conexão, deu-se o momento - e você vai saber quando se dá esse momento, não há como não saber - coloque em palavras simples aquilo que quer colocar".
Então, não há uma necessidade, como você mesma diz, de estar cara a cara com o Senhor da Lei. Os adormecidos, nós, negociamos dessa forma; não devemos nos preocupar tanto com essas formalidades; a consciência tem seus próprios recursos; age autonomamente. O intelecto aqui pode não se dar conta, mas a consciência faz isso e dias depois você se dará conta disso até mesmo em sonhos.
P: Quando vamos eliminando o ego, que é o grande causador de nossos atos inconseqüentes, eliminamos também o karma que ele gerou no passado ou isso terá de ser pago de qualquer jeito?
R: Devemos ir negociar com a Lei, porque são esses karmas do passado, gerados por egos nossos, que impedem o nosso avanço, nossa compreensão, nosso despertar de consciência, muitas vezes nos impedem de sermos estudantes castos, porque devemos muito karma de luxúria e fornicação de passadas vidas; por mais que se lute não vai obter a castidade enquanto não acertar essa situação com a justiça. Isso é uma coisa interessante para ser analisado, meditado e compreendido. Temos de negociar o karma gerado pelo ego, que somos nós mesmos, para poder avançar e até mesmo para ter um entendimento maior para compreender esses mesmos defeitos. Devemos propor uma forma de pagamento ou de retribuição à Grande Vida para compensar os danos que ocasionamos a essa mesma Grande Vida por inconsciência em épocas anteriores.
P: Esse vazio existencial que sentimos é um chacoalhão que a mônada nos dá?
R: Podemos colocar desta forma; se existe esse chamado vazio existencial, porque não é o vazio iluminador que é outra coisa, traduz simplesmente ausência do Ser, caracteriza-se por um estado anímico contrário à plenitude, porque aquele que está possuído pelo seu Ser, possui ou encarnou o seu Ser, não sofre dessa enfermidade chamada vazio existencial.
P: Mas não se diz que o pecado contra o Espírito Santo não é negociado, tem que ser pago em sua plenitude?
R: Não é que o pecado contra o Espírito Santo não é negociado; ele não é perdoado e a mudança de uma palavra para outra muda completamente a natureza do negócio. Cuidado com as palavras, não existem palavras vãs. Nos textos sagrados, diz-se que o pecado contra o Espírito Santo não é perdoado. Só é perdoado depois de negociado, pago aquilo que se deve pagar, este é o entendimento deste não perdoado, porque senão a humanidade inteira não se salvaria.
Até o Absoluto estaria vazio, porque não há uma única criatura, Mestre da Loja Branca que algum dia não tenha passado por nossa condição humana e, conseqüentemente, cometido esse erro; tenhamos amplitude de mente, de entendimento para ler, interpretar e aceitar as chamadas verdades contidas nos livros sagrados.
P: A Mãe Divina Kundalini providencia os caminhos para nós de acordo com os méritos do coração!
R: Isso é uma grande verdade, tanto que nesse comunicado que mandamos às listas e às comunidades que gerenciamos, fala sobre isso; que devemos fazer muitas orações à Divina Mãe Kundalini, porque sem interferência, presença, participação direta dela, estaremos absolutamente perdidos, de antemão perdidos, porque é a Mãe Divina que atrai para nós amigos e inimigos, sorte e azar, fortuna ou infortúnio. Temos que nos reconciliar urgentemente com nossa Divina Mãe e de preferência junto com ela irmos ao Tribunal da Justiça cósmica, isso é muito importante.
P: A negociação do Karma deve ser feita para acabarmos com o sofrimento, mas em paralelo a esse pagamento trabalharmos para destruir os defeitos geradores, senão o karma será pago, mas continuaremos gerando mais karmas por esses defeitos. Correto?
R: Correto, de nada serve irmos negociar se continuamos com os mesmos vícios; antecipo que nem adianta ir negociar, porque nada será concedido. As coisas só são concedidas aos dignos, merecedores de crédito. Para tornar-se digno desses créditos é preciso conquistar a confiança apresentando garantias; a garantia fundamental que podemos dar é nossa conduta, o trabalho sobre nós, um trabalho que já iniciamos concretamente sobre nós; isso são as garantias que vamos dar. Se nada fizemos até hoje e nem pretendemos fazer muito, aí a decisão já foi tomada; não tem muito que fazer; continue vivendo do jeito que viveu até hoje; devemos ter seriedade, responsabilidade, profundidade nestas questões todas.
P: O Mestre Anúbis pode nos dar o acesso ao Akasha?
R: Claro, agora se compreenda uma coisa: o chamado Mestre Anúbis nada mais é do que o mesmo Pai na forma de Lei. Anúbis representa a vontade de nosso Pai, de nosso Ser; é isso que os não iniciados não conseguem entender dentro de suas fantasias retiradas das literaturas pseudo-esotéricas que circulam pelo mundo.
P: Existem alguns indícios que poderiam nos ajudar a identificar alguma dívida kármica?
R: Claro que existem, por exemplo, se você não consegue emprego, tem enfermidade crônica, deficiência crônica, tem certeza que realmente está fazendo práticas rigorosamente em dia, tipo duas, três horas por dia há dois, três, quatro, cinco anos e não conseguiu nada, são sintomas de que existe estancamento pela Lei. Seria bom passar no Tribunal e verificar como anda seu livro de contabilidade por lá ou simplesmente fazer uma proposta.
Temos de ser honestos, sinceros, profundamente transparentes em nossos contatos, negociações, propostas, meditações com os Mestres da Loja Branca. Não importa se é o Senhor Anúbis, se é outro Mestre da Loja Branca; temos de ser transparentes. Porque sabem que dentro de nós estamos dizendo, não há como fugir, eles não dizem nada, mas sabem. Não contemos histórias como fazemos aqui neste mundo; aqui é comum enrolarmos as pessoas; não sermos honestos; não queremos dizer as coisas; usamos palavras que deturpam o verdadeiro estado de uma coisa, acontecimento. Lá nos encontramos nus, temos que assumir a verdade, a honestidade, a transparência. Sabemos que isso é difícil para o ego, pois o ego não quer ser honesto, transparente; quer é esconder-se, tem medo, é covarde, não diz as coisas frontalmente ou objetivamente de forma simples com palavras simples e direta; ele não diz, esse é o problema; e devemos aprender a dizer a verdade; não a agredir as pessoas com a verdade, mas dizer a verdade, isso sim.
O texto acima é cópia integral, (modificada a pontuação e feitas algumas alterações para dar o formato de texto), de uma conferência ditada por Karl Bunn, presidente da Igreja Gnóstica do Brasil – www.gnose.org.br – realizada ao vivo dia 27.02.2007, por intermédio do programa Paltalk, via Internet. Equipe: Transcrição de texto: Mariana Cunha. Copydesk: Wagner Spolaor
|

IGREJA GNÓSTICA DO BRASIL
© 2012 Todos os direitos reservados |
|
|