ABRAGNOSE - Academia Brasileira de Gnose

Namoro, Sexo e Kundalini

O tema de hoje denominamos de “namoro, sexo e Kundalini”. Para começar vamos tecer algumas considerações sobre o que diz o Mestre Samael acerca do namoro gnóstico. Muita gente nos escreve consultando sobre como é o namoro gnóstico. No mundo de hoje, aonde quer que agente vá e olhe, vemos casais jovens, dizem que namorando.

Quem nasce agora, cresce vendo isso e de certo modo encara como normal. Desde que alguém nasce, a televisão encarrega-se de sua deseducação sexual, pois desde os primeiros anos de vida já se tem o incentivo sexual por meio da dança, de músicas maliciosas e tantos outros procedimentos. Quem nasce hoje, nasce numa era muito estranha e quando se torna adulto já está completamente deformado.

É natural que o jovem que chegue à Gnose hoje pergunte como é o namoro entre estudantes de Gnose. Aí começa uma situação bem delicada, quando respondemos exatamente o que é, chocam-se, não estão preparados para ouvir o que ouvem, pois estão totalmente deformados pelos valores da televisão, pelas músicas com três, quatro, dez sentidos indiretos.

Falar de namoro ou noivado no ambiente gnóstico tornou-se uma situação muito delicada, muita gente nem toca nesse assunto, pois tem medo de perder as pessoas, prefere não falar as coisas claramente a “afugentar as pessoas”.

Aqui não vemos nenhum inconveniente em dizer aquilo que dizia o Mestre Samael acerca disso, e se quiser ir vá, e se vai é porque não tem nenhum interesse de entender a doutrina, conseqüentemente, não tem como avançar por este caminho.

A segunda situação é que muitos, mesmo ouvindo claramente aquilo que lhe é dito, não aceitam, dizem que querem a Gnose, o caminho, querem avançar espiritualmente, mas também querem seguir fazendo o que todo mundo faz por aí, é evidente que são situações excludentes.

Esse tipo de pergunta já faziam as pessoas diretamente ao Mestre Samael quando ele vivia entre nós, eles perguntavam: “Mestre, como é o noivado gnóstico?”. Um dos secretários, inclusive, que era noivo na época, perguntava-lhe: “Mestre, não é permitido fazer isso, nem aquilo?”. A resposta o deixava surpreso. Por aí podemos avaliar uma situação de quase quarenta anos atrás e como o mundo mudou nesses anos.

Quando, hoje, temos de informar o que é o noivado gnóstico, é uma situação delicada, pois ninguém está pronto para isso, a maioria retira-se. Os poucos que ficam fazem de conta que nunca escutaram aquilo que lhes é dito e, assim, acreditam que estando dentro de um ambiente gnóstico a Gnose estará com ele, isso é um engano.

Em matéria de castidade, de pureza, o relacionamento entre o casal nunca mudou, a Loja Branca nunca revogou as suas normas de conduta que é esperada para as pessoas que querem este caminho.

Esse tema de namoro, noivado, casamento, Kundalini, alquimia, tantrismo é um universo muito amplo e delicado, pois exige muita maturidade espiritual de nós e nunca fomos tão despreparados espiritualmente falando.

Feitas essas considerações para fundamentar o tema, vamos começar. Como é o namoro de um casal gnóstico que de fato está interessado em seguir adiante neste caminho?

O Mestre Samael dizia: “o amor começa com uma faísca de simpatia, se desenvolve com o carinho e a convivência e se torna um que ama mais e outro que ama melhor, quando efetivamente podem viver ou expressar aquilo de mais divino e sagrado tem entre um casal” e isso só é possível entre duas pessoas casadas, que se aceitam mutuamente, amam-se, respeitam-se e que estão juntos para cumprir um propósito espiritual. Fora isso, nos parece uma vida de casal comum e corrente.

Para chegar a esses aspectos quase que ideais temos de compreender, superar dentro de nós muitas luxúrias, paixões, desejos, taras, impulsos bestiais, a parte grosseira, brutal, animal que todos nós carregamos, desenvolvidas e alimentadas por nós em vidas anteriores e é contra isso que qualquer um de nós, quando encontra esse caminho, depara-se: enfrentar a si mesmo, suas misérias, todas as suas paixões.

O namoro gnóstico não trás em si todo esse comportamento luciférico das pessoas comuns e, quando o afirmamos, sabemos da resistência que se gera dentro de cada um de nós que ouve isso, sabemos da resistência das pessoas que ouvem isso dentro das salas de aula da Gnose, já que não querem ver-se num retrato de corpo inteiro tal qual todos nós somos.

Mencionar esses temas é botar o dedo na ferida, no que de mais sensível nós temos. Tudo isso exige muita reflexão, meditação, maturidade. O que é mais importante, o que queremos? Podemos. a pretexto de praticar alquimia. Envolver-nos com uma pessoa do sexo oposto, especialmente se aos nossos olhos é uma pessoa atraente. É muito fácil confundir aquela chispa de simpatia com paixão, desejo, luxúria. Mas vamos esquecer essa parte tenebrosa que todos nós temos e somos doutores nessa matéria. Vamos falar daquilo que ignoramos.

O namoro de um casal gnóstico assemelhar-se-ia a um relacionamento puro como o de duas crianças, há aquele encantamento recíproco, aquele clima extasiante, dar-se as mãos, o estar juntos, falar. Rir, fazer coisas juntos, porém nada se consuma, não envolve relação sexual efetiva.

Mesmo com o papel nefasto da televisão, é possível encontrar esse tipo de encantamento ou simpatia. Não há um de nós que na sua infância não tenha tido uma pessoa, criança também, que chamasse nossa atenção, por detalhes, sorriso, cor do cabelo, o jeito de ser. Era um tempo de sonhos. Assim é até hoje nos paraísos da quarta dimensão, onde os casais vivem dessa forma, convivem, estão juntos e respeitam-se nesse sentido. Não avançam as barreiras, tudo é feito passo a passo, ninguém tem pressa, ninguém quer consumar coisa nenhuma. Hoje se conhece, termina “ficando” e, no dia seguinte, conhece outra pessoa e acaba “ficando” e assim vai “ficando” dia após dia, cada semana “fica-se” com alguém.

Dentro da Gnose não é diferente, porque todo mundo sente aquela ânsia de realizar a grande obra, nove meses depois costuma plasmar-se a grande obra desses apressados que não sabem respeitar o tempo ou não levam esses ensinamentos a sério e aí já estragam sua vida ou colocam pedras a mais para arrastar e servir de lastro o resto dos seus dias.

É como se vivêssemos no mundo da fantasia, fôssemos um ET vindo de uma galáxia distante falar dessas coisas aqui, porque é um completo “não senso” para as pessoas deste mundo. Falar disso nesses termos, para traduzir o namoro gnóstico começa assim.

O noivado seria um passo a mais, nas palavras do Mestre Samael, não dá direito a um casal a apressar suas núpcias sexuais, é um comprometimento, um compromisso mais formal de que aquilo que os une não é uma coisa passageira. É algo concreto e com isso intensifica-se a convivência com vistas a conhecer a natureza do outro.

Se respeitarmos essas etapas como deveriam ser respeitadas, então sim estaríamos dando um grande passo para um casamento de êxito espiritual. No entanto, se quisermos queimar etapas, já estamos cavando o nosso fracasso. Falo isso do alto de trinta e três anos de observação, de acompanhamentos, de confidências, de testemunhar ao vivo, sem esquecer dos próprios erros que cometi justamente porque não tínhamos uma orientação nesse sentido. A Gnose, na época, era muito nova no Brasil, praticamente só havia em São Paulo e recém chegada a Curitiba.

Esses são os fundamentos para começarmos certo, se quisermos começar certo. Cada um é livre para fazer o que quiser, para escolher o que é mais adequado a si. Não é porque falamos dessa forma que queremos restringir a liberdade de escolhas de cada um, ainda que sejam péssimas.

Quem quiser seguir esse caminho do matrimônio perfeito, precisa preparar-se para isso. Muita gente é solteira e tem medo de embarcar numa relação e entendemos este medo e estão certos, mas ao mesmo tempo essas pessoas sentem um vazio porque gostariam de ter a oportunidade de fazer esse trabalho, mas o medo de fazer e criar um relacionamento com a pessoa errada é grande.

Como evitar isso? Se você fizer a sua preparação interior com seriedade e profundidade, pode pedir à Lei e ela, cumprindo uma determinação da tua Mãe Divina, encaminhará até você a pessoa adequada para isso. Agora, se não há uma preparação interior iremos sempre atrair uma pessoa com as características que temos dentro. Se não fizemos uma preparação, é evidente que atrairemos uma pessoa com as mesmas características passionais, luxuriosas, egóicas que temos gritando dentro de nós.

Nas palavras nuas e cruas do Mestre Samael, simplesmente um diabo se casa com uma diaba, anjo se casa com anjo. Então, primeiros devemos purificar nossa mente e livrarmo-nos desses egos mais toscos, grosseiros, especialmente os da luxúria para que não tenhamos debaixo do mesmo teto um luxurioso, um adúltero, um traidor, uma pessoa que eventualmente até venha a nos bater, ser a causa de nosso infortúnio.

Se quiser começar direito, faça primeiro a sua preparação interior, siga uma disciplina esotérica, uma disciplina de conduta reta, crie para si uma rotina de práticas diárias, viva em sua casa como se fosse um monge, pratique o selo hermético. Estar no mundo, mas não viver segundo os mundanos. Tudo isso é preciso fazer, não adianta teoria, informação, filosofia.

Esses trabalhos são longos, delicados, isso não acontece em poucas semanas. Uma preparação adequada não dura menos que três, cinco, sete anos, dependendo da condição de cada qual. Se respeitarmos isso, vamos bem, certamente a Mãe Divina vai nos encaminhar alguém, o que não quer dizer que virá um Deus encarnado que nos tirará do abismo, virá alguém adequado para fazer nosso trabalho.

Nesse momento mesmo, conhecemos alguns casais que iniciaram uma vida comum já inspirada por essas orientações, nem assim a adaptação é fácil nos primeiros tempos porque cada um tem suas manias, hábitos, idiossincrasias. Mas como diz o Mestre Samael, se há amor, se alguém efetivamente ama, releva, tolera, compreende, esquece, apaga, deixa de lado as imperfeições da conduta do seu bem amado. Agora, se alguém alimenta rancores por pequenas coisas que acontecem no dia-a-dia é evidente que aí não há amor, essa relação pode tornar-se bastante complicada.

Esses são fundamentos. Começar-se-ia isso desde o namoro, respeitariam-se pelo tempo que fosse necessário, dois, três, cinco anos e não se faria o que todo mundo faz, pois isso não é conduta de um estudante de Gnose sério. E se um instrutor de Gnose tem esse tipo de conduta, minha sugestão é que se distancie, pois ali só há teoria, é a conduta que revela nosso grau e conduta não tem nada a ver com as morais de nossos tempos, tem a ver com a vivência prática, concreta daquilo que ele ensina, no caso a doutrina gnóstica. A doutrina diz para buscar a pureza, a castidade, o respeito, esperar o tempo, casar-se, então assim deveria ser feito.

Na prática, o que temos visto é mudança de parceira(o) muito freqüente, quantos por aí existem que estão no quarto ou no quinto casamento e dizem que estão indo bem no caminho e esperam um dia o fogo dentro de si. Porém, como o fogo vai despertar na coluna de adultero? Não há como, esses são sinceros equivocados, não só ignoram como ignoram que ignoram.

Sobre alquimia, Kundalini, esses temas todos há tão só cinqüenta anos atrás eram desconhecidos pela a humanidade. Foi o Mestre Samael que revelou isso publicamente em seu primeiro livro o Matrimonio Perfeito e isso escandalizou a todos os esoteristas de vanguarda que existiam nas distintas escolas da época. As escolas teosóficas, rosa-cruz, maçônicas eram a vanguarda do esoterismo na época e a publicação desse livro foi uma bomba que explodiu em todos os rincões.

Ninguém sabia desse tema, até então. Aqui na América do Sul a única escola que detinha esse segredo e era algo passado apenas internamente para algumas pessoas, era a Fraternidade Rosa Cruz Antiga, dirigida por Krumm Heller, o Mestre Huiracocha, e foi desta escola que, pela primeira vez, o jovem Mestre Aun Weor, ou ainda, um estudante que nem sabia que era um boddhisattwa e nem suspeitava que a ele caberia liderar um movimento espiritual dessa Era de Aquário, retirou a fórmula da alquimia. Ele apenas retirou a fórmula, havia inúmeros aspectos que descobriu depois. Assim. esses conhecimentos eles demoram a amadurecer e gerar resultados concretos. Hoje em dia é diferente, temos sessenta anos de experiência acumulados institucionalmente falando, não podemos dizer que estamos no começo, porque não estamos.

Aqueles instrutores novatos que receberam pouca formação até ainda podem dizer que desconhecem essas coisas, mas como experiência institucional, o movimento gnóstico tem quase sessenta anos e, mesmo assim, parece que pouco aprendemos, pois seguimos cometendo os mesmos e velhos erros. Uma coisa são os propósitos, os ideais filosóficos, outra coisa são os fatos concretos aqui e agora.

Nesses temas de Kundalini, alquimia, tantrismo que hoje atraem e encantam a juventude, que estão propagados nas revistas, o que aconteceu na vida prática e que o que por aí se diz em sua quase totalidade é magia negra, ensina-se a alquimia tenebrosa, a despertar a kundalini negativa ou kundartiguador. A Era de Aquário, nos seu começo, veio para isso, emergir todo conhecimento secreto da era anterior, então vem de tudo. Isso servirá de adubo para as flores que surgirão nesta Era

Muitos vão perecer e ingressarão no abismo por terem aderido às práticas tenebrosas da ciência alquímica, do kundalini porque nas livrarias encontra-se de tudo e por aí não faltam aqueles que ficam pregando essas doutrinas todas e os novatos, os jovens, como são atraídos pelas paixões e vícios sexuais é claro que o lado tenebroso dessas mesmas ciências os encantam mais que, por exemplo, aquilo que ensina a Gnose. É muito mais fácil seguir a corrente dos prazeres do que renunciar aos prazeres para que tenhamos fogo puro e não fumaça ou um fogo enfumaçado.

O primeiro mandamento alquímico diz: “aprenda a separar a fumaça do fogo”. Esta frase merece ser analisada, pratica-se muito hoje uma alquimia enfumaçada e não há como, aparentemente, despertar essas pessoas. Somos informados disso, ensina-se por aí luxúria casta, é um vale tudo menos perder energia, vale tudo menos alcançar o espasmo sexual e dizem que estão praticando alquimia, que estão avançando, esperam galgar as iniciações maiores.

Não há como despertar graus de fogo com esse tipo de prática, ou aprendemos desde o começo a refinar o sacramento da igreja de ROMA, como o diz codificadamente o Mestre Samael, ou passaremos a vida inteira praticando uma suposta alquimia gnóstica, sem que tenhamos despertado ou alcançado nada.

Sentimos-nos na obrigação de falar, para que as pessoas saibam da profundidade e delicadeza dessas coisas, porque por aí se ensina muita deturpação. Fora do ambiente gnóstico é compreensível encontrarmos deturpações, afinal de contas é o caos, é o mundo com todas as suas tendências, idiossincrasias, isso é a Babel. O dolorido mesmo é ver que dentro da Gnose, por falta de luz, entendimento, compreensão e consciência, equivocadamente, ensina-se a Magia Sexual, fruto de um péssimo entendimento daquilo que nos legou o Mestre Samael.

Fizemos essas advertências com a esperança que cada qual possa realmente dar-se conta da santidade, da pureza, da profundidade, da delicadeza que é lidar com esses temas. Realmente comove-nos a situação daqueles boddhisattwas caídos que podem perder uma existência em função de uma orientação não correta, podem adiar por muito tempo seu retorno em função de uma orientação incorreta. Temos que aprender desde o começo a distinguir claramente o que é castidade e o que é pura e simples repressão, não podemos praticar alquimia se não temos o entendimento claro do que é esta ciência, arte sagrada e suas implicações.

Quando o Mestre Samael diz que devemos aprender a fazer da Magia Sexual uma forma de oração, é porque assim é, mas na prática se torna difícil efetivamente fazermos isso, porque todos nós estamos tomados de luxúria. Portanto, se não temos interesse em morrer em nós mesmos, em eliminar nossas paixões, de nada adianta o trabalho alquímico, mas para eliminar essas paixões temos que observá-las, estudá-las, analisá-las em meditações para que possamos ter a luz e o entendimento para depois, sim, pedir sua eliminação.

Grande parte da irmandade gnóstica enfatiza a parte alquímica da doutrina, esquecendo que o fundamental é morrer e aquele que não trata de eliminar seus defeitos está correndo rapidamente para situação de hanasmussen, a chamada alquimia ou a luxúria casta desta forma vai reforçar seus próprios defeitos. Isso é delicado, devemos estar atentos a isso.

O trabalho gnóstico é um sistema completo, não é feito de coisas individualizadas sem conexão com os demais aspectos. Aqui sempre temos enfatizado muito, temos que trabalhar simultaneamente com os três fatores, cuidar da auto-observação, pois ela nos dá os elementos necessários à autopercepção e, conseqüentemente, a autoconsciência de nossos defeitos, paixões, vícios.

Se formos inconscientes de nossa conduta é claro que não faremos esforço para modificar essa mesma conduta, nem na vida social, nem na vida familiar e muito menos em nossa vida sexual íntima. Seguiremos com os mesmos pensamentos, as mesmas preferência, os mesmos gostos, as mesmas taras de sempre, das vidas anteriores.

Temos de observar a nós mesmos em nossa intimidade quando formos praticar realmente esse ato íntimo, secreto, precisamos ir com o “chicote na mão”, pois ali ou vamos fazer luz, ou vamos produzir mais trevas. É assim delicado, nessas horas ou alimentamos os elementais internos atômicos com luz ou com trevas.

Se alimentamos nossos chakras, nossas células durante vinte, trinta anos com luz, certamente que seremos iluminados, se alimentarmos com fogo puro, fogo crístico é evidente que crístificaremos todos os nossos átomos. Por outro lado, se durante a vida inteira alimentarmos nossos átomos, moléculas, células com trevas, chegaremos ao final de nossa existência como indivíduos trevosos, a um passo do abismo. Isso porque essas práticas reforçam, multiplicam mil vezes, ou mais, esta força, seja a força da luz ou das trevas. Cabe a nós decidir a quem servir no momento mesmo ali em que estamos em nossa intimidade, podemos ser assistidos nessas horas por nossa Mãe Divina ou podemos ser tocados pelas paixões, pelas trevas do antipolo do kundalini, que é a serpente negativa.

No mundo de hoje existe muita literatura falsa, muita pseudo-sabedoria que vem de antigos tempos, totalmente adulterada, tudo aquilo que ensina o oposto da luz, da castidade, da conduta reta, da iluminação, tudo aquilo que incentiva os vícios, as paixões, a luxúria, os prazeres, essa é uma palavra poderosa. Muitas situações delicadas enfrentamos esses anos quando manifestamos frontalmente a discordância pelo culto ao prazer, as pessoas sentem-se agredidas, insultadas, quando negamos a elas a possibilidade de prazer.

Se falarmos em sexo sem prazer a essas pessoas é a mesma coisa que insultar, no entanto prazer é Satã, se queremos o prazer, a Gnose não é nossa casa. Não que a Gnose seja amante da dor e do sofrimento, esse é outro equivoco. A Gnose não cultua a dor, porque senão a Gnose seria uma escola masoquista de magia negra. Agora isso é um princípio inclusive, há certos elementos que não se misturam, luz e trevas não se mesclam, quando mescladas viram em alquimia o tantrismo cinzento que, em longo prazo, converte-se em tantrismo negro, temos de cuidar disso.

A serpente kundalini não desperta positivamente se não sabemos guardar o depósito, se não sabemos preservar a energia dentro de nós. Por aí muita gente defende a idéia de que não precisa conservar para sempre o sêmen dentro do homem ou a energia vital na mulher e assim, sutilmente, pregam o orgasmo cósmico, múltiplos espasmos, orgasmos eternos e dizem que isso é despertar kundalini e ao culto a Deus, à Shakti. Imagine-se que insultos estão cometendo essas pessoas por sua própria ignorância.

Separemos claramente o que é ovelha do que é cabrito, por isso temos sido radicais em nossas expressões justamente para que não paire duvidas sobre qual é o propósito da Gnose e que ela não tem nada a ver com essas pseudodoutrinas tântricas. A Gnose não ensina um kundalini tenebroso disfarçado de santidade, temos de ser radicais na expressão e ainda sim há pessoas que fingem-se de desentendidas para continuar fazendo o que sempre fizeram. Este é o ego, astuto, diabólico, tremendamente inteligente e que engana para continuar vivendo e alimentando-se.

Mais do que nunca é chegado o tempo de definição. 2007, somado, é nove: a nona esfera, é o ano, por assim dizer, do tantrismo, é o ano da nona esfera, da Magia Sexual, podemos fazer de 2007 o ano da magia sexual positiva ou negativa, dependendo exclusivamente da polaridade, daquilo que fazemos.

Se optarmos por esse caminho, pelo caminho da redenção, é mais do que evidente que temos claro o que deve ser sacrificado. O automóvel para mover-se consome combustível, dentro de nós existem os egos que precisam ser sacrificados para que nos dêem a energia, o impulso em forma de consciência para seguirmos neste caminho. Não há como mantê-los dentro de nós.

Quando alguém dentro da Gnose dispõe-se efetivamente a praticar a alquimia casta, pura, santa, quando alguém trabalha seriamente sobre seus defeitos, praticando o Bhakti Yoga, o Karma Yoga, purificando sua mente, ele vai formando os méritos do coração e esses méritos são os que justamente despertam Kundalini. Muita gente acredita que kundalini vai despertar por acidente, ou que é uma força cega e mecânica que pode saltar para fora. Sãos mitos, as mentiras que foram propagadas nesses milênios todos para manter longe as pessoas dessa ciência e até hoje muitos abrem os ouvidos a isso.

Kundalini, em realidade, é uma das três forças do Universo. Os que estão a mais tempo na Gnose já ouviram falar das três forças primárias: o santo negar, o santo afirmar e o santo conciliar. Essas três forças são onipresentes, como um raio une e interliga tudo no universo, assim como nosso corpo com seus átomos e células interligadas, formando uma espécie de rede neural, assim também o Universo tem todas as suas células e átomos conectados como se fosse essa rede.

O que faz a conexão entre átomos, planetas e galáxias são essas três forças primárias, que no seu conjunto, é aquele raio que nos une ao Sagrado Sol Absoluto. As três forças, quando estão separadas, e voltam a se unir em um determinado ponto, algo surge. Tomando como exemplo de referência o ser humano, essas três forças incipientemente, temos a força do santo afirmar em nosso cérebro, a força do Cristo em nosso coração e a força do Espírito Santo, no qual está Kundalini, em nosso sexo.

Quando, mediante a alquimia, começamos a trabalhar conectando essas três forças, unindo dois pólos, um homem e uma mulher, as três forças individualizadas que estão em cada um vão fundindo-se. Quando os três pólos, cérebro, coração e o da base da coluna, estabelecem uma conexão pela primeira vez, ali ocorre o despertar de Kundalini, então nos mundos internos nasce um Mestre de Mistérios Maiores. Assim explica o Mestre Samael, não com essas palavras, mas traduzindo e resumindo.

Na medida em que vamos sustentando esse trabalho, este poder de fogo vai subindo ao longo da coluna, despertando e alimentando os chakras, ao longo de uma vida. Podemos levantar sete serpentes com seus sete chakras, totalizando quarenta e nove templos principais e quando esse trabalho termina teremos concluído a primeira montanha esotérica, teremos nos transformados em Budas.

Por isso que kundalini não desperta por acidente, não é uma força cega que vai rompendo ossos, músculos e pele como muitos ignorantes letrados têm escrito, espalhado, repetido e insistido. O Mestre Samael diz que kundalini não desperta nos fornicários, nos adúlteros, nos promíscuos, nos bêbados, nos viciados, nos maus chefes de família, nos ambiciosos, invejosos, rancorosos, iracundos. Essas pessoas não têm os méritos necessários em seu coração.

Se quisermos tomar todo esse caminho a sério, tornemo-nos sérios primeiros, tratemos de morrer em nós mesmos, morrer nos vícios, vivendo a conduta reta, expressando o amor a tudo e a todos. Aí há uma caixa de Pandora que temos que abrir, porque as pessoas dizem que amam, mas não têm consciência de onde e de que maneira esse amor expressa-se.

Estive refletindo sobre isso, pois confesso a vocês que esse tema inquietou-me muito, porque eu reconhecia em mim a incapacidade de amar. Durante largo tempo, busquei compreender essas coisas e efetivamente o amor absoluto só um Buda consegue expressar ou ter, agora nós podemos experimentar essa mesma magia do amor de outra maneira. Toda vez que expressamos uma das virtudes, das centenas que existem no universo de nosso ser, demonstramos uma chispa desse amor.

Se nós, por compaixão, por delicadeza, por respeito, decidimos falar baixo ou não falar, falar suavemente, repetir, ter paciência, cada uma dessas virtudes é uma chispa disso que chamamos de amor. Precisamos despertar o amor aos poucos, pois é ele que nos dá os méritos do coração. Não é como muitos falam por aí, “ah o amor resolve tudo”, mas de que amor você está falando? Você tem consciência do que é amar? Sabe como amar? Quanto você pratica todos os dias ou tem capacidade de praticar todos os dias? Desculpando fica mais fácil de assimilarmos e expressarmos.

O amor é a chama, as virtudes são as pequenas chispas, só podemos, na condição de hoje, expressar pequenas faíscas do amor. Como? Expressando as nossas virtudes ao invés dos defeitos. As virtudes são a luz e os defeitos são as trevas. Cabe a nós escolher a quem servir em cada momento de nossa vida. Ao tomarmos consciência de que podemos expressar uma virtude em vez de um defeito aí estamos expressando o amor. Todo mundo faz sermões e têm escrito toneladas de livros com discursos maravilhosos que encantam os emocionalistas sem que nada ou muito pouco se traduza em fatos concretos.

Em Gnose, devemos aprender a cultivar essas pequenas flores delicadas e é por isso que nós aqui, na Fundação Samael Aun Weor, sempre temos insistido na conduta reta, que é a via da expressão do amor em pequenas doses, que é a única coisa que temos capacidade de fazer nesse momento. Um dia, mais tarde, quando tivermos eclipsado toda a treva dentro de nosso interior, aí sim seremos uma chama viva andando pelas ruas de nossa cidade, mas até lá vamos cuidar dessas pequenas chispas, pois é com elas que vamos acender a grande fogueira, se não cuidarmos delas fogueira alguma teremos, pois Kundalini não irá despertar por falta de méritos.

 

Autor: Karl Bunn

Para um maior aprofundamento, recomendamos: O Despertar de Kundalini


O texto acima é uma cópia íntegra, (modificada a pontuação e feitas algumas alterações para dar o formato de texto), de uma conferência ditada por Karl Bunn, presidente da Igreja Gnóstica do Brasil – www.gnose.org.br – realizada no dia 13/01/2007, por meio do programa Paltalk, via Internet. Equipe: Transcrição de texto: Mariana Cunha. Copydesk: Wagner Spolaor

 

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