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Os Mistérios Sexuais da Gnose

Há décadas a cultura ocidental vem sendo sacudida em suas crenças religiosas com as descobertas sucessivas de papiros e escrituras dos primórdios cristãos. Dois mil anos de mentiras e lorotas teológicas criadas e sustentadas pela igreja romana vem sendo pulverizadas a cada novo documento que chega ao grande público ou a cada obra criada em base a tradições ocultas [como o Código de da Vince]. O último desses petardos é O Evangelho de Judas – que da noite ao dia guinda o suposto traidor ao posto mais elevado dentre os doze apóstolos. Portanto, rememorar alguns aspectos, já publicados e dados a conhecer, não é algo desproposital. Vejamos:

1. Elaine Pagels, uma das maiores autoridades herisiológicas da atualidade, ressalta um texto no Evangelho de Felipe que ridiculariza os cristãos ortodoxos [romanos], como se fossem ignorantes, por acreditarem literalmente na Ressurreição. – “É necessário receber a ressurreição enquanto vivem”, diz Felipe [e receio que a própria senhora Pagels não sabe o que é isso em verdade. Mas isso é outra história]. Com idêntico propósito, Kuntzmann e Dubois escolheram um texto que se refere à Maria Madalena – ” O círculo que cerca Jesus simboliza a comunidade perfeita dos pneumáticos (os gnósticos, os espirituais) particularmente Maria Madalena, da qual o “Evangelho de Maria” diz (p.18,13 – 15): “O Salvador a conheceu de modo indefectível. Por isso ele a amou mais do que a nós”. Outros especialistas acham sugestiva a palavra “conheceu” devido à conotação bíblica desta palavra [manteve relações íntimas].

2. Elaine Pagels se manifesta a respeito do que diz Felipe sobre Madalena: – ” O Evangelho de Felipe contém um perfil do Jesus histórico muito diferente daquele que é retratado no Novo Testamento” – Elaine Pagels refere-se “ … a que acompanha (o Salvador é) Maria Madalena. (Mas Cristo amava-a) mais que (todos) os discípulos, e costumava beijá-la (freqüentemente) nos lábios. Os outros (discípulos ofenderam-se)… e disseram-lhe: “Por que tu a amas mais que a todos nós?” O Salvador respondeu e disse-lhes: “Porque eu não os amo como(amo) a ela?… Grande é o mistério do casamento – sem ele o mundo não existiria. Agora, a existência do mundo depende do homem e a existência do homem do casamento”.

3. Sim, grande é o mistério do casamento. Ah! Se, de fato, as pessoas soubessem… Se os “teólogos” despertassem!!! Largariam suas batinas e seus desvios sexuais para se dedicarem plenamente à sagrada prática dos Mistérios Sexuais, conforme descreve o próprio Felipe em “Os Mistérios da Câmara Nupcial”. Mas é pedir e esperar demais desses que viciaram seus intelectos na leitura de arcanos documentos. Sempre é mais fácil acomodar-se no imobilismo intelectual que vencer e superar os próprios vícios e déficits humanos. [Após estudar tudo isso e mergulhar a fundo em estéreis sistemas teológicos não há como não reconhecer nem aplaudir o grande feito de Samael Aun Weor, que no século passado, entregou de mão beijada as chaves do entendimento das teologias oriental e ocidental].

4. A teóloga australiana Barbara Thiering (Jesus, the man) afirma que Jesus era casado com Maria Madalena. A festa de noivado teria sido “As Bodas de Caná”, uma das provas deste casamento (segundo os ritos de então). O episódio é apenas narrado por João. Se ali aconteceu o primeiro “milagre” de Jesus, porque os outros evangelistas ignoraram “As Bodas de Caná”? Há a lembrança de que os servos dirigiram-se à Maria, mãe de Jesus, para reclamarem o vinho e não à uma outra pessoa, o “dono da festa”, o que seria normal? A dra. Thiering explana e esclarece esta e outras questões mais profundas no seu livro: “Jesus, the man”.

De fato, mais um mistério para os crentes adeptos do entendimento plano e superficial das sagradas escrituras. As bodas de Caná e o milagre da transformação do vinho, sem dúvida, fazem parte dos mistérios do casamento que busca a cristificação [e não a mera procriação de criaturas para os Arcontes], e a consequente ascensão aos eons mais elevados do Pleroma gnóstico.

Ao contrário do que afirmam os “doutores da igreja romana” o “casamento de Jesus” NÃO É uma demonstração da natureza não-divina de Jesus. É um fato concreto que atesta e mostra de forma indubitável que a natureza divina se constrói dentro da Câmara Nupcial e que jesus para encarnar e expressar o Cristo teve que praticar os ritos sexuais dos Mistérios da Câmara Nupcial com Maria Madalena – sua sacerdotiza e consorte sagrada. E até hoje os “doutores” continuam ignorando as duas naturezas distintas de Jesus. Confundem Jesus com o Cristo que se expressava nele. E o GRANDE MISTÉRIO é, justamente, esse: COMO ENCARNAR O CRISTO???

Sem dúvida, só os gnósticos sabiam disso. Os gnósticos sabiam distinguir o Cristo de Jesus, e também sabiam como chegar à encarnação do Cristo praticando os Mistérios da Câmara Nupcial com suas consortes. Daí que só rindo mesmo da ingenuidade dos primeiros membros da igreja romana que havia proscrito esses Mistérios dentre seus sistemas de doutrinamento. O non sense alcança o infinito quando se crê [e ainda se ensina] – por exemplo – que um dia “os mortos ressurgirão de suas tumbas ou do fundo dos mares no juízo final”.

Jesus e os apóstolos sabiam perfeitamente que os “mortos” são os “mortos-vivos” que sempre existiram e ainda existem em todas as partes. Os mortos-vivos são todos os 6,5 bilhões de criaturas humanas que caminham sobre a face do planeta, produzindo e consumindo, como se a vida fosse isso – e que os Deuses teriam se dado a tanto trabalho de construir todo um universo só para ver seus filhos se transformarem e se limitarem a agir e a ser como máquinas de consumo e de produção. [– Toc, toc, toc! Acorda, Néo…!!!!!]

Como bem diz Felipe, ressaltado por Elaine Pagels, “É necessário receber a ressurreição enquanto vivemos”. Essa ressurreição da carne se dá mediante delicados e sustentados processos alquímicos levados a efeito na Câmara Nupcial, durante um tempo médio de nove mil a 12 mil dias [noites]. Por isso mesmo, o “primeiro milagre” que o Iniciado deve fazer é “transformar a água em vinho” ou transubstanciar sua água da vida [ens seminis] em “vinho” [carne e sangue que não são nascidos de Adão ou do pecado original]. O próprio mistério da transubstanciação refere-se a isso: cristificar o próprio sangue – e como fazer isso sem conhecer e praticar os Mistérios da Câmara Nupcial?

 

Para um maior aprofundamento, recomendamos: Kundalini, Sexo & Tantrismo


Autor: Karl Bunn

17 de outubro de 2013

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