ABRAGNOSE - Academia Brasileira de Gnose

O Óctuplo Caminho de Buddha

O tema de hoje é: Os oito aspectos do Caminho ou o Óctuplo Caminho de Buddha…

O Mestre Samael já falava sobre esses oito aspectos do caminho da iluminação em 1958, ao escrever o livro Mensagem para a Era de Aquário… Hoje vamos abordar essas oito etapas do caminho segundo a visão gnóstica… [* Há outras conferências sobre o tema, nos arquivos de 2007]

1ª etapa: Reta compreensão 

Isso nos remete ao quão importante é termos a compreensão correta – ou a compreensão criadora – como denominava o Mestre Samael lá em 1958 ao falar disso.

Sem a compreensão correta evidentemente sempre entenderemos ou acomodaremos a doutrina segundo nossos vícios intelectuais, nossa cultura, conceitos, idéias – e torna-se claro então que não poderemos alcançar a iluminação… Para se chegar à Iluminação é preciso o prévio desenvolvimento dessa virtude – que é o reto entendimento ou a reta compreensão ou simplesmente a compreensão correta.

Isso implica em saber distinguir tudo aquilo que é saudável e não saudável a nós mesmos… Aprender a distinguir e desenvolver o discernimento para perceber o pensamento equivocado do pensamento reto ou correto. Distinguir o reto falar do abuso do verbo e assim sucessivamente; tudo isso gira e gravita em torno da reta compreensão…

Incluem-se aqui a compreensão reta das chamadas Quatro nobres verdades, que já abordamos aqui… À medida que vamos desenvolvendo essa compreensão criadora vamos adquirindo confiança no caminho e também uma visão adequada da realidade.

Uma pessoa que tem a percepção equivocada da realidade do mundo jamais fará nenhum esforço para sair das amarras, das teias, das ilusões deste mundo; sempre aplicará mais esforço aos seus negócios, à sua vida mundana que à sua vida espiritual, quando em realidade todos deveríamos pelo menos equilibrar o caminho espiritual com o caminho material; ou equilibrar as atividades profissionais com as atividades espirituais.

A vida moderna nos leva a priorizar – e às vezes a viver – exclusivamente para a vida material, para os assuntos, para os interesses do mundo e esquecer completamente a responsabilidade ou o dever sagrado. Então, é evidente que isso tudo gira em torno de falta de compreensão, falta de reta compreensão acerca da vida e de tudo aquilo que envolve isso…

Este é o primeiro aspecto, a primeira etapa deste óctuplo sendeiro espiritual.

2ª etapa: Reto pensamento 

Falamos já aqui muito sobre a necessidade de mudar a forma de pensar; portanto, não precisamos detalhar muito sobre o pensamento correto. Todos precisamos mudar a forma de pensar… Se seguirmos sempre pensando do mesmo jeito, com as mesmas idéias de sempre, do passado, se nunca reavivamos nossos pensamentos ou as idéias que temos do mundo, do caminho, da espiritualidade, da salvação, da auto-realização, é claro que nunca sairemos do estado atual de consciência…

O pensamento reto é o pensamento que está em harmonia [com a vontade divina], que está de acordo com uma compreensão reta [do que é a vida]. É um pensamento onde não há distorções subjetivas, acomodações… É um tipo de pensamento que não provém e nem alimenta os três principais venenos da mente: ignorância, desejo e raiva.

O pensamento reto ou correto envolve aspectos ou atitudes como cultivar uma mente altruísta, abnegada e alicerçada na generosidade. Aqui entram, portanto, as seis paramitas, as seis grandes virtudes das quais abordamos aqui na última reunião. O pensamento correto é o único tipo de pensamento que nos leva à iluminação.

3ª etapa: Reto falar 

O reto falar num sentido amplo, começa pela cuidadosa escolha das palavras, ou seja, não usar uma linguagem vulgar, não usar palavras imodestas, palavrões e gírias. Reto falar envolve a escolha adequada das palavras, além de passar pela reta forma de se expressar…

Não podemos criar um padrão único de cada um se expressar; cada um de nós pertence a um raio diferente, a uma cultura, a uma história familiar específica… Então, algumas pessoas têm uma expressão natural muito calma, tranqüila e serena; falam sempre em voz baixa… É da sua natureza falar assim. Outros, por “n” elementos ou motivos, sempre falam alto, até por cultura, raça, genética; nasceram falando alto…

Quando aqui mencionamos o reto falar – e também citamos a forma calma ou bondosa ou amorosa de falar – não passa isso por esses aspectos subjetivos… É preciso saber perceber se alguém fala ou está falando com ira, ou impaciência, ou inveja, com outro sentido oculto, com um duplo sentido ou se simplesmente está falando alto e forte…

Também não podemos esquecer que no reto falar muitas vezes expressamos nossas palavras em forma suave, porém com palavras ferinas… Evidente que isso está longe do reto falar… O reto falar envolve uma espontaneidade, uma simplicidade, um dizer a verdade sempre [sem agressividade]. Uma mentira, mesmo dita de forma serena, tranqüila, é mentira; então, não pode ser um reto falar.

Portanto, devemos estar atentos à questão da palavra com a intenção oculta… Isso é muito importante. No reto falar, obviamente, não entram a mentira, a calúnia, a distorção dos fatos, o exagero que geralmente somos dados; não entra a intenção de ferir alguém com nossas palavras, sejam elas ditas em voz muito alta ou com voz muito baixa…

Também passa pelo reto uso do verbo o não falar inutilmente, coisas que não há nenhuma necessidade de falar, piadas, futebol, mulher, fofoca… Tudo isso são exemplos banais do nosso dia a dia que ilustram bem o quão distante estamos do reto falar, do reto uso do verbo. Nem pensar então em reto falar quando nossa palavra semeia desconfiança, discórdia, intriga, suspeita…

Na Loja Branca ninguém fala de ninguém… Nem de bem nem de mal. Ali todo mundo sabe que simplesmente não se deve falar de outros, nem de bem e nem de mal; no nosso mundo, agora, precisamos entender que cada um deve cuidar da sua vida, exclusivamente. Portanto, não existe isso de querer falar do outro: nem de bem nem de mal; simplesmente, não se fala – simples assim.

Quando tivermos que falar, manifestemos nossa opinião, nossa visão, nosso conceito; façamos nosso comentário de forma simples e sem a intenção de impor ou de querer que prevaleça nossa idéia; simplesmente, expressemos nossa opinião… Se os outros aceitarem, muito bem; se não aceitarem, muito bem também; não façamos disso um problema [uma trava mental].

Os chamados debates, as tertúlias, as discussões – isso passa muito longe do reto falar… Isso não tem nada a ver com o Caminho, com o sábio uso da palavra ou do verbo. Então, percebam aí, meus amigos, como o reto falar é muito abrangente; nós somos uma civilização falante, que abusa do verbo. É só olhar a televisão, é só ligar uma emissora de rádio para ver e ouvir quanta bobagem, quanta besteira, quanto abuso de verbo as pessoas – esses profissionais que ganham a sua vida desta forma – cometem todos os dias…

Tomem isso como um parâmetro para ver o quanto nos distanciamos da origem, do reto falar, do não abuso do verbo… Nossas palavras curam, incentivam e alentam ou então fulminam e contaminam o ambiente. Devemos prestar muita atenção nas palavras… O Mestre Samael denomina isso de “palavra justa”.

4ª etapa: Caridade ou sacrifício 

O que é o sacrifício? É o sacrificar-se pelos demais, é o praticar boas obras, é expressar generosidade, é concorrer para aliviar o sofrimento alheio…

O cumprimento do dever sagrado se sintetiza em conduta reta… É evidente, então, que violentar alguém não é conduta reta, roubar alguém não é conduta reta; abuso sexual não é conduta reta; comer e beber muito ou não comer nem beber nada também não é conduta reta…

Temos que aprender a viver em equilíbrio, reconhecer o equilíbrio, praticar o equilíbrio, dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus. Precisamos cumprir nossa responsabilidade neste mundo; não podemos abandonar família, filhos e compromissos e contratos porque isso não seria ação correta ou conduta reta.

Se assumirmos responsabilidades devemos honrar o compromisso assumido até que a lei divina nos libere deste compromisso. Temos durante o dia milhares de oportunidades para expressar ou praticar a conduta reta; é claro que quando falamos também em reto agir isso como que perpassa os outros aspectos aqui mencionados ou que ainda vamos mencionar…

Uma palavra imodesta, por certo, além de não ser reto falar, é, também, conduta não reta…

5ª etapa: Reta maneira de ganhar a vida 

É evidente que se alguém almeja ou anela a iluminação ou a auto-realização, não pode praticar uma forma de viver ou ganhar a vida através de atividades como, por exemplo, um matadouro ou praticar uma profissão que tenha que mentir. Vender ou comercializar armas, drogas, bebidas, de fato, não é uma reta maneira de ganhar a vida. Antigamente, o comércio de escravos também se enquadrava aqui… Hoje, oficialmente, não existem mais escravos, mas muitos empresários dispensam aos seus empregados, funcionários, trabalhadores uma política de escravidão, pagando salários de miséria, de fome, mesmo podendo pagar mais… [E não têm faltado no Brasil denúncias sobre trabalho escravo em fazendas…]

A reta maneira de ganhar a vida envolve e passa pelo exercício de uma profissão reta, isenta de matanças, fraudes, mentiras, armas, drogas, bebidas, prostituição, exploração do ser humano, loterias. Esses são alguns aspectos que estamos colocando aqui agora para reflexão de todos, para que cada um faça um exame de consciência, para que cada qual se veja no espelho da sua consciência… [Alguém pode não ter praticado nada disso “nesta vida” – mas que certeza têm de outras vidas?]

6ª etapa: Reto esforço 

O reto esforço contém muitos aspectos do sacrifício e da caridade… Ninguém consegue exercitar ou praticar uma tarefa, uma responsabilidade ou um dever sem o espírito de sacrifício, sem que tenha a compreensão de ir além do simples dever e obrigação…

Esse é o reto esforço no agir, no fazer, no cumprir tarefas diárias… Nesse esforço reto é claro que só podemos realizá-lo se tivermos diligência… O que é diligência? Diligência é o contrário da preguiça… Um preguiçoso não faz nenhum esforço, quanto mais esforço reto… Até o pouco esforço que faz é feito de má vontade, então, nesse caso, não existe o reto esforço ou o reto trabalho. Não há diligência, falta a ele aplicação e devoção àquilo que faz.

É claro também que nesse esforço reto existe a perseverança no caminho; quem não tem perseverança não triunfa, não avança. Diariamente as pessoas escrevem para cá ou comentam nas comunidades exatamente sobre esse aspecto da inconstância que é o outro pólo da perseverança; inconstância ou falta perseverança é a mesma coisa.

Aqueles que não têm esta virtude, o sentido da perseverança desenvolvido são candidatos ao fracasso pelas suas próprias debilidades, pela sua preguiça, comodismo e também claro fruto de um entendimento não reto a cerca da doutrina e do trabalho espiritual a ser realizado.

Temos que estudar isso, perseverança, persistência, diligencia, entrega, dedicação, entusiasmo, de fazer tudo com alegria. Cabe a nós escolher a forma como viver cada um de nossos dias: podemos vivê-los com alegria ou com má vontade, com ou sem motivação – como se fôssemos arrastados; podemos viver esses dias de forma totalmente desmotivada, se assim optarmos…

Onde e como alguém pode ganhar motivação?

Muitos chegaram a sugerir, no passado, que fizéssemos e desenvolvêssemos cursos de motivação para o caminho…

Ocorre que o caminho não é uma empresa que aplica muito dinheiro em treinamento motivacional dos seus funcionários. Esses cursos servem apenas para colocar cenoura fresca na ponta da vara, com ilusões e promessas…

Esses chamados treinamentos motivacionais podem ter sua utilidade para os adormecidos, para aqueles que são conduzidos pela visão de uma cenoura na ponta da vara… Agora, nós aqui, que nos propomos a acabar com todas as falsas esperanças, acabar com as ilusões e fantasias, temos que desenvolver desde um começo a automotivação; a única automotivação, para aqueles poucos que escolhem o caminho da iluminação ou da auto-realização, é o seu próprio Ser… Não existe outro…

Aquele que efetivamente compreendeu a natureza desse caminho ele se dedica, se entrega, trabalha, se aplica ao seu próprio Ser… Vale dizer, em outras palavras, ele passa a amar o seu próprio Ser, o seu Deus interno, sua Divina Mãe. Se não há este amor ao trabalho, este amor ao seu próprio Ser ou à sua Mãe Divina, não há motivação e não há nenhuma outra coisa que poderá motivá-lo…

A Loja Branca só aceita os que vêm incondicionalmente… Nenhum verdadeiro Mestre faz promessas mentirosas ou ilusórias; os Mestres apenas nos inspiram com seu exemplo; fazem pouco discurso, não usam de muitas palavras, não abusam da palavra.

A maior motivação que um Mestre nos dá e nos deixa é o seu exemplo… Veja-se o exemplo de Buddha… Ele vivia num palácio, cercado de confortos e de belas mulheres; mas percebeu que viver num palácio rodeado de comodidades e prazeres jamais lhe seria possível praticar o reto esforço. Então decidiu abandonar o conforto do palácio e foi viver, como pessoa comum e corrente, mendigando inclusive o que comer… O Cristo Jesus também nos deixou o exemplo belíssimo de renunciar a tudo, tomar a cruz e se deixar crucificar…

Todos os outros Mestres, enviados e avatares deram exemplo… Daniel foi colocado na cova dos leões, outros profetas da antiguidade foram esquartejados, outro foi serrado ao meio… Essa tem sido a recepção que nós, membros deste mundo, damos e fazemos a esses filhos de Deus…

Tudo isso mostra que estamos bem longe da conduta reta e de qualquer um desses oito aspectos que estamos tratando nesta noite.

7ª etapa: Reta atenção ou atenção plena 

O que vem a ser a atenção plena?

Atenção plena é viver atentos a nós mesmos, ao corpo e seus movimentos, às sensações, emoções, pensamentos, imagens mentais, fantasias, projeções, etc. Em outras palavras, é o não esquecimento de si mesmo; a única maneira de termos atenção correta ou atenção plena é não nos esquecermos de nós mesmos; é vivendo em íntima recordação de nosso Ser; é cortando os processos mecânicos da mente… Isso só é possível quando estamos atentos [de forma natural] a nós mesmos…

Se nossa mente projeta fantasias e sonhos, é claro que estamos desatentos; portanto, não podemos ter atenção plena nem atenção correta.

Atenção plena é o primeiro aspecto que a Gnose ensina sob a forma de auto-observação, de não esquecimento de si mesmo, de viver em íntima lembrança de si mesmo o tempo todo…

É claro que, no começo, quando alguém se lança a praticar esses exercícios, ele sofre com isso porque a mente é como um macaco jovem ou irrequieto, que não pára nunca, não sossega. É preciso prender o macaco, amarrar o macaco, símbolo de nossa mente desatenta que pula de galho, que se distrai, que não tem atenção presa, ou focada, ou concentrada em coisa alguma…

Essa mente sempre é atraída para os eventos externos a nós ou para nossos eventos internos, como memória, lembranças, fotografias mentais, memórias de músicas. A mente funciona por associações, mecanicamente, por associações mentais, uma vai levando e puxando a outra.

Quando nós nos dispomos a praticar a atenção plena e correta, com o tempo vamos dominando esses estados de desatenção e vamos focando mais e mais. E com isso vamos desenvolvendo a concentração, que é a capacidade de prender, de voltar o pensamento a um único alvo, ponto ou aspecto – neste caso nosso, ao nosso próprio Ser…

Essa é a prática dinâmica do dia a dia enquanto estamos ativos trabalhando, andando pela rua, ou dirigindo, ou cumprindo nossas tarefas no dia a dia. É claro então que a atenção plena passa por tudo aquilo que nos aparece, nos acontece, seja de positivo ou de negativo; tudo isso devemos nem aceitar, nem rejeitar, nem condenar, nem criticar, nem desprezar, nem nada; simplesmente compreender; a compreensão se dá com o tempo…

Vamos agora ao último aspecto… Esse último aspecto, curiosamente, não é destacado nas distintas escolas buddhistas, porém como dissemos no inicio o Mestre Samael mencionou especificamente este aspecto, que é a oitava etapa do Caminho de Buddha…

8ª etapa: Castidade absoluta 

Quem se der ao trabalho de buscar todos os textos buddhistas tradicionais, seja da escola Mahayana ou da escola Hinayana, dificilmente encontrarão alusão direta à questão da sexualidade…

Como pode um praticante, um adepto, um seguidor dessas correntes populares de Buddhismo obter a iluminação se não lhe é ensinado o sábio uso de sua sexualidade? Se não lhe é ensinado o sexo correto, a prática sexual reta? Esse vem ser um dos oito aspectos do sendeiro, do caminho da iluminação e da auto-realização…

Aqui existe um ponto de discordância com a Gnose… É impossível a iluminação plena sem o pleno domínio das energias sexuais. Todas as religiões ou linhas espirituais ou espiritualistas, externas, mentalistas, pseudo-iniciáticas, pseudo-esotéricas, todas elas se esquecem da sexualidade, se esquecem ou ignoram totalmente…

Algumas conhecem, mas fazem questão de ignorar – o que já é outra coisa, outro cenário. Nós não poderíamos falar do sendeiro da iluminação sem mencionar especificamente a questão da sexualidade ou da castidade como sendo uma das etapas mais importantes, fundamentais e indispensáveis para todo aquele que quer a iluminação ou a auto-realização.

É muito positivo, altamente recomendável e muitas vezes indispensável aprendermos os fundamentos da disciplina buddhista no que se refere à mente, concentração e prática das virtudes; porque nisso o Buddhismo é muito rico, ensinando toda essa disciplina, o desenvolvimento, a prática e a expressão de todas essas virtudes sagradas, santas…

Porém, se alguém deveras estiver interessado em iluminação, em despertar de consciência ou auto-realização, não pode fazer de conta que não existe o sexo e que a sexualidade não é parte fundamental desse caminho. A sexualidade é um dos pontos mais importantes…

Além de fazer a prática ou as práticas diárias de não esquecimento de si, de meditação e de concentração, de tratar de esvaziar a mente e do reto viver, ou seja, a expressão das virtudes no relacionamento com as pessoas, devemos buscar os aspectos da pureza e da inocência para alcançar a castidade, como mencionamos numa conferência anterior aqui neste canal (PALTALK).

Não vamos aprofundar hoje a questão da sexualidade; já temos abordado esse tema em detalhes anteriormente; agora estamos tratando de mostrar alguns outros aspectos, onde cada um desses pontos tem seu valor, sua utilidade, para que não nos percamos nos labirintos da mente, dos conceitos e das idéias; para que não nos deixemos distrair por impressões, palavras e idéias que, no fundo, corresponde aos mesmos princípios transcendentais e sagrados.

É evidente que cada religião, escola, Mestre ou Enviado destacou mais um desses aspectos em função do trabalho que tinha que realizar no seu tempo, na sua época, aqui no cenário terrestre que lhe correspondeu no desempenho da sua missão.

Resumidamente, esses são os oito aspectos ou etapas do Caminho de Buddha:
1. Reta compreensão.
2. Reto pensamento.
3. Reto falar.
4. Reto agir ou comportamento reto.
5. Reta maneira de ganhar a vida.
6. Esforço correto.
7. Reta atenção, atenção plena, concentração, não esquecimento de si.
8. Reta sexualidade ou castidade.

Pois bem, meus amigos, essas oito etapas, esses oito estágios do óctuplo sendeiro são perfeitamente harmônicos com as Paramitas que mencionamos aqui, na conferência anterior. Essas Paramitas formam os fundamentos da ética superior; essas Paramitas todas são virtudes importantes a serem praticadas no diário viver…

Se vocês hoje se derem ao trabalho de pesquisar sobre as Paramitas vocês encontrarão todas as virtudes, donzelas e características que temos falado aqui, desde que iniciamos este trabalho, aqui neste canal.

Nessas Paramitas estão virtudes como generosidade, doação, conduta reta, espírito de renúncia, sabedoria, diligência, esforço, paciência, tolerância, resignação, veracidade, honestidade, determinação, decisão naquilo que se faz, gentileza, serenidade, equanimidade ou justiça, imparcialidade, etc.

São muitas as virtudes… Uma vez tivemos o cuidado e nos demos ao trabalho de reunir as principais virtudes que nos lembrávamos; chegamos a uma lista de 140/150 virtudes, as quais, uma vez compreendidas e que possamos expressar, em maior ou menor intensidade, nos darão a iluminação, e, seguramente, formarão os méritos necessários para o despertar e o desenvolver de kundalini.

Kundalini não é algo mecânico, não é uma mola, não é algo cego que simplesmente desperta porque houve um acidente, algo assim… Muito pelo contrário, é preciso haver um trabalho deliberado neste sentido; devemos buscar essa disciplina e trabalhar com essa disciplina…

O que rege esse despertar e esse desenvolvimento são os méritos do coração, e esses méritos se dão como sabiamente ensinou o Senhor Buddha: na aplicação e na expressão diária de todas essas virtudes.

Até aqui nossas palavras desta noite e ficamos à disposição para os eventuais esclarecimentos que quiserem apresentar aqui e agora nesta nossa reunião.

Perguntas 

P: Sobre uma exortação do Mestre Samael no sentido de não nos tornarmos tristes, mas estar bem dispostos, alegres, felizes, contentes. Como ser assim se o que somos hoje (o ego) está morrendo e, além disso, estamos vivendo as angústias desse processo de mortificação?
R: São etapas, meu amigo! Até os grandes Mestres expressavam tristeza ou passavam por momentos de tristeza; isso não é defeito, nem significa que não se está vivendo uma vida reta. Se até os Mestres choram, então, por que deveríamos nós fingirmos disposição, falsa alegria? Não devemos nos preocupar com isso; essa questão que você levanta muitas vezes passa por uma auto-imagem, e devemos trabalhar com nossa naturalidade, a nossa maneira espontânea de ser; alguns são de temperamentos distintos, não podemos nos equiparar… Há dias que estamos tristes, outros estamos alegres; então não busquemos o estereótipo…

Além disso, se mencionarmos aqui o ser otimista, cada um de nós vai projetar uma fantasia do que é ser otimista… O Mestre Samael era um otimista, mas nem por isso fazia dele um bobo alegre que estava dando risada o tempo todo e sem que ninguém soubesse por quê.
Pelo contrário, ele era muito centrado em si mesmo e rara vez ria; creio que devemos nos despir de tanta fantasia, estereótipos e viver mais a espontaneidade do Ser. Isso se traduz como ação lacônica do Ser! Uma criança não é nem triste e nem alegre; ela é o que é. Há momentos que ela está mais agitada, mais dinâmica, e outros momentos em que não está assim… Tem dia que dá boas risadas, em outros está quieta…

Nesta vida mesmo, durante as piores guerras, sempre havia uma pausa para uma festa, para uma celebração, para um casamento, uma dança. O importante mesmo é viver cada momento segundo o próprio momento. Uma das coisas que me vem à memória neste momento é o seguinte, nas palavras do próprio Mestre Samael, quando ele escreveu esse livro Mensagem para Era de Aquário. Isso foi em 1958; ele exortava, então, os buddhistas da época, ou os buddhistas de agora, dizendo: “Buddhas, renunciai ao Nirvana e abraçai o caminho da cristificação”.

O Senhor Buddha veio a este mundo ensinar o caminho do Nirvana; aqueles que querem o caminho da Cristificação devem ir além dos ensinamentos do Senhor Buddha, que são ensinamentos voltados para iluminação, para o despertar da consciência; não é o caminho para auto-realização íntima ou da Cristificação, melhor dito.

É por isso que a Era de Aquário será uma era de luminosa síntese espiritual. A era de ouro virá depois da catástrofe; surgirá daqui uns quatro/cinco séculos… Essa doutrina-síntese será formada pelo melhor do esoterismo cristão com o melhor do esoterismo buddhista; será exatamente a união da doutrina do Cristo com a do Senhor Buddha…

A Gnose é a introdução, o preâmbulo, o vestíbulo para essa época. Mas raros são aqueles que têm a consciência suficientemente desperta para captar isso. Geralmente, todos nós reagimos à chegada de qualquer doutrina nova, de qualquer mensageiro, avatar ou profeta; sempre preferimos nos aferrar e nos apegar à velha forma de pensar ou às velhas doutrinas e crenças.

Se há algo que o homem resiste por instinto, por natureza, é a chegada do novo, porque o novo é o desconhecido, e o desconhecido sempre foi visto como uma ameaça. É claro que é o ego que se sente ameaçado; consequentemente, devemos buscar essa resistência enterrada profundamente em nossa mente, em nossos egos. E se tivermos suficiente sensibilidade como que para examinar o novo com a consciência e com isenção de ânimo podemos superar essa barreira ou essa armadilha…

Uma vez mencionamos aqui numa reunião anterior que são os bonzinhos que vão para o inferno; os maus vão por opção própria, mas os bonzinhos também vão porque eram bonzinhos; nunca se definiram por nada…

 

Autor: Karl Bunn

Para um maior aprofundamento, recomendamos: As 4 Nobres Verdades


O texto acima é cópia integral, (modificada a pontuação e feitas algumas alterações para dar o formato de texto), de uma conferência ditada por Karl Bunn, presidente da Igreja Gnóstica do Brasil – www.gnose.org.br – realizada ao vivo dia 17.10.2006, por intermédio do programa Paltalk, via Internet. Equipe: Transcrição de texto: Mariana Cunha. Revisado pelo próprio autor.

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