ABRAGNOSE - Academia Brasileira de Gnose

Por que tão Poucos Iniciados?

Boa noite a todos, bem-vindos à nossa reunião de hoje… Denominamos o tema desta reunião com uma pergunta: Por que tão poucos Iniciados?

Há muitas razões e motivos para isso – e é sobre eles ou alguma coisa sobre esses motivos – que em maior ou menor grau, fazem com que efetivamente tenhamos tão poucos Iniciados não só no Brasil, mas como no mundo inteiro. Querem ter uma idéia do que estamos tentando passar? Vamos lembrar alguma coisa…

Sabemos que quando Buddha decidiu abandonar a vida no palácio e seguir o caminho fez quatro grandes votos.

1º – salvar a todos os homens.

2º – renunciar aos maus desejos.

3º – aprender todos os ensinamentos.

4º – alcançar a perfeita iluminação.

Para muitos de nós fazer um voto de salvar a todos os homens soa pretensioso… A verdade é que hoje desdenhamos todo aquele que se propõe a fazer algo em favor dos seus semelhantes. Se alguém chegar a comentar algo contra sobre malícia, maldade, renúncia aos desejos, certamente virará motivo de escárnio no ambiente profissional, entre os amigos e até mesmo em casa.

E se falarmos sobre aprender todos os ensinamentos, certamente irão acreditar que passaremos a vida fazendo vestibular para fazer inúmeros cursos nas universidades atuais.

Quanto alcançar a perfeita iluminação isso é coisa de doido no mundo de hoje, mas desde os tempos de Buddha, e desde os tempos muito anteriores ao advento de Buddha Sakyamuni, com variações não tão acentuadas, este continua sendo o voto de todo aquele que quer este caminho, mesmo que pareça pretensioso ou até mesmo arrogante, mas é assim.

Aquele que busca a iluminação, que sente em si o anelo deste caminho, alcançar a iluminação certamente soa pretensioso aos ouvidos comuns das pessoas. Porque elas só querem saber de ter uma profissão, ganhar a vida, trabalhar, se realizar materialmente, tirar um mês de férias todo ano, ir à praia com a família, criar filhos, comprar uma casa ou apartamento, e assim então cumprir o tempo que a eternidade ou a divindade lhe designou aqui neste planeta; ou seja, faz tudo isso enquanto a morte não chega…

Porém, no caso de Buddha, ele primeiro lançou-se à auto-educação, ele educou-se primeiro em ser amável com todas as formas de vida. Educou-se em evitar a tirar a vida de qualquer criatura e com isso desejou que todos os homens pudessem conhecer a felicidade de uma vida longa e sem enfermidades.

Consta também que Buddha educou-se em evitar o erro do roubo, do furto, e com isso então os homens pudessem ter tudo aquilo que desejassem. Interessante isso não é, meus amigos? Hoje vemos em nosso país classes roubando tudo que podem enquanto oitenta por cento da população vive na miséria ou bem próximo dela…

Buddha, quando quis se lançar neste caminho, ou ao lançar-se neste caminho, educou-se em evitar o adultério e com esta virtude quis ou desejou que todos os homens pudessem conhecer a felicidade de uma mente pura, para que não sofressem com as frustrações dos desejos insatisfeitos.

Creio que perceberam que essa palavra “educar-se” está se repetindo aqui… Mas é assim mesmo: quem quer este caminho deve educar-se…

Uma escola, um instrutor podem ajudar, porém se não há da parte do interessado abertura, humildade suficiente não vai resolver nada; em vez de educar-se, aprenderá a resistir.

Ainda no seu impulso pela iluminação, Buddha educou-se em evitar a mentira – e com isso, falando a verdade, almejou que todos os homens pudessem conhecer a tranqüilidade da mente que advém justamente com o cultivo permanente da verdade, porque aquele que cultiva a verdade sempre estará em paz consigo mesmo.

Buddha educou-se a evitar toda e qualquer forma de falsidade – e com isso quis, desejou, almejou que todos os homens pudessem desfrutar da alegria da amizade entre aqueles que caminhavam com ele ou que haviam se lançado nessa mesma busca… Então, havia um espírito de fraternidade natural, simples, espontâneo entre os companheiros de caminhada. Vale a pergunta: será que temos isso entre os caminhantes gnósticos do mundo inteiro?

E mais: Buddha educou-se em evitar a ofensa – e com isso então indicava o caminho da convivência pacífica e harmoniosa entre os seres humanos. Buddha também se educou em evitar as conversas vazias, a não falar bobagens, a não jogar conversa fiada porque com isso almejava que todos pudessem conhecer a felicidade da compreensão mútua.

Sabemos também que o Senhor Buddha, na busca do seu ideal, evitou a avareza – e com essa virtude desejou que todos conhecessem a tranqüilidade que advém de uma mente livre de todo tipo de cobiça ou desejo. Evitou ainda o Senhor Buddha – ou educou-se – em evitar a ira, e com isso então buscou que todos os seres humanos pudessem amar-se e aceitar-se.

E, por fim, o Senhor Buddha, ao buscar todo o conhecimento, se educou em evitar a ignorância, e com isso desejou, almejou, que todos pudessem entender ou compreender e não ignorassem a lei da causalidade ou a lei das causas naturais…

Sabemos que atrás da lei da causalidade está o karma. Tudo que fazemos gera um resultado, positivo ou negativo; tudo o que fazemos, pensamos, sentimos, gera uma reação, positiva ou negativa. E até mesmo aquilo que não fazemos gera reação ou karma, positivo ou negativo, porque a vida é feita de escolhas…

Todos têm o direito de escolher, e saber escolher é inteligente e necessário. Quando não escolhemos, a vida, as circunstâncias, escolhem por nós; nem sempre a vida e as circunstâncias ou os demais escolhem aquilo que é melhor para nós…

Percebam aí, então, o quão importante é a ação reta em lugar da omissão não reta…

Esta é a importância de compreender a questão do saber escolher, de compreender que a vida é feita de escolhas, e que fazer escolhas é obrigatório nesta existência, e que não escolher é uma escolha, e, talvez, não seja a melhor escolha…

Bem, meus amigos, estes são alguns fundamentos ou postulados que trouxemos nesta noite para embasar a questão aqui proposta: Por que há tão poucos Iniciados…

Entendemos que bem poucos têm buscado realmente a iluminação… Bem poucos têm efetivamente educado a si mesmos em todas estas virtudes fundamentais do caminho da iniciação… Portanto, como alcançar sabedoria ou chegar à iluminação se não treinarmos essas virtudes aqui colocadas?

Virtudes como amabilidade, evitar o furto e o adultério ou o mau uso do sexo ou os abusos sexuais, tão em moda nos tempos atuais… Como evitar a mentira sendo que a mentira hoje se tornou verdade e a verdade se tornou mentira…

Educar-se em ser verdadeiro, evitar a falsidade, evitar ofender a outros, humilhar os outros…

Aqui neste país apreciamos muito a conversa fútil, o jogar conversa fora; podemos ter o entendimento que ficar conversando a toa não tem maiores conseqüências aos que buscam este caminho; mas saibam que isto é abuso do verbo…

O verbo, a laringe, é o segundo órgão criador; o verbo é o sexo divino ou o sexo dos anjos. Nós abusamos do verbo, nós fornicamos com o verbo… Buscamos eventualmente evitar a fornicação sexual, mas não percebemos que ao falar futilidades, fofocar e jogar conversa fora estamos, em realidade, fornicando com o verbo…

Também não nos damos conta que a avareza, que querer ter todas as coisas ou guardar todas as coisas tem outras faces. O contrário da avareza é o ato de dilapidar as riquezas ou os bens…

Devemos aprender a caminhar com os dois pés; buscar o equilíbrio; o equilíbrio está na generosidade.

A ira ou a raiva, como ensina o Senhor Buddha, é um dos maiores obstáculos… A ira e a raiva vibram nos espectro oposto a essa energia que muito se fala hoje, mas que pouco se pratica, que é o amor…

Falamos aqui, agora, do amor entre pessoas… Numa aula anterior, em 2005 ainda, final de 2005, fizemos aqui uma conferência cujo tema é “como amar o inimigo?” Nesta conferencia abordamos a questão do amor entre as pessoas, falamos ali do reto entendimento, da reta compreensão do que vem a ser esta virtude do amor…

Pois bem, meus amigos, nestas questões todas, nestes pontos todos, existem princípios que levam, na vida prática e corrente, a fazer com que tenhamos poucos iniciados. Aqueles que chegam à Gnose hoje estão desinformados e é natural que cheguem assim.

Ao se chegar numa escola, geralmente, em vez de serem bem informados sobre a natureza do caminho, do que é o caminho, muitas vezes encontram deformação ou desinformação maior; conseqüentemente, adiam o seu início de jornada…

O pior é quando permanecem em escolas – sejam elas gnósticas e não gnósticas – em cuja permanência desenvolvem em si a resistência em relação aos autênticos princípios que servem de base para este caminho, aos princípios filosóficos concretos e práticos de vida que caracterizam a verdadeira iniciação…

A verdadeira iniciação não foge daquilo que falamos acima, relativo ao Senhor Buddha. O Senhor Buddha fez um voto solene, um compromisso consigo mesmo, de buscar a iluminação, de renunciar aos desejos, de alcançar a iluminação, custasse o que custasse… O Mestre Samael diz e repete isso muitas vezes: “A iniciação é a própria vida retamente vivida”.

Hoje, se sairmos daqui perguntando sobre o que é a vida, se sairmos daqui perguntando o que significa exatamente “a iniciação é a própria vida” teremos grandes surpresas e, provavelmente, encontraremos um desvio padrão que nos levará ao lado oposto do que quis dizer o Mestre…

Ninguém nos ensinou como educarmos a nós mesmos… As escolas não ensinam como cada um de nós deve educar-se; conseqüentemente, o que é a vida, o que é viver a vida?

Geralmente, o que praticamos e entendemos sobre a vida, e como viver a vida, é isso que herdamos por imitação de nossos pais ou aquilo que, eventualmente, encontramos na escola ou na rua…

Mas poucos de nós, em verdade, paramos para refletir e buscar uma compreensão reta do que é a vida, do que é esse princípio de “a iniciação ser a própria vida” e principalmente de como viver a vida…

Mesmo na iniciação, não há como avançar senão vivendo a vida… Mas o ponto importante, que convém destacar aqui, é o seguinte: para viver a vida retamente precisamos viver cada dia exatamente como ele se apresenta…

Isso é algo simples demais; quem sabe por isso mesmo foge à compreensão; perguntem-se: o que é viver cada dia exatamente como ele se apresenta?

Por que não tentam todos viver a vida cada dia exatamente como se apresenta? Façam essa experiência… Que seja por uma semana… E descobrirão coisas muito importantes, não só acerca de si mesmos, mas também do próprio processo de viver a Gnose…

A iniciação é exatamente isso. A iniciação se dá ou não se dá justamente na forma como vivemos cada dia tal qual se apresenta; pode ser que hoje tenha amanhecido com frio ou com chuva e reclamos; isso quer dizer: não tivemos sensibilidade para nos relacionarmos retamente com o dia de hoje tal qual se apresentou…

Pode ser que ao amanhecer de hoje tenhamos tido, já nos primeiros instantes do dia, uma contrariedade, um acontecimento inesperado que nos irritou; mas exatamente nisso, nesse acontecimento, que se tem a oportunidade de viver o dia exatamente como ele se apresenta…

Quando, efetivamente, tivermos entendido que a vida é isso, que a iniciação é exatamente isso – viver a vida retamente como se apresenta a cada dia, a cada hora ou a cada momento – aí então sim estaremos prontos e maduros para avançar por este caminho, não antes.

Enquanto não tivermos compreensão reta sobre o que é a vida não temos como avançar. Como exemplo, podemos colocar ainda que muitos de nós (e eu não fui exceção à regra, é claro, e falo disso porque compreendi todas essas coisas, porque percebi todos esses processos na minha existência) não queremos viver os problemas, os inesperados e as complicações que se apresentam no dia de hoje…

Muitos anos perdi na minha vida até descobrir que vivia no futuro e não no dia de hoje… Eu queria fugir do dia de hoje, e projetava um futuro sem aqueles fantasmas, tribulações, complicações e problemas que estavam diante de mim naquele momento, naquela hora; queria fugir daquilo tudo…

Só nesse pequeno detalhe muito tempo passou até compreender que o segredo está em viver em plena consciência o momento, o agora, tal qual se apresenta…

Hoje, não temos mais tempo para esperar uma lenta e gradual compreensão… Portanto, ao falarmos disso tudo aqui hoje queremos tão só colaborar para que a compreensão sobre a reta vida e o reto viver se dê mais rápido…

Não há esperança, não há amanhã para aquele que não tem disposição de educar-se, para aquele que não tem disposição de fazer seus votos exatamente como fez o Senhor Buddha.

Isso de viver na flauta, na superfície, como pessoa comum e corrente, não serve para o caminho, não é o caminho, e não nos colocará no caminho; acredite nisso ou não…

O Mestre Samael salientou nos seus livros a questão da liberdade de pensamento, da liberdade religiosa ou espiritual. Muita gente tem muita dificuldade em compreender ou conciliar este livre pensamento ou essa liberdade com a disciplina do caminho ou de uma escola iniciática autêntica.

Quando um desses chega a uma escola iniciática autêntica, e percebe que ali a lei é cumprida e se faz cumprir com o rigor necessário, entra em conflito. Mas é um conflito desnecessário, é um conflito gerado devido à não compreensão do que vem ser liberdade.

Muitos acreditam que numa escola iniciática existe essa coisa que se chama democracia. Numa escola iniciática não existe democracia; democracia é uma invenção que fizeram aqui para poder explorar todo mundo sem que todo mundo se dê conta que é usado ou explorado.

A única liberdade que existe no universo é a liberdade exercitada dentro da lei. É por isso que se diz que “amor é lei, porém amor consciente” ou “amor é lei, porém amor sob vontade” – como alguns traduziram por aí…

Esses que repetem essa frase do “amor é lei, porém amor sob vontade” não entendem o que estão dizendo… Em Gnose não se diz “amor é lei sob vontade”; entendemos que a liberdade existe desde que se cumpra a lei. É claro que alguém só poderá viver livre se tiver compreendido, se tiver tido o entendimento reto do que é a lei, das causas da lei e também que não é possível liberdade fora da lei…

Até mesmo os demônios que organizaram, organizam e conduzem a vida no inferno têm leis, criaram suas leis. Nem eles sobreviveriam, nem sua organização social sobreviveria se não houvesse lei. Talvez as leis que regem a sociedade dos demônios sejam mais rigorosas ou até mesmo cruéis, seguramente são mais duras que a lei divina…

A lei divina se cumpre e se manifesta através disso que falamos “lei do karma”. O Senhor Anúbis – que é o Deus regente administrador da lei divina – administra a lei cósmica em nome das vontades de todos os Deuses. Então, na administração desta lei, pela natureza mesma desses Deuses, tudo se dá e é feito com bastante tolerância e compreensão…

Se não fosse assim viveríamos uma ditadura divina. No entanto, podemos perceber claramente que a lei do karma é suave na aplicação… Os Deuses, o Senhor Anúbis, que administra a lei, é paciente, tolerante, compreensivo; ele dá prazos… Nenhum “castigo” recai na cabeça do violador da lei instantaneamente; há um tempo, e esse tempo é dado, justamente, para que cada qual faça consciência do erro; essa é a expectativa da lei divina…

Porém, na prática, o que se percebe é que o tempo dado para emendar-se, corrigir-se, dar-se conta, arrepender-se, é usado para outros fins… Ou seja, para fortalecer o mesmo vício, para fortalecer o mesmo princípio de transgressão e violação da lei…

Por isso que, de tempos em tempos, há um juízo final, quando toda a humanidade de uma época é julgada coletivamente, e então se aplica o juízo, a decisão universal.

Nos precisos momentos presentes estamos vivendo isso; houve o julgamento da humanidade em 1950, do qual o Mestre Samael nos falou em seus livros. Mas, neste ano 2007, também houve julgamento universal, e disso falamos amplamente ao longo deste ano…

Os que chegam agora, para se inteirar disso, terão que baixar as aulas anteriores e informar-se do que estamos falando… De todas as maneiras, meus amigos, essa rebeldia, essa teimosia em não obedecer, é o que mais tem derrubado estudantes de Gnose…

Uma escola, bem ou mal, no seu respectivo nível, representa uma extensão da lei divina. Se esta escola age perfeitamente em sintonia com os princípios superiores, certamente é uma extensão da vontade divina; mas nós, adormecidos que estamos, irreverentes que somos, não percebemos isso, e sendo inconscientes desses princípios, quase sempre desafiamos para a luta os instrutores e dirigentes; ao fazer isso se fecham as últimas oportunidades e esperanças ou possibilidades de ingressar no caminho…

Aqueles que sofrem do mal da soberba [e quem não sofre?], aquela mesma soberba que derrubou Lúcifer do céu, certamente não tem vez no caminho; nenhuma porta se abrirá a ele, nenhum rebelde sem causa é admitido no seio da Loja Branca.

Temos que ponderar todas estas coisas… Se não conseguimos ter um mínimo de humildade sequer aqui, neste mundo, como que para obedecer, como pretender alçar vôos mais elevados? Não estou falando aqui de não ter direito a perguntar ou a questionar positivamente tudo e todas as coisas… Porém há que se compreender que há maneiras e maneiras; muitas vezes, aquilo que pensamos ser um questionamento, em verdade é um desafio, é algo que podemos colocar até como insubordinação. Muitos não gostam de hierarquia, muitos não apreciam o chamado regime militar, porém, na Loja Branca funcionam esses princípios…

O caminho iniciático é o caminho do guerreiro; aquele que se lança na iniciação, e é acolhido, aceito no caminho iniciático, não existe outra natureza que não a natureza guerreira. O nosso próprio Manas, ou o princípio da alma humana, sempre é guerreiro, quer sejamos homens ou mulheres neste mundo; internamente sempre seremos guerreiros e nos vestiremos como guerreiros… E sempre seremos testados em nossa obediência; sempre seremos testados em nossa humildade; sempre seremos colocados à prova no campo de batalha, no campo de luta.

A grande escola da vida é o que forja o guerreiro ou a guerreira. Portanto, se nós aqui, durante o dia a dia, não conseguimos mudar nosso padrão comportamental, se não aprendemos a viver sabiamente ou retamente cada dia, esses dias comuns e correntes, não temos a têmpera necessária para ingressarmos no caminho… Em outras palavras, não seremos aceitos; seremos rejeitados pelos recrutadores.

Se mesmo agora, fechando esses tempos finais, queremos nos lançar nesta via de iluminação, de resgate, de auto-realização, então urgentemente temos que mudar nossa atitude aqui e agora, no dia a dia, a partir deste momento… Se seguirmos vivendo como sempre vivemos até hoje, com o mesmo padrão comportamental, com as mesmas atitudes, com a mesma forma de pensar, com a mesma forma de agir ou reagir, não há como ter esperanças.

Vencer a si mesmo! – esse é o desafio… Por isso que Buddha fez os votos mencionados no começo desta explanação de hoje. Portanto, meus amigos, fica aí, deixo aqui o convite para rever urgentemente, cada um por si mesmo, na sua intimidade, a sua própria conduta, a sua própria maneira de viver cada dia…

Muitos certamente poderão estar falhando nesse aspecto de querer ter um dia diferente daquele que se apresenta diante de si no presente momento…

Até aqui nossas palavras de hoje; ficamos à disposição para aprofundar os aspectos que acharem necessários…

 

Perguntas

P: Gostaria de esclarecer se viver o dia de hoje como ele é, é a mesma coisa que estar em alerta percepção e auto-observação?

R: Efetivamente, isso que você coloca sim, é parte do processo; devemos viver cada momento em estado de alerta e em estado de auto-observação… A isso podemos acrescentar que esse estado de íntima recordação é viver centrado no próprio Ser, na sua própria consciência. Mas quando hoje aqui dissemos ou abordamos e buscamos chamar a atenção para viver a vida retamente, o que queríamos especialmente colocar, é o aspecto de que, mesmo vivendo em estado de alerta, mesmo fazendo auto-observação, ainda assim podemos não nos dar conta que não estamos vivendo o presente; porque podemos observar as fantasias, as insatisfações que surgem dentro de nós, podemos observar os conflitos que estão dentro de nós ou que aparecem em reação aos acontecimentos do dia a dia, podemos observar tudo isso, podemos ter a percepção de tudo isso, mas a pergunta é: temos a compreensão disso? Quão profunda é essa compreensão acerca desses conflitos? Então, além de perceber, além de auto-observar, é preciso analisar e ter a compreensão ou fazer consciência disso; dar-se conta do que acontece e porque acontece…

 

P: Só se muda com compreensão, e só com muita mística se compreende algo?

R: Bem, meu amigo, a mística abre o caminho, abre as cortinas que nos permite compreender… Mas o processo de compreensão se dá através do estudo e da análise de cada um dos fenômenos e acontecimentos que se apresentam diante de nós ou dentro de nós. Se quiser aprofundar mais esse processo, há, no site, uma conferência especial sobre isso, denominada “compreendendo a compreensão”.

 

P: A iniciação pode ter ocorrido em uma vida anterior e nesta vida apenas estaríamos dando continuidade ao processo, ou isso não é possível?

R: Sem dúvida nenhuma, todo aquele que tem um corpo astral formado, em algum momento de alguma vida anterior realizou algo no caminho iniciático, e nesta vida está sendo chamado, motivado, estimulado. O próprio Ser emana inquietudes de alma para que aquele que aqui vive, ou seja, o boddhisattva, busque este caminho, refaça aquilo que perdeu e, eventualmente, vá além.

 

P: A Loja Branca ainda está recrutando gente nesta altura dos acontecimentos finais?

R: Pode ser que a Loja Branca não esteja recrutando mais ninguém, mas as portas da iniciação ainda estão e permanecerão abertas até o final deste ano… O ano que vem não sabemos… Temos dito aqui que as portas se fecharão em dezembro. Mas pode ser que, para alguns casos, a porta, mesmo fechada, continue acessível. Mas, definitivamente, quem desperdiçou a oportunidade excepcional, dada este ano, não terá nova chance nesta Era; só em Capricórnio… Sabemos que adiar o trabalho não é aconselhável…

 

P: “É tão mal calar quando se deve falar quanto falar quando se deve calar”; mas como saber se devemos falar ou calar e o que falar, pois às vezes as pessoas não compreendem e podem até se sentirem ofendidas?

R: Temos que desenvolver essa preciosa virtude chamada “discernimento”; temos que trabalhar muito com a intuição; temos que pedir iluminação e inspiração todos os dias para que assim então possamos falar quando se deve falar e dizer o que deve ser dito, nem a mais nem a menos. E também saber quando devemos guardar silêncio… Não há outro caminho, é treino ou prática…

 

P: Quando presenciamos alguém cometendo uma conduta ilícita ou não reta num ambiente de trabalho, se ficarmos quieto estaremos sendo coniventes com a situação?

R: Bem, meu amigo, isso também é parte do aprendizado; dizia o Mestre Samael que aquele que aprendeu a viver é um Mestre. Somos candidatos a aprendizes… Então sobre isso que podemos chamar de conduta ilícita, mas aceitável e normal na vida e no mundo comum e corrente, devemos guardar silêncio… O que o outro faz diz respeito ao outro, e não a nós. Devemos cuidar de nós, não vivermos ou termos conduta ilícita, não fazermos o que eles fazem…

 

P: Viver o dia como ele vem! Há coisas que atrapalham nossas práticas; é mais importante servir o momento ou fazer as práticas passivas?

R: Meu amigo, sugiro que você faça as práticas passivas quando tem oportunidade para fazê-las, e exercite a prática dinâmica vivendo a vida tal qual ela se apresenta diante de seus olhos, como é o dia a dia, a prática dinâmica. Isso não quer dizer que você pode fazer o que eles fazem, atente bem a essa palavra. Não é porque todo mundo faz que ao aspirante do caminho é permitido fazer o que os outros fazem. Isso é falta de compreensão do que seja a questão da conduta reta. Os outros vivem e tocam suas vidas como lhes achar melhor, como lhes parecer melhor. Mas nós não temos o direito de fazer o que os outros fazem só porque os outros fazem. Se você vive numa comunidade e vê condutas não retas, isso é problema de quem faz isso; isso não te dá o direito de fazer o que eles fazem…

 

P: Se pedimos para sermos assistidos e cometemos um erro, eles [os Mestres] deixam de nos assistir ou continuam? Ou depende da gravidade do erro?

R: Temos dito aqui muitas vezes: não é uma falha, um erro, um equívoco, geralmente cometido sem a intenção oculta ou expressa, que fará com que sejamos deixados ou postos de lado… Aquela frase “para o indigno todas as portas estão fechadas, menos a porta do arrependimento!”, é verdade. Nenhum de nós está livre de cometer erros, nem os Mestres estão isentos de equívocos. Não é por um erro involuntário, por uma fraqueza impensada, por algo inesperado que falharmos, seremos simplesmente abandonados, não. A divindade não age dessa forma, não age com vingança ou espírito de revanche, jamais. O que a lei, os Mestres, a Divindade olham é nossa disposição de seguir adiante, apesar dos erros cometidos e do esforço em não mais repetir aquele mesmo erro; é disso que se trata…

 

P: Precisa despertar o fogo até 31 de dezembro de 2007?

R: Não precisa despertar o fogo até 31 de dezembro, mas que precisa se decidir até 31 de dezembro, isso precisa. E a decisão não é da boca para fora; isso é um dar-se conta mesmo. O fogo é despertado no momento certo… Se despertar o fogo antes, torra a pessoa; ela vira carvão. Para ser resgatado precisa despertar o fogo, e como disse, o fogo é algo que é dado; é dado para quem consegue segurar o fogo. Se botar uma brasa acesa na sua mão, você segura? Então, é preciso estar preparado para esta potência, para esse poder, para este fogo, como dizemos. Primeiro, prepara-se, depois se recebe o fogo – e com isso então garantimos o resgate ou a volta na Era de Ouro de Aquário…

Boa noite, Paz inverencial!

 

Autor: KARL BUNN


O texto acima é cópia integral, (modificada a pontuação e feitas algumas alterações para dar o formato de texto), de uma conferência ditada por Karl Bunn, presidente da Igreja Gnóstica do Brasil – www.gnose.org.br – realizada ao vivo dia 06.11.2007, por intermédio do programa Paltalk, via Internet. Equipe: Transcrição de texto: Mariana Cunha. Revisado pelo próprio autor.

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