ABRAGNOSE - Academia Brasileira de Gnose

Mística e Fanatismo

O tema que vamos abordar trata da mística devocional gnóstica e do fanatismo.

Escolhemos o tema desta noite com base no fato de que muita gente, surpreendentemente, no meio gnóstico, acha que ensinar mística, fazer atividades místicas, fazer práticas, incentivar ou realizar orações, invocações aos Mestres, aos Deuses não passa de fanatismo…

Lembro perfeitamente de um comentário de alguém que participou do nosso Seminário Especial de Páscoa, em São Paulo, que, após haver participado de tudo, saiu comentando que éramos fanáticos, só porque fizemos algumas invocações ao Mestre Samael, à Divina Mãe, à Divina Gaea, e outras práticas que foram realizadas coletivamente durante esse seminário…

Este indivíduo, pessimamente informado em escolas pseudo-gnósticas, levou de nós uma impressão equivocada… E como ele, muitos por aí não fazem práticas, não invocam Mestres, nem Deuses ou Potestades Espirituais porque acreditam que um “verdadeiro gnóstico” não faz isso; porque têm uma visão torcida de que fazer prática, invocar Mestres, é fanatismo…

Nada pode estar mais longe da realidade do que tal pensamento… É que essas pessoas não entenderam ainda o que é ser um Mestre da Loja Branca. Um Mestre da Loja Branca é aquele que encarnou o seu Deus interno – e se encarnou o seu Deus interno, conseqüentemente, é um dos tantos Deuses do universo, que tem a seu cargo a realização de muitas tarefas ou trabalhos… [Diferente é o caso dos falsos mestres…]

Quando alguém, por desinformação ou preconceito ou péssima formação deixa de fazer isso, está expressando uma atitude de auto-suficiência… Pessoas assim jamais ingressarão no Caminho, ainda que creiam estar trilhando-o…

Esse tema da mística, das práticas devocionais dentro da Gnose, tem se tornado um verdadeiro mata-burros – e por quê?

Porque os chamados gnósticos – ou os “gnostiqueiros”, como preferimos denominá-los – não aprenderam o básico. Acaso o Mestre Samael não falou tanto sobre práticas? Acaso o Mestre Samael não falou tanto de quando se encontrava com os Veneráveis Mestres dos mundos internos se prosternava ao solo?

Sim, o boddhisattva de Samael, ao se encontrar com algum venerável Mestre nos mundos superiores, se prosternava aos seus pés… Agora, esses que têm o ego muito vivo, e não querem saber de morrer em si mesmos, esses que acham que a Gnose é algo da mente ou do intelecto, evidentemente saem por aí com uma visão torcida ou distorcida de nossos estudos e práticas…

O pior de tudo é que contaminam muitos outros desinformados… Mas, enfim, semelhante anda com semelhante; os iguais se atraem; lobo anda com lobo. De nossa parte aqui, a partir desta escola que representamos – que é a Fundação Samael Aun Weor – só temos a lamentar; não entenderam o mínimo da proposta gnóstica; não entenderam sequer o que é Gnose; não entenderam e não conhecem a disciplina necessária para alguém se tornar um Iniciado…

Não há como tornar-se um Iniciado e subir os graus iniciáticos sem mística. Há uma conferência, disponível em nosso site, falando especificamente do Bhakti Yoga, que é o caminho devocional, e se aplica cem por cento ao caminho gnóstico…

Então, meus queridos amigos, como estamos para encerrar nosso trabalho neste ano 2007 aqui neste canal, e como tantas vezes avisamos, queremos deixar ainda registrada, gravada, esta exortação para que não desistam, não desanimem, para que não abram seus sentidos à péssima influência das pessoas mal formadas e informadas das coisas deste mundo e dos mundos superiores…

O caminho gnóstico passa pelas práticas devocionais; basta um simples olhar na história para verificar o quanto os primeiros cristãos, cem por cento gnósticos, eram místicos, o quanto de oração faziam, o quanto se dedicavam à parte mística…

Naquele tempo, faziam jejuns, e muitos se retiravam para o deserto; para que? Para fazer penitências, orações e jejuns; foi esta disciplina, essa prática que formou seres, pessoas daquele porte, daqueles que enfrentaram os leões na arena, daqueles que se deixaram martirizar em defesa de sua fé, daquilo que realmente conheciam e não simplesmente acreditavam. Este é o poder da fé, é o poder que leva ao martírio caso necessário.

O próprio Mestre Samael menciona em seus livros que para ele seria uma grande honra subir ao cadafalso por amor à humanidade. Para esses falsos esoteristas, essa é uma declaração de fanatismo, porém ele sabia o que dizia. Francisco de Assis, aos olhos de muitos, também era um fanático; no entanto, era um arrebatado pela mística, nada mais do que isso.

[Como informação adicional] Francisco de Assis, na verdade, foi o boddhisattva de um grande Mestre, do Mestre Koutumi. São Francisco de Assis se auto-realizou seguindo o caminho do TAO. O caminho do TAO é o caminho da iniciação em carne e osso, é o caminho que se vive no dia a dia, é o caminho do sacrifício extremo, como o de Jesus; é o caminho do padecimento voluntário, de sacrificar tudo o que os sentidos podem proporcionar; é o caminho da disciplina dos sentidos, da disciplina do corpo, da mente; é o caminho da entrega para aquilo que se confia.

Confiar é muito mais que acreditar – e por isso deixamos registrado na última aula sobre o poder da fé. Francisco de Assis não tinha uma crença; ele vivia, sentia, era arrebatado por aquilo em que confiava; ele se entregava ao que confiava. Em tudo isso há mística, entrega – e essa mística e entrega se traduz em arrebatamentos, anulação de leis da vida tridimensional…

A Gnose ensina que é necessário sacrificar tudo para ganhar a iniciação ou a auto-realização. Agora, tristemente, dentro do meio gnóstico, vemos multidões de pessoas que não renunciam a nada; entregam-se apenas aos prazeres e à vida material; transferem a Gnose dos livros para suas mentes; não a vivem na prática, no dia a dia, porque não têm fé, não acreditam e não confiam… Apenas lêem, acham bonito, legal, mas não praticam, não vivem seus preceitos, nem seus princípios, não querem em último caso disciplinar-se, não querem disciplinar seus sentidos, nem seu corpo, nem muito menos a mente.

Talvez seja hora de dizer alto e claramente que os Deuses apóiam os místicos, apóiam aqueles que confiam neles. Os Deuses jamais entregam a chave dos poderes do universo aos intelectuais porque esses são como Pilatos: hoje estão aqui e amanhã ali. Os Deuses apóiam os místicos porque os místicos os reverenciam. Reverenciar, para a grande maioria, é humilhante; não é um ato de humildade, é um ato de humilhação.

Pois bem, se queremos realmente galgar os graus iniciáticos, temos que encarnar a humildade. A humildade se encarna aos poucos, passando-se por terríveis humilhações, assim dizia o Mestre Samael; porém; nós os estudantes de Gnose; não queremos nos humilhar; somos rebeldes, desacatamos os instrutores, as leis da nossa escola; desprezamos aquilo que está escrito na doutrina que o Mestre Samael nos deixou…

Mas ainda assim, fazendo tudo errado e ao contrário, ainda assim, repito, queremos despertar a consciência, alcançar a iluminação, conquistar graus iniciáticos… Impossível, meus amigos; não há como; nunca encontramos ninguém que o tivesse conseguido.

Portanto, a mística devocional é realmente, nestes momentos finais, o grande derretedor de couraças e carapaças, de estruturas psicológicas. Mas, evidentemente, temos que ter disposição, abertura para fazer práticas, para nos entregar, para confiar.

É evidente que temos um intelecto que nos permite discernir, ou pelo menos deveria permitir o discernimento, aqui nesta vida, entre o que é um Mestre e um farsante… Deveria nos permitir discernir entre o que é verdade e aquilo que é falso, porém até isso, até essa capacidade de discernimento intelectual já a perdemos.

Há tanta literatura de pseudo-esoterismo pelo mundo que isso contaminou de tal maneira nossa mente que literalmente atrofiou, envenenou, intoxicou esta capacidade de discernir.

Então, realmente, o quadro é grave; é difícil encontrarmos parâmetros para poder fazer boas escolhas e tomar decisões importantes. Aqui temos dito sempre que de dois em dois mil anos desce do Alto ou é enviado do Alto um desses Deuses ou um desses Mestres que, mediante a iluminação do seu entendimento, de suas capacidades cognitivas, consegue transmitir à humanidade novos valores, parâmetros, instrumentos para avaliar criticamente aquilo que existe no momento presente.

Porém muitas vezes preferimos escolher o torto para esquadrejar algo em vez de pegar o esquadro para corrigir as distorções. Volto a dizer, meus amigos: a falta de mística no meio gnóstico internacional tem se transformado num autêntico mata-burro. Essa falta de mística nos transformou em “gnostiqueiros” e não em gnósticos… Gnóstico é aquele que vive a doutrina; “gnostiqueiro” é aquele que simplesmente fala e discute a respeito da doutrina e nada realiza.

Meus amigos, estamos nos aproximando do final do ano; mencionamos aqui, algumas vezes, que neste momento está se encerrando a construção da nova Arca da Aliança. Tomemos isso como um símbolo, claro, porque ninguém está construindo nenhuma canoa em lugar nenhum do Brasil. Então, a Arca da Aliança é um símbolo; símbolo de uma época e de uma era.

Quando Noé construiu a sua Arca, preparando-se para os tempos finais do local, da raça, da história ou da cultura no qual estava inserido, evidentemente que recebeu avisos do Alto, da divindade, e acreditou, confiou, teve fé na palavra, na promessa de Deus… Obedientemente, tratou de construir sua Arca, reservando um local ou um lugar para todos que pudesse recolher; ou seja, para todos aqueles que tinham a mesma intuição, previsão, compreensão, que vibravam na mesma oitava. Hoje em dia não é muito diferente; desde 1950 o Mestre Samael tem dito que os tempos finais haviam chegado… De 1950 até hoje se passaram 57 anos e estamos nos tempos finais, isso não mudou. Os tempos finais estão aí; estamos na reta final. Portanto, para entrar nessa nova Arca da Aliança, há condições.

Sobre as condições exigidas para ter direito ao acesso ou ingresso na Arca buscamos abordar, tratar, apresentar ao longo deste ano 2007. Para permanecer no interior da Arca da Aliança, evidentemente deve-se dar continuidade às práticas, manter-se o brilho e a coloração da aura, manter-se a oitava, a vibração; manter-se em sintonia e em harmonia com a divindade; do contrário seremos removidos ou afastados da Arca… Se formos retirados do interior desta Arca é claro que pereceremos quando a hora final chegar; e não está muito longe a chegada da hora final… [2012]

Este ano a Loja Branca está empenhada em aliviar a carga de todos; por isso tem havido as limpezas nos mundos interiores, nas regiões interiores, em cima e em baixo, justamente para facilitar o ingresso das almas na Arca. Neste momento estão ingressando e sendo levados ao Abismo multidões de demônios, vampiros, zumbis, tulpas, egrégoras, possessos, sombras, etc.etc.

Esses personagens estão dentro e fora da Gnose; porque sabemos que dentro da Gnose há muito falso Mestre, há muito zumbi por aí se apresentando como Mestre. O incrível realmente é que muitos acreditam nisso, nessas coisas, mas não têm fé para fazer o seu trabalho, não se entregam à disciplina necessária para ingressar na Arca da Aliança, estar entre os escolhidos entre os poucos que serão preservados.

Há uma certa contradição nisso porque, no fundo no fundo, acreditar é mais fácil, crer é mais fácil, alimentar a ilusão que alguém pode faze algo por nós é bem mais fácil, bem mais simples…

Mas isso não existe; lamento decepcionar se alguém ainda está aprisionado a essa idéia. Os Mestres, sim, facilitam nosso caminho; os Deuses facilitam nosso caminho, mas ainda assim cada qual precisa fazer a sua parte; é preciso fazer a parte que lhe corresponde e confiar; isso é uma entrega…

Para entrar na Arca da Aliança é preciso trabalhar e trabalhar muito; para permanecer no interior da Arca, igualmente é preciso trabalhar muito. Para ser removido da Arca basta encostar-se; basta não fazer nada; acomodar-se; isso é suficiente.

Portanto, meus amigos, hoje queríamos realmente enfatizar a necessidade de trabalhar e trabalhar muito com mística, com as práticas devocionais, com as meditações, invocações, pedir realmente ajuda, ajuda aos Buddhas, aos Mestres, à lei divina, aos Deuses. Apelar à Mãe Divina pela eliminação dos defeitos, viver conduta reta, fazer a parte que nos corresponde; sair da esfera do intelecto, da leitura, do simples processo de escanear informação ao cérebro e passar a viver esta Gnose que todos nós conhecemos em maior ou menor grau. Portanto, o que precisamos agora é mais ação e menos abstração; é preciso colocar a mão na massa, fazer, realizar…

Isso é o que é esperado de nós; em fazendo isso, dou testemunho, realmente as coisas acontecem. É preciso ter paciência, persistência, e realizar realmente a parte que nos cabe sem esperar um resultado para amanhã ou depois.

Quantos estudantes de Gnose conseguem iniciar um sistema de práticas, e manter por mais de um mês ou dois? Aí param, desistem… Porque no fundo, no fundo mesmo, estavam esperando algum resultado… Talvez estivessem alimentando a expectativa de algum encontro com algum Mestre ou de algum Deus; como isso não ocorreu, sentiram-se frustrados, desenganados, traídos até, de certa maneira… Então, param – numa atitude de vingança aos Deuses…

Meus queridos amigos, não é essa a visão das coisas, não é este o caminho, a direção. Se nós, pelas decisões de vidas anteriores, e desta também, acumulamos e empilhamos karma sobre karma, temos dívidas; primeiro temos que negociar este passivo, temos que desentulhar o porão, livrarmos-nos de lastros e de coisas velhas e antigas que não nos servem para nada… É preciso reconstruir a casa, fazer uma limpeza profunda em nossa mente; é preciso mudar nossa forma de pensar, e sair da esfera das crenças para a esfera da ação, da realização…

Até aqui nossas palavras iniciais desta noite… Ficamos à disposição para ampliar este tema de acordo com as inquietudes de cada um…

 

Perguntas

 

P: Como é possível um Mestre ouvir as muitas preces que são feitas a ele ao mesmo tempo?

R: Minha amiga, é que nós ainda não temos um entendimento do que seja um Mestre. Não conseguimos conceber e aceitar a idéia de que um Mestre não é um corpo de carne e osso que está a nossa frente. Isso é a forma de barro deste Mestre… Mesmo em astral este Mestre apresenta-se numa forma humana por questão de conveniência; porém o Mestre, o chamado “Mestre” é a consciência cósmica individualizada; é esta “consciência” que ouve tudo.

Vamos colocar em outras palavras dizendo o seguinte: os ouvidos de Buddha são todos os ouvidos de todas as pessoas da humanidade. Se você imaginar duas orelhas numa figura de Buddha saiba que ele ouve através dos ouvidos de todos os sete bilhões de pessoas deste planeta. Isso é um Mestre e isso explica e responde para você como um Mestre pode ouvir tudo ao mesmo tempo e estar em todas as partes; isso é uma trava mental que temos que superar…

 

P: A quem se refere quando diz que não temos discernimento, que não confiamos já que estamos aqui nesta escola?

R: Meu querido amigo, o seguinte: não temos discernimento quando nos deixamos levar para distintas direções. Quando queremos estar em muitos lugares não estamos em lugar nenhum; quando ouvimos muitas fontes é porque não temos discernimento; quanto mais fontes consultamos, menos discernimento temos. Você diz que não confiamos nesta escola, mas aqui estamos… Você talvez tenha essa confiança em nossas palavras; mas você pode garantir e assegurar que todos que estão aqui presentes nesta sala têm a mesma percepção, sentimento? E aqueles que não estão aqui nesta sala, mas que baixam as aulas e as conferências, têm o mesmo sentimento, a mesma percepção? Nós aqui fazemos exortações para a humanidade como um todo; buscamos deixar algumas palavras ou mensagens para a consciência de todo aquele que chega, quer esteja na Gnose ou fora. Nós nos dirigimos num sentido muito amplo…

 

P: De que serve ao homem saber tudo e ter tudo se não tem domínio sobre o coração?

R: É verdade, mas te respondo da seguinte maneira: será que aquele que não tem domínio sobre o coração sabe tudo e tem tudo? Ou ele apenas “crê” e se ilude com a projeção que ele mesmo cria que tem tudo e sabe tudo? Medite!

 

P: Pode ampliar um pouco a idéia do padecimento voluntário!

R: Padecimentos voluntários é escolher renúncias; por exemplo, posso me satisfazer respondendo a uma provocação, mas eu também posso escolher guardar silêncio, mesmo que internamente uma tormenta se precipite; esse é um pequeno exemplo de um padecimento voluntário. Também posso sacrificar gostos pessoais; por exemplo, em vez de ficar duas horas por dia na frente da televisão, em vez de locar filmes para me divertir, posso usar esse mesmo tempo para fazer meditações ou práticas. Para o ego, esse é um padecimento, mas para aquele que tem thelema, que disciplina seu corpo, seus sentidos, aí tem um padecimento voluntário… Enfim, a partir daí você pode ir enumerando outras coisas, porque todos nós somos tentados pelos sentidos. Por exemplo, qual o maior sacrifício para o ego luxurioso do que disciplinar-se voluntariamente e deixar de olhar as formas atraentes do sexo oposto? Isso é padecimento voluntário, renúncia. Se estivermos atentos a nós mesmos, aos processos psicológicos de cada momento, de cada dia nosso, vamos então morrendo aos poucos, vamos renunciando, e de padecimento em padecimento vamos morrendo e fortalecendo nossa vontade. Tudo isso é renúncia às sensações proporcionadas pelos nossos sentidos. Aqueles que são casados e praticam alquimia, enfrentam o grande desafio que é sacrificar os prazeres e sensações do corpo para fazer luz; há sacrifício maior do que esse? Muito dos solteiros ou viúvos, na verdade, quando buscam parceira[o], ainda que digam que querem fazer a grande obra, em realidade querem apenas satisfazer-se – e assim você pode ampliar infinitamente este processo de renúncias e sacrifícios voluntários…

 

P: Fazendo-se invocações ao Íntimo, podemos chegar ao vazio iluminador?

R: Sim, podemos, mas não vai conseguir isso em algumas poucas horas, em alguns poucos dias. O Mestre Samael não falou claramente sobre o tempo necessário; ele simplesmente disse: “faça isso e obterás aquilo!” Isso que chamamos de tempo é relativo. Conheci e conheço estudantes que na primeira prática de desdobramento astral desdobraram-se e sofreram traumas e abandonaram esses estudos pelo trauma causado, pelo resultado instantâneo. Então, o que é uma bênção para uns é uma tragédia para outros… Todo aquele que faz invocação ao Íntimo, que faz suas práticas devocionais, obterá resultado – e é isso que podemos garantir e testemunhar. Mas não podemos dizer exatamente em quanto tempo isso vai ocorrer… Pode ser uma semana, um mês, dois anos, dez anos, trinta anos… A pergunta que deixo no ar é: “Você está disposto a trabalhar 10, 15, 20, 30 anos sem ter resultados concretos?” – Este é o caminho… Alguém pode trabalhar dez anos e não ter resultado, mas no décimo primeiro ano receber tudo que não recebeu em dez anos, só que ninguém acredita nisso… Conhecemos casos concretos em que assim ocorreu… A prova era essa: vamos ver quanto tempo alguém se mantém fiel a uma decisão, a uma escolha, e aí os Mestres o submetem a esse tipo de prova ou provação. Por isso aqui temos sintetizado algo que não podemos abrir totalmente, dizendo: façamos a parte que nos cabe e confiemos; tudo se dará no devido tempo…

 

P: Como saber o que renunciar?

R: Realmente, para saber ao que renunciar é preciso se conhecer; para se conhecer precisa se auto-observar; para se auto-observar precisa viver atento vinte e quatro horas por dia aos processos interiores e exteriores; para poder fazer isso precisa estudar a Gnose, um mínimo de conhecimento da doutrina gnóstica… Só depois então as coisas começam a andar…

 

P: Já houve, em tempos iniciais da nova Gnose, sinceros praticantes da mística devocional ou sempre houve um fanatismo como hoje vejo em vários grupos que se dizem praticantes de Gnose?

R: Naquela conferência que indicamos há pouco, do Bhakti Yoga, alertamos para essa questão do fanatismo também. Este é um risco que se corre quando não se tem discernimento suficiente entre viver e praticar a mística e estar atento ao mesmo tempo para não cair no fanatismo. Nos tempos primeiros da Gnose, com o Mestre Samael direto entre nós, ele conseguiu formar um grupo muito místico, que tinha experiências diretas e instantâneas. Mas esse grupo era formado de pessoas simples, quase analfabetas – e isso não foi uma escolha pessoal do Mestre Samael na época. Isso acabou ocorrendo porque os de mente complicada – que estavam na Teosofia, na Rosa Cruz, na Maçonaria ou em outras escolas de yoga, místicas e esotéricas dos anos cinqüenta na Colômbia – não quiseram ouvi-lo; quem entendeu e aceitou facilmente a proposta gnóstica foram as pessoas destituídas de intelecto… [pouco intelecto]. Intuitivamente reconheciam na voz e na mensagem do Mestre Samael uma verdade, e se dedicaram às práticas. Depois, quando a Gnose foi se espalhando pelo mundo e chegando às esferas das pessoas de mente complicada,houve uma grande degeneração, eu diria. Porque a Gnose acabou se tornando uma doutrina complicada por aí; em muitos lugares é ensinada uma doutrina muito complicada e distorcida pela mente de seus instrutores… Nós mesmos, aqui na Igreja Gnóstica do Brasil, tivemos que montar um curso de Gnose ao estilo intelectual voltado para mentes complicadas também; tivemos que alcançar os de mente complicada para, gradativamente, depois, ir descomplicando… Conseguimos algumas coisas; por aí pelo Brasil, anonimamente conseguimos reunir um pequeno grupo de pessoas que estão trilhando este caminho, e estão indo bem, desde que começaram a se descomplicar… Muitas vezes, para renunciar a algo primeiro temos que ter este algo…

 

P: Aqueles que derramam o Vaso de Hermes fracassam na Grande Obra?

R: Sim, os que derramam o Vaso de Hemes fracassam na Grande Obra. A grande pergunta que se abre aqui é: “como deixar de derramar o Vaso de Hermes?” Muitas palestras e aulas aqui já realizamos abordando esse tema… A castidade fisiológica é conquistada naturalmente quando tivermos conquistado a castidade na mente. Claro que para isso, em paralelo, é preciso criar e levar adiante uma disciplina de trabalho tanto no mundo da mente, no caso purificação dos pensamentos, quanto aqui no mundo físico, no corpo.

Gradativamente, renunciando às idéias, aquelas idéias que nos foram colocadas ou que absorvemos quando ainda na segunda infância ou na adolescência… Materiais luxuriosos, imagens que recolhemos de novelas, livros, conversas com amigos, colegas de aula, na rua, filmes, vídeos pornográficos… Fomos intoxicados mentalmente falando com esses venenos todos; agora temos que fazer o trabalho reverso: buscar a mente infantil, a pureza da mente. Temos que realizar esse trabalho de purificação da mente e, ao mesmo tempo, treinar nosso corpo para transmutar essa energia; não conheço outro caminho que não este e saiba que isso não se faz da noite ao dia. Então, não adianta nenhum instrutor chegar diante de você e exigir uma castidade para o dia seguinte; isso não acontece. O Mestre Samael também jamais impôs um tempo determinado para alguém conquistar a castidade; sabe todo Mestre o quanto isso custa, até mesmo porque no que se refere à castidade, aí existem muitos “eus causas” que somente serão removidos, destruídos e eliminados depois que a lei divina autorizar – porque isso só ocorre depois de havermos pagado nosso karma à lei divina, e muitas vezes se paga o karma da castidade com derrame do Vaso de Hermes [bem entendido isso] – e aí é que vem a disciplina do guerreiro… Quantos realmente agüentam essa disciplina de querer a castidade na mente e no físico, quando, contra sua vontade, têm o seu ouro saqueado pelo inimigo? Quantos anos alguém agüenta nesta guerra contra os saqueadores? A grande maioria, 99% não agüenta nem o primeiro ano… Por isso que há bem poucos gnósticos de verdade ou auto-realizados, iluminados ou triunfadores dentro da Gnose… São pessoas incapazes de lutar contra a natureza, contra a vida, contra si mesmas… É disso que se trata meu amigo.

 

P: Se o desenvolvimento de um intelecto complexo, no caso um cientista, se isso é seguir o caminho oposto à iluminação?

R: Não necessariamente, embora haja um determinado momento em que se terá que se escolher. Um cientista não necessariamente é intelectual… Pode ser um cientista prático, concreto; é uma escolha pessoal dele viver na teoria ou na prática. Criar e projetar teorias ou buscar respostas concretas na natureza, isso precisa ser melhor examinado para ser corretamente entendido.

 

P: Exemplifique alguns “eus causas” que impedem conseguir a castidade?

R: Para isso é necessário conhecer suas vidas anteriores, é preciso saber o que cada um fez, realizou, que delitos cometeu em vidas anteriores, porque justamente ali estão os eus causas. Por exemplo, uma pessoa que violou ou violentou mulheres em vidas anteriores, claro que desenvolveu uma terrível luxúria, e esta luxúria não será eliminada sem que tenha pagado o karma dos estupros ou das violações cometidas em vidas anteriores. Alguém que abusou de riquezas não superará a pobreza que vive hoje sem que primeiro tenha pago as conseqüências dos abusos econômicos e financeiros de vidas anteriores, e assim sucessivamente, com cada um de nossos sete pecados capitais. Todos temos eus causa em um, em dois, em três ou até mesmo nos sete pecados capitais, depende daquilo que realizou em vidas anteriores e a intensidade com que esses atos foram praticados nessas vidas anteriores.

 

P: Como reconhecer um fanático?

R: É simples: vá aos estádios de futebol, vá aos concertos de rock, vá a outros eventos… Aí você poderá conhecer muitos fanáticos por uma banda, por um cantor, um time de futebol. Veja e observe o comportamento dessas pessoas; é um comportamento irracional… Dentro da Gnose também ocorre isso… Devemos ser gnósticos sim, mas tenhamos sempre o bom senso; o bom senso, que é o mais comum dos sensos, é justamente o senso mais incomum – já dizia alguém, com muita razão, por sinal…

 

P: Há como reconhecer um mitômano no meio gnóstico?

R: Com discernimento desenvolvido sim, é possível. Mas nem sempre a gente desenvolve o discernimento adequadamente sem primeiro entrar em uma, duas, muitas frias. Experiência e discernimento se dão, se adquirem com o número de frias em que a gente entra.

Até há uns anos atrás nós mesmos não tínhamos, embora acreditássemos o contrário, capacidade de discernir um mitômano. Foi preciso entrar na toca dos mitômanos para saber como eles agem e se comportam, e de lá sair… A gente pode entrar e nunca mais sair…

Autor: KARL BUNN


O texto acima é cópia integral, (modificada a pontuação e feitas algumas alterações para dar o formato de texto), de uma conferência ditada por Karl Bunn, presidente da Igreja Gnóstica do Brasil – www.gnose.org.br – realizada ao vivo dia 30.10.2007, por intermédio do programa Paltalk, via Internet. Equipe: Transcrição de texto: Mariana Cunha. Revisado pelo próprio autor.

28 de outubro de 2013

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