ABRAGNOSE - Academia Brasileira de Gnose

Desejos e Frustrações

 


Este é um dos temas mais importantes para todo trabalho gnóstico porque trata da base, do começo. O Mestre Samael diz que “a mente é a morada do desejo”; talvez seja mais didático dizermos que o “intelecto é a morada do desejo”. O que significa isso? Significa que nós mesmos, inadvertidamente, criamos o desejo quando, como essências, entramos no reino humano…

O desejo nasceu e se formou em nós nos primeiros retornos como humanos… Mas, seja como for, quem quiser compreender os mecanismos do desejo, deve investigar, estudar e explorar o funcionamento de sua própria mente intelectualizada.

Quem não conhece o funcionamento da sua mente-intelecto, quem não conhece a fundo seus pensamentos, suas fantasias, seus desejos, nunca vai ter sucesso na vida espiritual ou na caminhada espiritual. Lembro também que, em outras passagens, o Mestre Samael diz o seguinte: “acaba até mesmo com a sombra do desejo, porque o desejo é a raiz do ego”.

Meus amigos, o desejo anda de mãos dadas com o apego; o desejo cria o apego, o apego cria o vício, o vício ou a repetição cria e alimenta o ego. Pois bem! O que é o desejo? Como se forma o desejo?

Podemos colocar, para efeitos didáticos, que o desejo é o instinto em forma racional ou é instinto em forma intelectualizada; é a intelectualização do instinto…

Para entender melhor a essência do desejo temos que voltar à nossa condição de chispas vivendo ainda em corpo animal. No reino animal não existe o desejo; no reino animal existe o instinto; o instinto é pura força natural; instinto não é ego, embora muitos confundam instinto com ego…

Instinto não é desejo, repito; instinto é a natureza selvagem, bruta, pura, livre, isenta de ego e isenta de intelecto; por conseguinte, isenta de expectativa, de sonhos, projeções e de razão [intelecto]. Por isso, de modo natural, todo animal vive o dia de hoje tal qual se apresenta… Lembram dessa frase da aula anterior? Aprender a viver o dia de hoje tal qual ele se apresenta…

Nós, animais intelectuais, não temos essa habilidade; era uma habilidade natural viver a vida exatamente tal qual se apresenta; nós perdemos isso pelo gradual processo de intelectualização… Mas, para não perder o fio, o animal não foge da realidade, não deseja que o dia de hoje seja diferente, não projeta o futuro, não espera nada, não cria expectativa…

Quando um animal copula, segue o impulso natural do sexo; não fantasia, não deseja; não faz sexo pelo prazer nem movido por taras e fantasias… Percebem a diferença?

Quando um animal come ou se alimenta, simplesmente cumpre e segue a força natural de sobrevivência: alimentar-se para viver, e não viver para comer… O animal come apenas o que precisa; adota de forma natural aquilo que podemos denominar de mono dieta, ou seja, o carnívoro como carne, o herbívoro come erva, o frutívoro come frutas.

Não se percebe gula no reino animal… Um animal se torna guloso quando passa a conviver com o homem, cujos donos superalimentam, inclusive dando as mesmas porcarias que ele come – e aí o animal fica doente… Inclusive, se torna canceroso, que é uma doença típica da vida moderna.

Da mesma forma, quando um animal descansa ou repousa ele apenas obedece à necessidade natural de repouso, e de forma simples e natural retoma sua atividade diária tão logo o corpo esteja descansado. Ele não fica dormindo até mais tarde, não assiste a TV, não fica de bobeira na rede o dia inteiro.

Um animal, quando vê outro da sua espécie ou da sua raça, não se compara como faz o animal intelectual. Portanto, um animal não sente inveja, nem frustração. Igualmente, um animal não compete entre si para ver quem corre mais ou quem tem a melhor pelagem ou a galhada mais bonita; ele é simples, natural, espontâneo… Não tem atitude nem comportamento afetado como tem o animal intelectual.

Acreditamos que esses são exemplos suficientes para deixar claro a ausência do desejo na vida dos animais. Por isso mesmo eles são naturalmente felizes. O animal intelectual confunde felicidade com prazer; acredita que se satisfazendo será feliz; satisfazer-se além da conta é desejo…

Em conclusão: os animais seguem o programa natural da vida. Eles não têm intelecto, não são racionais; eles não pensam, não projetam, não imaginam, não racionalizam, não duvidam, não se comparam; simplesmente vivem e fazem tudo sem pensar… Por aí, então, se vê claramente o quanto os animais intelectuais são diferentes…

A faculdade intelectual foi dada ao homem para discernir, e disso temos falado aqui muitas vezes. Porém, usamos essa faculdade com outros propósitos, facilmente detectáveis e perceptíveis. Como exemplo, o animal intelectual usa o intelecto para fantasiar, para projetar sonhos, para inventar armas, para refinar instrumentos de tortura ou de prazer – que está em moda hoje em dia, para planejar vinganças, etc.

A razão, quando corretamente usada, nos proporciona inventos que facilitam nossa vida sem dúvida nenhuma e todo sabe disso. Porém, quando mal usado, desvia recursos públicos em operações fraudulentas, e por aí a fora todo o drama social que conhecemos muito bem aqui neste país, devido ao intelecto usado de forma negativa ou mal usado [por causa do desejo].

A estas alturas alguns devem estar pensando algo como “você tá louco!” “Que tipo de vida é essa?” “Eu não sou nem quero viver como animal!”.

De fato, você está absolutamente certo. Afinal, ser comparado com um animal insulta nosso ego, não é mesmo? E não podemos permitir isso, certo?

Pois bem, então vamos pôr de lado esse paralelo com a vida animal… Vamos subir o nível… Vamos falar dos Buddhas, dos Anjos, dos Mestres, dos Deuses…

Percebem que eles também não possuem intelecto? E que eles, para chegarem onde estão hoje, infantilizaram sua mente antes de tudo? E que depois sacrificaram a própria mente ou seu próprio intelecto?

Enfim, Buddhas, Anjos, Mestres e Deuses, para chegarem onde estão, fizeram grandes esforços para se libertarem da mente animal e da mente racional; superaram os instintos e o intelecto. Cabe a nós fazer a mesma coisa – e essa tem sido a proposta gnóstica desde o primeiro livro do Mestre Samael: sair da condição de criaturas cem por cento instintivas e chegar ao nível de Anjos Buddhas e Mestres…

Estamos hoje na etapa de animais intelectuais… Aparentemente, os que estão aqui nesta sala, ouvindo esta conferência, aparentemente repito, estão interessados em sair da condição de bípedes racionais… Imaginamos e queremos crer que buscam todos o estado de mente vazia ou de mente iluminada…

Parabéns a todos, então! Se for isso o que queremos… Oxalá todos aqui consigam isso… Mas há que se saber que sem esforços permanentes isso não vai ocorrer; não vamos chegar a um estado de mente vazia ou de mente iluminada ou búddhica sem esforço pessoal e trabalho, muito trabalho.

E voltamos aqui, novamente, ao desejo, ao papel do desejo nesta proposta. Nossos desejos são justamente o maior entrave para sairmos da condição de animais intelectuais e adentrarmos ao estado de criaturas intuitivas ou de mente iluminada… São nossos desejos que nos amarram e nos escravizam a este mundo ou a esta esfera.

O intelecto se tornou nosso maior inimigo hoje… Nosso intelecto se fragmentou, foi pulverizado em centenas, milhares de formas de desejos que formam nosso ego. Que todos reflitam sobre isso…

O que é a ira? A ira nada mais é do que desejo frustrado.

O que é inveja? É o desejo pelo bem alheio ou pelas coisas que o outro tem. É aquilo que normalmente aparece em nós em forma de “porque eu não tenho o que ele tem?”.

O que é a luxúria? É desejo sexual.

O que é preguiça? É desejo de não fazer nada.

O que é a gula? É desejo de comer além da conta.

O que é a cobiça? É o desejo de possuir tudo.

O que é orgulho ou soberba ou vaidade? É o desejo de ser reconhecido, aplaudido, elogiado, procurado, bajulado…

Agora vem o mais importante de tudo isso: “Todo é qualquer desejo contrariado gera frustração”. A frustração sempre gera irritação, impaciência, mau humor; pelo menos essas três reações… Muitas vezes a frustração gera outras reações.

Vamos repetir: “Todo e qualquer desejo contrariado gera frustração”; a frustração gera irritação, impaciência e mau humor, pelo menos… Desde um simples desejo de consumo contrariado já temos essas reações… Um desejo de progresso, avanço, de despertar de poderes no caminho iniciático, depois de uma semana ou duas semanas de trabalho sem que nada aconteça, em muitos casos, gera frustrações e contrariedades a tal ponto que simplesmente ele pára e desiste do caminho que nem sequer começou…

É de se perguntar então: por que hoje em dia as pessoas estão ou são tão irritadas, mal humoradas, impacientes, por quê?

Talvez, no fundo de tudo isso, seja devido a que seus desejos, alimentados por uma sociedade de consumo e de falsos valores, não são atendidos…

E mais: mesmo quando há dinheiro para comprar tudo que se deseja, ainda assim não são felizes… O vazio permanece, novos desejos surgem… Por isso que, no começo, dissemos: “acaba com o desejo, mata até a sombra ou a memória do desejo” – porque o desejo é a raiz mesma de nosso egoísmo.

Agora, como é que se vence ou se pode superar ou anular os desejos?

Aqui neste canal falamos insistentemente sobre isso: os desejos, como os defeitos, que são personificações dos desejos, são vencidos pelo cultivo paciente das suas correspondentes virtudes… Há conferências em nosso site onde falamos disso: das virtudes de nossa alma, das virtudes do Ser… Essas pequenas virtudes são as partes mais próximas a nós, mais acessíveis; são princesas, donzelas, virgens, esposas; são conhecidas com diferentes nomes em diferentes culturas…

Examinemos agora, rapidamente, os sete principais defeitos e como praticar ou superar esses mesmos defeitos ou esses mesmos desejos ou alcançar a raiz mesma desses defeitos…

Todos sabemos que a castidade se opõe à luxúria. Mas ninguém irá abraçar a moral de si próprio e alcançar a pureza de pensamentos se não compreender a necessidade de fazer isso. Uma vez que ele compreenda isso, como fez Buddha, ele irá educar-se a alcançar a pureza de pensamentos que lhe dará, depois, castidade aqui, no mundo físico também.

A luxúria, no fundo, consiste no apego aos prazeres carnais, ao desejo. A repetição gera o apego; portanto, a luxúria consiste no apego aos prazeres carnais, à corrupção [do sexo e do corpo], à sexualidade extrema, à lascívia…

A virtude da generosidade se opõe à avareza. Generosidade entenda-se como desprendimento, bondade, dar sem esperar receber nada em troca… A avareza por sua vez é o apego sórdido, uma vontade exagerada de possuir qualquer coisa; na verdade vem a ser um desejo descontrolado, é uma cobiça a bens materiais, dinheiro, tudo. A característica fundamental do avarento é que ele renega as próprias necessidades naturais para ter apenas a possibilidade de gozar do fato de poder possuir um pouco mais de dinheiro em suas economias… Mas também vemos características de avareza nas pessoas que têm a mania [vício, hábito, mau costume] de não jogar nada fora e acumular quinquilharias no porão ou no sótão da sua casa. Nesse caso, as quinquilharias não valem nada em termos de dinheiro, mas existe um valor sentimental – e aí está presente a avareza, na forma de guardar tudo, possuir tudo, estar sempre próximo daquilo que guarda.

– O que se opõe a gula? É o que conhecemos como temperança. O que é a temperança? É autocontrole, moderação no comer; é uma prática de abstenção, de renúncias, padecimentos voluntários até.

O que se opõe à preguiça? A virtude, o pólo oposto da preguiça, é diligência. O que vem a ser diligência? Vem a ser presteza, rapidez em fazer as coisas; diligência é ser conciso, objetivo; é integrar atos, trabalhos ou ações com as próprias crenças ou forma positiva de viver… A preguiça é a inatividade de uma pessoa, inatividade física e mental; é uma aversão a qualquer tipo de trabalho e esforço físico; podemos até acrescentar esforço mental também porque tem gente que tem preguiça de pensar, no bom sentido. A preguiça se caracteriza também por um vício de procrastinação. O que é essa procrastinação, meus amigos? É o famoso “depois”; O depois é amanhã, o amanhã é nunca. Preguiça também se caracteriza pela falta de capricho, de esmero, de empenho naquilo que faz; há negligência, desleixo, morosidade, lentidão, moleza – seja de causa orgânica ou psíquica – e isso leva à inatividade acentuada. Inatividade acentuada é uma bela expressão para preguiça; aversão ao trabalho também é uma bela expressão para o termo preguiça. Ócio – que é o ócio? O que é a vadiagem, meus amigos? É preguiça – ou alguém conhece outro nome?

O que se opõe à ira? As virtudes capitais para se superar a ira são a paciência, a serenidade, a paz. O que caracteriza a ira? A ira é um intenso sentimento de raiva, de ódio, de rancor; é um conjunto de fortes emoções ou pensamentos e até mesmo atos e vontades de agredir. É vista ou observada como cólera, vingança, enfim, há muitas formas da ira se manifestar numa pessoa; é como que uma vontade freqüentemente tida como incontrolável contra uma pessoa, uma situação, um acontecimento. É também uma reação a um tipo de ofensa, provocação ou insulto.

E agora, o que se opõe à inveja – que é o mecanismo secreto que move a sociedade humana? Quais são as virtudes para se superar a inveja? O cristianismo ensina a caridade. A gnose fala do altruísmo. O que é caridade? O que é altruísmo? É desprendimento, é dar, é compaixão, é amizade, é simpatia, é renúncia…

E agora, o principal ou um dos principais defeitos, que é o orgulho, arrogância e soberba. Ele também se mescla [e se confunde] com vaidade. A grande virtude ou conjunto de virtudes que se associa, no lado oposto, pertence ao que podemos sintetizar como humildade. A humildade é a virtude da modéstia. Aquele que pratica e vive modestamente não tem inveja nem orgulho e nem vaidade… Pelo contrário, ele tem alegria pelas conquistas alheias… A modéstia é humildade; a vaidade, por sua vez, consiste em uma estima exagerada de si mesmo, chega a ser uma afirmação esnobe da própria identidade. A vaidade está presente nos orgulhos excessivos ou elevados e também na arrogância.

Hoje em dia a vaidade é mais entendida no sentido estético, visual, de aparência de uma pessoa… A imagem de uma pessoa vaidosa que fazemos geralmente é a de estar em frente a um espelho se contemplando enamorado de si mesmo como Narciso. Mas a vaidade não se baseia apenas numa idéia como um conceito de beleza pessoal…

A vaidade também se identifica como um conceito de poder, de querer tudo o que não tem ou de querer mais que outros só para se mostrar, se exibir. Há vaidade praticamente em todos os atos humanos; enquanto não conquistarmos um total despojamento, modéstia, simplicidade, humildade, a vaidade sempre estará presente em cada um de nossos atos.

A soberba é caracterizada pelo apreço em ostentar e gratificar… A soberba pode estar associada à luxúria ou à altivez, e apresenta certo nível de presunção exagerada para com bens materiais ou excesso de amor próprio; se ama tanto que se torna soberbo; se gratifica tanto que se torna soberbo; acumula tanto poder que isso se transforma em soberba; há tanta vaidade nele que se torna soberbo e arrogante que é sua irmã gêmea.

Enfim, há orgulho, vaidade, arrogância e soberba quando alguém ama, aprecia ou focaliza demasiadamente suas próprias capacidades ou eventuais relações suas na vida associadas ao luxo, desperdícios ou excessos… Tomás de Aquino dizia que a soberba era um pecado tão grande que deveria ser tomado como fora de série, ou seja, fora dos sete pecados capitais, devendo ser tratado separadamente e merecer uma atenção muito especial…

Em resumo, meus amigos, os sete pecados capitais são sete importantes cristalizações do desejo. Oxalá todos possam compreender isso…

Já a conduta reta consiste em expressar virtudes no diário viver, e esta é a forma dinâmica de não só combatermos os desejos na hora em que eles se manifestam, como também, a conduta reta é a forma de reafirmarmos nosso Ser em cada ato, em cada pensamento ou atitude do dia a dia, por menor que seja…

Até aqui nossas palavras iniciais desta noite… Ficamos agora à disposição de todos para aprofundar aspectos que eventualmente não tenham ficado devidamente claros. Fiquem à vontade para colocar as inquietudes que tiverem sobre o tema desta noite…

 

Perguntas

 

P: Qual a diferença entre um desejo pelo caminho entre o anelo pelo caminho?

R: Meu amigo, só você, com o tempo e o uso inteligente do intelecto, poderá descobrir onde termina um e onde começa o outro; só você. Não há como transferir vivência, experiência…

 

P: Em relação ao medo, é um pecado, é um sentimento?

R: Não, minha amiga, o medo é instinto; é instinto de preservação que, ao se aliar, se associar com o intelecto, cria imagens, projeções, expectativas de coisas que não são do aqui e agora. Isso tudo gera medo imaginário, mas há que se saber que a raiz que gerou os medos imaginários foi o instinto de preservação. Temos que voltar ao estado infantil, como mencionamos, que é a etapa obrigatória de todo aquele que vai ser Buddha, Mestre ou se auto-realizar, para que possa, então, passar a outra etapa ou oitava. Haverá um momento, nessa infantilização consciente e deliberada, em que o medo, que se expressará em nós, é aquele mesmo medo instintivo, que é natural, repito, e esse não há porque temer agora; um dia se supera também o instinto…

 

P: É nas sensações que nasce o desejo?

R: Sem dúvida nenhuma; os nossos cinco sentidos recolhem sensações de cinco ou de seis espécies diferentes. Sensações relativas a cada de nossos sentidos, e o sexto, que são as sensações recolhidas pelo intelecto, e que se forem agradáveis, geram desejo de repetir, e a repetição gera o vício, o vício gera o apego e o apego alimenta [fortalece] o ego…

 

P: Para acabar com a frustração só mesmo acabando com o desejo?

R: Não, meu amigo; para acabar com a frustração basta você compreender todo este processo que falamos nesta noite. A partir daí, quando você compreender, entenda-se que não há mais razão de ficar desejando algo… Agora, se depois de compreender, de ter a percepção, a visão, a compreensão, o entendimento do quadro todo e você ainda seguir cultivando desejos, aí é uma escolha pessoal sua. Ninguém pode te tirar esse direito, mas as conseqüências também são suas…
P: Ainda não entendi se o instinto pode ser eliminado ou apenas controlado?

R: Meu amigo, instinto não se elimina. Se você eliminar o instinto, teu coração pára de bater, você pára de respirar e morre em cinco minutos; instinto não se elimina; coloca-se a funcionar em seu devido lugar. Instinto é para cuidar das funções naturais da vida…

 

P: No cultivo da humildade ou da luta contra o orgulho pode se humilhar demasiadamente até o ponto de perder a alegria, perder seus dons naturais?

R: Meu amigo, é o seguinte: se você tratar, como mal se ensina por aí, somente de eliminar seus defeitos, sem que, na mesma proporção e medida, você desabroche, faça nascer e fortalecer suas virtudes, aí sim, você vai cair nesse ponto que estás colocando aqui, e que te assusta; isso é correto… Nós ensinamos – e o Mestre Samael ensinou – uma Gnose da alegria, e não isso que está por aí, que parece que ensina às pessoas a serem derrotadas… A Gnose é para vencedores, e não para derrotados… Se alguém perde a alegria de viver é porque está fazendo errado o seu trabalho. Mas não confundamos a alegria de viver do santo, do místico, do Buddha, do Dalai Lama, com a farra dos embriagados que se vê pelas ruas… Há que se distinguir as coisas; às vezes confundimos alegria com expressões de bestialidade…

 

P: Existe algum “espelho” para quem está sofrendo de inveja?

R: Sim meu amigo; um outro invejoso…

 

P: As frustrações que eventualmente ocorrem no caminho e na busca espiritual muitas vezes podem ser causadas por intenções e motivações espirituais equivocadas?

R: Sem dúvida, meu amigo. Quando temos um entendimento equivocado de uma doutrina, o resultado é fatal; então, o que se diz na Gnose? “Antes de fazer qualquer prática ou antes mesmo de se lançar neste caminho nós temos que compreender a natureza do caminho, a natureza do trabalho espiritual. Temos que nos assegurar que tenhamos tido entendimento reto da doutrina”. Quem pode nos avaliar quanto ao entendimento reto da doutrina? Só alguém que está à frente de nós no caminho – e com isso, então, começam a passar mal todos aqueles que são auto-suficientes; e há muitos, especialmente no meio gnóstico que não querem ajuda de Mestres nem de instrutores; acham que a forma como entendem é um entendimento reto… Quase sempre não é – e disso muitos problemas são gerados…

 

P: Mas não são as frustrações que abrem nossos olhos para a verdade?

R: É a mesma coisa que você me afirmar que a dor aperfeiçoa a humanidade, e eu te pergunto: a humanidade está perfeita hoje em dia? Durante a iniciação nos é dito por nosso Mestre: “Dor e reflexão – eis aí o teu caminho”. Dor e frustração, sem reflexão reta, como pode abrir os olhos para a verdade? Impossível, meu amigo…

Agradecemos a atenção de todos, a consideração por estarem conosco nesta noite, e fica aí o convite para retornarem na terça-feira que vem, às vinte horas.

Muito obrigado a todos! Paz inverencial!

Autor: KARL BUNN


O texto acima é cópia integral, (modificada a pontuação e feitas algumas alterações para dar o formato de texto), de uma conferência ditada por Karl Bunn, presidente da Igreja Gnóstica do Brasil – www.gnose.org.br – realizada ao vivo dia 13.11.2007, por intermédio do programa Paltalk, via Internet. Equipe: Transcrição de texto: Mariana Cunha. Revisado pelo próprio autor.

28 de outubro de 2013

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