ABRAGNOSE - Academia Brasileira de Gnose

Os Reis Magos da Alquimia

Todo o simbolismo relacionado com o nascimento de Jesus é alquímico e cabalístico. Diz-se que três Reis Magos vieram do Oriente para adorá-lO, guiados por uma estrela. Isso só pode ser compreendido por aqueles versados em Alquimia.

O que é a Estrela de Belém? Quem são ou o que representam os Reis Magos?

A Estrela nada mais é que a Estrela de Salomão, vivo símbolo do Logos Solar. O triângulo superior dessa estrela representa o Enxofre, ou seja, o Fogo; o triângulo inferior representa o Mercúrio, a Água.

Mas a que tipo de água se referem os alquimistas? Dizem eles: “a Água Que Não Molha, o Úmido Radical Metálico”. Em outras palavras, é o Exiohehari, o Esperma Sagrado.

Sem dúvida, é por meio da transmutação das secreções sexuais que se elabora essa Água Alquímica extraordinária, as águas puras do Amrita, o Mercúrio da Filosofia Secreta. Vale a pena meditarmos no Selo de Salomão; aí temos o triângulo superior, representação vívida do Enxofre e o inferior, vívida representação do Mercúrio.

Isso quer dizer que o Fogo Sagrado, o Fogo do Espírito Santo, deve fecundar em nós a Matéria Caótica, para que surja a vida; deve fecundar o Mercúrio da Filosofia Secreta. Sem dúvida, é um pouco difícil para entender a questão da Estrela de Belém se não recorremos ao Selo de Salomão e à Alquimia.

Entendido isso, podemos esclarecer algo mais: o Enxofre deve fecundar o Mercúrio. Com o Mercúrio fecundado pelo Enxofre podemos fabricar os Corpos Existenciais Superiores do Ser, os quais formam o veículo de luz para o Cristo. De modo que, se não compreendermos isso, não compreenderemos tampouco o Selo de Salomão ou a estrela que apareceu aos Reis Magos.

Para melhor entender o processo, para melhor compreender o papel da alquimia, analisemos agora o processo de formação de um de nossos corpos internos. Portanto, imaginemos uma pessoa que possua Corpo Astral, alguém que sabe que possui Corpo Astral e que pode usá-lo e mover-se com ele consciente e positivamente, viajar com ele de um planeta a outro. Imaginemos uma pessoa que tem esse Corpo Astral e que esteja trabalhando para convertê-lo num veículo de Ouro Puro, como ensina a alquimia. Essa pessoa não poderá transformar seu corpo astral em corpo de ouro astral sem eliminar o Mercúrio Seco, isto é, seus “eus” nem o Enxofre Arsenicado, ou seja, os átomos sanguinolentos da luxúria.

Evidentemente, tal pessoa necessitará de ajuda. Se conseguir eliminar o Mercúrio Seco e o Enxofre Arsenicado ou enxofre venenoso, então seu Corpo Astral se converterá em um veículo de Ouro Puro. Isto é difícil; felizmente, o Cristo Interno intervém e ajuda a eliminar todo esse Mercúrio Seco e esse Enxofre venenoso ou Arsenicado e, por fim, como resultado desses trabalhos, o veículo se converterá num Corpo de Ouro.

Mas, antes que o Corpo Astral venha a converter-se num veículo de Ouro precioso, terá forçosamente que passar por várias etapas. A primeira etapa é simbolizada pela cor negra, pelo Corvo Negro, governada por Saturno. Por que? Porque o Iniciado irá entrar em um franco trabalho de morte; terá que eliminar, destruir, desintegrar todos os elementos negros que leva em seu Corpo Astral, toda a podridão, até conseguir a Cor Branca, que é fundamental. Esta cor branca é simbolizada pela Pomba Branca; os Iniciados egípcios envergavam a veste de linho branco para representar a castidade, a pureza.

O terceiro símbolo é a Águia Amarela. O Iniciado obtém o direito de usar a túnica amarela.

Na quarta fase do trabalho o Iniciado recebe a púrpura; ao atingir este estágio, seu Corpo Astral já estará convertido em um veículo de Ouro Puro da melhor qualidade.

Quem dirige e realiza todo esse trabalho alquimista é precisamente o Cristo Íntimo. Os sábios dizem que o Sal, o Enxofre e o Mercúrio são os instrumentos passivos da Grande Obra; o mais importante, dizem eles, é o Magnésio Interior. Este Magnésio, citado por Paracelso, não é outra coisa que o Cristo Íntimo, o Senhor. Ele deve realizar, em verdade, toda a Grande Obra.

Citei como exemplo o Corpo Astral, mas é preciso realizar trabalho idêntico com cada um dos Corpos Existenciais Superiores do Ser. Sem esse Magnésio Interior da Alquimia, tal trabalho seria absolutamente impossível; por isto é que, ao começar a Grande Obra, deve-se inquestionavelmente encarnar o Cristo Íntimo.

O Cristo sempre nasce no estábulo de nosso próprio corpo, dentro do qual temos todos os animais dos desejos, das paixões inferiores. Ele tem que crescer, desenvolver-se, ascendendo pelos diversos graus até se converter num Homem entre os homens, encarregar-se de todos os nossos processos mentais, volitivos, sexuais, emocionais, etc., etc. Passar-se por um homem comum entre os homens comuns. Mesmo sendo o Cristo um Ser tão perfeito, que não é pecador, ainda assim deve viver como um pecador entre pecadores, um desconhecido entre outros desconhecidos; esta é a crua realidade dos fatos.

Mas o Cristo vai crescendo, vai se desenvolvendo à medida que elimina em si mesmo os elementos indesejáveis que levamos dentro. É tal sua integração conosco que lança toda a responsabilidade sobre seus ombros. Converteu-se num pecador como nós, não sendo Ele um pecador; sentindo em carne e osso as tentações, vivendo como um homem qualquer. E assim, pouco a pouco, à medida que vai eliminando os elementos indesejáveis de nossa Psique, não como algo alheio, mas como algo próprio Dele, vai se desenvolvendo no interior de nós mesmos; isto precisamente é o maravilhoso. Se não fosse assim, seria impossível realizar a Grande Obra. É Ele quem tem de eliminar todo esse Mercúrio Seco, todo esse Enxofre venenoso, para que os Corpos Existenciais Superiores do Ser possam converter-se em veículos de Ouro Puro, Ouro da melhor qualidade. Os Três Reis Magos que vieram adorar o Menino representam as cores da Grande Obra.

A primeira cor é o Negro, quando estamos aperfeiçoando o corpo. Isto, repito, é simbolizado pelo Corvo Negro da Morte, é a Obra de Saturno simbolizada pelo Rei Mago de cor negra; então passamos por uma morte, a morte de nossos desejos, paixões, etc., no Mundo Astral. A seguir vem a Pomba Branca, isto é, o momento em que já desintegramos todos os Eus do Mundo Astral; adquirimos então o direito de usar a túnica de linho branco, a túnica do Phtah egípcio, ou a túnica de Ísis; evidentemente, esta cor é simbolizada pela Pomba Branca; este é ainda o segundo dos Reis, o Rei Branco.

Já bastante avançado no aperfeiçoamento do Corpo Astral, apareceria a cor Amarela, ou seja, conquistaria o direito a usar a túnica Amarela; então aparece a Águia Amarela, o que nos recorda o terceiro dos Reis Magos, que é da raça amarela.

Finalmente, a coroação da Obra é a Púrpura. Quando um corpo, seja o Astral, o Mental ou o Causal, já se tornou de Ouro Puro, recebe a púrpura dos Reis, porque triunfou. É a púrpura que todos os Reis Magos, como Reis, levam sobre seus ombros. Assim, como podem ver, os Três Reis Magos não são três pessoas, como muitos acreditam; são as cores fundamentais da Grande Obra, e o próprio Jesus Cristo é íntimo, vive dentro de nós. Isso não significa que não tenha havido o Jesus Cristo histórico. Ele existiu sim e viveu em carne e osso todo esse simbolismo alquímico.

O mais duro para o Cristo Íntimo, após seu nascimento no coração do Homem, é precisamente o Drama Cósmico, sua Via Crucis. No Evangelho as multidões aparecem pedindo a crucificação do Senhor; essas não são multidões de ontem, de um passado remoto, como se supõe, de algo que ocorreu há 2004 anos. Não, senhores, essas multidões estão dentro de nós mesmos, são nossos famosos “Eus”; dentro de cada pessoa moram milhares de pessoas, o “Eu odeio”, o “Eu tenho ciúmes”, o “Eu sinto inveja”, o “Eu sou cobiçoso”, ou seja, todos os nossos defeitos; cada defeito é um “Eu” diferente. É claro que essas multidões que trazemos dentro de nós, que são nossos “Eus”, são os que gritam: “Crucifiquem-no, crucifiquem-no!”

* Extrato de uma conferência de III Câmara.

Para um maior aprofundamento, recomendamos: O Fogo Alquímico


Autor: Samael Aun Weor

18 de outubro de 2013

ABRAGNOSE - Academia Brasileira de Gnose

Lançamento 1ª versão: 4 de fevereiro de 1997. Atualizações contínuas e permanentes. Copyright 2005-2014© Todos os direitos reservados. A responsabilidade deste site é da Igreja Gnóstica do Brasil - IGB